Bala na Cesta

Arquivo : Carlos Nunes

Suspensa, CBB realiza eleição a portas fechadas na sede do Comitê Olímpico Brasileiro
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Fábio Balassiano

Chega ao fim hoje a Era Carlos Nunes. Presidente da Confederação Brasileira por longos 8 anos, Nunes é o responsável maior por colocar na lama o nome da modalidade no país. Assolada por uma dívida de R$ 17 milhões ao final de 2015, com credibilidade negativa e culminando com a suspensão da Federação Internacional (FIBA) no mínimo até o final de maio deste ano, o mandatário põe um ponto final na pior gestão que a CBB já viu (e olha que ele teve a concorrência de Gerasime Bozikis, seu antecessor).

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

Como fecho de “ouro”, Nunes realiza o pleito desta sexta-feira que tem como candidatos Guy Peixoto (o favorito) e Amarildo Rosa, ambos entrevistados neste espaço esta semana, mais uma vez a portas fechadas. Ou seja: ninguém, com exceção dos eleitores (presidentes de Federação e Associação de Atletas) e candidatos, terá acesso a mais esperada eleição da CBB dos últimos anos. A FIBA pedia transparência, seriedade e credibilidade. A Confederação, em seu último ato de uma gestão tenebrosa, reage assim. Incrível!

Nem um pouco adepta a liberdade de imprensa e da difusão da informação, a Confederação sequer faz questão de esconder o seu lado censor, colocando no site a seguinte atrocidade: “Os profissionais credenciados da imprensa somente terão acesso ao recinto da Assembleia para o momento de apuração de votos no processo eletivo, conforme consta do Edital de convocação”. Se não podemos (jornalistas) acompanhar o processo eleitoral de forma completa, vale a pena fazer o que lá então? Nada, né? Vale dizer que antes de eleger o novo mandatário os presidentes de Federação e a Associação de Atletas vão aprovar ou reprovar as contas de Carlos Nunes referente ao ano de 2016 (minha curiosidade é imensa em relação às justificativas dos votantes neste quesito e sobretudo com os números que do Balanço Financeiro sairão).

O mais bizarro de tudo é que o pleito acontece na sede do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que indiretamente acaba concordando com um sistema de eleição deprimente, retrógrado, arcaico e que lembra os piores tempos da ditadura. Triste, pra dizer o mínimo. Mas fica a pergunta: se o Comitê chancela isso abrindo as suas dependências para uma eleição a portas fechadas, sem que a imprensa possa exercer livremente o trabalho de informar o que se passa, o que esperar do COB?

Vamos acompanhar os movimentos que esta sexta-feira nos reserva. Ficarei bastante surpreso se Guy Peixoto não for eleito. Em todas as conversas que tive o empresário, que tem o apoio de muitos ex-jogadores, aparece como grande favorito a presidir a CBB nos próximos quatro anos. Torçamos para que ele ou Amarildo Rosa não tragam somente cores novas em termos de gestão, mas sobretudo ares de transparência, credibilidade e abertura ao público. Já seria um excelente começo em uma entidade que se acostumou a tentar censurar o trabalho de quem deve sempre fiscalizar o poder – ainda mais uma entidade pessimamente gerenciada como esta que Carlos Nunes e seus colegas administraram por oito anos.

Fechar uma eleição é o cúmulo do absurdo. Mas segue acontecendo no basquete. Desta vez nas barbas do Comitê Olímpico Brasileiro. Nada mais triste.


Candidato da oposição rechaça intervenção da FIBA na CBB: ‘Não concordo. É ilegal e golpe’
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Fábio Balassiano

amarildo2Está longe de ser de concordância absoluta entre todos os personagens do basquete o processo de intervenção pelo qual a Confederação Brasileira de Basketball (CBB) poderá vir a sofrer da Federação Internacional nos próximos dias (como antecipou o Lance!).

A ideia da FIBA é, em comum acordo com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), intervir no esporte do país, mas há uma voz contra isso. Amarildo Rosa, Presidente da Federação do Paraná e candidato da oposição para o pleito que será (seria?) realizado em abril de 2017:

amarildo3“Foi positiva essa chamada que levou a CBB. Isso é um fato e mostra que está tudo errado com a gestão Carlos Nunes. A FIBA desmascarou aquilo que ele (Nunes) sempre dizia estar correto perante às Federações, que eram os pagamentos ao órgão máximo do basquete. Nós, como presidentes de Federação, também ficamos vendidos nessa. A Federação Internacional mostrou a todos quão nociva a administração desta CBB tem sido para o esporte brasileiro. Eles mostraram a caixa-preta da Confederação Brasileira. Por outro lado, sou contra o que está acontecendo. Reitero que entendo a urgência, concordo com tudo o que a FIBA colocou, mas o que eles estão propondo é ilegal e um claro golpe no estatuto de uma entidade que elege seu presidente a cada quatro anos. Carlos Nunes tem problemas de gestão, fez dois mandatos muito ruins, mas é preciso respeitar o processo legal e normal que reza o estatuto. Queremos mudança, queremos novas atitudes, queremos o basquete forte e por isso temos um plano para tirar a modalidade do lugar em que se encontra. Respeitamos a FIBA pela instituição que é, mas peço que eles colaborem conosco nessa virada do esporte no país. Uma intervenção pode representar algo muito ruim para nós”, disse ontem à noite Amarildo Rosa ao blog.

mapa1Na verdade, não é só a voz de Amarildo que está sendo ouvida como contrária a intervenção da FIBA. São 16 vozes. Em documento obtido pelo blog na tarde de ontem é possível ver que no dia 17 de novembro, três dias após a suspensão da FIBA à CBB, 15 Federações Estaduais (Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins) e a Associação de Atletas se colocam à disposição da FIBA para tentar mudar o panorama do basquete do país:

amarildo2“Diante da inconformidade em relação ao rumo que a modalidade tem tomado nos últimos anos, iniciamos em 2016 a formação de um grupo de presidentes de Federações e realizamos reuniões em todas as regiões (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul) para discutir e conhecer os desafios, necessidades e expectativas regionais e nacionais com o objetivo de fundamentar o planejamento e a organização das ações que o grupo pretende concretizar a partir de 2017, cujo fruto foi a redação de um Plano de Reestruturação para o Basquete Brasileiro (2017-2021). Por esta razão nos apresentamos à FIBA como um grupo que tem trabalhado para melhorar o futuro da modalidade no país através de planejamento, estreitando relacionamentos na esfera governamental e em busca de possíveis patrocinadores para poder executar este plano na próxima gestão”, diz a carta, que logo em seguida completa: “Contamos com o entendimento da FIBA para que este grupo de Federações possa dar continuidade a concretização deste Plano de Reestruturação. Convidamos, portanto, um membro do Comitê Executivo da FIBA para estar presente no dia 29 de novembro na sede da CBB no Rio de Janeiro, em que este grupo estará reunido para oficializar o registro da chapa “Bola na Cesta, Brasil!”. Nesta oportunidade nos colocamos a disposição do Comitê Executivo para o que for necessário”, diz trecho da carta.

amarildo1Amarildo reconhece falhas no próprio processo de aprovação de contas da CBB (ele mesmo não reprovou as endividadas finanças de Nunes de 2015), na própria reeleição de Carlos Nunes em 2013, mas faz uma ressalva.

