Bala na Cesta

Arquivo : Carlos Nunes

Com problemas financeiros, CBB faz times da Supercopa Brasil pagarem suas passagens
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Fábio Balassiano

Como diz aquele famoso personagem, ‘é grave a crise’. Na única competição adulta ainda organizada por ela, a Confederação Brasileira de Basketball “inovou” na Supercopa Brasil que acontece na próxima semana em Macaé (Rio de Janeiro).

Os oito clubes que participarão da competição que classifica os dois primeiros para o triangular de acesso ao NBB6 (o Tijuca será o outro time) serão obrigados a pagar suas passagens para chegar ao interior do Rio de Janeiro. Se isso não fosse o bastante, nem os custos envolvidos com a competição saíram da CBB, mas sim da Prefeitura de Macaé – provavelmente dinheiro público, aliás. Uma tragédia, não? E o motivo é bem simples: a CBB está sem grana, absolutamente sem grana, como ela mesma aponta em sua nota oficial divulgada no site (veja mais no documento oficial aqui):

O planejamento das atividades de 2013 previa o suporte dos custos do torneio Super Copa através das  verbas do Contrato de Patrocínio Eletrobras. Apesar de todos os esforços de nossa parte, a Eletrobras ainda  não efetivou a renovação daquele contrato nem tampouco restituiu a verba retida do contrato anterior, o que  obrigou a busca de um sediante para a competição que arcasse com os custos envolvidos. O Município de  Macaé assumiu esse encargo e responsabilidade, à exceção das despesas com passagens aéreas, inclusive  as passagens para as equipes competidoras. Neste contexto a CBB, pelas razões descritas e que  evidenciam a sua total ausência de culpa por circunstâncias invencíveis e de difícil previsibilidade, precisa que as equipes assumam essa despesa para que a competição possa ser realizada.

Parece piada, mas não é. Nos próximos dias divulgarei aqui o balanço financeiro da entidade máxima referente ao ano de 2012. O resultado é absurdamente chocante, posso garantir pra vocês (já vi, revi, olhei, analisei e a situação é caótica). A CBB teve mais de R$ 25 milhões de receita no ano passado, conseguiu fechar no vermelho e ainda aumentou suas dívidas, que eram de 7,5 e passaram para R$ 8,8 milhões em 12 meses (com direito a juros e empréstimos bancários, além de outras atrocidades).

Esta é a entidade que “comanda” o basquete brasileiro, pessoal. O que eles estão fazendo com a modalidade é um escárnio, um absurdo e essa questão das passagens da Supercopa Brasil apenas evidencia isso. Tenho tentado evitar falar na CBB, porque é um assunto chato, sem chance de melhora e quase que uma briga solitária minha, mas dessa vez não deu pra me calar, não. Carlos Nunes é um péssimo gestor – seja em termos financeiros, técnicos, administrativos ou de marketing/comunicação. Seu primeiro mandato, que recebeu o aval de quase todos os presidentes de Federação na eleição de quase dois meses atrás, é bom dizer, é uma tragédia, um verdadeiro acinte. Ah, aqui vale o recado: alô, presidentes de federação, meus parabéns também, pois vocês corroboram com isso e são co-responsáveis pelo atraso da modalidade!

Como quem fiscaliza (o Ministério dos Esportes) nada faz e por incrível que pareça ainda injeta mais e mais dinheiro público em uma entidade que, reconhecidamente, não sabe usá-lo (leia mais aqui e aqui), como os atletas se calam, os clubes se omitem e as Federações se aliam com medo de perderem suas bocadas e mesadas não há muito com o que fazer. Que pena, não? Todo mundo “cordeiramente” aceita, acata, se conforma com o estado medíocre, catatônico que se encontra o basquete.

Se quem deveria se indignar, se revoltar, articular formas de protesto ou mudança não faz, qual é o futuro da modalidade? Aliás, deixo aqui outra pergunta: se nem pra organizar a Supercopa Brasil a CBB serve, visto que nem fornecer as passagens ela consegue,   será que não chegou a hora de passar mais essa competição adiante (leia-se Liga Nacional de Basquete)? A falta de competência dela (Confederação) me parece bem clara, não?


