Bala na Cesta

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Melhor armador do NBB9, Fúlvio faz balanço sincero de sua carreira
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Fábio Balassiano

Fúlvio Chiantia de Assis é um dos armadores mais completos do país há muito tempo. Com passes certeiros, visão de jogo acima de média e liderança apurada, ele se tornou uma das referências da posição no Brasil neste século. Aos 35 anos e com passagens por passagens por Limeira, Mogi, Franca, Uberlândia, Paulistano, Assis, entre outros, ele é uma das principais armas de Brasília no duelo desta tarde em Bauru válido pelos playoffs do NBB (18h30 com Sportv). Os bauruenses têm 2-1 na série e passarão às semifinais com nova vitória.

Líder em assistências da temporada 2016/2017 do NBB com 7,6 por jogo, ele conversou com o blog sobre sua brilhante carreira e não deixou nenhuma pergunta sem resposta. Suas alegrias, seu legado, suas frustrações, a seleção que não vinha, as mudanças dentro e fora de quadra no basquete. sua rotina, seus arrependimentos. Vale a pena ler com atenção tudo o que Fúlvio tem a dizer.

BALA NA CESTA: Como tem sido essa temporada do NBB pra você? Você fez alguns jogos excelentes e é um dos melhores armadores da temporada. O que você pensa sobre o seu campeonato?
FÚLVIO: Todo mundo brinca comigo que depois que eu virei veterano é que passei a cuidar mais do corpo. Mas é isso mesmo, sabia? A minha disciplina mudou muito na parte física. E as mudanças em Brasília foram essenciais. A chegada do preparador físico Leo, um cara fantástico, me ajudou muito, e isso tem feito a diferença pra mim. Entra, também, o momento, o grupo que joga comigo. Eu sempre gosto de distribuir o jogo, mas em Brasília nesta temporada tenho conseguido arremessar um pouco mais também. Toda mudança gera muita expectativa, e as mudanças em Brasília da temporada passada para essa creio que foram boas para a nossa equipe. Estou muito feliz de estar fazendo uma boa temporada novamente.

BNC: Você falou sobre essa sua qualidade de passar a bola, e essa sua qualidade te faz meio que um professor de outros armadores. O Ricardo Fischer jogou com você em São José e hoje é titular do Flamengo. O Deryk cansa de dizer que aprender incrivelmente com você em Brasília e tantos outros. É algo que, aos 35 anos, te orgulha, ou seja, ser reconhecido pelos seus pares?
FÚLVIO: Fico feliz, lisonjeado e mesmo quando isso não é divulgado eu sei que é a maior vitória que um profissional pode ter. Ouvir de um atleta que ele aprendeu com você, te inspira, isso é maravilhoso. Neste Jogo das Estrelas, em São Paulo, alguns jovens atletas chegaram pra mim e disseram que aprendem muito comigo quando me assistem na quadra, que tentam imitar meus passes, isso é gratificante demais. Esse reconhecimento é gratificante demais. Outra coisa que eu escuto e que gosto muito é quando os pivôs vêm falar comigo. Alguns deles viram pra mim, adversários, e falam: “Quando eu vou jogar com você?”. E é verdade mesmo. Eu uso muito os pivôs e falo pra eles que eles precisam me usar como escada. Sei utilizá-los bem, meu primeiro passe é sempre pra eles e fico muito feliz quando ouço alguns deles me dizendo isso. Murilo, Fiorotto, Varejão, agora o Lucas Mariano, tantos outros. Eu gosto de passar o que eu sei, entende? E pra passar você precisa ter a carta branca do seu treinador…

BNC: E quem te deu essa carta-branca pela primeira vez?
FÚLVIO: Eu sempre tive, acredita? Desde as categorias de base. Desde Limeira, onde joguei a base, foi assim.

