Bala na Cesta

Arquivo : Damiris

Revelações, Damiris e Raphaella lideram Americana e Uninassau na final da LBF
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Fábio Balassiano

Marcello Zambrana

A final da Liga de Basquete Feminino que começa neste sábado (11h, com transmissão do Sportv2) em Americana colocará frente a frente os dois times que mais investem na modalidade há muito tempo por aqui. Corinthians / Americana x Uninassau (Recife) medem forças na melhor de cinco jogos e têm como líderes de seus elencos duas atletas jovens e com potencial incrível para brilhar não só com as camisas de seus clubes mas também com a da seleção brasileira.

Mais experiente, Damiris, do Corinthians, já jogou duas olimpíadas (2012 e 2016), tem 24 anos, é a cestinha e a única atleta da temporada a ter média de 20 pontos. Do outro lado estará Raphaella Monteiro, uma das melhores atletas e maior revelação do atual campeonato. Formada nas divisões de base da Mangueira, a carioca de 22 anos teve 13,7 pontos e 7,9 rebotes para ser a cestinha de um time que conta com jogadoras experientes como Ariadna, Gil e Kelly.

Raphaella Monteiro (Robson Neves / Divulgação)

BALA NA CESTA: Qual a expectativa para essa final? Americana e Uninassau têm se enfrentado bastante nos últimos anos, mas nesta decisão os elencos são bem diferentes.
RAPHAELLA MONTEIRO: As expectativas para a Final da LBF contra o Corinthians são as melhores possíveis. Vai ser muito complicado, sabemos, mas estamos preparadas para ir para a guerra mais uma vez.
DAMIRIS: As expectativas são as melhores para a Final da LBF. Nosso time cresceu no decorrer do campeonato. Chegamos muito bem na semifinal com o time inteiro saudável, sem ninguém machucado, que era nosso grande medo, e com muita vontade de vencer. Estamos confiantes para a série e tenho certeza que serão grandes jogos contra o Uninassau. Um fator muito positivo da nossa equipe é a base de nosso elenco, que vem jogando junto há algum tempo. Faz quatro anos que eu estou no basquete de Americana e a gente vem sempre mantendo esse time base. Isso acaba fazendo nossa equipe mais forte a cada temporada da LBF.

Damiris (João PiresLBF)

BALA NA CESTA: Você é jovem e faz parte certamente do novo ciclo que a seleção brasileira feminina entrará a partir de agora. Acha que está pronta para assumir o desafio de ser uma das responsáveis por recolocar o basquete brasileiro no topo novamente?
DAMIRIS: Acredito que eu faça parte, sim, desse novo ciclo que está por vir da Seleção Brasileira feminina. E também acredito que venho sendo preparada desde aos meus 17 anos para isso. Adoro desafios em minha vida e me sinto preparada e confiante para esse. É claro que tem muito trabalho para ser feito, mas estou preparada e aberta para aprender muito. Meu foco está em ajudar a Seleção Brasileira e o basquete brasileiro.
RAPHAELLA: Sim, assumo esse desafio. Sempre digo que tudo tem seu tempo para acontecer, e quando a minha hora chegar certamente estarei mais do que preparada para vestir e honrar a camisa verde e amarela da Seleção Brasileira adulta.

Robson Neves

BALA NA CESTA: Qual é a maior qualidade do seu adversário nesta final da LBF?
RAPHAELLA: A principal qualidade do nosso adversário é a união delas, a forma como elas conseguem jogar juntas coletivamente falando.
DAMIRIS: O elenco do Uninassau é muito aguerrido, assim como o nosso e isso será muito legal de ver em quadra. O talento individual do Uninassau também é destacável e todo esse talento junto acaba dando muito certo. Temos que ter muito cuidado em todos os jogos e temos que entrar atentas no nível máximo pois vamos enfrentar um time que não desiste fácil.

João Pires / LBF

BALA NA CESTA: Em um momento tão difícil do basquete feminino, o que este possível título da LBF pode representar pra você?
DAMIRIS: Todo título na minha vida representa muitas coisas, mas esse da LBF seria o mais especial. O basquete brasileiro está passando por uma fase complicada mas vemos que um recomeço, está havendo mudanças com pessoas que amam o esporte cada vez mais ligadas a ele. Então sair de uma temporada como campeã só daria mais força de vontade para continuar brigando por esse esporte maravilhoso.
RAPHAELLA: Um título da LBF nessa temporada representa pra mim um começo de uma história bem bonita que o basquete feminino brasileiro pode, deve e tem que escrever de novo.


Boa notícia: Damiris está voando na LBF pelo Corinthians / Americana
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Fábio Balassiano

dam7A temporada não começou bem para Damiris. Recuperando-se de uma fratura óssea no pé, perdeu os seis primeiros jogos do Corinthians / Americana na LBF e não foi ao famigerado evento-teste com a seleção brasileira. Só estreou na LBF em 21/01/2016. E pisando no acelerador.