Após mudança de cargo, Hortência diz: ‘Não quero comentar porque não aceitei o cargo’
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Fábio Balassiano

Prometi aqui falar sobre a gestão de Hortência a frente do departamento feminino da Confederação Brasileira. Mas essa análise pode esperar um pouco (até porque vocês já conhecem bem o que penso a respeito, né). O que chama a atenção, na verdade, é a declaração da Rainha ao site do Sportv. Vamos a ela:

“Não quero comentar muito sobre esse assunto porque não aceitei o cargo. Tive uma reunião com o presidente Carlos Nunes há duas semanas e ele me ofereceu esse cargo de relações institucionais, e eu lhe disse que ia pensar. Alguns dias depois, mandei um e-mail e liguei dizendo que não ia aceitar o cargo, que não tem nada a ver comigo. Quero trabalhar e usar toda a minha experiência no basquete para algo prático, não para uma coisa que não faça ideia do que seja. Não fizemos acordo, ele (Carlos Nunes) me ofereceu (o novo cargo), eu disse que ia pensar, e não aceitei. Aí, uma semana depois, aparece essa nota oficial. Também estou surpresa. Não sou mais diretora da seleção, agora é o Vanderlei. E eu não quero esse cargo (diretoria de relações institucionais). Não quero um cargo que não sei direito o que é. Quero ser útil na prática”.

Bem, acho que está muito claro o que aconteceu na Confederação Brasileira, não? A CBB, através de sua assessoria, diz que tudo estava acertado com Hortência e tal, mas a questão que fica pra mim é: por que diabos isso não pode ser alinhado antes de sair uma nota oficial? Não é possível que Carlos Nunes, o presidente, e sua ex-diretora de seleções femininas falem a mesma língua – juro que me nego a acreditar nisso. É necessária esta exposição toda?

Aqui, aliás, há outro problema que é um mal absurdo no esporte brasileiro como um todo: a falta de preparo para assumir cargos importantes. Na própria CBB isso acontece agora com André Alves, ex-Diretor Técnico e agora Diretor de Eventos (!), aconteceu com a própria Hortência, que provou na prática não ter capacidade de dirigir uma modalidade que pedia (e ainda pede) socorro. E isso segue acontecendo com ela quando lhe oferecem uma diretoria de um assunto que ela mesma diz desconhecer por completo. John Wooden já dizia: “A falha na preparação é o começo da preparação para falhar”. A entidade máxima pelo visto ainda não percebeu que contratar por contratar não é a melhor solução (experiência na função, currículo, cursos e planos deveriam contar mais do que atuações em outros campos).

Mas, bem, voltando. Sendo bem sincero e justo, vocês sabem bem das minhas críticas ao trabalho de Hortência no Departamento Feminino da CBB, mas acho que falta um pouco de consideração a Rainha neste momento. Se houve problema de competência (e houve mesmo), que se discutisse isso tudo em uma sala (e não por e-mail ou telefone, como pelo visto foi feito) para uma tomada de decisão conjunta e acertada formalmente entre as duas partes (para que não houvesse dúvida!).

Por pior que tenha sido (e foi mesmo, faço questão de frisar para não haver dúvida) o trabalho dela como Diretora de Seleções Femininas, Hortência é e sempre será um patrimônio do basquete brasileiro, um patrimônio do basquete mundial (ela está no Hall da Fama, é sempre bom lembrar…). Foi com ela que o Brasil ganhou um Mundial, uma medalha olímpica, um Pan-Americano (quando um Pan ainda valia muito).

Tratá-la como ela foi tratada não desce bem pra mim, não. Demitir ou trocar Hortência de função poderia até ocorrer, mas da maneira como foi feita denota um amadorismo e uma falta de consideração que chegam a ser constrangedores. Se ela não merecia elogios pelo seu trabalho na CBB, tampouco merecia uma apunhalada deste nível – embora, é sempre bom dizer, trabalhar na CBB é estar preparado para que isso ocorra a qualquer momento.