BNC: Eu sei, mas perdão lhe cortar. Quando você está na base, meio que o grande jogador é o dono do time, tem a liberdade do técnico, o próprio treinador depende muito daquele que é o melhor do grupo. No adulto já é diferente, pois quando você chega tem muitos do mesmo nível e o jovem que chega precisa ganhar espaço, confiança e a liberdade do treinador, entende? Quem foi o primeiro cara que te disse algo do tipo “joga seu jogo que eu seguro as pontas aqui”?
FÚLVIO: Entendi. O primeiro foi o Eduardo Agra (hoje comentarista da ESPN), que foi quem me levou para o Paulistano e era técnico de lá. Eu era primeiro ano de juvenil e ia jogar também o adulto, cujo titular era o Gustavo de Conti, atualmente o técnico do time profissional do Paulistano. Você vê como eu estou velho, Bala (risos). E aí o Agra colocou o Gustavinho, que na época era muito bom e ganhava todos os troféus de base em São Paulo, no banco e eu era o titular. E sempre me dando uma liberdade absurda para criar, para desenvolver meu jogo, para comandar a equipe. Aí eu fui pra Uberlândia com o Carioquinha e logo depois eu fui para Casa Branca, onde tive certo destaque com o Marco Antonio Aga. Ele também me deu total liberdade. Eu era o segundo armador no Paulista, mas já jogando 25, 30 minutos, e aí na Liga Nacional ele me efetivou como titular. Deu o time na minha mão, sabe? Deu carta-branca total, total mesmo. Tinha 19, 20 anos. Com o Daniel Wattfy em Franca os medalhões tinham saído, não tínhamos tanta responsabilidade e eu fui titular também com total possibilidade de jogar como eu gosto. Foi quando eu joguei com o Anderson Varejão. Fizemos um Paulista fantástico. Aquele time era muito bom para todos os jovens aparecerem. Eu surgi pro mercado, o Anderson foi embora pra Europa e assim eu fui para Mogi com o Carlão, um timaço que tinha Demétrius, Brent, Farofa, uma galera experiente e com quem aprendi muito.

BNC: Você tem a cabeça de técnico, né? Todo mundo vê isso. Já pensa nisso pro seu futuro?
FÚLVIO: Não, não. Eu não penso em ser treinador e pra te ser sincero eu não penso em nada ainda para o meu futuro. Eu amo tanto o que eu faço, que é jogar, que eu não coloco nada extra em minha vida no momento. É treinar, estudar, relaxar, me preparar e jogar. Alguns caras me falam: “Vai se preparando”. E eu não faço. Gosto de viver isso aqui intensamente. De acordar cedo, ir pra academia, depois pro treino, voltar, almoçar, descansar e nas últimas temporadas isso tudo tem dado muito certo. Eu me dedico a isso, gosto do que eu faço e ainda não penso em nada. Vou jogar até meu corpo pedir arrego. E isso ainda está longe.

BNC: Você nunca teve tantas chances na seleção, né? Por que você acha que isso aconteceu?
FÚLVIO: Em 2004 eu estava jogando muito bem, mas tive uma lesão grave no joelho. Já estava até com uma proposta da Itália em mãos, sabia? Fiquei um ano de recuperação e eu tive uma nova oportunidade em 2007 com o Moncho Monsalve. Ele me viu nos treinos do time que ia ao Sul-Americano e me puxou para a equipe que ia o Pré-Olímpico na Grécia. Só que eu nunca tinha jogado um jogado um torneio daquele nível, daquela importância, contra rivais tão duros. E ali eu vi claramente que eu não estava preparado, não estava pronto. Tinha 25 anos, joguei 2 minutos e não rolou. Fui pressionado, perdi duas bolas, me derrubei psicologicamente e ele logo me tirou. Acabou com minha moral e não mais me colocou. Quando voltei desse Pré-Olímpico eu falei pra mim mesmo que tinha que ir jogar na Europa. Por qualquer valor, pra qualquer time, pra qualquer coisa. Eu precisava viajar, jogar fora, pra aprender, pra me desenvolver. Era mais que uma meta, era uma missão mesmo. O Moncho mesmo me disse que precisava me preparar. E eu acredito que tudo é hábito, rotina. Na Itália foi tudo muito bom, experiência incrível, apesar de ter ficado sem receber. No último mês de temporada eu lembro que fui para o Granada, na Liga ACB espanhola. Time mediano, estava pra cair e precisávamos ganhar 3 jogos de 5 pra se salvar. Foi maravilhoso e salvamos o time. Ali eu me senti preparado. Acreditei que voltaria a ser chamado, Bala. O Moncho foi até Granada falar comigo, treinei para a Copa América em 2009 e fui cortado. Naquele ano ele levou apenas o Huertas de armador, e Leandrinho e Duda para ajudarem no revezamento. Ali eu confesso a você que fiquei muito abalado, muito derrubado mesmo.

BNC: Com o técnico Rubén Magnano nunca rolou nada, né?
FÚLVIO: Em 2010 fui pro Sul-Americano com o João Marcelo e tinha esperança do Magnano me chamar para ao menos treinar para o Mundial. Mas não rolou. Depois eu fiz altas temporadas em São José, nunca fui chamado.