Sem Clarissa ao seu lado no garrafão depois da toda confusão envolvendo a atleta e seu clube, Damiris, a camisa 12 de Americana que já tinha ido muito bem no título de sua equipe na temporada passada, assumiu as rédeas do time como há muito não se via por aqui. Aos 23 anos (uma menina ainda, portanto) ela registra, em 12 jogos, 20,7 pontos (líder da competição no quesito, apenas um jogo com menos de 10 pontos e mais que os 17,4 que ela teve em 2014/2015), 8 rebotes, 21 de eficiência e 51,6% nos arremessos. Em todos os índices ela está no Top-10 do certame.

dam3Mas não é só isso. Com a ala-pivô em quadra o Timão venceu dez partidas e perdeu apenas 2 (no total, 15-3 e líder na fase de classificação que termina em duas semanas com duelos contra o América, de Recife, no Centro Cívico, em Americana), prova de sua força e de sua importância para a equipe. Além disso, Damiris tem chutado muito melhor de fora (com praticamente a mesma quantidade de arremessos de 2014/2015). Em 2.6 tentativas/jogo, 48,4% de acerto (ótimo número!). Se dentro do garrafão ela incomoda as adversárias por ter um jogo de muita técnica, “abrindo” para tentar de longe ela se torna uma arma muito difícil de desvendar para as rivais. Se diminuir a marcação, a camisa 12 pode cortar e infiltrar com categoria. Caso a opção seja dar espaço, uma bola do perímetro pode machucar.

dam5Com a natural melhoria na forma física seus números ficam mais profundos a cada dia. Na terça-feira, 18 pontos e 6 rebotes contra Presidente Venceslau. No dia anterior, 33 e 7 rebotes contra o mesmo rival. Na semana passada, 27 pontos (3/4 de fora) e 9 rebotes contra o Sampaio Correa e 16 pontos e 12 rebotes contra o time de Iziane. Sua sequência é tão de outro mundo (para os padrões da LBF, claro) que já são seis jogos consecutivos anotando 15+ e apanhando 6+ rebotes.

dam2Ainda há muita coisa pela frente (e ela estará na WNBA pelo Atlanta Dream ao que tudo indica), mas é muito bom notar que Damiris tem tudo para chegar às Olimpíadas com a seleção brasileira feminina em plena forma física, técnica, tática e mental. Falo há anos que ela é a mais promissora atleta da modalidade por aqui. É a hora de fincar o pé e mostrar nos Jogos do Rio de Janeiro que, como ela me disse ano passado, a promessa é a melhor realidade entre as meninas do esporte da bola laranja por aqui. Basquete ela tem de sobra.


WNBA lança calendário, e preparação do Brasil será ‘testada’
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Fábio Balassiano

mayaA WNBA divulgou ontem o calendário da temporada 2016. A liga norte-americana começará no dia 14 de maio, e terá seu final em outubro. Até aí, nada demais, né?

Mas há uma observação interessante. Como sempre acontece em ano olímpico, o campeonato vai parar entre 23 de julho e 25 de agosto. Vale lembrar que além das 12 atletas dos EUA, como Maya Moore e Diana Taurasi, que estão na foto ao lado, serão mais de 25 jogadoras internacionais do campeonato no Rio de Janeiro entre 5 e 21 de agosto para a disputa das medalhas.

IMG_8828Aí a preparação da seleção feminina será testada. E explico. Até o momento, as três melhores jogadoras do país em atividade jogam na WNBA. Clarissa e Érika, no Chicago Sky. Damiris, no Atlanta Dream. Ainda não se sabe se as três jogarão a temporada da liga norte-americana, mas tudo leva a crer que sim (e é bom que a Confederação Brasileira trabalhe sempre com este cenário – o menos positivo, ou o mais provável que aconteça). Nádia e Iziane, que já passaram por lá, aparentemente não voltam.

barbosa1Como disse acima, a preparação será testada mais uma vez, só que dessa vez com um agravante – o fato da equipe nacional ter um novo treinador. Recém-chegado, Antonio Carlos Barbosa, que não teve o evento-teste para entrosar absolutamente nada, como disse aqui anteriormente, deve coçar os cabelos com força. Em uma rápida olhada no calendário vemos o seguinte: Atlanta Dream e Chicago Sky, o time das brasileiras, jogam no dia 22 de julho. Caso elas peguem o primeiro avião, chegam ao Rio de Janeiro no dia 23. A estreia na Olimpíada está marcada para o dia 6 de agosto. Menos de 15 dias de preparação com o elenco completo então. Preocupante, né?

erika1Aqui, aliás, cabe uma importante reflexão. As duas atletas (Érika e Clarissa) que usaram a palavra ‘patriotismo’ para falar do amor em defender a seleção da péssima CBB no evento-teste do Rio de Janeiro usarão o mesmo expediente agora, na véspera da Olimpíada mas ao mesmo tempo trabalhando para seus clubes na WNBA? Será que elas sairão da liga norte-americana para treinar por mais tempo com o time de Antonio Carlos Barbosa, ou chegarão na véspera dos Jogos começarem? Não custa lembrar que a LBF terminará no máximo no final de maio, com as meninas em atividade no país à disposição do treinador no mínimo três meses antes da estreia. Vale, desde já, ficar atento a este movimento (de palavras e de atitudes) de Érika e Clarissa. Ficaremos de olho na coerência de seus atos.

barbosa1Pelo sim ou pelo não, a preparação da CBB será testada. Será que não vale enviar a equipe para a Europa, onde será disputado o Pré-Olímpico Mundial, e enchê-las de amistosos contra seleções de bom nível? Seria uma boa alternativa, imagino. Não custa perguntar: o que será que a Confederação tem em mente para o período de preparação das meninas? Ninguém viu ainda o calendário de treinos e jogos. Não seria transparente e inteligente divulgar, se é que há algo pronto em relação a isso?

