Bala na Cesta

Arquivo : Dirk Nowitzki

Nowitzki é 1º estrangeiro com 30 mil pontos na NBA; veja 7 curiosidades
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Fábio Balassiano

E foi com essa cesta que Dirk Nowitzki que entrou na história da NBA ontem à noite.

O alemão fez 25 pontos na vitória do Dallas Mavs contra o Lakers por 122-111 e se tornou o primeiro estrangeiro a chegar a marca dos 30 mil na história da NBA (agora ele tem 30.005). Dirk já era o “gringo” com o maior número de pontos, continua em sexto na lista dos maiores pontuadores de todos os tempos e se aproxima de Wilt Chamberlain, o quinto, que anotou 31.419 em sua carreira.

Isso é o que você já sabe sobre Dirk Nowitzki. O que há de mais curioso na carreira do astro de 38 anos do Dallas Mavericks? Vamos lá!

1) Técnico particular desde os 15 anos -> Holger Geschwindner viu Dirk Nowitzki pelo DJK Würzburg e ficou impressionado. Ofereceu-se para treiná-lo de graça três vezes por semana e criou forte relação com Dirk desde então. Até hoje faz treinos individuais com Nowitzki no Texas. A diferença é que agora Holger é muitíssimo bem pago.

2) Começo difícil em Dallas -> Dirk Nowitzki chegou ao Dallas no Draft de 1998. Foi selecionado na nona posição daquele ano – e logo ridicularizado pela imprensa americana, que se perguntava como o manda-chuva do Mavs, o veterano e visionário Don Nelson, havia recrutado um garotão de 2,13m tão desengonçado assim. As primeiras impressões deram razão à mídia local. Dirk jogou 20 minutos por jogo naquele ano, teve menos de 9 pontos por jogo e chutou apenas 20% nas bolas de três pontos.

3) Steve Nash, primeiro companheiro e melhor amigo -> Dirk não esconde de ninguém que um dos principais responsáveis por ele ter evoluído, e não desistido, foi Steve Nash, contratado pelo Dallas no mesmo ano que ele chegou a franquia. Nash veio trocado do Phoenix Suns, onde não tinha espaço, e também precisou de tempo para se adaptar. O interessante é que ambos foram MVP’s de temporadas regulares anos depois. Nash em 2005 e 2006 na sua volta ao Phoenix. Nowitzki em 2007 pelo Dallas.

4) Choro no título – mas no vestiário -> Após amargar o vice-campeonato em 2006 contra o Miami, Dirk e os Mavs tiveram a chance da revanche cinco anos depois. E aí eles se deram bem ao vencer LeBron James, Dwyane Wade, Chris Bosh e os Heat por 4-2 naquela final. Eleito o MVP das finais, Nowitzki não se aguentou de emoção e começou a chorar quando o jogo se aproximava do final. Com a partida decidida e o relógio perto de sinalizar o fim da decisão o alemão não teve dúvida – correu pro vestiário para desabafar e se derramar em lágrimas. Em entrevista dada ao blog logo depois daquela decisão ele afirmou: “Naquele momento eu pensei em todo o árduo trabalho que tive até realizar o meu sonho, que era ganhar o troféu da NBA. Senti que as lágrimas estavam chegando e precisava de um momento sozinho no vestiário para chorar e me recuperar em paz”.

5) Um dos melhores arremessadores de três pontos da NBA -> Dirk Nowitzki é considerado um dos melhores arremessadores de três pontos da história da NBA. Para alguém de 2,13m, sua habilidade para conseguir arremessos de longe foi e é até hoje espantosa. Na temporada 2009/2010, Dirk, já aos 31 anos, chegou a atingir 42% de aproveitamento, algo mais alto que os 40% de Steph Curry atualmente. Desde 2004 ele tem no mínimo 35% de aproveitamento.

6) Cansado após a NBA foi jogar na seleção -> Dirk estava cansado depois da temporada 2007/2008 da NBA, mas tinha algo na cabeça: jogar a Olimpíada por seu país. Jogou no Pré-Olímpico daquele ano na Grécia, garantiu a vaga dos germânicos e foi uma das principais estrelas dos Jogos de Pequim, onde teve 17 pontos de média e foi o porta-bandeira de seu país na cerimônia de abertura. Dirk, no dia da abertura, chegou a cortar o cabelo deixando os arcos olímpicos amostra, em uma clara alusão a realização de um de seus sonhos de criança. Se aposentou da seleção em 2015 quando os alemães não conseguiram vaga no Rio-2016.

7) Desilusão amorosa e superação -> Dirk namorou Sybille Gerer, jogadora de basquete alemã, de 1992 a 2002, quando ambos se separaram amigavelmente. Nowitzki, então, começou a namorar Cristal Taylor, com quem manteve relacionamento explosivo e doloroso para o astro alemão no final, em 2009. Dirk disse ao jornal Bild na época da separação: “Quando nos separamos estava bem chateado. Não conseguia pensar em outra coisa e posso afirmar que fiquei realmente furioso com os acontecimentos. Ainda quero formar uma família mas agora eu não sei mais quando conseguirei”. Logo depois terminar com Cristal Dirk conheceu Jessica Olsson (foto), irmã dos ex-jogadores de futebol suecos Martin e Marcus Olsson. Com Jessica Dirk tem um casal de filhos.