Concorda comigo?


CBB tira Hortência do comando das seleções femininas, mas mantém Rainha na entidade
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Fábio Balassiano

O que era um rumor agora é oficial (e já está no site da entidade máxima inclusive – clique aqui). Hortência não é mais diretora de seleções femininas da Confederação Brasileira de Basketball, tornando-se Diretora de Relações Institucionais.

Ela não está muito satisfeita, como você pode ler na reportagem de Fábio Aleixo no Lance!, mas permanece na CBB como Diretora de Relações Institucionais até que se prove o contrário. Ao companheiro, ela disse:

“Não vou falar nada. Você que fale com o presidente sobre isso. Eu desconheço qualquer mudança. Desconheço porque não aceitei este novo cargo”, disse Hortência ao Aleixo.

Ainda não se sabe se haverá um gestor dedicado exclusivamente ao basquete feminino, mas de certo, como está no organograma distribuído no site, é que Vanderlei Mazzuchini é o novo Diretor Técnico, ocupando cargo até então exercido por André Alves, que será, por sua vez, Diretor de Eventos (duas perguntas cabem aqui: o que faz um diretor de eventos na CBB e qual a experiência de André para assumir um cargo assim?). A função de Hortência era a de Paulinho Villas Boas, que agora será Diretor de Basquete 3×3, modalidade que crescerá de importância e que conta com foco total da FIBA.

Ainda sobre a estrutura da Confederação, há um pai e filho (Édio José Alves, Secretário Geral, e Edio José Soares Alves, Diretor Executivo) e isso não deve ser lá muito estranho nos corredores da Avenida Rio Branco (RJ), visto que o mesmo acontece com o presidente e seu rebento (relembre aqui).

Amanhã farei uma análise mais completa sobre o trabalho de Hortência nestes quatro anos como diretora de seleções femininas, mas desde já a informação que se tem é essa – Rainha continua, não muito contente, como diretora de Relações Institucionais da CBB. A pressão dos presidentes de Federação, que não queriam que ela sequer continuasse na entidade, aliado ao trabalho ruim dela nestes quatro anos acabaram por tirá-la da função.

Gostou das mudanças? Comente!


Diretora de seleções femininas, Hortência também pode estar de saída da Confederação
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Fábio Balassiano

Depois de José Carlos Brunoro/BSB (leia mais aqui), pode ser a vez de Hortência, diretora de seleções femininas, deixar a Confederação Brasileira de Basketball. A informação foi divulgada nesta terça-feira pela Gazeta Esportiva via Bruno Ceccon (mais aqui), mas ainda não foi confirmada pela entidade máxima (o repórter merece crédito pacas, posso assegurar).

“Estamos esperando para ver as mudanças que vão fazer. Não sei nada disso ainda”, afirmou ao site.

Pessoalmente, liguei ontem e na quinta-feira passada para a assessoria de imprensa a respeito dessa informação, que também tinha chegado a mim por quatro fontes diferentes, mas os dois assessores com quem conversei negaram veementemente a informação (tentei contato com Carlos Nunes, o presidente, e com Hortência, mas ambos não atenderam ou retornaram minhas chamadas).

A informação que eu tenho, e isso foi apurado no dia das eleições da CBB, é que a saída de Hortência foi um pedido dos presidentes de Federação. Há muitos rumores e indícios de que haverá movimentações na CBB neste começo de segundo mandato de Carlos Nunes, mas convém aguardar pelos próximos capítulos antes de cravar qualquer coisa.


Com Carlos Nunes repetindo o mantra ‘queremos medalha’, cabe a pergunta: como chegar lá?
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Fábio Balassiano

Nas poucas vezes que falou recentemente (quase sempre ao Sportv nos jogos do NBB no Tijuca e sem algo que fosse digno de nota) o presidente da Confederação Carlos Nunes, que prometeu entrevista a este blogueiro há quase seis meses, diga-se de passagem, repetiu uma frase quase que como um mantra: “Iremos brigar por medalhas nas Olimpíadas de 2016″. Muito bem. O basquete brasileiro é grande, jogará em casa, no masculino tem até boas chances. Tem mais é que sonhar mesmo.