É bem provável que Barbosa faça uma convocação ampla, abrangente, e faça seus últimos cortes quando as atletas da WNBA chegarem (algo bem cruel para quem estará treinando há mais tempo, mas infelizmente é assim que as coisas funcionam).  O problema, com isso tudo, é que com ou sem a tesoura do experiente treinador a seleção feminina, cuja parte técnica é abaixo da crítica, estará absolutamente sem conjunto para os Jogos Olímpicos. Se treinando 45, 60 dias junta a equipe já não teria muita chance, o que dizer das chances do time com menos de um mês com o grupo completo?


Sobre Damiris, Antonio Carlos Vendramini e o título de Americana na LBF
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Fábio Balassiano

americana2

Terminou ontem a temporada 2014/2015 da LBF. E terminou com um jogaço de bola envolvendo Americana e América-PE. Melhor para a equipe do interior de São Paulo, que jogou em casa, contou com Ariadna (17 pontos), Damiris (16 pontos e 8 rebotes) e o apoio da torcida que encheu o Centro Cívico na noite de segunda-feira para vencer o forte rival por 79-77, sagrando-se tricampeão da competição ao fechar a série em 2-1 e conquistando o troféu pela segunda vez seguida.

damiris2A pivô Clarissa foi eleita a melhor jogadora da competição, mas gostaria de, neste texto, destacar outros importantes personagens de Americana. Em primeiro lugar a jovem Damiris (foto à direita). Quem lê este espaço viu a entrevista que ela me deu contando de seus dramas familiares e quão duro foi para ela se recuperar de seus baques recentes. Mas a camisa 12 foi forte, dura, tenaz e voltou a apresentar um ótimo basquete na competição. Foi fundamental nos playoffs e nos dois jogos mais difíceis para a equipe campeã foi ela, ao lado da não menos ótima cubana Ariadna, quem segurou a onda do time. Isso tudo com 22 anos. Isso tudo sem sobressaltos, sem jogar a bola pra cima para catar o rebote loucamente, sem necessidade de grandes malabarismos. O basquete de Damiris, com arremessos longos cada vez mais “seguros” e golpes apurados perto da cesta, ainda precisa de evoluções (é óbvio isso), mas sua temporada é a do reencontro com seus melhores momentos e com uma nova (boa) perspectiva do que poderá vir. Não colocá-la como titular da seleção brasileira ao lado de Érika no garrafão seria uma temeridade (e inclusive ajuda a pivô do América-PE, já que Damiris gosta e sabe jogar um pouco mais afastada do aro).

vendra2Em segundo lugar, uma reverência toda especial a este mito do basquete feminino chamado Antonio Carlos Vendramini. Longe das pranchetas por muitos anos (alguém consegue entender isso?), o técnico regressou ao esporte na temporada passada e recolocou Americana na rota de conquistas dos últimos anos. Foi campeão da LBF em 2014, bicampeão em 2015 e só perdeu uma única partida de playoff desde a sua volta (justamente a primeira da decisão em Recife para o América-PE). Campeão do primeiro nacional feminino com o Fluminense no agora longínquo 1998, Vendra conquistou mais três nacionais (2000, 2004 e 2005) e voltou a sentir o gosto de um troféu quase uma década depois. Tal qual Maria Helena Cardoso, Lais Elena e Paulo Bassul, ele está no grupo dos excepcionais treinadores que a modalidade das meninas já viu. Vendramini é muito bom e conhecendo o cara dá pra imaginar que sua “fome” não terminou ontem (ainda bem!).

Americana1Parabéns ao América-PE (principalmente a Roberto Dornelas, técnico e grande guerreiro da modalidade), que fez uma ótima campanha, e muitas felicitações a Americana. Que o projeto da cidade continue forte, cresça ainda mais, volte a abrigar os times da base (é quase uma súplica isso aqui…) e que siga revelando grandes jogadoras. E que Antonio Carlos Vendramini continue lá por muito tempo.

Viu o jogo? Gostou? Deixo abaixo um vídeo sobre a rodada de ontem (NBA e NBB inclusive) e uma singela homenagem a Vendramini.


Em excelente jogo, Americana vence América-PE e iguala final da LBF
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Fábio Balassiano

adrianaFoi um grande jogo de basquete (o melhor que eu vi nesta temporada sem dúvida alguma). Jogando diante de um Centro Cívico lotado, Americana oscilou bastante (fez 25 pontos no primeiro e último períodos, e 28 no segundo E terceiro quartos), mas manteve a confiança até o final e venceu neste sábado o América-PE por 78-73, igualando a final da LBF em 1-1, deixando intacta a invencibilidade em casa e colocando a disputa do título aberta para segunda-feira, 18h30, quando será disputada a terceira e última partida da competição.