BNC: Vocês chegaram a conversar?
FÚLVIO: Não, nada. Nunca chegaram a falar comigo, sabe? Quem me deu muita força nessa época foi o Régis Marreli, meu técnico em São José. Ele disse pra eu focar em minha defesa, no time, esquecer de seleção. O tempo passou, eu me lesionei de novo, fui pra Brasília e não joguei legal e acho que é isso. Aparentemente já tinha esquecido e aos 33, 34 anos a seleção apareceu novamente. Fui com o time do Sul-Americano e aí sim o Magnano veio falar comigo. Me elogiou, disser que eu tinha mudado meu jogo, que passei a atuar dos dois lados da quadra e que ficava feliz por mim. Me botou esperança de eu ficar pro time olímpico, mas eu não caía mais nessa (risos).

BNC: Vou fazer uma pergunta difícil. Você sabe que é o melhor ou um dos melhores armadores do país. Como é o momento quando sai a convocação, você sabe que está entre os melhores, e não vê seu nome na lista do site da CBB? O que passa pela sua cabeça?
FÚLVIO: É um sentimento difícil de explicar. Porque tem época que você sabe que não vai ser chamado. O Magnano tinha muita coerência, isso é inegável. Ele fechou um grupo praticamente desde o início e foi com esse grupo até o final. É verdade também que eu também estava melhor que um determinado armador. Em 2012, por exemplo, a gente foi vice-campeão, eu estava jogando muitíssimo bem, e ele poderia até ter me cortado, mas era obrigação, na minha opinião, ele ter me levado. Eu era merecedor para estar ali. E acho que não fui porque daria dor de cabeça nos treinamentos, entende? Essa é a minha opinião, só isso. Ele precisava me dar aquele direito. Sabe o que o mais incrível? Jogadores de seleção, de renome, vinham falar comigo que eu merecia aquela chance, que eu merecia estar ali. Isso te faz ficar ainda mais chateado, se perguntando o porquê de estar acontecendo aquilo. Mesmo que ele fosse me chamar com a cabeça de cortar. Eu merecia estar ali e ficava muito chateado.

BNC: Quem mais ouvia as suas lamúrias? Sua esposa?
FÚLVIO: Ah, sem dúvida. Ela ouvia desde aquela época e ouve até hoje porque eu sou chato pra caramba. Quando a convocação não vinha conversávamos, ela me dava força, mas teve uma vez que pensei assim: “Chega, eu desisto”. Porque isso vai minando a sua cabeça, vai contaminando seu dia a dia e eu preferi deixar de lado. Era mais prudente em minha opinião. Já tinha esquecido de seleção e em 2016 me chamaram de novo. E se acontecer ano que vou eu estou lá de novo. E isso não tem nada a ver com patriotismo, mas sim porque eu amo jogar, amo estar ali e porque é um prêmio ao meu desempenho também. É status, é bom, é reconhecimento, é valorização. Quando você vê que há atletas melhores, a gente releva. Quando não é o caso, fica-se maluco mesmo. Acontece, né, Bala?

BNC: Como você vê o basquete hoje? Em relação ao NBB, por exemplo. Melhorou, né?
FÚLVIO: Muito, muito. Evoluímos bastante na parte técnica com a chegada de inúmeros estrangeiros de qualidade. Depois dá pra falar sobre a estrutura dos ginásios, que melhorou demais também. Vários jogadores novos apareceram, isso é ótimo e fala muito sobre o papel da Liga Nacional de Basquete também. Então acho que tudo está crescendo. Pro NBB ficar aquela liga fantástica acho que demora uns cinco, seis anos devido a crise econômica do país. Você vê times como São José fechando as portas, uma cidade fantástica e que ama esporte. Rio Claro e Limeira a mesma coisa. Isso não é bom. Chateia um pouco. Sempre falta uma coisinha, mas acho que não podemos ficar comparando. Me perguntaram sobre Euroliga, Liga ACB e não tem nada a ver. A seleção é parelha. Mas em termos de ligas, campeonatos, estamos longe ainda.