O que me irrita nisso tudo, porém, é que Carlinhos, como é conhecido, parece não entender que o que ele fala faz parte do “fim”, do “objetivo final”, mas não do “meio”, do “como”, da “forma” (se quiser traduzir essa parte final por “trabalho” também pode). Não se conquista uma medalha olímpica nos 15 dias em que se jogam as Olimpíadas, desculpe dizer, mas muito antes (bem antes dos quatro anos que antecedem o evento, também permita-me dizer ou frustrar). A Espanha demorou 20 anos para entrar nos eixos, formatar uma liga forte, colocar os técnicos na mesma página, popularizar a modalidade até ganhar o Mundial de 2006 e a prata em 2008 (antes haviam ganho a prata em 1984, em Los Angeles, diante dos EUA de Bob Knight e do então menino Michael Jordan). A Argentina sofreu na mão do próprio Brasil durante 20, 30 anos, até encontrar seu caminho com muito trabalho de base e uma geração primorosa. E aqui, o que temos feito? Nada, absolutamente nada.

Carlos Nunes, insisto nesse ponto, não fez absolutamente nada de útil, renovador para que seu mantra fosse, digamos, palpável, crível. Espanta-me muito, mas não surpreende, que em sua primeira gestão nada de diferente em relação aos últimos 15 anos tenha sido pensado em base (se falarem em seleção permanente eu paro…), em desenvolvimento de talentos, em capacitação de técnicos que realmente mude a história da modalidade (ENTB, que não realiza um curso há mais de seis meses), em popularização do esporte, em qualquer coisa que faria com que olhássemos e pensássemos: “Pô, que bacana. Agora vai”.

Não rolou, não foi, empacou, ficou como está há duas décadas. E nenhum esporte de alto nível consegue se manter no topo com trabalhos (com o perdão da palavra) horrorosos em planejamento, execução, desenvolvimento, capacitação, popularização. Nunes não criou uma área básica de planejamento (qualquer empresa séria tem uma), continuou sucateando a base, praticamente colocou um pá de cal no basquete feminino, tampouco colocou alguém capacitado/experiente para tocar o marketing/comunicação da entidade máxima e foi incapaz de minimamente deixar as contas no zero a zero (como se viu nos balanços de 2010 e 2011)

O pior disso tudo é que 2013 começa com uma dívida monstruosa no balanço da entidade (a não ser que ele tenha feito mágica, a CBB estará no negativo nas contas que devem ser apresentadas até o final de abril/2013), sem o patrocínio da Eletrobras e com uma série de competições importantes para as seleções pela frente (Copas Américas, Mundiais Sub-19, Sul-Americanos etc.). Embora o Ministério tenha despejado uma grana louca na Confederação (R$ 14mi), fica difícil acreditar que Nunes e sua trupe saibam realmente

A pergunta, ora bolas, é uma só: qual é o plano de Carlos Nunes para transformar o basquete brasileiro? Na verdade, dá até pra refazer a pergunta: Carlos Nunes tem algum plano para recolocar o basquete na ordem do dia no país olímpico? Custo, sincera e infelizmente, a acreditar que sim.


O que esperar dos próximos anos de Carlos Nunes no comando da CBB – vai melhorar?
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Fábio Balassiano

Como você sabe, Carlos Nunes (na foto ao lado do vice Reginaldo Sena) foi eleito nesta quinta-feira para mais um mandato na presidência da Confederação Brasileira de Basketball. E foi por aclamação, visto que recebeu 21 dos 27 votos possíveis (CE, MA e RN votaram em Grego; DF e BA se abstiveram; e SP nem representante enviou – uma vergonha, diga-se de passagem) em uma eleição em que não saiu sequer uma ideia para tirar o basquete do buraco. Tipo, é isso mesmo que você está lendo: um cidadão foi eleito para comandar uma entidade esportiva sem ter dado sequer uma ideia do que será sua estratégia pelos próximos quatro anos. Beira o absurdo.