Com 17 cruciais pontos, a ótima ala cubana Ariadna (foto à esquerda) foi o grande destaque de Americana ao conduzir a equipe a vitória ao lado de Clarissa (18 pontos e 14 rebotes – na foto à direita) e Damiris (13 pontos e 7 rebotes), as outras duas que tiveram 10+ pontos pela equipe vencedora. Pelo lado do América-PE, excelentes atuações de Tiffany Hayes (25 pontos) e Érika (13 pontos e 15 rebotes).

clarissa1Tendo em vista o que foi a partida passada (muito ruim), o que se viu hoje em Americana foi um baita alento. Jogo intenso apesar dos 30 desperdícios de bola, duas boas defesas e ataques que se movimentaram mais, dando boas opções de arremesso para as equipes (principalmente Americana, que no duelo anterior não conseguiu fazer seu jogo – e o grande técnico Antonio Carlos Vendramini reconheceu isso em entrevistas).

Viu o jogo? Gostou? Quem será que fica com o caneco da LBF na segunda-feira? Comente aí!


Todas as faces da jovem Damiris – seleção, WNBA, LBF e dramas familiares
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Fábio Balassiano

dam5Damiris Dantas do Amaral é uma dessas joias que surgem no esporte brasileiro sem a gente entender muito bem como. Nascida em Ferraz de Vasconcelos (SP) há 22 anos, começou no basquete quase que por acaso no Instituto Janeth Arcain e não parou mais. Foi escolhida a melhor jogadora do Mundial Sub19 de 2011 levando o Brasil ao bronze da competição, jogou sua primeira Olimpíada com 19 anos em Londres-2012, se tornou peça efetiva da seleção adulta desde então, estreou, pelo fortíssimo Minnesota Lynx, na WNBA em 2014 e foi campeã da LBF por Americana na temporada passada como titular.

dam2Esta é a parte, digamos, florida da história. Mas há muito espinho na vida e na carreira da ala-pivô de 1,92m também. Damiris perdeu a mãe quando tinha 9 anos e passou a ser a “dona” da casa que conta com mais duas irmãs – Tauany, que sofre de paralisia cerebral, e Daiany. Há 2 anos, a avó faleceu. Em agosto de 2014, quando estreava como titular da WNBA pelo então atual campeão Lynx, a tia que a criou foi internada. Diante da gravidade da situação a jogadora saiu dos EUA, ficou no hospital, voltou pra Minnesota, mas a tia não resistiu.

dam4Pouco depois do falecimento de sua tia ela jogou o Mundial da Turquia com a seleção, mas sua preparação e a parte psicológica não estavam no lugar. Seu rendimento (3,5 pontos) não foi bom. Nesta temporada, a penúltima antes da Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro (um de seus sonhos), seu jogo volta a dar sinais de melhora (seus arremessos estão caindo com mais frequência, seu físico melhorou e os fundamentos estão mais lapidados) e ela parece cada vez mais preparada para assumir a lacuna que será deixada por Érika de Souza (a melhor jogadora do país e líder da seleção) nos próximos anos.

Conversei com ela sobre seu jogo e sua vida depois do Jogo das Estrelas de sábado em Franca.

dam12BALA NA CESTA: O jogo de vocês, da LBF Brasil, contra a LBF Mundo, foi mais pegado do que o esperado para uma festa ou estou enganado?
DAMIRIS: Foi mesmo. Estava engasgado desde o ano passado, essa é a verdade. Esperávamos ganhar em São José em 2014 e não iríamos deixar passar essa oportunidade aqui em Franca, não. Era uma festa, foi um evento lindo, mas nós queríamos vencer de qualquer maneira. Ainda bem que conseguimos.

BNC: E o evento em si, te chamou a atenção, né?
DAMIRIS: Ah, sim. Muitas pessoas comentando, minhas amigas todas falando disso e assistindo a partida também. Tomara que, depois dessa festa, o basquete feminino do Brasil cresça muito.

dam8BNC: Acabando esta temporada 2014/2015 com Americana na Liga de Basquete Feminino (LBF) você volta para sua segunda temporada com o Minnesota? Ou há algo diferente em vista que você esteja planejando?
DAMIRIS: Não, não. Já está totalmente decidido isso em minha cabeça e com meus agentes. Volto para a WNBA. Só estou esperando a definição de datas em relação ao Sul-Americano Feminino de Clubes que Americana irá disputar para saber exatamente quando voltarei aos EUA.

dam9BNC: Você continua muito novinha, mas já tem muita estrada…
DAMIRIS: (Risos) Faz tempo que eu deixei de ser promessa, né? E tenho consciência disso. Sinto que estou amadurecendo a cada ano e essa ida para os Estados Unidos ano passado ajudou muito também. Lá cresci bastante como pessoa, ganhei bastante responsabilidade e tinha que corresponder. Não havia outra opção. Estava sozinha em um ambiente diferente, não conhecia ninguém. Foi difícil, mas hoje vejo que aquela experiência foi muito benéfica para mim. Tive bastante tempo de quadra, voltei mais confiante e ganhei muito em termos técnicos também.

damirisBNC: E seus próximos passos com a seleção? Temos Pan-Americano e Pré-Olímpico este ano, ano que vem Olimpíadas…
DAMIRIS: Vou te ser muito sincera: não fiquei satisfeita com meu desempenho no Mundial passado. Sei que poderia ter rendido muito mais. Posso ir muito melhor do que fui. Fiquei muito chateada que cheguei e já viajei para o Mundial. É algo que espero que nunca mais aconteça, pois a preparação é fundamental e preciso muito dela (preparação). Espero que no Pan e no Pré-Olímpico a gente possa treinar muito para ir bem. Temos uma boa equipe e tenho certeza que podemos jogar melhor do que jogamos no Mundial do ano passado. Em 2016 há as Olimpíadas, é um sonho que espero alcançar também.