Mesmo com reforços, Dallas despenca no Oeste – o que acontece com os Mavs?
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Fábio Balassiano

rondo1No final do ano passado escrevi aqui que o Dallas se tornava ainda mais candidato ao título ao Oeste na troca que levou Rajon Rondo ao time texano. Já era um elenco forte, com Dirk Nowitzki, Chandler Parsons, Tyson Chandler e Monta Ellis, e que se tornaria ainda mais perigoso com o ex-armador do Boston comandando as ações e reforçando a defesa de perímetro dos Mavs. Isso tudo, claro, era a teoria.

Três meses se passaram desde a estreia no dia 20 de dezembro de 2014 contra o San Antonio Spurs,e o que acontece no Dallas Mavericks não é nada tão animador assim. Os 20-8 (71%) da fase pré-Rondo se transformaram em 44-27 (61%), o que em uma conta simples mostra que a campanha com o cara está em não mais que razoáveis 24-19 (55%). Não sei se dá para fazer isso, mas com este percentual de 55% os Mavs estariam fora até da zona de playoff no Oeste (o Oklahoma, o oitavo, tem 40-30, ou 58% de aproveitamento). Antes entre as quatro primeiras da conferência, a turma de Mark Cuban despencou e está na sétima colocação (dois jogos atrás do Spurs e apenas três na frente do Thunder).

rick1Não era tão ingênuo de imaginar que logo que chegasse Rondo entenderia as coisas e faria do Dallas um time ainda melhor da noite para o dia. Óbvio que haveria uma fase de adaptação, que um tempo de ajustes seria necessário, mas creio que três meses já seja um bom tempo – e com performances não muito satisfatórias para um time que tem cinco titulares de ótimo nível técnico (Rondo, Ellis, Parsons, Dirk e Chandler). Ao que parece, o gênio indomável do camisa 9 é que fala muito sobre a queda de rendimento da equipe que também recebeu Amare Stoudemire recentemente para melhorar o banco de reservas.

rondo3Rondo reclamou de Rick Carlisle, o técnico (ambos na foto à esquerda), publicamente na primeira semana quando foi colocado no banco em um quarto período. Duas semanas depois mandou o treinador pra bem longe quando Carlisle chamou uma jogada na linha lateral que não o agradou. Quem acompanha o dia a dia da equipe conta que não há clima algum entre os dois – e que isso obviamente afeta a todos.

rondo5Não é questão de colocar Rajon Rondo como o único grande culpado da história. Em esporte coletivo, quando isso acontece todos têm um pouco de culpa no cartório, sabemos bem. Mas quem conhecia a sua história deveria imaginar que um cara que teve problema com Doc Rivers, Paul Pierce, Kevin Garnett e até Ray Allen não viraria um santo da noite para o dia – ainda mais com um dono de franquia que é conhecido por ser um dos caras mais verborrágicos da NBA.

O duro, no caso do Dallas, é que Rondo foi uma contratação durante a temporada e para fazer a equipe se tornar ainda mais perigosa nos playoffs. Não só os Mavs estão mais frágeis, como é impossível não imaginar quão mais preparados eles estariam caso a formação do começo do campeonato fosse mantida.

Rick CarlisleAgora é tarde e Rick Carlisle, o técnico, terá que lidar com isso da melhor maneira possível. Tirar Rondo de quadra pode ser ainda mais perturbador para o ambiente. Sendo o armador agente-livre ao final da temporada, o melhor a se fazer, aparentemente, é tratá-lo com muita calma pois o objetivo final ainda não está perdido.

Toronto Raptors v Dallas MavericksSe o objetivo ao trazê-lo era colocar o Dallas em condição de brigar pelo título da NBA, que os Mavs usem Rajon Rondo da maneira que ele gosta de ser usado – como o condutor do ataque, como o grande artífice do sistema ofensivo e como o cara que fica com a bola em suas mãos pela maior parte do tempo. É o melhor para um técnico que sempre gostou de movimentação de bola, de fluência no ataque? Não. Mas o Dallas tem Rondo na armação e eu acho muito difícil de eles terem sucesso com o camisa 9 em quadra de outra maneira.

Concorda comigo? Já dá para descartar o Dallas? O que aconteceu com os Mavs de uma hora para outra? Comente aí!


Reforçado, Dallas tem tudo para ser maior concorrente do Spurs no Oeste
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Fábio Balassiano

(A partir de hoje começarei a falar dos times para a próxima temporada da NBA. Não de todos, porque seria impossível, mas dos principais. Um ou dois textos por dia por aqui, fiquem de olho).

trioA temporada 2013/2014 terminou, e o Dallas, eliminado pelo San Antonio Spurs no agonizante jogo 7, tinha mais dúvidas do que certezas em relação ao futuro. Afinal, o que seria daquele time envelhecido, com Dirk Nowitzki, sua principal estrela, como agente-livre, um garrafão sem força defensiva alguma e poucas armas para o jogo externo? Era um quebra-cabeça que a franquia texana teria que montar rápido se quisesse dar aos anos finais da brilhante carreira do alemão Nowitzki um pouco mais de emoção (e não de comoção, como é no caso de Kobe Bryant no Lakers).