BNC: E em relação ao basquete mundial, que é um jogo recheado de chutes, chutes de fora, você gosta do que vê hoje em dia?
FÚLVIO: É, então, a NBA é um jogo a parte. É muito físico, tem muito um-contra-um e tem uns caras imarcáveis. Você pega um Russell Westbrook, por exemplo. Ele tem o jogo inteiro na mão dele, todo mundo sabe disso, todo mundo sabe o que ele vai fazer e o cara termina com média de triplo-duplo. Vai lá marcar e vê o que acontece! É difícil pacas. O LeBron James quando que ir pra cesta ninguém para. Steph Curry quando arremessa do meio da quadra e cai. Há alguns casos que até fazem mal quando a gente olha aqui, sabia? O Curry é um deles. Aquilo que ele faz lá tem uns garotos que tentam fazer no treinamento e obviamente dá errado. O cara é um fenômeno e por ser um fenômeno ele pode fazer aquelas doideiras dele. O resto, nós mortais, não (risos). Mas, voltando, eu gosto muito de ver o Chris Paul. O Westbrook eu gostava mesmo, mas dei o braço a torcer. Ele é na minha opinião um cara que se fosse pro atletismo também seria o melhor. É um atleta mesmo na acepção da palavra. Mas eu não gosto do estilo de jogo dele. O Chris Paul tem chance de ser campeão jogando no estilo dele. O Westbrook, jogando assim, não.

BNC: Tá doido, Fulvio? Chris Paul nem em final de conferência chegou na vida dele. O Westbrook já foi vice-campeão…
FÚLVIO: Mas jogando com quem, Bala?

BNC: Ah, ok, com o Kevin Durant. Então é uma questão de companheiros, não de qualidade técnica…
FÚLVIO: Sim, ele precisa de mais gente. A bola não precisa ser só dele. O que esse cara está fazendo essa temporada é anormal, é sacanagem, é absurdo. Putz. Quando você vê as médias passadas, Wilt Chamberlain, essas coisas, você acha que nunca mais vai se repetir. Aí pega um Westbrook, um James Harden mesmo fazendo triplo-duplo de 50 pontos, é inacreditável. Ele é um animal mesmo, o Westbrook, eu só não gosto do estilo (risos).

BNC: E a situação do basquete brasileiro fora de quadra, como você vê?
FÚLVIO: É triste, Bala. Eu torço muito pra que essa gestão nova do Guy Peixoto seja eficiente. A maior expectativa é, por ele ser um empresário de sucesso, que ele consiga transformar a CBB em uma empresa. Ao mesmo tempo a gente sabe bem que a Confederação tem uma dívida monstruosa e que o cara só vai ter abacaxi pra descascar. Esses primeiros quatro anos vai ser só de abacaxi pro cara. Ao mesmo tempo tem competições internacionais pra jogar. Se a suspensão for caçada, né? Ele disse que a gente, os jogadores, vai ser ouvido, isso é legal. O pessoal tem muita coisa a dizer. Tem que ser mais aberto pra depois ele tomar decisão. Não o conheço, mas torço pelo sucesso dele.

BNC: Bom, você sabe o que vou perguntar. Por que vocês atletas demoraram tanto para agir? A situação da CBB está tenebrosa há anos. Vocês sabem que eu sei que leem lá o blog, compartilham as coisas lá do balanço financeiro. Atletas se mobilizam muito pouco, não?
FÚLVIO: O que acontece com muitos atletas é o seguinte: não é que somos submissos, mas é que tem muito peixe pequeno pra brigar com peixe graúdo. Por mais que eu seja um peixe grande aqui no Brasil, eu em relação ao mundo eu sou nada pra brigar com os caras lá de cima. Não quero colocar meus amigos de NBA no meio do abacaxi, mas se eles colocarem o problema a coisa muda de figura. O conceito muda, abrange uma mídia diferente do que se o Fúlvio for lá e falar. Pega um cara de NBA que chega e diz: “Bala, é isso aqui, ali, acolá. Eu não aceito isso e tudo mais”. Deixa o Anderson falar, o Leandrinho, o Nenê, aí você atinge outro patamar. O problema é que esses caras dependem muito menos de seleção hoje em dia. A gente aqui pode sofrer retaliação, a própria Liga é chancelada pela Confederação. É lógico que a gente tem vontade de meter a boca, mas somos muito pequenos. E mal instruídos também.

BNC: Perfeito. Sendo super claro. Meu blog divulga isso há cinco, seis anos, direto. Vocês leem isso, vocês sabem disso. Não chegam no Nenê, Anderson, Leandrinho, e dizem que eles precisam ser os porta-vozes disso?
FÚLVIO: Isso já foi falado. Mas precisa partir deles também. Veja, não estou criticando os caras, não estou apontando o dedo pra ninguém. Os caras têm as razões deles e certamente tomariam algumas atitudes se estivessem cientes da situação. É complicado. Ficamos a mercê de situações. A gente sempre foi submisso a ordens, sistemas, regras da CBB. Atleta nunca teve opinião e voz para nada. Agora é que passamos a ter voz em conselhos. Você sabe melhor do que eu que o basquete estava morto até a criação da Liga. Isso tudo está melhorando em relação a clubes, contratos, Associações e tudo mais. É atrasado, errado, mas estamos crescendo agora.