“Você conhece meu histórico e sabe que já reprovei contas do presidente Carlos Nunes também. Em 2016 de fato não aprovei porque era ano olímpico e todos estávamos preocupados em não atrapalhar e em não sermos apontados como culpados pelos eventuais resultados ruins que poderiam acontecer. Confiamos na palavra do Carlos Nunes e todos nos demos mal. Este foi o erro. Confiar. Mas aprendemos e queremos mudar. Temos um plano de trabalho, que se chama “Bola na Cesta, Brasil”, e estou certo de que com competência administrativa, menos política, mais verdade, retomaremos o caminho do crescimento”, finaliza.

Como se vê, há muita coisa para acontecer neste processo pós-suspensão da CBB. Estamos falando ao mesmo tempo em intervenção, eleição de 2017 e entrada e saída de novos personagens deste jogo de xadrez que se transformou a política do basquete brasileiro.


Em raro momento de transparência, CBB mostra motivos da suspensão e se expõe ao ridículo
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Fábio Balassiano

cbb2A Confederação Brasileira de Basketball teve um raro momento de transparência ontem à noite. Não pela sua Nota Oficial informando que fará uma coletiva apenas na segunda-feira na sede do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), mas porque inacreditavelmente divulgou a carta que foi enviada pela Federação Internacional para mostrar os motivos pelos quais a entidade máxima do basquete brasileiro estaria sendo suspensa pela FIBA (aqui o link completo do documento).

nunes3Se a entidade presidida por Carlos Nunes quis se expor ao ridículo é possível dizer que ela, sim, conseguiu. São tantas as razões elencadas pela carta da FIBA assinada pelo Secretário-Geral Patrick Baumann (novos empréstimos, dívidas crescentes, não ida a campeonatos, cancelamento da Etapa do 3×3 etc.) que a gente se pergunta mesmo as razões pelas quais a CBB não foi suspensa antes pela Federação Internacional. Para quem acompanha este blog, nenhuma surpresa, mas vamos aos principais pontos divulgados pela Confederação:

fiba11) A FIBA informa logo no primeiro parágrafo que vem pedindo a criação de uma força-tarefa na CBB desde 2 de setembro de 2014 devido a problemas claros de gestão. A Confederação Brasileira informa que a suspensão foi “surpresa”. Já são dois anos da Federação Internacional pedindo mudanças que não vêm. E a Confederação Brasileira afirma que foi surpreendida. Sério?

2) No terceiro parágrafo a FIBA diz que “a CBB tem sido incapaz de controlar o basquete do Brasil ou de manter controle total de governança no país”. Ainda afirma que, apesar de não organizar nenhuma Liga no país, a Liga Nacional de Basquete está diretamente ligada aos times nacionais, pagando as passagens dos times de seleções nacionais e colocando um time completo (Pinheiros) para jogar com a camisa da equipe nacional (algo que este blog já falou há tempos). Que saia-justa, hein…

nunes43) Em seguida a FIBA diz que “a CBB falhou em participar de atividades e competições desde o final dos Jogos Olímpicos” e crava: “A não participação no Mundial 3×3 implica na suspensão automática das seleções do país em torneios desta natureza por um ano“. Outro ponto mencionado como grave foi a não realização da etapa do 3×3 no Rio de Janeiro, cancelada às vésperas de acontecer. O órgão máximo do basquete mundial se irrita profundamente com a ausência do Brasil nos Sul-Americanos Sub-15, o cancelamento dos Brasileiros de Base (TODOS de 2016) e por não ter havido nenhuma atividade da Escola Nacional de Técnicos desde 2014. Uma surra.

nunes34) Aqui há algo que me chama atenção. No parágrafo seguinte a FIBA expõe que em 11 de abril de 2016 “concedeu OUTRO empréstimo para a CBB e um período de carência para pagar todas as dívidas que a entidade tem com a FIBA. Considerando todas as repetidas falhas no acerto de contas com a FIBA, a FIBA se reserva ao direito de, conforme escrito em seu Estatuto, de exercer os seus direitos“. Logo em seguida a Federação Internacional cita o péssimo momento financeiro da Confederação Brasileira, afirmando que as dívidas têm crescido, que o prazo final para pagamento era 31 de julho (algo que, claro, não foi cumprido) e que a entidade de Carlos Nunes tem sido pouco capaz de pagar aos seus credores. Só lembrando: quem divulgou essa carta foi a Confederação Brasileira.

nunes25) Por fim, a FIBA clama que, “apesar da negativa situação esportiva, financeira, institucional e de governança, a CBB está planejando as próximas eleições sem nenhuma reforma ou reestruturação, o que tendo em vista as circunstâncias seria importante”. Ou seja: exige mudanças estruturais que a Confederação Brasileira NUNCA quis fazer. E, repito, a CBB divulgou a carta.

6) Na última linha, a FIBA pede a CBB colabore com a FIBA, montando uma equipe de trabalho (a tal força-tarefa) para o basquete brasileiro. Em breve Federação Internacional entrará em contato com a Confederação propondo os próximos passos para que a entidade máxima do basquete brasileiro saia do buraco surreal em que se encontra.

nunes1A FIBA foi, na verdade, benevolente com o basquete brasileiro, não suspendendo o esporte há muito tempo (como este blog vem demonstrando aliás). Desde 2014 a relação entre as duas esferas, presididas por Carlos Nunes e por Horacio Muratore (ambos na foto ao lado), é tensa, recheada de problemas financeiros (a questão do convite do Mundial de 2014 é o “auge” disso tudo) e com queixas imensas da Federação Internacional à Confederação Brasileira.

Fico me perguntando sinceramente por que diabos a CBB divulgou isso ontem. É um atestado de incompetência de tamanho mundial que eu ainda estou embasbacado. Se queria que o mundo inteiro ficasse com vergonha do (péssimo) trabalho da entidade máxima do esporte no Brasil, a Confederação de Carlos Nunes conseguiu. Não é que a CBB faliu. A CBB se suicidou na frente da opinião pública. É muito surrealismo pra mim, vocês vão me desculpar.


14/11/2016 – Aqui jaz, CBB; E agora, quais os próximos passos?
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Fábio Balassiano

cbb1Nesta altura dos acontecimentos você já sabe que a Federação Internacional de Basquete, a FIBA, suspendeu no mínimo até 28 de janeiro de 2017 o basquete brasileiro INTEIRO (seleções + clubes) por conta da péssima administração da Confederação Brasileira. Confederação Brasileira que, inacreditavelmente, emite uma Nota Oficial demonstrando surpresa com o ocorrido. Deve ser alguma brincadeira que não pesquei, só pode.