Para não dar sopa ao azar o Dallas foi ao mercado sem medo. Perdeu Shawn Marion e Vince Carter, é verdade (ambos que se encaixaram bem no esquema do excelente técnico Rick Carlisle), mas renovou rápido com Nowitzki (e com valor baixo que lhe permitiu ter fôlego nas demais negociações) e trocou o espanhol Jose Calderón por Tyson Chandler para ter mais firmeza defensiva em seu garrafão (uma das grandes deficiências do time no campeonato passado). Campeão com a franquia anos atrás, Tyson tornou-se uma verdadeira obsessão para a diretoria depois da temporada abaixo da crítica do pivô Samuel Dalembert. Encontrar um “cincão” que protegesse o aro com segurança passou a ser a prioridade da franquia, que achou em um rosto conhecido (e bem inteligente) a sua tábua de salvação.

mavsDe quebra os Mavs receberam Raymond Felton, de quem não sou fã, mas se for bem (e pouco) utilizado pode ajudar na rotação. Além de Chandler vieram Jameer Nelson (armador do Orlando Magic), Richard Jefferson (veterano e útil ala) e Al-Farouq Aminu, nigeriano que fez uma temporada passada bem razoável pelo New Orleans e que traz força física a ala do time. O elenco, que já era bom, ficou fortíssimo.

Mas o melhor reforço acabou vindo mesmo de uma forma inesperada. Agente-livre restrito, Chandler Parsons estava dando sopa no mercado. O Houston Rockets ficou de olho (gordo) em Carmelo Anthony, moscou e viu seu rival do Texas fazer uma proposta milionária por Parsons.

Na tentativa de conseguir Chris Bosh, acabou sem nada – Parsons foi mesmo para Dallas e o ala renovou com o Miami Heat. Aos 25 anos, número de sua camisa também no Mavs, o ala chega para assumir a posição 3 do com um contrato de US$ 45 milhões por três anos e muita responsabilidade.

dirkTudo bem que o valor pode ter sido muito alto por um “especialista” (Parsons baseia muito seu jogo nas bolas longas), mas essa era justamente uma das fragilidades do Dallas na temporada passada. Dirk Nowitzki não arremessa de longe há séculos. Monta Ellis, que foi muito bem em 2013/2014, é um cara que ataca a cesta e busca as infiltrações quase sempre. A necessidade da equipe acabou fazendo Mark Cuban aumentar as cifras para ter o camisa 25, e isso é bem natural. Jogando ao lado de Nowitzki e Ellias, as chances de Parsons, que arremessou quase cinco bolas longas com o Houston em 2014/2014 (e com aproveitamento de quase 40%), aparecer livre, livre para chutar de fora são imensas, já que o camisa 41 e o camisa 11 geram desequilíbrios imensos nas defesas adversárias. Para ele, especificamente, o desafio é mostrar que pode fazer outras coisas que não “só” esperar as oportunidades que surgirão para investidas longas mas também que seu jogo ganhou (como vinha ganhando aliás) novos e perigosos golpes.

Por isso a conclusão é uma só: se rodar a bola como manda o figurino e se entrosar rápido, o Dallas tem tudo para ser o principal concorrente do San Antonio Spurs no Oeste. O Oklahoma City Thunder começará o campeonato desfalcado de Kevin Durant e nem se reforçou tanto assim. O Los Angeles Clippers vem forte, mas ainda (note o termo ‘ainda’) não me parece confiável. Os Mavs, por sua vez, têm um cracaço de bola em Dirk Nowitzki (foto à direita), um elenco de apoio recheado de boas opções (nove, dez jogadores podem fazer a rotação de Carlisle) e muita experiência para disputar os playoffs.

Concorda comigo? Nowitzki e o Dallas têm tudo para incomodar o Spurs no Oeste? Comente!


‘Velho’, alemão Nowitzki sente falta dos veteranos no All-Star Game
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Fábio Balassiano

* O blogueiro viajou a convite do Canal Space

dirk1Dirk Nowitzki viveu sensações diferentes em Nova Orleans no fim de semana das estrelas que terminou domingo. Aos 35 anos, o alemão voltava à festa depois de dois anos e estava feliz por isso (já são 12 convocações para o All-Star em sua carreira de 15 temporadas na NBA). Por outro lado, ele olhava para o lado e não encontrava nenhum companheiro de sua geração (Allen Iverson, Tim Duncan, Kevin Garnett, Jason Kidd, Shaquille O’Neal e Kobe Bryant – este lesionado).

Por ser o mais velho em um jogo cada vez mais recheado de jovens (eram seis estreantes), Dirk era constantemente alvo de brincadeiras (principalmente de Blake Griffin, que brincava de arremessar em um pé só, tal qual faz o germânico), mas levava numa boa. Conversei com ele sobre seus difusos sentimentos na Louisiana, carreira, seleção, o momento do Dallas Mavericks e, claro, futebol, uma de suas grandes paixões.

BALA NA CESTA: Este é o seu décimo-segundo All-Star, o primeiro depois de um ano de ausência. Qual é a sensação de participar do jogo aqui em Nova Orleans?
DIRK: Ao mesmo tempo em que fico feliz e honrado de ser lembrado depois de dois anos difíceis, recheados de lesões, fico um pouco desnorteado de chegar aqui e não ver os caras que participavam comigo dos All-Stars desde que cheguei à liga. O mais especial de todos foi o primeiro, no ano de 2002, na Filadélfia. Estava muito deslocado e todos aqueles caras que eu tinha como referências me trataram tão bem que não consigo esquecer. E hoje eu olho pro lado e não vejo Tim Duncan, Kevin Garnett, Jason Kidd, Shaquille O’Neal, Kobe Bryant, Allen Iverson, Paul Pierce. É um pouco triste, sabe! Ontem mesmo eu estava falando com um amigo “Onde estão os caras? Sobrei aqui…” e ficamos refletindo sobre isso. É uma sensação bem estranha. Eu quero estar entre os melhores, é óbvio, eu gosto de estar aqui, é muito bom ser selecionado. Mas não conviver com a turma da última década faz com que seja bem estranho tudo isso aqui também. Agora eu sou o velhinho da turma, né.