dam10BNC: A gente conversa muito, você teve um período pessoal muito conturbado com o falecimento da sua tia e o Mundial acabou não sendo muito bom como você disse. Você falou em amadurecimento nos Estados Unidos, mas com 22 anos você já passou por muita coisa familiarmente falando, já que sua mãe também faleceu. Há momentos em que você pensa que vai faltar força?
DAMIRIS: De verdade ainda estou me recuperando de tudo aquilo que passei em 2014. Foi muito difícil para mim. É algo pessoal, não gosto de ficar falando, mas foi realmente complicado. Estava no meio de temporada, jogando bem, quando chegou a notícia que minha tia havia sido internada. Foi a pessoa que me criou, um elo familiar importantíssimo para mim. Arrisquei perder meu contrato com a WNBA, mas não vi outra opção que não voltar para ficar um pouco com ela no hospital. O tempo que estive foi ótimo, perfeito, ela melhorou muito enquanto estivemos juntas. Só que aí voltei, passaram dois dias e ela veio a falecer. Não foi só o falecimento da minha tia, mas tudo o que cercou aquele momento. Eu ter que consolar e cuidar dos meus primos, minhas irmãs, meu tio também. Isso foi pesado. Mais uma vez tive que ser muito forte. Quando minha mãe faleceu, tive que cuidar das minhas irmãs. Agora, de meus primos e tios. Nem sei de onde tiro tanta força para te ser sincera. Só sei que tento me manter firme.

dam6BNC: No que você acredita? Algumas pessoas pensam que quando a gente passa por muito sofrimento ao mesmo tempo há coisas boas guardadas…
DAMIRIS: Todos os dias me pergunto: “Por que eu?”. Todo dia. Pergunto, principalmente, sobre a morte da minha mãe com a gente tão nova. Depois minha avó. Dois anos depois a minha tia. Olha, quando recebi a notícia da minha tia eu fiquei muito brava com D’s. Mal, mal mesmo. Queria saber o motivo pelo qual a minha família estava passando por isso tudo. Mas depois, com mais calma, a gente reflete e agradeço por tudo o que Ele vem fazendo por mim, pelas minhas irmãs. Se está acontecendo isso comigo é por algum motivo. Alguma razão que ainda desconheço há, e sei que está em boas mãos.

dam3BNC: O basquete, então, acabou sendo o seu grande refúgio, sua grande válvula de escape?
DAMIRIS: Disso não tenho a menor dúvida. Quando estou na quadra estou feliz, esqueço de tudo. Não consigo ver problema algum enquanto estou treinando ou jogando. A maioria das alegrias que tive foram dentro da quadra e por causa do esporte consegui dar uma condição melhor para minhas irmãs. Vim de uma comunidade carente de São Paulo, Ferraz de Vasconcelos, tive muita dificuldade na infância e tinha tudo, tudo mesmo para ir para o lugar errado, para o caminho não muito bom. Não sei se já te contei isso, mas convivi com muitas pessoas, quando era criança, que foram pro caminho errado, acabaram morrendo. O esporte me livrou de muitas coisas ruins e me colocou em condição de proporcionar coisas boas para os que me cercam. Principalmente para minha irmã menor, que é a mais especial. Tenho muita sorte em relação a isso.

dam1BNC: Falando um pouco de basquete agora. Você foi MVP do Mundial Sub-19 em 2011, já está na WNBA, é campeã nacional por Americana. Veio e tem vindo tudo muito rápido, mas seu jogo ainda precisa melhorar e você mesma sabe disso. Em que aspectos você considera mais importante evoluir? Parte técnica, física, psicológica?
DAMIRIS: (Risos) Nunca estou satisfeita. Isso é o mais importante. Com nada. O dia que achar que estou bem está errado. Mas na parte física creio que possa ir além, possa evoluir mais. Não só nela, mas meus arremessos de média e longa distância podem cair um pouco mais. Em Americana e Minnesota tenho profissionais muito bons que me ajudam e ajudarão nisso. Torço para que os resultados sejam vistos em breve.


Seleção inicia Mundial com nove estreantes na competição – veja lista!
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Fábio Balassiano

damirisOntem eu falei aqui sobre a média de idade do Brasil no Mundial da Turquia. Os 24,9 anos colocam o time de Zanon como o quarto mais novo da competição, e isso já diz muito sobre a juventude deste elenco. Mas não é só isso.

Do grupo que estará na Turquia, apenas três atletas já disputaram um Mundial . Adrianinha, de 35 anos, jogou em 2002 (Brasil em 7º), 2006 (4º), 2010 (9º) e agora disputará seu quarto torneio. Melhor pivô do planeta, Érika esteve em 2006 e 2010. Damiris, agora com 21 anos, jogou em 2010, na República Tcheca com 17 anos. As demais atletas estrearão na Turquia (inclusive Jaqueline, de 28 anos, a terceira mais veterana do elenco).

deboraMas não é só isso que chama a atenção. Além da pouca idade, estas meninas foram pouco utilizadas na última LBF. Com times recheados de veteranas, técnicos que não dão muito espaço para jovens, estrangeiras quem nem sempre acrescentam muito e nenhum time Sub-21 “patrocinado” pela CBB (como já foi no começo de século, aliás), algumas das 12 meninas convocadas por Zanon pouco atuaram na mais recentes competição nacional.