Explicando o que isso significa para os que não conseguiram pescar o tamanho da gravidade de coisa: nenhum clube ou seleção brasileira entra em quadra fora da fronteira. Para ficar em dois exemplos vale dizer que as eliminatórias do Mundial Masculino de 2019 e a Copa América Feminina que classifica para o Mundial Feminino de 2018 começam no próximo ano. Caso a suspensão seja prorrogada as consequências podem ser realmente surreais para a modalidade. Está claro: o dia de ontem foi o mais triste da história do basquete brasileiro. Não por uma derrota na quadra, mas sim por ter sido uma derrota final de um modelo de gestão falido, de um presidente cuja credibilidade é menor que 0 e de seus comandados tão ruins quanto ele (de assessor de imprensa que prega a censura, a chefe de departamento técnico que diz que está tudo bem quando a água já está batendo no pescoço, a diretor financeiro que afirma que dinheiro público não vale). Todos realmente iguais – ruins, coniventes, pouco críveis, usuários de métodos intimidatórios pouco recomendáveis contra quem os critica e tudo mais de péssimo que possa existir em termos de gestão e educação.

Minha participação na a Rádio Globo ontem com Oscar Schmidt e Hortência

nunes7Para quem lê este blog há algum tempo não há surpresa (apenas a Confederação ficou surpresa, né…). A CBB deve a alma (mais de R$ 17 milhões – obrigado, Professor Scarpin), deixa de ir a competições por falta de verba, não organiza campeonatos que se comprometeu a fazê-los e deixa um rastro de pagamentos não realizados por todos os cantos.

Em português claríssimo: a entidade máxima do basquete brasileiro morreu. A CBB coberta de esparadrapos passou do estágio da CTI para, infelizmente, o de fechamento das portas. A FIBA não reconhece mais a Confederação, e se tivesse um mínimo de vergonha ou senso do ridículo (algo que não o tem) Carlos Nunes, o presidente da morta CBB, pediria as contas nesta terça-feira deixando não só dívidas mas também consequências bizarras e tristes para os clubes do país.

nunes2Flamengo e Bauru estão, de cara, suspenso da Liga das Américas devido a falta de competência da Confederação Brasileira e Mogi só não entra no mesmo balaio porque já disputa a Liga Sul-Americana há mais de um mês. Para Nunes não basta ser ruim no minifúndio que ele comanda. Nunes é um ruim espaçoso, prolongando os seus tentáculos incompetentes até mesmo para uma Liga Nacional de Basquete (a organizadora do NBB) que tenta fazer um bom trabalho por aqui. Quero apenas, antes de seguir, deixar claro que sou completamente contra o que a FIBA fez ao punir as agremiações que ainda tentam fazer basquete de qualidade no país, mas infelizmente estas são as regras do jogo (as do estatuto da Federação Internacional), a hierarquia é clara (Federação Internacional, FIBA Américas e CBB, que CHANCELA a Liga Nacional) e não cabe outra coisa que não aceitar e lamentar.

nunes3Mas, bem, voltando, agora a questão é saber o que será do amanhã no basquete brasileiro. São muitas perguntas e poucas respostas, na verdade. Será formada mesmo uma Comissão por parte da FIBA para organizar a casa? O espanhol Jose Luiz Saez voltará ao país para isso? As eleições da CBB serão antecipadas? Carlos Nunes será deposto do cargo ou pedirá demissão do mesmo? Alguém da tal comunidade do basquete vai se insurgir contra um cada vez mais fragilizado Nunes para tentar reformatar a Confederação? Os atletas falarão algo de realmente útil ou continuarão com muito, muito, muito medo de fazer qualquer coisa? A Liga Nacional, afetada por conta da incompetência alheia, vai realmente emudecer?

nunes2Choco-me com essa anestesia do basquete brasileiro, mas não me surpreendo mais porque sei que o meio é absurdamente contemplativo. De dirigentes, passando por jogadores, imprensa e até mesmo torcedores, quase ninguém cobra como deveria. De todo modo, o que vemos é reflexo do que somos. Quem tem Carlos Nunes como presidente há oito longos anos não pode querer nada de diferente daquilo que estamos vendo. O basquete, pra quem não conhece, é um meio absurdamente sujo (MUITO sujo), retrógrado, medroso, melindrado e que pensa muito mal (e em doses homeopáticas). Os poucos que tentaram mudar a ordem das coisas foram extirpados e / ou sugados para o lado ruim da força. De todo modo, ninguém aqui é maluco de dizer que o que aconteceu nesta segunda-feira foi “normal”. Não, não foi. O dia 14 de novembro de 2016 foi bem triste para a modalidade. O dia em que o órgão máximo do esporte mundial (a FIBA) disse pro planeta inteiro ouvir: “Meus caros colegas da CBB, vocês estão fazendo uma besteira atrás da outra e a gente não aguenta mais. Grande abraço e passem bem”.

cbb1Ontem foi a morte portanto. Muita gente com quem conversei me disse de forma convicta (ou otimista) que hoje, 15 de novembro, a proclamação da república do país por coincidência, é o dia do renascimento do basquete brasileiro. Que será o primeiro dia de um novo ciclo.

Adoraria acreditar nisso, mas a verdade é que não consigo. Ainda não consigo ver uma luz no fim do túnel justamente por não saber quem irá comandar a Confederação a partir de amanhã ou pós-eleição de 2017. Mais do que um presidente, o basquete brasileiro precisava mesmo é de uma revolução mental, estrutural e de ideias. Continuar pensando que dá pra gerenciar a segunda modalidade mais popular do planeta como se fazia há 40, 50 anos é um erro que não dá mais pra cometer. Não dá, mas é exatamente isso que faz a CBB “gerencia” o esporte há duas décadas.

Pobre basquete brasileiro. Morto ontem. Sem rumo hoje. Indecifrável no futuro.


Sem verba, CBB não leva Sub-15 ao Sul-Americano; presidente Nunes se explica
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Fábio Balassiano

cbb2Na próxima semana começa em Assunção, no Paraguai, o Sul-Americano Sub-15 masculino, primeiro degrau internacionais de seleções. É através dele que os times nacionais se encontram em um torneio que classifica os três primeiros para a para a Copa América Sub-16 de 2017, que por sua vez leva ao Mundial Sub-17 de 2018. São oito países que estarão no evento em solo paraguaio: Argentina, Chile, Colômbia, Equador, os donos da casa, Peru, Uruguai e Venezuela.

cbb1Estranhou algo, certo? É isso mesmo que você leu. O Brasil NÃO jogará a competição devido a problemas financeiros, ou como diz a Confederação Brasileira de Basketball em carta enviada à FIBA em 9 de setembro a qual este blog teve acesso (imagem ao lado), “por motivos de força maior”. A CBB ainda tentou solucionar a questão depois dessa mensagem, procurando alternativas, mas de novo falhou em apresentar à FIBA as credenciais financeiras para participar do Sul-Americano.