kidd1BNC: Você tocou no nome do Jason Kidd. Como tem sido para você ver o seu ex-companheiro como técnico do Brooklyn?
DIRK: Não é fácil, principalmente pelo começo que ele e o time tiveram por lá. Acompanho de longe, mas tento não conversar muito com ele. Jason é um amigo que criei no basquete, um dos melhores jogadores com quem atuei, mas agora ele é treinador de um time rival, né. Houve muitas lesões no início da temporada, ele deve ter sofrido com isso, mas agora o Nets parece ter encontrado uma identidade. Eles têm boas armas, e eu não gostaria de enfrentá-los em uma primeira rodada de playoff, não. Joe Johnson, um All-Star, dois Hall da Fama (Pierce e Garnett) e Deron Williams. Ia dar certo quando todos tivessem juntos em quadra, porque Kidd entende do jogo como poucos.

dirk2BNC: Deu pra perceber que os jogadores brincam muito com você, né. No treino de sábado Blake Griffin, Kevin Love e Stephen Curry ficavam tentando imitar o seu arremesso em uma perna só…
DIRK: (Risos) Pra você ver. Sou quase um idoso aqui no meio deles e eles ficam me sacaneando (risos). Mas eu sei que é com respeito, então está valendo. Eles se divertem bastante. O Love disse que tentou fazer o arremesso em uma perna só antes da temporada e não conseguiu. Perguntou como eu fazia, foi divertido.

BNC: Então, me tira uma dúvida: desde quando você começou a arremessar assim, jogando o peso do corpo todo em cima de uma perna só? Lembro que quando você começou na liga não era assim, não…
DIRK: Não, não era mesmo. Você tem razão. Não sei exatamente em qual temporada foi isso, acho que em 2004, mas eu adotei isso para ter uma vantagem competitiva contra meus marcadores. Quando você joga o peso do corpo todo em uma perna só, consegue abrir mais espaço entre as pernas e dificulta a ação do marcador. Foi tudo pensado, não foi nada coincidência. Não me lembro exatamente como, mas eu percebia que os marcadores colavam o corpo perto de mim e eu não tinha espaço para fazer os drives (arranques). Então eu tinha duas opções: ou bater de frente e enfrentar o rival, usando uma arma que não me favoreceria nunca (o físico), ou usar a envergadura que eu tenho para abrir espaço em relação ao defensor e, mesmo com ele colado, conseguir criar uma distância razoável para arremessar com alguma folga. Acabou dando certo. Hoje eu vejo o Kevin Durant fazendo isso, o Kobe Bryant também (aqui um vídeo completo sobre isso).

2011 NBA All-Star Game PracticesBNC: O Kobe também?
DIRK: Sim, ele mesmo. Cara, teve um jogo em Los Angeles contra a gente que o Kobe fez este tipo de arremesso em um pé só na lateral, todo marcado pelo (Josh) Howard, com cronômetro zerando para o fim de um período. A bola caiu, e o Kobe olhou pra mim e disse: “Ei, alemão, aprendi bem?”. Eu ri. Acho que foi naquele jogo que ele fez 815 pontos na gente em três períodos (Nota do Editor: foram 62 pontos em 33 minutos no dia 20 de dezembro de 2005 – aqui o vídeo). Na verdade não existe um único arremesso que o Kobe não saiba fazer, né.

manuBNC: Uma das grandes conversas que há na NBA atual é a dificuldade que há em se encontrar pivôs e alas-pivôs que gostem e saibam jogar perto da cesta. O jogo acabou migrando muito para o perímetro?
DIRK: Pode ser que por eu ser alemão esta discussão não faça muito sentido. E te explico o porquê. Você não é americano, então poderá me entender melhor. Você deve saber, mas aqui, até pouco tempo atrás, não era permitido marcar por zona, alguns tipos de ações defensivas eram punidas etc. . Com as mudanças das regras, a marcação por zona acabou virando uma grande arma dos técnicos e o jogo acabou mudando. Meu time mesmo ama utilizar as variações da defesa por zona. E foi assim que fomos campeões anos atrás, né. Mas estas modificações foram naturais, e não impostas. A NBA saiu de um jogo de contra-ataque, velocidade e um-contra-um para algo mais elaborado, algo mais pensado. Ficou mais completa, portanto. E isso só pode ser bom. É só você ver o número de armadores europeus e sul-americanos que estão por aqui nos últimos anos. Manu Ginóbili, Ricky Rubio, Prigioni e todos os outros. Eles não estão aqui simplesmente porque sabem pontuar, mas porque sabem pensar, ler as defesas e atuar contra marcações por zona – algo que estão acostumados desde a infância. Eu acho uma bobagem quando dizem que não há mais jogo de garrafão. Há, há sim. Menos, mas é claro que há. E há menos porque há outras situações, outros complementos que não eram vistos antes. Agora os jogadores são mais completos, mais preparados, mais atléticos, mais prontos para agir e reagir em algumas situações que antes não eram vistas. Não acho que seja um grande problema como as pessoas por aqui às vezes querem pintar. Se a NBA é um produto mundial, o jogo também teve que, digamos, se “internacionalizar” um pouco. Quase 25% dos atletas da NBA não são americanos. Quer dizer algo, não?

dirk3BNC: Na temporada passada você jogou apenas da metade pra frente, depois de 13 anos os Mavericks não foram aos playoffs e imagino que a pressão tenha sido grande. Como está sendo pra você neste ano?
DIRK: Muito bom, muito bom. A diretoria fez algumas mexidas, que oxigenaram um pouco o elenco e isso sempre ajuda muito. Pessoalmente acho que ano passado a gente jogou bem, mas já era um pouco tarde quando começamos a reagir e os playoffs não vieram. Pode ser até leviano de minha parte, mas acredito que meu desempenho não seja excelente nesta temporada. Tenho jogado bem, ajudado o time com rebotes e pontos, mas sei que eu e o restante do grupo podemos ir além, podemos fazer mais ainda.