BNC: Sua filha tem 4 anos. Você acha que ela direta ou indiretamente fez com que você melhorasse em termos de temperamento? Porque você era um cara difícil…
FÚLVIO: Ah, mas não tenha nenhuma dúvida disso. Cara, Bala, eu vou te contar. Lembro que quando perdia jogos eu chegava em casa maluco, doido mesmo. Ninguém podia falar comigo, sabia? Minha esposa comentava alguma coisa e eu nem falava nada. Do carro pra casa a gente ia mudo. Chegava em casa, me trancava no quarto e ia ver o jogo pra entender o que eu e meu time tínhamos feito de errado. Eu era um grosso, um babaca, né. Aí depois que eu tive minha filha melhorei muito. E era muito feio o que eu fazia. Minha esposa é maravilhosa, paciente, calma, o meu oposto. Às vezes eu quero brigar e ela me deixa falando sozinha, é mole? Já são 12 anos juntos, viveu tudo comigo. A Roberta é incrível. Quando a Giovanna nasceu ainda mais. Não perco minha rotina, mas adaptei. Agora vou pra casa, brinco com elas, bato um papo, elas dormem e… eu vou ver o meu jogo (risos). Faço isso até hoje. Eu tenho os jogos gravados de temporadas passadas, acredita? Pra você ter uma ideia, do infanto-juvenil em diante minha mãe sempre filmou os meus jogos. Ela teve tendinite nos ombros de tanto tempo que ficava com a câmeras nos ombros. Eu tenho essas fitas, esses jogos, até hoje. E desde o começo eu sempre via depois das partidas. Minha mãe sempre foi uma grande incentivadora. Tenho certeza que isso me ajudou, me fez evoluir. Jogava a base em Limeira e ela ia, me acompanhava. Coisa de maluco. Sempre fui assim. Eu adoro assistir jogo.

BNC: Por fim: você tem algum arrependimento?
FÚLVIO: Quando eu olho hoje eu posso te dizer claramente que eu não gostei muito da minha trajetória profissional porque eu pinguei muito de clube em clube. Realmente as propostas eram mais interessantes e os clubes também. Teve uma época que eu já estava casado e vi que precisava criar mais raízes. Em São José, por exemplo. Abracei a cidade, o projeto e criei raízes. Quando machuquei em Mogi tive proposta de dois anos e mesmo lesionado preferi sair. Fui pro Ribeirão Preto, me arrependo de não ter permanecido em Mogi. Meu arrependimento único é esse. Sou muito grato e feliz pela trajetória que tive. Me considero um cara abençoado e muito guerreiro por ter superado todas as minhas lesões e dores. Eu amo muito jogar basquete e os amigos que fiz na quadra.


Na capital, o fundamental jogo 3 entre Brasília e Bauru no playoff do NBB
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Fábio Balassiano

Brasília e Bauru voltam a se enfrentar na capital federal hoje às 21h30 (Sportv exibe) nesta que tem sido a melhor série das quartas-de-final até o momento. Até o momento foram duas partidas, vencidas pelo time que atuou fora de casa (na quinta-feira passada os brasilienses ganharam no interior de São Paulo e no domingo, em Brasília, a situação se inverteu). Quem ganhar hoje abre 2-1 e tem a chance de liquidar a fatura no domingo, quando voltam a medir forças no ginásio Panela de Pressão (Bauru).

Também nesta terça-feira Franca e Paulistano se enfrentam no Pedrocão, no interior de São Paulo, com o time francano perdendo o duelo por 1-0 até agora. O jogo começa às 19h30 e terá transmissão do Facebook do NBB.

Pelo lado de Brasília, Giovannoni e Fúlvio jogaram de novo mais de 32 minutos e parece que sentiram um pouco no final. Talvez descansá-los um pouco antes do último período seja uma alternativa interessante para o jovem e promissor técnico Bruno Savignani.

Continuo com meu palpite de que essa série envolvendo Bauru e Brasília vai a cinco jogos, mas a partida de domingo na capital federal trouxe novos elementos para a equação. Sem tanta rotação no garrafão desde a saída de Rafael Hettsheimeir para a Espanha, o técnico Demétrius colocou o garoto Gabriel Jaú (foto) para jogar pelos bauruenses. E se deu bem. Corajoso, Jaú foi soberbo com 17 pontos em 2 rebotes em 18 minutos de atuação, o que deu fôlego para Demétrius segurar as suas estrelas para jogar com intensidade máxima no final (quando Leo, Alex e Gui Deodato decidiram).