Debora (foto à esquerda), terceira armadora do time, jogou módicos 7,7 minutos por jogo em Americana (para ter mais espaço, inteligentemente acaba de se transferir para São José). Tatiane, uma das mais talentosas alas da geração, não ficou a metade do tempo de jogo em quadra com a camisa do Sport. Isabela Ramona e Joice Coelho, as duas mais jovens do elenco (20 e 21 anos, respectivamente), não chegaram a 22 minutos por jogo. A que mais atuou foi Jaqueline, de Santo André, com 34,1 minutos/jogo. A média das 12 convocadas ficou em regulares 24,1 minutos por partida. Veja, abaixo, quadro completo.
estreia

zanon1Cabem várias reflexões a respeito do tema, sem dúvida alguma. Mas seria muito interessante que os clubes optassem por dar espaço a estas meninas. Talento está claro que elas têm. Basta alguém ter coragem de colocá-las em quadra. O intrigante dessa história é que esse “alguém” foi justamente o técnico da seleção (Zanon), e não os treinadores dos times da LBF.

Que este Mundial abra os olhos de todos neste sentido.


Brasil terá quarto elenco mais jovem do Mundial Feminino – veja as médias!
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Fábio Balassiano

zanon2Tenho dito aqui no blog há algum tempo que o foco do Brasil neste Mundial Feminino que começa no sábado é mesmo o aprendizado pois o elenco é pra lá de renovado. Mas em relação às demais 15 seleções que jogarão na Turquia, quão jovem é o time que Zanon levará para a competição?

Fiz um levantamento utilizando os dados do site oficial do torneio e, de fato, a teoria de que o Brasil tem um elenco pra lá de jovem em relação à concorrência se justifica. Entre os 16 participantes do torneio, apenas Coreia do Sul (22 anos de média), China (24) e Sérvia (24) têm média de idade inferior aos 24,9 do Brasil. Cuba e Moçambique são os dois com idade média mais avançada, com 29.

LEIA TAMBÉM: VENCER A REPÚBLICA TCHECA NA ESTREIA DO MUNDIAL É FUNDAMENTAL

França e Estados Unidos, os dois finalistas da Olimpíada de Londres, possuem idêntica média (27). As francesas, aliás, mantêm aquela base famosa que brilhou no Mundial Sub-21 de 2003 (mais aqui e aqui). O Brasil, vice-campeão daquele torneio, só tem Érika disputando a competição na Turquia. A Espanha, principal seleção do Grupo A, o do Brasil, possui média de 26 anos e também tem um grupo bem renovado com Laura Gil (pivô de 22 anos), Marta Xargay (armadora de 23), Leticia Romero (ala de 19) e Leonor Rodriguez (armadora de 22).

adriNo elenco de Zanon, apenas duas jogadoras têm mais de 30 anos – Adrianinha (foto à esquerda), com 35, e Érika, com 32. Além disso, sete meninas têm 23 ou menos anos (Isabela Ramona, Joice Coelho, Damiris, Tainá, Patricia, Débora e Tatiane), sendo que Ramona, Joice e Damiris (foto à direita), disparadamente a mais talentosa dessa geração, são as mais jovens com 20, 21 e 21, respectivamente.

São claros os motivos que levaram Zanon a ter que literalmente criar um time novo desde que assumiu. É algo crônico e, desculpem dizer isso, sem a menor perspectiva de solução por parte da Confederação Brasileira. Devido aos problemas internos do basquete brasileiro (cada vez menos times, formação deficiente e nenhum investimento da CBB na base), o técnico teve que acelerar o desenvolvimento de meninas que talvez ainda precisassem de um pouco mais de rodagem em seus clubes antes de enfrentar uma competição como é o Mundial por uma seleção brasileira adulta.

dam1Como esse desenvolvimento interno não iria acontecer devido a leseira da CBB e a insistência dos clubes em não dar espaço às mais jovens,  Zanon arregaçou as mangas, deu início a um necessário-porém-difícil processo de renovação e levará ao Mundial da Turquia uma seleção tão jovem quanto talentosa. Não é o ideal, não é o lógico, mas há momentos na vida em que é preciso inverter a equação para que os resultados aconteçam no longo prazo.

Resta torcer não só para que as meninas tenham bom desempenho no torneio, mas para que a CBB não mude de ideia em relação à renovação caso um bom resultado não venha (é mais provável, aliás, que ele, o resultado, não surja agora). O Mundial não tem que ser o ponto de partida e nem o final para essas meninas. É apenas uma escala para os próximos passos. Todas que estão ali estão sendo lapidadas para jogar as Olimpíadas de 2016, chegando aos Jogos do Rio de Janeiro muito mais “rodadas” e desenvolvidas.

Que o planejamento de Zanon continue independente do que acontecer na Turquia a partir de sábado. O grupo é jovem, os 24,9 anos falam por si só, e é necessário paciência e muito trabalho com as meninas.