BNC: E o que esperar do Dallas daqui pra frente?
DIRK: Estamos fazendo uma temporada decente, e sabemos que podemos ir bem longe. O Oeste é muito complicado, então temos que ficar sempre em alerta. Da quinta até a décima colocação está tudo muito embolado, e sabemos que qualquer deslize pode custar caro. É o que mais tenho tentado passar ao time. Na semana passada perdemos jogos seguidos e quando fui olhar a tabela estávamos em nono. Ganhamos três consecutivos e estamos sem sexto. Louco isso, não? Mas temos um time forte, um elenco sólido, boas armas ofensivas comigo e com o Monta Ellis. O que precisamos melhorar mesmo é a defesa, que precisa ser mais consistente, e o nosso rebote. Se você pegar os dados, pode reparar que ganhamos quase todas as partidas em que temos um volume de rebotes maior do que o dos adversários. É uma questão de se posicionar melhor, estar mais concentrado. Se tivermos isso estaremos em condição de vencer qualquer um dos nossos adversários.

montaBNC: O desempenho do Monta Ellis te surpreende?
DIRK: Sim, sinceramente sim. Talentoso todos sabíamos que ele era, pois havíamos enfrentado o Monta algumas vezes e tínhamos noção do impacto que ele poderia trazer. Mas nunca se sabe como uma peça vai se adaptar a um sistema que já existe há algum tempo – como é o nosso caso. Ele traz algo muito importante, e que não tínhamos há algum tempo, que é uma condição de desequilibrar a defesa adversária com infiltrações e dribles. Ele dribla em direção a cesta e pontua ou cria boas condições de chute para mim, (José) Calderón e (Shawn) Marion. Isso é muito importante pra gente e tem rendido bons resultados. Ele é bem explosivo, né. Ele sempre foi e sempre será um grande pontuador, explosivo, mas vê-lo apenas como um cara de cestas é um engano. Ele cria muitas situações para o restante do time também, além de lances-livres.

Stephen CurryBNC: Você é um dos grandes arremessadores da história da NBA, isso ninguém tem dúvida. Quem você gosta de ver atualmente? Quem consegue dominar o jogo com chutes hoje em dia?
DIRK: Ah, se eu tiver que citar um eu digo o nome de Stephen Curry, do Golden State Warriors. Gosto do Kevin Durant também. Mas sou um entusiasta do que o Curry faz na quadra. É realmente um absurdo, assustador. O que ele consegue fazer após o drible (off the dribble) é impressionante. A velocidade com que ele quica a bola e sai para a definição é incrível e certamente ele será um dos maiores da história da NBA daqui a alguns anos. Lembro bem que nos playoffs da temporada passada eu olhava pela televisão o que ele fazia, tipo aqueles jogos com 25, 30 pontos em um período, e não acreditava. Toda vez que ele pegava a bola no ataque eu gritava na minha casa para ele chutar. Porque o que ele estava fazendo era de verdade fora do normal, fora dos padrões. Ele será cada vez mais vigiado, mas a sua habilidade em cortar as defesas para logo em seguida sair para o chute faz com que marcá-lo seja uma das tarefas mais complicadas atualmente. Nos 15 anos em que estou aqui não me lembro de ter visto alguém como ele, não. Chutar muitos caras sabem fazer, muitos caras podem fazer. Mas saindo do drible, por cima dos corta-luzes, como ele faz, é quase impossível. E o cara faz parecer fácil.

dirkchampionBNC: Acho que o momento mais especial da sua carreira foi quando você ganhou o título com o Dallas em Miami. E a cena que eu mais me lembro foi quando o cronômetro zerou e você foi para o vestiário chorar (aqui e aqui). Queria que você explicasse um pouco como foi aquela cena, e por que um alemão não pode chorar em público…
DIRK: (Risos) Foi um dos momentos mais especiais da minha vida. É algo que não consigo descrever até hoje, que não consigo medir em palavras. Foi tanto tempo de sofrimento, tanta luta, tantos obstáculos, que a hora que eu vi o título se cristalizando na minha frente eu só consegui correr para o vestiário para me recompor. Você tem razão quando fala da frieza dos alemães. É bem isso mesmo. Fui para um lugar fechado, onde, sozinho, eu poderia dar uma respirada, me emocionar antes de voltar para a quadra. Jamais esquecerei daquele dia porque eu perdi tantas séries de playoff, foi tanta frustração… que quando a gente ganhou eu acabei tendo que extravasar, o que não é comum para mim.

soccerBNC: Você é um apaixonado por futebol, e dentro de alguns meses teremos a Copa do Mundo no meu país, o Brasil. Vai aparecer lá para torcer pela Alemanha? O que está esperando da sua seleção?
DIRK: Você mora em que cidade lá?