Vocês sabem o que isso significa? Que a seleção brasileira não só não jogará o Sul-Americano Sub-15, mas consequentemente a Copa América Sub-16 do próximo ano e tampouco o Mundial Sub-17 de 2018. É uma geração que para os padrões internacionais já nasce “morta”, com o perdão da expressão. Hoje um garoto de 15 anos não sabe quando poderá fazer o seu primeiro jogo internacional pela seleção brasileira. Que maravilha, não? Aqui do lado a Argentina treinou CINCO vezes antes de chegar para a competição deste ano no Paraguai. Mais de 35 garotos foram vistos, testados e analisados.

cbb3A situação falimentar pode piorar ainda mais. Como eu sempre digo, o fundo do poço do basquete brasileiro é sempre mais fundo que a gente supõe. Entre 16 e 20 de novembro acontece no Equador o Sul-Americano Sub-15 Feminino. Se não jogará o masculino, as meninas podem seguir o mesmo caminho. A CBB tem até segunda-feira para confirmar a inscrição, mas até agora não possui garantias financeiras e muito menos planejamento (técnico, elenco, treinamento – se é que ainda se treina no país…) para participar do torneio. Pelo que o blog apurou, a entidade está tentando junto a um patrocinador a verba necessária e procurou um clube de São Paulo que serviria de base para a equipe nacional.

nunes3Em sua escalada para levar a modalidade à falência em solo nacional vale relembrar, em um breve histórico, o que esta gestão de Carlos Nunes, que felizmente termina o seu segundo mandato no primeiro trimestre de 2017, conseguiu aprontar em pouco tempo: o não pagamento do convite do Mundial de 2014 fez com que a vaga olímpica do Rio-2016 ficasse ameaçada; dívida chegando a R$ 17 milhões; Campeonatos Brasileiros de Base cancelados em 2016; Seleção Sul-Americana Feminina Sub-17 joga competição neste ano sem treinar; A Masculina Sub-17 vai ao mesmo torneio com o time do Pinheiros mesclado com outros atletas; Um interventor da Federação Internacional vem ao país para analisar a situação da CBB de perto; O país cancela uma etapa do Mundial 3×3 e irrita a FIBA mais uma vez; Por fim, o Brasil não vai ao Mundial 3×3 por falta de verba.

nunes4Em conversa reservada deste blogueiro com um dirigente do alto escalão da FIBA uma declaração dada a mim retrata bem o estágio da relação entre a Federação Internacional e a CBB é enfática: “Não tenho mais palavras para descrever a decepção que tenho com o Carlos Nunes. Sinceramente não sei como os órgãos brasileiros e os basqueteiros do país ainda permitem que a Confederação seja administrada desta maneira”.

Acham que acabou? Não, não. No final da noite de ontem consegui uma entrevista com o presidente da CBB. Carlos Nunes está em Porto Rico em reunião da FIBA Américas e me atendeu por cerca de 15 minutos. O papo, completo, está abaixo. É uma mistura de surrealismo com choque total.

nunes3BALA NA CESTA: Presidente Carlos Nunes, queria entender o que houve para a não ida da seleção brasileira ao Sul-Americano Sub-15 masculino. É falta de dinheiro mesmo, certo?
CARLOS NUNES: Sim, não temos condição financeira para arcar com os custos deste time. Tentamos de tudo, mas não conseguimos.

BNC: Por que a CBB não comunica em seu site a ausência no Sul-Americano Sub-15? Não falta transparência?
NUNES: Mas é que ficamos sabendo apenas na semana passada que não iríamos.

cbb1BNC: Não é verdade. O senhor enviou ofício à FIBA (imagem ao lado) pela primeira vez em 9/9 informando que o Brasil não iria.
NUNES: Mas depois tentamos outra coisa e não conseguimos de novo atender o prazo de inscrição. Infelizmente.

BNC: Sim, mas já sabem que não jogarão a competição há mais de uma semana. Não dava pra divulgar? E outra coisa: vocês perderam duas vezes o prazo em menos de 45 dias? É isso mesmo?
NUNES: Sim, infelizmente não conseguimos. Tentamos, mas não conseguimos realmente.

nunes1BNC: Você tem noção que a sua gestão está “matando” uma geração completa para torneios internacionais, né?
NUNES: Por que diz isso?

BNC: Porque estando fora do Sul-Americano Sub-15 não se joga a Copa América Sub-16 em 2017 e consequentemente o Mundial Sub-17 em 2018. Uma geração que ficará sem torneios internacionais.
NUNES: Ah, mas vamos tentar reverter isso depois, guri.

cbb1BNC: Reverter como? Desculpe interromper, mas isso não faz sentido. Você não inscreve a seleção no Sul-Americano e por consequência elimina o país das competições seguintes. Não há como mudar isso. São três vagas para a Copa América e o Brasil já não estará com estas.
NUNES: Podemos tentar algo depois, vamos ver. Vamos ver.

BNC: Carlinhos, deixe-me perguntar uma coisa importante: o Brasil já está fora do Sul-Americano Masculino, e entre 16 e 20 de novembro há o feminino no Equador. O Brasil jogará a competição ou vai se ausentar também?
NUNES: Deve ir, deve jogar sim.

nunes1BNC: Deve ou vai?
NUNES: Vai, vai jogar.

BNC: Isso é 100% de certeza? O prazo de inscrição se encerra na segunda-feira…
NUNES: Só te dou 100% de certeza quando enviarmos a confirmação à FIBA Américas. E faremos isso na segunda-feira.

BNC: Mas, Nunes, já estamos na quinta-feira. Faltam portanto 4 dias para o prazo final. A CBB ainda não sabe se irá jogar o torneio?
NUNES: Devemos jogar, devemos jogar.

nunes2BNC: OK, partindo do pressuposto que irá jogar então. Sua equipe nacional Sub-15 irá treinar antes ou fará como tem sido feito nos últimos tempos, se encontrando no aeroporto e jogando de qualquer jeito?
NUNES: Não, não. Vamos treinar.

BNC: A partir de quando? Falta um mês pro torneio…
NUNES: A partir de semana que vem.

nunes1BNC: Ah, que legal. Fico feliz. Onde e com que elenco?
NUNES: Ainda não sei. Isso é com o departamento técnico.

BNC: E quem será o treinador dessa equipe?
NUNES: Ainda não sei.

BNC: Que situação, presidente. Sinceramente, vou lhe fazer uma pergunta com todo respeito que o senhor merece. Não me leve a mal. Vamos lá: você não tem vergonha da situação em que a sua gestão está deixando o basquete? Consegue dormir tranquilo todas as noites?
NUNES: Eu fico tranquilo porque sei que o problema não foi comigo. Fiz o que pude. Enfrentei condições adversas. Fugiu ao meu controle, fugiu da vontade nossa. Se eu tivesse feito alguma coisa errada, ok, aí não ficaria tranquilo. Mas não fiz, entende? Aliás, não sei pra quem eu tenho que dar satisfação…

nunes11BNC: Como não sabe? Peraí. O senhor é presidente de uma Confederação Brasileira de uma modalidade grande como o basquete. No final das contas, também, a CBB é dominada por dinheiro dos contribuintes de todos os lados. Então o senhor deve explicações, sim, ao país. Por favor, não confunda as coisas.
NUNES: Sim, é por isso que estou lhe atendendo e conversando. Mesmo sabendo que você só malha a CBB.

nunes3BNC: Olha a sua situação, presidente. Não vai ao Sul-Americano Sub-15 masculino, foi aos Sul-Americanos Sub-17 deste ano fazendo catado de clubes nos rapazes e sem treino no Feminino. Tem uma dívida cavalar de R$ 17 milhões que o senhor teima em dizer que é de R$ 10 milhões. Não fará um Campeonato Brasileiro de Base sequer. Está sofrendo uma intervenção da FIBA. E acha isso normal?
NUNES: A situação está controlada para o resto.

nunesnunes1BNC: Desculpe, mas o que seria o resto?
NUNES: Teremos Campeonatos Brasileiros de Base em 2017.