De todo modo, eleito que está, a pergunta que fica, agora, para Nunes é: o que esperar de sua gestão nos quatro anos que teremos pela frente?

Quem acompanha este espaço sabe quão crítico eu fui (e continuarei sendo, já antecipo) em relação a gestão de Carlos Nunes, certamente a que mais de perto pude fiscalizar/acompanhar junto com a parte final do governor Grego. E a verdade é uma só: Nunes foi uma catástrofe como presidente. Só foi eleito porque do outro lado havia um candidato cuja rejeição beira a totalidade não só entre os presidentes de Federação, mas na (odeio este termo) “Comunidade do Basquete”. E isso não sou eu que digo. Um dos presidentes de Federação me confessou o seguinte no hotel em Ipanema: “Carlos Nunes não ganhou essa eleição por méritos de sua gestão. Sabemos de tudo o que ele fez lá. Mas ninguém aguenta o Grego, ninguém mesmo. Foi muito mais um voto contra um candidato do que a aprovação de quatro anos de Nunes como presidente”.

Em seu período à frente da Confederação só acertou em duas coisas: ao trazer Rubén Magnano, que devolveu o país às Olimpíadas no masculino, e ao proibir, modificando o estatuto, reeleições eternas na entidade (ou seja: já podemos começar a contagem regressiva para a despedida de Carlinhos, como é conhecido, em 2017).

De resto, insisto, Carlos Nunes foi um pavor – principalmente em termos financeiros e estratégicos (e pensar que o Ministério ainda “chancelou” essa gestão com R$ 14 milhões, hein!). Há problemas gravíssimos apontados pela oposição nesta semana: dívidas condominiais da CBB ao Edíficio Bokel (superior a R$ 300 mil), um processo movido pela entidade contra a Eletrobras (0006291-27.2012.4.02.5101), contas telefônicas atrasadas (valor superior a R$ 120 mil), dívida com José Carlos Brunoro de (R$ 4 milhões) e até mesmo problemas de INSS, FGTS e Imposto de Renda. Isso, claro, sem falar no processo que a Champion, ex-fornecedora de material esportivo, move contra a Confederação, da dívida, que certamente se aproxima dos R$ 10 milhões (aguardo ansiosamente o balanço financeiro de 2012) e do dinheiro que foi devolvido para a própria Eletrobrás por mau uso. Há várias coisas administrativas que deveriam ser respondidas, mas que Nunes teima em calar, em jogar para debaixo do tapete.

Sobre a questão técnica da coisa, Carlos Nunes foi igualmente catastrófico. Deixou de realizar mais de 11 campeonatos de base. Sequer pensou em criar um circuito de base decente, razoável, que envolvesse mais do que as federações, mas sim os clubes formadores, os verdadeiros “mantenedores” das seleções e times adultos. Não moveu uma palha para construir algo que foi prometido por ele em campanha, o tão sonhado Centro de Treinamento do basquete brasileiro. Deixou Hortência governar como bem entende, ou diz entender, uma modalidade feminina em frangalhos. Esqueceu de criar um departamento responsável pela popularização do esporte no país (o vôlei agradece, presidente!). Se apequenou nas palavras bonitas de Brunoro e deixou o agora dirigente do Palmeiras liderar todo o processo do basquete com sua equipe (gestão?). Não criou uma campanha sequer de comunicação quando da classificação às Olimpíadas depois de 455 anos. Não foi capaz, vejam só, de sequer fazer com que as novas camisas, da Nike e belíssimas por sinal, tivessem capilaridade em lojas de esporte para que o público que ainda teima em consumir a modalidade (porque só teimoso ainda consome o basquete depois de tanta zona) conseguisse comprar.

Juntando estes dois últimos parágrafos vocês podem ter ideia do tamanho do desafio de Nunes nestes próximos quatro anos. Popularizar um esporte que claramente está em declínio no país há 20, 25 anos (há uma oportunidade única com a realização dos Jogos Olímpicos por aqui, obviamente), arrumar as finanças que ele próprio arruinou desde 2009, promover um razoável circuito de base que por aqui jamais existiu, desenvolver novos técnicos e atletas e por fim trazer ideias novas em termos de marketing e comunicação para a entidade. Fácil? Claro que não. Possível? Com trabalho sério e dedicação, sim.