BNC: No Rio de Janeiro.
DIRK: Nossa, onde será a final da Copa do Mundo. Que sonho, hein. Aproveite. Mas, bem, eu infelizmente não poderei ir devido a alguns compromissos familiares já previamente agendados. Ficarei torcendo de casa, de longe, e com muita esperança que a Alemanha faça um bom papel. Sei que estamos no grupo da morte, né, com Portugal, Gana e Estados Unidos mas a tradição diz que chegaremos às semifinais. Sempre chegamos às semifinais. Depois disso ninguém sabe (risos). Como um entusiasta do futebol, assistirei às partidas que puder e estou querendo muito saber como será o desempenho do Messi e do Cristiano Ronaldo, meus jogadores favoritos.

germanBNC: Duas perguntas em uma só: alguma chance de você jogar as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro? E quem pode ser o próximo grande jogador europeu a despontar na NBA?
DIRK: Acho que não, acho que não. Não descarto nada mas eu terei 37 anos e não acredito que tenha saúde para jogar no Rio de Janeiro. Adoraria, mas eu não creio. Minha história com a camisa germânica foi linda, e acho que não haverá novos capítulos. Quando você chega a uma certa idade, como eu, o mais interessante a se fazer depois da temporada é ficar estirado em uma cama descansando o seu velho corpo. Sobre o próximo jogador da Europa, eu não posso falar muito pois eu não acompanho. Mas eu leio que o Nikola Mirotic, que irá jogar no Chicago Bulls, tem ido muito bem no Real Madrid.

BNC: Por fim: você já foi MVP de temporada regular e de finais, e campeão da liga de basquete mais importante do mundo. O que ainda te move, o que ainda te motiva?
DIRK: Engraçado, outro dia me perguntaram isso na Alemanha também. O que me motiva é competir, é seguir jogando em alto nível. Pode parecer incrível para quem vê de fora, mas eu ainda sinto que posso evoluir e fazer meus companheiros melhorarem também. Enquanto essa chama estiver acesa pode ter certeza que vou continuar jogando. Tomara que eu consiga voltar a disputar uma final de NBA. É o que mais desejo.


Diário de Nova Orleans – Dia 3
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Fábio Balassiano

* O blogueiro viajou a convite do Canal Space

bosh1Das grandes e maravilhosas coisas que você faz em uma cobertura desse nível a mais maneira pra mim é desvendar um pouco da personalidade dos caras que a gente normalmente só vê quicando bola ou dando entrevista para os veículos da imprensa norte-americana. É uma forma de tirar as suas próprias conclusões – ou, em alguns casos, mudá-las completamente.

Foi o caso de Chris Bosh. Achava o cara meio marrento, amigos dos marrentos LeBron James e Dwyane Wade (estes sim, marrentos toda vida), mas Bosh deu um show de simpatia ontem (sexta-feira) e hoje também (sábado). De terno na coletiva do hotel (ao contrário das roupas extravagantes e de gosto duvidoso que têm sido vistas por aí), o ala-pivô, que tira quantas fotos forem necessárias com as crianças, falou de seu orgulho em chegar pela nona vez ao All-Star (e tem gente que ainda o acha um pereba), não teve qualquer afetação para responder às perguntas mais espinhosas (como a de sua saída de Toronto) e mostrou paciência para falar vinte vezes a mesma coisa para vinte jornalistas diferentes.

dirkAlguns, porém, você já achava um cara fantástico, chega pra entrevistar e só confirma. Dirk Nowitzki é um deles. Jornalista não pode entrevistar um cara e tratá-lo como ídolo, o nosso negócio é gerar desconforto, tirá-lo da zona de conforto para conseguir boas respostas, tudo isso. Mas aí você chega no sábado para tentar colher algumas coisas e aí sim fechar um material bacana e o alemão, que me reconheceu, solta: “Final da Copa do Mundo na sua cidade, hein. Que sonho! Aproveite muito”. Você fica meio sem jeito, meio sem saber o que fazer. Ele é frio pacas (e falou sobre isso pois perguntei sobre aquele momento clássico em que após ganhar o título em Miami ele vai ao vestiário chorar), mas é um primor de educação, respeito ao trabalho dos outros (neste caso da imprensa) e comprometimento com a sua profissão. Ele é o mais velho do jogo que acontecerá amanhã (35 anos), estava longe da festa há duas temporadas, mas dos bate-papos que eu fiz posso dizer que o que mais me orgulhou certamente foram o dele e o de Alonzo Mourning.

Alguns outros caras e impressões rápidas:

1) DeMar DeRozan é muito tímido e parece assustado em seu primeiro All-Star. A todo momento olha pra baixo, procurando se esconder dos jornalistas que se aproximam. Chega a ser engraçado…
vogel12) Frank Vogel (foto à direita), treinador do Indiana Pacers, é tão didático dando entrevista quanto é em seus tempos técnicos. Como o foco estava todo nos atletas, consegui falar com ele praticamente sozinho (era eu e a TV oficial da franquia Pacers) e fiquei impressionado com sua calma e serenidade para dialogar.
3) Kevin Love é um dos caras mais inteligentes que eu já vi nesse meio. É sarcástico (sem perder o tom) com os repórteres, brinca com o assessor de imprensa do time (perguntando a ele se o que deve ser respondido é a tirada mais “política” ou a que ele deveria falar mesmo) e responde a tudo com muita clareza.
4) Kevin Durant é bem direto (como seu jogo). E disse que está bem cansado com as comparações que tentam criar entre ele e LeBron James. Não é pra menos, né. Só perguntam isso pro cara. As duas únicas que fiz pra ele foram sobre Olimpíada/Copa do Mundo de basquete e sobre seu papel de liderança na ausência de Russell Westbrook. Quando ele terminou estas duas, disse que eram as primeiras respostas que ele não precisava pronunciar os nomes de LeBron e Kobe Bryant…

Ah, sim. O terceiro dia na verdade teve isso que o vídeo aqui abaixo conta, tá! Fui!