BNC: Peraí, Carlos Nunes. Vamos por partes. Não teremos nenhum Brasileiro de Base em 2016, correto?
NUNES: Ainda estamos tentando reverter, mas acho difícil.

BNC: Sejamos realistas, Carlinhos. Faltam 60 dias para acabar o ano e não saiu nenhum Torneio ainda. Não vamos ter, né?
NUNES: Acho que não.

nunes2BNC: E como o senhor consegue garantir que haverá Campeonatos Brasileiros de Base se não será o presidente em 2017?
NUNES: É a minha expectativa. Deixar tudo organizado para isso. Estamos trabalhando muito neste sentido.

BNC: E quando chega o espanhol José Luiz Saez para a intervenção que o senhor chama de força-tarefa na CBB?
NUNES: Chega na última semana de outubro, pelo que me falaram. Mas ainda não recebi a confirmação 100%, não.


Com ultimato da FIBA, a CBB chega perto do fundo do poço – pode piorar…
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Fábio Balassiano

cbb1Você viu aqui ontem em primeira mão que a Federação Internacional de Basquete deu um ultimato na Confederação Brasileira. Inconformada com os rumos da modalidade no Brasil, a FIBA trará um gestor de sua confiança (o espanhol José Luiz Saez) para entender exatamente o que se passa em uma CBB que devia, até o final de 2015, mais de R$ 17 milhões. Como já disse: não dá pra saber, ainda,o  que irá acontecer de agora em diante, mas está bem claro que o alto escalão do esporte se cansou de Carlos Nunes, sua falta de competência e suas bravatas.

cbb2Antes de seguir, vale dizer que no final da tarde a entidade máxima do basquete brasileiro tentou, tadinha, negar o que este blog publicou colocando não só um texto mal escrito em seu site oficial, mas também a carta em que a FIBA informa o que fará na CBB. Tentou, tadinha, dizer que não se tratava de intervenção, mas sim de uma força-tarefa.

patrick1Não vou entrar em questões semânticas ou linguísticas, porque o bizarro disso tudo é que a Confederação chama de “errônea” no primeiro parágrafo a informação divulgada por este jornalista, mas logo depois é possível ver no anexo o seguinte no texto enviado por Patrick Baumann (foto), Secretário-Geral da FIBA: “Permita-me informar que o Comitê Executivo da FIBA, em acordo com o Sr. Usie Richards, presidente da Fiba Américas, concordou com a criação e estabelecimento de uma força-tarefa para ajudar a Confederação Brasileira de Basquete a resolver os problemas que vem enfrentando“. Ou seja: a FIBA COMUNICA à CBB que estaria agindo, quer(ia) a CBB ou não. Não foi feita uma consulta de auxílio por parte da Confederação, mas sim recebida uma singela cartinha com um recado simples: “Ferrou pra vocês. Vamos aí entender o que está acontecendo”. Se isso não é intervenção…

Bom, agora podemos seguir. Queria colocar alguns pontos para debate. Vamos lá:

Me31) Em primeiríssimo lugar, como se sentem, agora, os órgãos brasileiros? Ministério do Esporte, Comitê Olímpico e os de fiscalização (Controladoria Geral da União, entre outros), o que tem a dizer? Foi necessário que uma entidade internacional chegasse ao ponto de dizer ‘chega’ para que as contas da CBB fossem devidamente auditadas / fiscalizadas / devassadas. Será mesmo que não há/havia nenhuma autoridade nacional que pudesse fazer isso por aqui? O Ministério, por exemplo, é o maior mantenedor da Confederação há mais de uma década. Será que ele, Ministério, não teria interesse em realmente abrir a caixa-preta da entidade máxima para compreender se sua verba, que no final das contas é a verba de toda população, foi realmente bem utilizada e se a gestão de um dos esportes mais populares do país está sendo bem feita? E para o COB, não seria o caso de uma investigação mais profunda? Infelizmente nada foi feito e agora temos a Federação Internacional trazendo um profissional para liderar a força-tarefa intervenção nas salas da Avenida Rio Branco, centro do Rio de Janeiro.

nunes42) Me perguntaram ontem: E agora, o que será de Carlos Nunes, presidente que está finalizando o seu (péssimo) segundo mandato? Na verdade a resposta cruel, seca e verdadeira é: “Nada”. Não acontecerá nada com ele. Se tivesse um mínimo de compreensão dos fatos, se não vivesse em uma bolha, se não habitasse um universo tão diferente daquele que é a realidade do basquete brasileiro ele teria pedido para sair depois da Olimpíada do Rio de Janeiro. Mas Nunes é persistente e um produto do meio político esportivo brasileiro. Trafega bem entre seus pares com suas ilações (alguns ainda caem), não é cobrado por NINGUÉM, ignora as dificuldades que se apresentam, crê que o problema está sempre na conjuntura econômica do país e segue vivendo. Poderia, muito bem, antecipar o final do seu mandato e convocar eleições para o final de 2016, permitindo ao novo presidente que começasse o mandato logo no início de 2017. Seria o único serviço que ele prestaria ao basquete brasileiro em oito anos. Não é crível que isso aconteça, porém. Entre a impossibilidade de uma renúncia e a improvável tentativa dele de rumar para o terceiro mandato aproveitando-se da nova Lei do Ministério do Esporte, é mais plausível acreditar que o mandatário termine o seu mandato em março do próximo ano exatamente como começou a sua história na entidade máxima: flanando no poder e não fazendo absolutamente nada de útil pelo esporte.

cbb13) Chegamos, então, ao fundo do poço do basquete brasileiro após a Federação Internacional anunciar a força-tarefa intervenção na Confederação Brasileira? Não, ainda não. Como venho dizendo neste espaço há mais de cinco anos, o buraco do basquetinho nacional é sempre mais fundo que a gente pode crer. Se Carlos Nunes é um péssimo presidente, e é mesmo, o que dizer da possibilidade de termos Barbosa ou Amarildo Rosa assumindo uma entidade que deverá, ao final de 2016, quase (ou mais de) R$ 20 milhões? Me opondo à frase daquele famoso político, o que está ruim pode ficar, sim, bem pior.

cbb24) Este novo capítulo do mico infinito que é essa CBB comandada pelo duo maravilhoso formado por Grego e Carlos Nunes há quase vinte anos só vem a comprovar aquilo que penso, escrevo e falo há tempos: ou o basquete brasileiro passa por uma revisão sistêmica COMPLETA ou não conseguirá sair da lama em que se encontra. Sou voz praticamente única abordando este tipo de assunto que, eu sei, cansa pacas, mas creio ser importante falar desta questão pois impacta decisivamente no que vemos em quadra. Nunes, e Grego também, são produto de um meio promíscuo, sujo, retrógrado, conservador, pouco inteligente e sem um pingo de idéia para tirar o esporte da situação lastimável vigente. Ou para, abre a cabeça (e o coração) e mexe em tudo (na forma de se eleger presidente, na gestão, no planejamento, na relação entre clubes, técnicos e jogadores, na transparência, no trato com a imprensa, na tão sonhada massificação da modalidade), ou continuaremos onde estamos – o termo “onde estamos”, na verdade, significa andar para trás.