Agora são elas – seleção feminina na reta final da preparação para Mundial
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Fábio Balassiano

zanon1Depois da Copa do Mundo masculina, chegou a vez de as meninas do Brasil darem o ar da graça. O time de Zanon (na foto à esquerda orientando a ala Joice Coelho) segue treinando em São José dos Campos visando a competição que acontecerá na Turquia entre 27 de setembro e 5 de outubro e a expectativa é saber quão longe este renovado grupo pode ir na competição. O técnico, aliás, cortou a pivô Fabiana Caetano na noite de ontem e fechou assim o seu grupo:

ARMADORAS: Adrianinha, Tainá e Debora
ALAS: Patricia, Jaqueline, Tatiane, Isabela Ramona e Joice Coelho
PIVÔS: Clarissa, Nádia, Damiris e Érika

TAntes de seguirmos falando da seleção brasileira, vale explicar o regulamento. São 16 times divididos em quatro grupos. O Brasil está no A, com sede em Ancara, e enfrenta (pela ordem) República Tcheca (na estreia em 27/09), Espanha (28/09) e Japão (30/09) . Os três primeiros de cada chave avançam às oitavas-de-final, com os líderes dos grupos “folgando” na fase inicial do mata-mata e só jogando mesmo nas quartas-de-final.

Caso fique entre segundo e terceiro na fase de classificação, o Brasil enfrentará quem vier da chave B (Canadá, Moçambique, França ou Turquia). Ou seja: adversários duríssimos. O regulamento completo você encontra aqui.

dam1Dentro de quadra, sinceramente não posso esperar resultado bom deste elenco de Zanon. É um grupo jovem, que passa por um processo de renovação bem claro (e necessário) e em uma competição de tiro curto (ou curtíssimo) a falta de experiência pode pesar um pouco. Além disso, o que temos visto na LBF e nos trabalhos de base e os últimos resultados do basquete feminino, não inspiram otimismo. Nas Olimpíadas de 2008, 11º (12 participantes). Em Londres-2012, 9º entre 12 seleções. No Mundial de 2010, 9º (foram 16).

Por outro lado, há potencial claro neste grupo. Érika, Damiris e Nádia vieram da WNBA e formarão com Clarissa um garrafão de respeito no Mundial. Tainá jogou muito bem nos amistosos e está cada vez mais pronta para assumir a armação ao lado de Adrianinha (e depois que ela sair de cena também). Tatiane e Patricia, nas alas, precisam de ritmo e rodagem mas possuem muito talento.

taina1Passar da primeira fase, portanto, é palpável. Vencer do Japão me parece possível. Das tchecas, mais complicado, mas também cabível. Da Espanha é que eu realmente acho que o Brasil esteja um degrau abaixo. Aí virão os cruzamentos e, neste momento, é totalmente impossível fazer alguma previsão.

No atual estágio, vale focar no que é possível acompanhar da preparação de Zanon e torcer para que mais um estágio do processo de renovação (talvez o mais árduo dos degraus) tenha sucesso.

E você, o que está esperando da seleção feminina no Mundial da Turquia? Comente!


Minha análise sobre o primeiro ato de Zanon como técnico da seleção
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Fábio Balassiano

Como você leu aqui neste blog, terminou no sábado a Copa América de basquete feminino em Xalapa. O Brasil ficou em terceiro (Cuba campeã, Canadá medalha de prata e as três primeiras colocadas no Mundial de 2014), jogará a competição do próximo ano e certamente terá muito o que corrigir pra chegar minimamente preparado para o torneio, que terá nível técnico, físico e tático centenas de vezes maior do que este no México. Por isso vale analisar o início de trabalho de Zanon, que comandou a equipe nacional no Sul-Americano e na Copa América.

Em primeiro lugar, é importante dizer o seguinte: a ideia de Zanon e da Confederação (ponto pra Vanderlei), de renovar a seleção brasileira, é corretíssima (e compartilhada aqui por este blogueiro há anos). Fazia-se necessária uma quebra de paradigma na seleção, com a entrada de meninas com potencial imenso mas com poucas oportunidades até mesmo em seus clubes, que preferem apostar nos produtos prontos e que ainda dão resultado no basquete interno. Foi uma nova filosofia de trabalho, um desafio, um risco grande até. Treinador e CBB embarcaram juntos sabendo de todos os obstáculos e estão de parabéns por seguirem nesta linha.

E como também foi dito aqui, derrotas viriam, oscilações viriam, irregularidades viriam. E vieram (não precisava ser nenhum gênio pra saber que viriam…). O Brasil jogou um torneio continental com 9 das 12 meninas tendo menos de 25 anos, e obviamente pagou por isso em quase todas as partidas (contra Cuba, recheada de jogadoras experientes e no primeiro match-point pro Mundial-2014, ainda mais e sem surpresa alguma). Este é um fato, e obviamente é o começo de um processo com muitas derrotas no caminho até (no mínimo) os Jogos Olímpicos de 2016, quando este grupo que está nas mãos do treinador já terá rodado um bocado não só em jogos, mas também em treinos e amistosos.