Dallas fecha com Monta Ellis e José Calderón, e visa última tentativa de título pra Nowitzki
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Fábio Balassiano

O Dallas Mavericks estava muito quieto no mercado de agentes-livres desde que Dwight Howard anunciou que não jogaria por lá na semana passada. Frustrou um pouco os planos da equipe, mas não dava pra ficar parado por muito tempo, não. O time ficou de fora dos últimos playoffs, e a principal estrela da companhia, Dirk Nowitzki, completou 35 anos há menos de um mês entrando no último ano de seu imenso salário (US$ 22,7 milhões).

Mas ontem acabou com a agonia de Mark Cuban, dono da franquia. Os texanos anunciaram o ala-armador Monta Ellis (três anos, US$ 30 milhões), e devem fechar também com Devin Harris para ser reserva do também contratado José Calderón (Harris tem uma lesão que pode impedir a assinatura do contrato, porém). O espanhol fechou por US$ 29mi por quatro anos.

Além deles, os Mavs assinaram com o ala Wayne Ellington, mantêm Shawn Marion, Vince Carter e Joe Crowder, além dos novatos Ricky Ledo, Shane Larkin e Gal Mekel. Dá pra imaginar um ótimo quinteto titular com Calderón, Ellis, Marion, Dirk e algum pivô, com o banco sendo completado por Harris (caso venha), Ellington, Carter, o útil Joe Crowder e Bernard James, único “cincão” do elenco.

E é justamente a posição de pivô que ainda preocupa o Dallas Mavericks. Eles quiseram tanto, mas tanto Dwight Howard que tampouco foram considerados por Andrew Bynum (o ex-Laker escolheu o Cleveland justamente por se sentir segunda opção demais no Texas) e agora vão precisar se contentar ou com James, que mal jogou no campeonato passado (9,9 minutos/jogo), ou com as contratações de Samuel Dalembert, Elton Brand e Brandan Wright (e estes dois últimos nem pivôs de ofício são).

Não dá pra dizer que o Dallas é favorito ao título do Oeste (Rockets, Spurs, Clippers e Oklahoma estão na frente) e que a foto ao lado de Dirk Nowitzki emocionado após o título de três temporadas atrás vai se repetir (acho que não), mas o time que está sendo montado para o último ano de contrato do alemão é muito bom. Ao contrário do que foi feito para Kobe Bryant em Los Angeles, os Mavs cercaram sua principal estrela com dois jogadores bem talentosos (Ellis e Calderón). Não deu pra fazer o serviço completo (um pivô), mas, como diz um amigo, não dá pra ter tudo. Uma vaga no playoff parece certa, e o incômodo que o time causará lá, também.

Concorda comigo?


Dallas cresce, vence três seguidas e ameaça oitava posição do Lakers no Oeste
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Fábio Balassiano

Na semana passada escrevi aqui que a briga final pelas últimas colocações do Oeste ficaria entre Houston, Lakers e Utah, né. E muita gente contestou: “Bala, mas e o Dallas?”. Achei que os caras não conseguiriam chegar, não teriam forças para buscar uma oitava colocação de conferência. E aí o que aconteceu? Os texanos começaram a vencer, óbvio (e se começarem a perder a partir de hoje vocês vão me zoar, eu sei, mas é mais forte do que eu).

Já são três vitórias seguidas (a última, na prorrogação por 109-102, contra o Clippers na terça-feira) e 9-3 nos últimos 12 jogos. O time, que tinha 25-32 no começo de março, tem agora 35-36, está mais vivo do que nunca na briga pela última vaga do Oeste (já colou no Utah Jazz e está a apenas dois jogos do Lakers, o oitavo colocado e que agora tem que lidar também com a ausência de Ron Artest/Metta World Peace, lesionado no joelho) e pronto para ficar com campanha positiva pela primeira vez na temporada desde 21 de novembro de 2012.

A receita do time, que hoje enfrenta o Indiana Pacers em casa no confronto do técnico Rick Carlisle contra sua ex-equipe, passa pelo sucesso recente de Dirk Nowitzki (20 pontos, 8,3 rebotes e 54% nos chutes nos últimos dez jogos) e pelo crescimento surpreendente do veterano armador Mike James (10,4 pontos, 5,1 assistências e boa condução do ritmo do time – foto à direita), além das subidas de produção de Shawn Marion na defesa e em OJ Mayo no ataque.

Os Mavs têm time bem razoável, provavelmente fariam menos feio que os Lakers contra Spurs ou Thunder nos playoffs, jogam justamente contra os angelinos na próxima terça-feira fora de casa e estão bem preparados para este fim de temporada.

Dirk Nowitzki disse que só faria a barba novamente quando seu time chegasse aos 50% de aproveitamento. Acho que ele já pode preparando o barbeador para sonhos um pouco mais altos. Os Mavs chegarão no primeiro objetivo do alemão, gênio de bola. A questão maior que fica é será que a vaga nos playoffs também vem? Comente!