caminho6) Se me perguntassem onde mexeria em primeiríssimo lugar na Confederação eu diria: na estrutura de votação e na formação de um comitê gestor de altíssimo nível para comandar a CBB. Seria um caminho. Não é possível que só 26 presidentes de Federação votem no mandatário do país e que logo depois não precisem trabalhar nem um pouquinho para melhorar a condição do esporte em suas localidades.

caminho1Não é possível, tampouco, que os diretores e gerentes do esporte da bola laranja sejam, desde sempre e para sempre, tão ruins, tão fora de sintonia com o que se faz de melhor em termos de gestão esportiva no planeta. O novo presidente, portanto, não deveria ser apenas um cara com credibilidade em alta, mas sim alguém que conseguisse colocar ao seu lado personagens relevantes para mudar o rumo da história. Há ótimas cabeças pensantes querendo auxiliar o basquete no Brasil. É preciso colocá-las, todas, na mesma página e em condição de, neste momento, procurar alternativas para recolocar a modalidade nos trilhos. Seria necessário, no entanto, uma abertura grande na Confederação, fazendo com que essa turma de bem se aproximasse, e não se afastasse, do basquete. Para isso ser possível, é fundamental que se crie um ambiente extremamente profissional, transparente, sério e que seja atraente para estas pessoas exporem suas ideias. Algo que, desculpem dizer, no momento está MUITO longe de acontecer não só no basquete, mas em quase todos os esportes do país.

Concorda comigo? Comente!


Caos financeiro faz Federação Internacional colocar interventor na Confederação Brasileira
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Fábio Balassiano

nunes1Uma ação inédita vai sacudir as estruturas do basquete brasileiro no começo de outubro. Preocupada com os rumos da modalidade por aqui, a Federação Internacional de Basketball (FIBA) fará uma intervenção na Confederação Brasileira de Basketball (CBB), entidade que devia, até o final de 2015, mais de R$ 17 milhões e que também possui com déficits junto a FIBA. A informação foi confirmada ao blog nesta segunda-feira.

Asfixiada financeira e administrativamente, a CBB foi notificada no começo de setembro e não se opôs à ação, marcando inclusive uma Assembleia Extraordinária para o dia 26 de outubro para comunicar às Federações Estaduais das mudanças que ocorrerão. A entidade não atendeu às chamadas feitas até a publicação do texto.

saezCom isso, Carlos Nunes, presidente da CBB há oito anos, deixa de ser o ponto máximo de contato da Confederação para a FIBA, função esta que caberá ao espanhol Jose Luiz Saez, ex-presidente da Federação Espanhola (FEB) entre 2004 e 2016, membro do Comitê Executivo da FIBA e responsável por arrumar a casa em Federações como México, onde se formou uma Comissão de Trabalho com Ministério do Esporte, FIBA, Comitê Olímpico Mexicano e Federação local, e Cuba.

A presença de Saez no Brasil é aguardada para a primeira semana de outubro, quando ele começará a fazer imensa varredura nas contas e nos procedimentos da entidade. Serão marcadas reuniões dentro da própria Confederação Brasileira, no Ministério do Esporte e também no Comitê Olímpico Brasileiro.

A chegada do espanhol, em um primeiro momento, não tira o presidente Carlos Nunes do comando da CBB. Saez fará uma espécie de auditoria interna, coletando informações completas e concretas para a reunião do Comitê Executivo da Federação Internacional que acontecerá em novembro na Suíça. Lá serão tomadas ações concretas em relação à Confederação Brasileira de Basketball.

cbbO estopim para a Federação Internacional tomar esta decisão aconteceu quando a entidade máxima do basquete nacional informou, durante as Olimpíadas, que não poderia mais realizar a etapa do Mundial 3×3, prevista inicialmente para os dias 23 e 24 de setembro no Rio de Janeiro, causando assim enorme desconforto e prejuízo aos cofres da FIBA. Durante os Jogos Olímpicos, um jantar realizado entre Horacio Muratore, presidente da Federação Internacional, Jose Luiz Saez e Carlos Nunes informou a Nunes sobre o processo que culminará com a presença Saez na CBB.

nunes2Após tentar o diálogo inúmeras vezes a FIBA partiu para a ação, algo previsto em seu estatuto e assinado por todas as suas afiliadas. O blog também apurou que durante as Olimpíadas esteve longe de ser de extrema leveza o clima entre FIBA e CBB. A Confederação Brasileira ainda tentou um último suspiro, mostrando que buscaria maneiras de sair do buraco em que se encontra, mas os dirigentes da Federação Internacional não quiseram nem escutar. Um deles confidenciou ao blog que “em Nunes a confiança é menor que zero”. A decisão estava já tomada.

nunes3Tampouco está descartada a antecipação da próxima eleição do primeiro trimestre de 2017 da CBB para o último trimestre deste ano. Não está certo, adicionalmente, como será feito o próximo pleito que contaria, conforme divulgado aqui em primeira mão, com Antonio Carlos Barbosa, ex-técnico da seleção feminina, e Amarildo Rosa, Presidente da Federação do Paraná, como candidatos. Pode ser, inclusive, que exista alguém indicado pela FIBA para a função.

cbb1Para quem acompanha este espaço, é impossível dizer que o acontecimento é uma surpresa. Ficando em poucos exemplos, vale dizer que a CBB acumula dívidas ano após ano, deixou de pagar o convite do Mundial de 2014, feito este que por pouco não deixa o Brasil fora da Olimpíada de 2016 (o país teria que disputar os Pré-Olímpicos) e quase não participou das Copa Américas Sub-18 de julho porque não tinha dinheiro para preparação e passagens (a saída foi ir sem treino com as meninas, usar o time do Pinheiros no masculino e a Liga Nacional bancar o transporte aéreo).

No momento o que dá pra afirmar é que a CBB está sofrendo uma intervenção por parte da Federação Internacional devido a sua imensa falta de competência ao longo dos últimos anos. Agora é aguardar as cenas dos próximos capítulos.


Com desistência de Etapa do 3×3, CBB fica na linha de tiro da Federação Internacional
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Fábio Balassiano

fiba3Se tem uma entidade que não cansa de se meter em problemas, esta é a Confederação Brasileira de Basketball. Menos de um mês após ter as duas seleções nacionais eliminadas no Rio-2016, a entidade máxima do basquete brasileiro comunicou à Federação Internacional que, devido a problemas financeiros (que surpresa…), não poderia mais realizar a etapa brasileira do Circuito Mundial de Basquete 3×3, prevista para ser disputada no Rio de Janeiro entre os dias 23 e 24 de setembro. Isso tudo faltando 20 dias para iniciar o torneio.