Vale dizer que na história do NBB, o vencedor do jogo 3 em séries empatadas em 1-1 acabam ganhando o confronto em 80% das vezes. Quem será que vence logo mais para se aproximar da semifinal? Brasília ou Bauru?


Técnico mais jovem do NBB, Bruno Savignani se destaca e quer título em Brasília
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Fábio Balassiano

Bruno Savignani completou 35 anos nesta segunda-feira com muito a comemorar. Muito jovem, ele é técnico há um ano e meio do fortíssimo time de Brasília, que no sábado venceu Bauru por 92-89 para chegar a 18 vitórias em 26 jogos e se manter na terceira posição posição do NBB, e foi eleito para ser o treinador no Jogo das Estrelas do Ibirapuera de duas semanas atrás.

Natural de Goiânia, Bruno é casado há 10 anos e rodou o mundo com a bola de basquete debaixo do braço. Começou aos 9 anos no Joquei Clube goiano, aos 14 estava no Pinheiros, em São Paul e no começo de sua vida profissional jogou como armador no América, do Rio de Janeiro. Logo depois retornou para a sua cidade-natal, onde atuou por três temporadas no Ajax de Alberto Bial. Quando conseguiu a sua cidadania europeia decidiu voar mais alto. Passou quatro anos na Itália e outro na França em divisões menores vendo outro lado do jogo e sobretudo ganhando bagagem cultural e pessoal.

No retorno ao país Bruno foi jogar em Caxias do Sul para o técnico Rodrigo, que até hoje mantém o projeto que está no NBB. Após seis meses foi para Barueri, onde foi dirigido por Marcel de Souza. Logo depois foi para a capital federal, onde sua vida de mudanças encontrou um porto seguro. Comandado por José Carlos Vidal, foi campeão da Liga Sul-Americana e logo depois do NBB em 2010/2011. Logo depois da temporada o técnico lhe chamou para uma conversa: “Bruno, se você quiser continuar jogando eu renovo com você, mas acho que você tem muito mais a acrescentar ao time trabalhando comigo na comissão técnica. Topa?”. Decidido a terminar os estudos em educação física e a se estabelecer no lugar onde a família de sua esposa mora, Bruno topou. Ficou quatro anos auxiliando e sendo preparado por ele, outro com o argentino Sergio Hernandez e na temporada passada assumiu o comando técnico de um projeto que tem investimento e pressão altos. Conversei com ele sobre tudo isso.

BALA NA CESTA: Hoje a gente vê muito técnico que para de jogar e logo depois vira técnico principal. Quão importante foi ter passado por todo o aprendizado de auxiliar durante quatro anos para você se tornar um treinador principal tão promissor quanto você está se tornando?
BRUNO SAVIGNANI: Sem dúvida alguma foi muito importante. Sem querer apontar pra dizer o que está certo ou errado, porque cada um tem o seu caminho, mas acho fundamental. O Vidal sempre me deu muita liberdade e confiança, e aí eu tive muita coisa pra fazer como auxiliar. Depois tive oportunidade de trabalhar com o argentino Sergio Hernandez. Em termos de bagagem técnica e tática, aprendi muito, vi o jogo de outra maneira e observei muito tanto do Vidal quanto do Hernandez essa questão de a gestão de pessoas. Hoje, na forma como eu lido com os meus jogadores, tem este aprendizado, da estrada que tive com todos os técnicos que passei. Agradeço muito ao Vidal por ele ter me preparado para assumir o lugar dele. Ele que abriu as portas para mim. Em algum momento ele viu alguma coisa que eu mesmo não sabia que tinha. Tive a sorte de ter trabalhado com ele. Basquete é minha vida. Desde os 9 anos eu sonho e vivo do basquete. Sou um apaixonado por basquete. De vez em quando, lá em casa, estou vendo Euroliga no computador, NBA na televisão, campeonato argentino no celular, estudos do NBB. Minha esposa fica doida e eu sempre digo: “Só mais esse jogo”.