Será, então, que ele consegue fazer um bom segundo mandato? Conhecendo Nunes como se conheceu, a resposta óbvia é não. Se alguém tiver esperanças e quiser marcar o sim, é só apresentar algum argumento para confiar em alguém que ajudou, tal qual Grego fez em 12 anos, a afundar terrivelmente o basquete deste país.

Comentários abertos para um debate necessário pacas!


Com 21 dos 27 votos possíveis, Carlos Nunes é reeleito para mais 4 anos à frente da CBB
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Fábio Balassiano

No final das contas, deu a lógica. Grego e sua trupe tentaram com liminar (cassada por volta das 16h desta quinta-feira – quando os eleitores da situação souberam, houve até um cântico ofensivo ao candidato da oposição), com acusações (todas graves e que merecem ser investigadas e esclarecidas pela entidade máxima, diga-se) e com uma suposta renovação de ideias e arrependimentos, mas os destinos já eram mais que conhecidos.

O gaúcho Carlos Boaventura Nunes, favorito absoluto ao pleito desta tarde no Rio de Janeiro, acaba de ser reeleito para mais quatro anos (seus últimos, ainda bem) à frente da Confederação Brasileira de Basketball. Teve 21 dos 27 votos possíveis (CE, MA e RN votaram em Grego; DF e BA se abstiveram; e SP nem representante enviou) e acabou eleito por aclamação em um hotel em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro.

Carlos Nunes segue no comando da entidade e será o presidente responsável pelo basquete brasileiro no próximo ciclo olímpico, talvez o mais importante da história da modalidade no país. Com a derrota, Grego se despede do cenário político brasileiro, visto que, aos 70 anos, não deverá mais se candidatar em 2017, ano do novo pleito.

Sorte para ele nos próximos anos, e que os erros de gestão (que foram muitos) não sejam repetidos. Aguardo, agora, o balanço financeiro de 2012 (deve ser divulgado em jornal até o final do mês de abril) para conhecer realmente a caixa preta em que se encontra a Confederação Brasileira dirigida por Nunes com tão pouco zelo desde 2009. Apenas lembrando: as dívidas no final de 2011 já passavam de R$ 6mi.


Liminar da Federação do Maranhão pode adiar eleição da CBB nesta quinta-feira
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Fábio Balassiano

Uma liminar da Federação do Maranhão, que faz parte da chapa de oposição liderada por Gerasime Nicolas Bozikis, o Grego, pode adiar a eleição da Confederação Brasileira de Basketball nesta quinta-feira (o pleito estava marcado para às 14h em um hotel de Ipanema, Rio de Janeiro). A liminar foi concedida por Veleda Suzete Saldanha Carvalho, juíza em exercício da 37ª Vara Cível.

De acordo com Grego, com quem conversei rapidamente há alguns minutos, o motivo é a falta de tempo hábil para as federações analisarem as contas da atual gestão de Carlos Nunes, candidato da situação.

Grego me citou problemas financeiros graves, retratados hoje em matéria do Jornal O Globo. De acordo com a publicação, há dívidas condominiais da CBB ao Edíficio Bokel (no RJ e com montante superior a R$ 300 mil), um processo movido pela entidade contra a Eletrobras (0006291-27.2012.4.02.5101), contas telefônicas atrasadas (valor superior a R$ 120 mil), uma dívida com José Carlos Brunoro de (R$ 4 milhões) e até mesmo problemas de INSS, FGTS e Imposto de Renda (aqui o link completo).

O problema já havia sido retratado aqui há algum tempo (relembre), e dava conta sobre uma decisão polêmica de Nunes que se encontra na Ata da Assembleia Geral publicada no site da CBB em 31 de janeiro de 2013: “A movimentação econômica, financeira, administrativa e orçamentária constante da documentação fiscal e contábil, estará à disposição dos integrantes da Assembleia no período da manhã da data da AGO, mediante prévio agendamento”.