FIBA1A informação não só foi confirmada pela FIBA, que já optou pela Cidade do México como sede do evento entre 24 e 25 de setembro, mas também exposta no site oficial do órgão máximo do esporte no mundo (imagem ao lado) como mais um mico de proporções colossais para o governor Carlos Nunes, há oito anos derrubando a modalidade da bola laranja ladeira pelo Brasil e por todo planeta.

cbb1Pode parecer pouco, mas o blog apurou que o cancelamento da etapa do 3×3 irritou demais os dirigentes da FIBA, que tiveram que rapidamente correr atrás de outra sede, arcando com parte do investimento para manter a competição.

O blog também foi informado que chegou ao fim a paciência da FIBA com a CBB, e que atitudes mais enérgicas contra uma Confederação que demorou séculos para pagar o convite do Mundial de 2014, que quase não levou seleções para a Copa América deste ano e que possui dívida de mais de R$ 17 milhões não estão descartadas.

nunes7Em português claro, dá pra afirmar que mais do que nunca a CBB encontra-se na linha de tiro da Federação Internacional, que pode, sim, aplicar sanções contra a Confederação Brasileira ou algo até mais grave nos próximos dias.

Se durante as Olimpíadas o burburinho era forte acerca das péssimas relações entre Carlos Nunes, presidente da CBB, e o alto escalão da FIBA, ontem confirmou-se que a paciência da Federação Internacional com a Confederação Brasileira se esgotou. Agora é esperar os próximos capítulos. Nunes não deve estar muito tranquilo.


Segunda tentativa: Kouros poderia ser a terceira via na eleição da CBB
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Fábio Balassiano

nunes3Há cerca de três anos escrevi texto aqui após o pleito que reelegeu Carlos Nunes para o que já antecipava que seriam mais quatro anos de terror na Confederação Brasileira. Não precisava ser nenhum gênio para saber disso. Era preciso, mesmo, uma dose de realidade, algo que a turma do oba-oba e do puxa-saquismo não pode enxergar.

Um dos problemas do basquete brasileiro é este mesmo – a falta de senso crítico e a vontade de achar que tudo está bom, de que tudo está caminhando como deveria caminhar. Não, não está bom. Não, não está caminhando como deveria. Posso cometer meus exageros (e os cometo!), mas análises lambe-botas nunca me conquistaram, nunca serão vistas por aqui e quando é necessário colocar o dedo nas feridas irei colocar – justamente porque há inúmeras feridas no basquete brasileiro. O segundo esporte em preferência no país perde espaço há alguns anos e não sabe como se recuperar. Qual é o plano? Ninguém sabe simplesmente porque não há (plano) por parte das mentes pouco brilhantes que habitam a CBB.

nunes8Por causa disso tudo listado acima eu falo a realidade sobre o mandatário da entidade máxima do país há 8 anos: Carlos Nunes é uma figura simpática, educada, mas vive em uma bolha, em seu mundo, alienado da realidade e tranquilo com o que não faz. Sua noção do que há de mais moderno em gerenciamento de empresas inexiste. Previa, em 2013, um desastre pelos quatro anos seguintes. Veio uma verdadeira tsunami de notícias ruins. Dívida crescente (passou dos R$ 17 milhões, algo absurdo!), nenhuma capacitação dos professores, não mais do que ideias sobre o tão necessário Centro de Treinamento (eram só maquetes, como supunha), resultados internacionais horrorosos, esfacelamento da base, situação pré-falimentar no feminino, perda do respeito internacional, nenhuma massificação com a Olimpíada no país etc. .

amarildo1Em minha análise de cenário logo depois da Olimpíada do Rio de Janeiro escrevi que nada mudaria. Tal qual já havia feito em 2013, aliás. Disseram que era uma pessoa negativa. No começo desta semana divulguei que dois nomes surgem como pré-candidatos a presidência da CBB – Antonio Carlos Barbosa e Amarildo Rosa (foto). Nada mais desanimador. Respeito a história de Barbosa como técnico, converso bastante com ele, mas sua experiência em gestão é muito pequena para o que o basquete precisa neste momento. Estamos no fundo do poço pedindo socorro e não vejo nele uma pessoa com as ferramentas necessárias para tirar o esporte de lá. Não é que ele representa o continuísmo. Falta a ele expertise em campos como gestão, planejamento, finanças, marketing e comunicação, algo que o próprio reconhece. O caso de Amarildo é o famoso “mais do mesmo”. São 12 anos de Federação Paranaense, nenhuma obra-prima pelo basquete do Estado ou do país e apoio a gestão de Carlos Nunes por longo tempo. Fico me perguntando o que leva alguém a querer ser presidente de uma entidade com R$ 17 milhões de dívida. Confesso não conseguir responder.

kouros4O que deveria acontecer para o basquete mudar de verdade seria procurar uma via diferente das que estamos vendo. Como a modalidade é um rodamoinho que traz sempre os mesmos temas à tona fui resgatar um texto que escrevi antes da segunda eleição de Carlos Nunes (em agosto de 2012, quase seis meses antes do pleito para ser mais exato). Falava, como uma alternativa para aquele pleito, no nome de Kouros Monadejmi (foto), primeiro presidente da Liga Nacional de Basquete, membro da LNB até hoje e figura respeitada nos altos escalões de FIBA, FIBA Américas e também da NBA. Mantenho o que disse quatro anos atrás pensando na disputa presidencial da CBB para 2017. Kouros para mim seria o cara ideal para assumir a presidência da CBB neste momento.

kouros2E explico. O dirigente, um cara bem resolvido financeiramente (não precisa do esporte para NADA!), tem ideias arejadas, possui noções empresariais bem modernas, atrairia investidores, traria a tão necessária sinergia (de conceitos) entre Confederação e Ligas Nacionais, e certamente daria, com profissionais de alto nível que o cercariam, um choque de gestão em uma entidade que precisa ser balançada para sair do lugar. Mais do que isso: Kouros traria credibilidade a uma Confederação que é mal vista por todos atualmente – FIBA, imprensa (a imprensa séria, claro), clubes, jogadores, todos. O primeiro passo, por incrível que pareça, não é nem pagar a galopante dívida. O primeiro passo para sair do buraco é mesmo mostrar para a tal comunidade do basquete que é possível, sim, trabalhar de maneira diferente no comando da Confederação Brasileira. Algo que foi e é feito na Liga Nacional de Basquete desde a sua fundação há quase uma década. Liga, é bom que se diga, que tem inúmeras falhas, mas cujos ganhos são muito grandes desde seu surgimento.

cbb1O problema, para quem gosta de basquete, é que, como também venho dizendo há anos, o basquete suga as pessoas boas para o lado ruim e extirpa de vez personagens de bem do tabuleiro. Querem um exemplo? O sistema que elege o presidente da CBB é tenebroso. São 26 mandatários de Federação (alguns há séculos no poder) que colocam na urna os destinos do esporte do país. Apenas 26! Logo depois é o Presidente da Confederação que precisa passar a cobrar estes eleitores (dele) para trabalhar pelo esporte. É possível dar certo? Não, não é.