BNC: Por isso no Jogo das Estrelas a gente te viu o tempo todo com sorriso no rosto, né? É uma coroação de uma trajetória longa, não?
BRUNO: Olha, eu me sinto muito honrado de ter dirigido o NBB Brasil neste Jogo das Estrelas tão especial. Confesso a você que não esperava ter sido votado, já que temos muitos técnicos consagrados e renomados por aqui. Não trabalhei para isso, porque isso é uma consequência, e sou muito feliz porque eu estou aqui devido ao meu time. O técnico é reconhecido por causa do resultado final do time. É consequência. Não tem sucesso de técnico se não houver sucesso de técnico. Agradeço muito a eles e também a minha comissão técnica. O Brenno, assistente e que jogou comigo no Pinheiros, está comigo em Brasília e tem um temperamento muito diferente de mim. Vem para complementar aquilo que não tenho. Além deles, Paulão, Carlinhos e Carlos são fundamentais neste processo todo.

BNC: Como é ser técnico de jogadores que você atuou junto? E como é ser técnico de jogadores tão experientes como Fúlvio?
BRUNO: Comecei como assistente, era difícil a transição com o mesmo elenco, ainda mais com jogadores consagrados como Alex, Nezinho e Giovannoni, de quem era companheiro. Nesse processo de transição foi importante ter passado por aquele grupo. Eu só tenho a oportunidade de trabalhar com estes caras. Eles me ajudam muito, mas sobretudo nos respeitamos. Não posso querer impor respeito a ninguém. Eu preciso conquistar respeito através das minhas condutas e principalmente de conhecimento. Quando você pega jogadores mais velhos eles já viveram muita coisa, já passaram muita coisa. É natural que eles vão te perguntar, questionar, trocar ideia. Se você não estiver preparado, vai ter dificuldade. Desde assistente o Vidal já me dava muita liberdade, eu já comandava algum treino, essas coisas. Então os jogadores sabiam que tinha alguma coisa, conhecimento, e passam a respeitar. Isso aprendi muito com o Hernandez também. Ele tinha resposta pra tudo, tudo. Os jogadores olham e pensam: “Caramba, o cara sabe”. Através disso a nossa convivência, o nosso respeito, cresce. Estamos construindo uma relação bem linda. O processo de aprendizado no basquete é infinito.

BNC: A outra é: como começar de técnico em uma equipe que já briga por título? Não dá muito pra ter tempo, né…
BRUNO: Me sinto um privilegiado. De verdade. Por estar em uma equipe como Brasília, multicampeã e que segue brigando por título. Isso é uma benção, e tenho uma gratidão muito grande. Tem vezes que os técnicos são muitos bons mas nem sempre têm condição, ou sorte, de dirigir times que vão brigar por títulos. Eu sou muito competitivo. Isso é da minha formação. Quero ganhar sempre. A mentalidade da equipe essa, a minha também e isso tudo acaba confluindo para uma maneira bacana de atuarmos. Temos que jogar o NBB pra ganhar, esse é o ponto. Por isso vibro tanto com a minha equipe durante os jogos. Quero vencer tudo, Bala. Se fizermos um par ou ímpar aqui, quero ganhar. Uma disputa de arremessos, idem. Partidas oficias e campeonatos também. É assim que vejo o basquete e minha profissão. Tudo pela vitória, tudo pata ganhar.

BNC: Como está Brasília para essa reta final? O foco de vocês sempre está no título, né? Qualquer coisa menos isso não é bem recebido lá na capital…
BRUNO: Como em todo campeonato longo, com muitas viagens, desgaste e lesões, há uma oscilação natural. Houve muito perde e ganha, e nós acabamos perdendo algumas partidas que não poderíamos perder. Bauru teve o momento dele, o Flamengo, Mogi muito bem agora. Nós somos a única equipe que ainda não perdeu 3 vezes seguidas no campeonato. Dentro dos altos e baixos normais nós estamos dentro da naturalidade. Falta pouco para acabar a fase regular, e agora é o momento de criarmos uma mentalidade de playoff. Isso é o mais importante no momento. O grupo está consciente, estamos fechados entre nós e o ambiente está ótimo. Antes estávamos sem brigar lá em cima por muito tempo, e ano passado chegando a semifinal isso reacendeu na torcida.

BNC: Como é o Bruno fora do basquete e quais as suas aspirações na modalidade?
BRUNO: O tempo que sobra é da minha esposa, né? Casei com 24, estou há 10 anos. Amamos série, vejo muito Netflix. Vi Homeland inteira, a do OJ Simpson também. Recebo muitos amigos em casa. Música eu escuto de tudo, mas não tenho essa necessidade de estar com fone de ouvido para ouvir. Samba de raiz eu adoro. Sobre as aspirações, escutei uma vez do próprio Sergio Hernandez o seguinte: “Você precisa olhar para o seu futuro e invista sempre. Isso é o que vai te preparar e te fazer melhor”. Ano passado acabou o campeonato e passei uma semana com o Julio Lamas, no San Lorenzo, da Argentina. Aprendi muito, ele é fera. Penso também passar uns 15 dias na Europa. Em termos de aspiração, preciso estudar e me preparar cada vez melhor. Quero ser cada vez melhor nisso que eu me propus a fazer.