O que isso quer dizer, trocando em miúdos? Que, de acordo com determinação da entidade máxima, os presidentes de Federação que quiserem fiscalizar as contas da atual gestão da CBB só teriam direito a vê-la mediante autorização na manhã do pleito, no caso, nesta quinta-feira, 7 de março de 2013.

A Confederação Brasileira não foi encontrada por este blogueiro.


Sobre eleição da CBB entre Grego e Nunes amanhã, a certeza: o basquete sairá perdedor
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Fábio Balassiano

Relutei muito pra escrever este post. Muito mesmo. Quem conhece este espaço e o blogueiro (e os arquivos estão aí pra isso) sabe quantas pedras já atirei na Confederação Brasileira que teima em querer destruir o basquete deste país há mais de uma década. Apuro, ano após ano, os catastróficos balanços financeiros da gestão Carlos Nunes, tudo o que Grego não fez e estou batendo na tecla da falta de capacidade desta galera. Desde que acompanho com profundidade a modalidade (2006, talvez) o caos na administração da entidade máxima impera, isso sem sombra alguma de dúvida.

Seja com Grego, que dirigiu a entidade de 1997 a 2009, seja com Carlos Nunes (ambos na foto), que comanda a CBB há quatro anos, a realidade é uma só: o basquete deste país está no buraco. Seja em capacidade administrativa, em capacidade de produzir ideias arejadas, seja em capacidade de gestão financeira (como ficou evidenciado nos últimos 48 meses). Fale o que quiser, mas há muito pouco a ser elogiado nos últimos 15 anos de basquete deste país (e pouco é quase nada mesmo).

E o que teremos amanhã, quinta-feira, 7 de março de 2013? Uma eleição da Confederação Brasileira com os dois cardeais da foto. Os dois cardeais que tão mal comandam/comandaram a CBB desde 1997. Grego e Carlos Nunes, que estiveram em Brasília no fim de semana passado para o Jogo das Estrelas do NBB e cujas biografias estão aí para qualquer um ler (manchadas por fracassos técnicos, administrativos e financeiros – ia escrever um pouco mais mas desisti).

A modalidade que tanto amo padece neste país há 20, 25 anos. Nas mãos de qualquer um que vença a eleição da Confederação através dos 27 votos dos presidentes de federação nesta quinta-feira no Rio de Janeiro, apenas uma certeza: o basquete sairá perdedor e seguirá nesta draga por pelo menos mais quatro anos. O basquete, que foi tão bem tratado quando comecei a vê-lo por aqui. O basquete tricampeão do mundo. O basquete que hoje dá espaço a Carlos Nunes e Grego.

Talvez seja o fim da linha. Que anotemos bem o nome de ambos e dos 27 que também compactuam para que a desgraça técnica, administrativa e até moral continuem, se perpetuem. Este é o basquete do país. Dá desgosto demais continuar acompanhando a derrocada de algo que você gosta tanto.


Carlos Nunes sobre Brunoro, do Palmeiras: ‘Segue trabalhando conosco como sempre foi’
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Fábio Balassiano

“Ele segue trabalhando conosco da maneira que sempre foi. Ele não é funcionário da CBB, mas é pago para dar consultoria. Nada mudou desde que ele entrou no Palmeiras. (Quando perguntado sobre o fato de Brunoro também comandar o departamento de esportes olímpicos do Palmeiras) Ele está comandando tudo de olímpicos? Bom, se for assim, veremos isso e faremos uma reavaliação até o fim do contrato”

A declaração é de Carlos Nunes (foto), presidente da Confederação Brasileira, e foi divulgada no Lance, na coluna De Prima (clique aqui). Confesso não ter mais estômago para este assunto. Deixo a caixinha de comentários pra vocês. Não há mais o que eu possa dizer sobre Carlos Nunes e/ou Brunoro.

O espaço é de vocês. O absurdo não tem fim, infelizmente. O basquete é um grande circo. Ou teatro, como preferirem. As funções de cada artista vocês também podem escolher.