kourosEste é o motivo real pelo qual Kouros jamais embarcará nesta barca furada chamada eleição da CBB. Porque ele não quer participar de um sistema eleitoral viciado e torto. Tão simples quanto isso. Se eu (re)escrevo este texto agora, sabendo que ele, Kouros, irá reclamar comigo quando ler isso é por um motivo singelo: o basquete brasileiro não aguenta, vivo, mais quatro anos com o modelo de gestão que afunda a modalidade há duas décadas com Nunes e Grego.

kouros1Mais do que o nome de Kouros, prego mesmo é uma turma boa, de bem e interessada apenas em desenvolver o esporte brasileiro à frente da CBB a partir de 2017, quando teremos a troca de guarda de Carlos Nunes. Para isso acontecer, ou o sistema eleitoral e político muda ou nada feito. E sendo totalmente realista: é impossível pensar em modificação no panorama atual porque atletas, clubes, dirigentes e profissionais do meio encontram-se anestesiados. Ninguém age. Ninguém questiona o establishment. Na Argentina, aqui do lado, atletas se insurgiram e tiraram o presidente da Confederação. Por aqui? Nada.

E aí o que acontece? Eu vos digo: acontece que em 2017 teremos Antonio Carlos Barbosa ou Amarildo Rosa como presidente da Confederação Brasileira para um dos ciclos mais importantes da história do basquete nacional nos últimos 50 anos. Se está ruim hoje, caso nada de muito diferente aconteça, acreditem: vai piorar.


Entendendo as saídas de Rubén Magnano e Barbosa das seleções
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Fábio Balassiano

dupla1Pretendia fazer hoje análises técnicas dos desempenhos das seleções brasileiras masculina e feminina no Rio-2016 (algo que trarei até sexta-feira, prometo). Mas ontem à tarde a Confederação Brasileira de Basketball divulgou em seu site que os dois técnicos não terão seus contratos renovados. Tanto Rubén Magnano quanto Antonio Carlos Barbosa deixam as equipes nacionais após as pífias campanhas na Olimpíada do Rio de Janeiro. Dá pra analisar caso a caso. Vamos lá:

barbosa11) A não renovação de contrato mais fácil de ser compreendida é a de Antonio Carlos Barbosa. Por dois motivos bem claros: a) Ele será, ao que tudo indica e como este blog antecipou ontem, candidato a presidência da CBB em 2017. Logo, seu quadrado passa a ser outro (o político, e não o técnico) a partir de agora; b) Desde que assumiu a equipe feminina após o imbróglio envolvendo Clubes da LBF e a Confederação no começo do ano, Barbosa dizia que sairia após o Rio-2016 independente do resultado. Ele fora chamado para uma emergência, para uma situação limite, e optou por tentar ajudar mesmo sabendo de todos os problemas e riscos que enfrentaria. Não dá pra dizer que ele foi bem (MUITO pelo contrário), porque um 0-5 em uma Olimpíada em casa é um 0-5, mas de antemão todos tinham plena noção de que a sua saída era pedra cantada. Não foi performance o motivo de sua saída, portanto.

bra32) O mesmo não se pode dizer de Rubén Magnano. Trazido pela Confederação Brasileira há sete anos como o salvador da pátria para alçar voos maiores com a seleção masculina, o treinador chegou cheio de energia, conquistou uma vaga olímpica que não vinha desde 1996 logo em seu segundo ano de trabalho, falou em mexer com toda a estrutura da modalidade no país por diversas vezes e deixou todos muito animado. Até Londres-2012, ele não foi mal. Depois disso, tornou-se um desastre (muito provavelmente porque viu que dentro dessa gestão de Carlos Nunes na CBB não poderia fazer nada de diferente mesmo). Nas palavras, na quadra, na condução do elenco, em sua visão retrógrada de basquete (e de mundo), em tudo.

Bra1E tem mais. Seus resultados em sete anos mostram que, apesar de uma prepotência monumental, ele não foi bem: em Mundiais, um nono lugar (2010) e um sexto (2014); em Olimpíadas, um quinto (2012) e um nono (2016); em Copa América, um vice-campeonato (2011) e dois nonos lugares (2013 e 2015); e em Pan-Americanos, um quinto (2011) e um título (2015). O tal “próximo passo”, de avançar às medalhas, a um patamar maior, ele não conseguiu. Some-se ao desempenho ruim com um elenco muito bom o fato de Magnano ter um salário altíssimo. Com o cenário financeiro terrível da CBB, a sua permanência tornou-se inviável. Caso os resultados tivessem vindo, creio que Carlos Nunes e companhia poderiam tentar justificar, ou pleitear junto ao Comitê Olímpico, que já bancou parte do salário de Magnano por um tempo, alguma coisa. Mas sendo eliminado na primeira fase de uma Olimpíada em casa fica impossível passar o pires pro COB, né?

cbb13) Antes de falarmos nos nomes para assumir as equipes nacionais, volto ao ponto do meu texto de semana passada: não adianta nada trocar um técnico pelo outro. Nada. Nada mesmo. O problema do basquete brasileiro chama-se gestão, e para se ter melhoria de gestão você não mexe apenas nas peças, mas sim nos processos, na organização, na ampliação do olhar e na evolução de temas críticos – como a massificação, a capacitação dos treinadores, a falta de comunicação entre dirigentes e atletas, entre outros assuntos essenciais para o bom andamento da modalidade. Com o modus operandi que impera na CBB há 20 anos, com o duo “maravilhoso” formado por Carlos Nunes e Grego, podem contratar Phil Jackson, Gregg Popovich ou Coach K que não adianta. Nossos maiores problemas não estão na quadra, mas sim fora dela.

neto34) O mais cotado para assumir a seleção masculina é José Neto. Assistente-técnico e homem de confiança de Magnano desde o começo do ciclo do argentino, ele também tem resultados consistentes com o Flamengo (há quatro anos no clube, venceu TODOS os campeonatos possíveis!), entende bem o funcionamento caótico da CBB, conhece bem a maioria dos jogadores que serão fundamentais nos próximos anos (Raulzinho, Felício, Fischer, Augusto, Vitor Benite etc.) e é respeitado por atletas, imprensa e dirigentes. No feminino, não consigo ver nenhum nome capaz de ser alçado a condição de treinador para um ciclo que será desafiador (para dizer o mínimo). E não ter sequer uma pista de quem pode passar a liderar a seleção feminina é um indicador de que não há nenhum nome bom no horizonte.

nunes15) Uma questão importante e que deve ser colocada: aparentemente não serão os sempre sorridentes Vanderlei e Carlos Nunes que irão escolher os novos técnicos das seleções brasileiras. Com eleição marcada para Março de 2017, caberá ao novo presidente a missão de contratar os novos treinadores e montar a sua diretoria com Diretores Técnicos e demais profissionais. Ou seja: só teremos definição, mesmo, no segundo trimestre do próximo ano. Enquanto isso, e até termos um novo mandatário na quebrada CBB, só especulação mesmo.

E você, concorda com as saídas de Rubén Magnano e de Antonio Carlos Barbosa? Quem você gostaria que assumisse a seleção masculina? E a feminina?