Duas temporadas depois de decisão, Dallas e Miami jogam hoje em momentos distintos
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Fábio Balassiano

No dia 12 de junho de 2011, Jason Terry anotou 27 pontos, Dirk Nowitzki somou outros 21 e o Dallas Mavericks venceu o Miami Heat por 105-95 para fazer 4-2 na final da NBA e conquistar o seu primeiro (e até então único) troféu da liga. Exatos 600 dias se passaram, e hoje as duas franquias voltam a medir forças na Flórida. E em momentos pra lá de diferentes.

No ano seguinte, LeBron James conquistou o seu sonhado título com o Miami, amadureceu horrores (não parece mais a criança que, ao lado de Dwyane Wade, brincou com a gripe de Nowitzki) e neste ano tem jogado uma barbaridade (já são 29 jogos seguidos com 20 ou mais pontos, maior sequência dos últimos 20 anos na NBA, e uma média que beira o triplo-duplo com 26,3 pontos, sete assistências e 8,4 rebotes). Se isso já é muito, imagina um elenco que já era forte, há dois anos, com Ray Allen e Rashard Lewis vindo do banco de reservas. Este é o Miami Heat de 2012-2013, com 21-8 (sete vitórias nos últimos dez jogos e líder no Leste).

Do outro lado estará um Dallas Mavericks cada vez mais em reconstrução e em baixa. Com 13-19 e seis derrotas nos últimos sete jogos (a única vitória veio ontem, na capital dos EUA, contra o Washington por 103-94), os texanos tiveram a volta do craque Dirk Nowitzki há quatro jogos, mas o resultado em quadra ainda não tem sido visto (desde que o alemão voltou, a diferença média nas derrotas foi de incríveis 22,5 pontos e em todos com 105 ou mais pontos sofridos). Os Mavs tentaram, é verdade, reforçar o time com OJ Mayo, Elton Brand, Derek Fisher (que já se foi) e Chris Kaman, mas parece muito claro que Mark Cuban precisa mesmo é abrir o cofre no final desta temporada para fazer dos últimos anos de Dirk na NBA (o cara já tem 34 anos) algo menos sofrido.

Pouco tempo passou, mas os cenários são bem diferentes para os dois últimos campeões da NBA. Em quadra a partir das 22h30 desta quarta-feira (de Brasília). Embora a lógica não seja muito amiga do esporte, é bem improvável que Nowitzki consiga ajudar os Mavs a bater os Heat nesta noite. Alguém não aposta na vitória do Miami na noite de hoje?


San Antonio Spurs atropela Dallas Mavericks no dia do retorno de Dirk Nowitzki às quadras
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Fábio Balassiano

E Dirk Nowitzki voltou às quadras. Depois de se recuperar de cirurgia no joelho, o alemão, craque de bola, jogou na noite de domingo seu primeiro jogo na temporada 2012/2013.

E, bem, não foi bem uma estreia como ele gostaria – ou merecia. Atuando em San Antonio, o Dallas viu sua estrela maior atuar por 20 minutos e anotar oito pontos, mas levou uma surra daquelas de dar gosto. O placar final diz tudo: 129-91 (36-14 no terceiro período e cinco Spurs com 14 ou mais pontos – Tiago Splitter, que teve cinco pontos e sete rebotes, não está entre eles). Foram 20 bolas de três por parte dos donos da casa, batendo o recorde da franquia em arremessos longos.

Com 12-16, resta saber se Dirk terá força para levar o Dallas aos playoffs (creio que sim) e se conseguirá ir além disso. OJ Mayo tem jogado muitíssimo bem (apesar dos seis erros na noite de hoje, ele tem 19,8 pontos e é uma grata surpresa para quem saiu de Memphis sem que a franquia brigasse muito para mantê-lo), mas não há muito mias para onde correr, não.

Será que o alemão consegue? Comente!


Na Contagem Regressiva, alemão Dirk Nowitzki aparece mostrando todo o seu talento
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Fábio Balassiano

O alemão Dirk Nowitzki, do Dallas Mavericks, é um dos melhores estrangeiros a atuar na NBA. Craque consagrado com o título de dois campeonatos atrás em cima do Miami, ele foi pedido para estar aqui na Contagem Regressiva por Marco Tulio, leitor do blog. Fala, Marco!

“Acho que já está na hora de uma menção especial a esse fantástico jogador, um dos melhores estrangeiros da história da NBA. Confesso que sou muito fã dele pelas qualidades do seu jogo, arremesso certeiro, habilidade para se livrar dos oponentes e aquele “pulinho” para trás seu que geralmente é fatal. Tudo isso junto é difícil de se encontrar devido ao seu tamanho e ao seu jogo mais lento e cadenciado. Esse cara merece demais depois da injusta crítica contra ele depois da derrota para o Miami Heat nas finais de 2006, e a sua volta por cima contra o mesmo Heat em 2011 levando o time nas costas e garantindo assim seu único titulo de campeão e MVP da finais. Acho que ele não jogará por muito mais tempo, portanto precisa ser reverenciado ainda em atividade”

Abaixo vídeos do alemão!

O CHUTE CERTEIRO NO JOGO 2 CONTRA O MIAMI NA FINAL DE 2011

 

OS 50 PONTOS E 12 REBOTES NA FINAL DO OESTE DE 2006

 

CONTRA O ORLANDO, UM POUCO DE SUA ARTE