Além disso, duas coisinhas merecem ser ditas antes de passarmos ponto a ponto sobre o que vimos recentemente na seleção brasileira. Acho mais do que fundamental que a Confederação Brasileira dê a Zanon e às meninas um período de treinamentos e amistosos fortíssimo em cada um dos anos que virão de agora pra frente. É ficar uma semana nos Estados Unidos, três fazendo jogo-treino na Europa e por aí vai. Neste primeiro momento não deu, calendário já estava feito, sei disso tudo, mas é essencial para a melhora das meninas que o intercâmbio com os grandes centros esteja na ordem do dia (jogar contra Chile, Argentina e Porto Rico não vai ajudar em absolutamente nada). Outro fator importante que merece ser dito: como é ruim o trabalho de base do basquete brasileiro de um modo geral, e no feminino em particular. Vimos uma seleção brasileira ADULTA com atletas com problemas gravíssimos de fundamento (gravíssimos mesmo, algo que chegou a me assustar pois não imaginava que fosse tão triste assim), de leitura de jogo e de controle psicológico. É algo que precisa ser visto, revisto, pensado e repensado. Não é admissível que uma menina de 19, 20, 21 anos, independente de jogar em seleção, não consiga fazer drible com duas mãos, tenha dificuldade em acertar passes e por aí vai (por aí explica-se, também, o nível técnico abaixo do razoável da LBF).

Some estes dois pontos acima e veja o tamanho do trabalho que Zanon, técnico da seleção adulta que faz parte de uma engrenagem muito maior (a do basquete brasileiro feminino como um todo, que deveria ser muito mais bem tratado por uma Confederação Brasileira que não liga pras meninas e muito menos para a base, para a formação de atletas, o que é lamentável), terá que fazer para tentar colocar o Brasil de novo entre, sei lá, os cinco melhores países do mundo (se é que conseguirá, já que o material humano não é dos melhores). Por isso, até para deixar a análise bem completa, dividi em tópicos positivos e negativos dos primeiros atos do técnico da seleção brasileira. Vamos lá:

PONTOS POSITIVOS:

– A parte defensiva melhorou muito (quem não enxerga isso é maluco). Como o ataque é ruim, Zanon poderia arriscar até mais com a marcação, tornando-a mais agressiva, “esvaziando” o ataque e abusando do potencial físico de suas atletas (Nádia, Tatiane, Clarissa, Damiris, Joice etc.), mas este é um outro papo.
– O próprio processo de renovação merece ser destacado por aqui também
– A evolução de algumas jogadoras em pouquísismo tempo (cito Débora Costa, Tatiane Pacheco, Damiris e Patricia)
– A parte física está muito bem entregue nas mãos de Vita Haddad (o cara é muito bom e as atletas estavam sempre muito bem em todas as partidas)
– A confiança de Zanon nas meninas mais jovens (Tatiane e Patricia, por exemplo, jogaram de titular na frente das experientes Karla e Chuca, e isso merece ser destacado).

PONTOS NEGATIVOS:

– A insistência nas veteranas Karla e Chuca (esta última mal jogou na Copa América; e a primeira, de quem gosto muito e sei que ela pode render muito mais do que na competição, só entrou em quadra para arremessar de três pontos – e com mira torta, 28% de fora). Ainda não consigo entender por que diabos Isabela Ramona ficou no Brasil.
– Como chutou de três a seleção feminina na Copa América. Isso é uma lástima e algo que não se via em seleção feminina há anos. Não dá, sinceramente não dá aceitar – e com meninas que não são especialistas em bolas longas.
– A falta de um padrão ofensivo claro. Contra defesas por zona, então, foi uma tragédia, tragédia absoluta. Se a saída do Brasil será sempre arremessar de fora contra marcações por zona temos um problema seríssimo de concepção de jogo e opções táticas (abordei o assunto na semana passada).
– Não há jogo com as pivôs. As gigantes do Brasil só recebem bola quando há rebote ofensivo ou em finais de corta-luzes. As jogadas NUNCA começam com as meninas do garrafão, que tocam muito pouco na bola durante a partida. Ano que vem ele terá Érika de Souza, uma das melhores jogadora do planeta, e eu espero sinceramente que ela seja “alimentada” como merece.
– Intensidade no ataque (as meninas ficavam muito tempo paradas, a bola não rodou e a armadora quase sempre terminava com a bola nas mãos por 10, 12 segundos)
– A convocação poderia ser melhor feita em algumas posições (não levaria Tainá e Chuca, por exemplo).
– Fundamentos, fundamentos e fundamentos. Não vale citar as atletas por aqui, mas menina de seleção adulta que não consegue dar um passe ou que tem dificuldade pra dar drible pros dois lados não traz um bom sinal.

Está claro que o saldo de Zanon é positivo, bem positivo por aqui. Mas também está muito claro que, em decorrência de anos de trabalhos ruins (na base e na própria seleção adulta), há um trabalho imenso para ser realizado pelo técnico da seleção brasileira e pela entidade máxima do basquete nacional (CBB). Estou certo que ele, Zanon, inconformado e procurando sempre a melhora de suas atletas, também sabe disso. O Sul-Americano e a Copa América foram pontos de partida de uma longa, árdua e difícil jornada, que é a de repaginar o basquete feminino nacional.

O começo foi bom, satisfatório, pavimentou muita coisa, mas ano que vem o desafio é maior e o time precisará evoluir. Que Zanon, as atletas e a CBB estejam preparados.