Em alta, Lucas Mariano relembra momentos difíceis e comemora boa fase em Brasília
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Fábio Balassiano

Lucas21O Brasília que entra em quadra hoje para enfrentar o Vitória-BA em casa (20h no ginásio da ASCEB) como líder do NBB (12 vitórias em 16 jogos) tem uma surpresa para quem acompanha o time há muito tempo: nunca nas nove edições da principal competição do basquete nacional um pivô liderou a equipe em pontos. A escrita está sendo quebrada na temporada 2016/2017 graças a Lucas Mariano, que está a apenas duas partidas de chegar a 200 no campeonato.

Ele se destaca em uma equipe recheada de veteranos como Fúlvio, Giovannoni e Pilar. Tem 19,3 pontos de média, mais que o dobro dos 8,8 registrados quando atuou por Mogi sem tanto brilho em 2015/2016 e a sexta maior marca do NBB, 7 rebotes (o oitavo) e 17,5 de eficiência (o décimo), tornando-se uma ótima arma do time do técnico Bruno Savignani.

Nem todo mundo lembra, mas aos 23 anos o jovem de Planaltina (Goiás) passou por um drama três anos atrás quando perdeu seu irmão (Leonardo), vítima de um afogamento em uma piscina em Limeira, interior de São Paulo. “Ele era meu melhor amigo, meu maior incentivador, e à época foi bem difícil manter o foco”, relembra Lucas, que jogava em Franca. O tempo passou e hoje

O blog conversou com ele sobre a temporada e os próximos passos de sua carreira.

14-01-2017 - UniCEUB/BRBCARD x Flamengo - Foto: BritoBALA NA CESTA: Não é fácil ser, tão jovem assim, cestinha em uma equipe com tantos nomes consagrados do basquete nacional, né? Como está sendo este começo de vida em Brasília? O que mudou do Lucas que não foi bem em Mogi para o que está sendo um dos destaques deste NBB?
LUCAS MARIANO: Está sendo maravilhoso mesmo. O time está entrosado, o núcleo de fato é experiente e todos me dão muita confiança para arriscar, tentar coisas novas. Quase todos eles possuem bagagem internacional e isso dá bastante tranquilidade. Posso citar o Fulvio e o Guilherme Giovannoni, dois caras muito experientes e que ajudam muito. Sobre o que mudou, credito isso ao técnico Bruno Savignani. Estou jogando mais próximo da cesta e este é um artifício que por incrível que pareça para alguém do meu tamanho (2,07m) não usava muito. O Bruno fala bastante comigo sobre isso e em todos os demais aspectos do jogo que eu tenho que melhorar. É uma pessoa que acreditou muito em mim, disse que eu era capaz de evoluir. Devo a ele a volta da minha confiança.

14-01-2017 - UniCEUB/BRBCARD x Flamengo - Foto: BritoDentro de quadra é justo que eu cite quão fácil é jogar tendo um armador como o Fúlvio. Não te digo que eu daria 50% do meu salário pra ele, mas uma churrascaria por semana eu acho que ele merece (risos). O cara é fera e eu lembro de uma vez ter comentado com ele como eu gostaria de jogar ao seu lado. Ele fez uma dupla muito boa com o Murilo em São José e agora a mesma coisa se repete comigo. Está sendo um prazer jogar e aprender bastante com ele.

BNC: Pra Brasília não tem meio termo, né? O título é o foco total do time aí, certo?
LUCAS: A expectativa é o título mesmo, negar isso seria mentira. Mas sabemos que o NBB é muito equilibrado. Agora é manter o foco, conquistar o triunfo logo mais contra o Vitória, que tem a melhor defesa do campeonato, e manter a liderança que conquistamos recentemente. Queremos o mando de quadra pra termos a torcida no mata-mata e vamos lutar muito para conseguir isso. Depois, lá na pós-temporada, teremos que manter o foco para alcançarmos o nosso objetivo.

14-01-2017 - UniCEUB/BRBCARD x Flamengo - Foto: BritoBNC: Fora de quadra mudou algo? Sua carreira começou com um barulho em Franca, onde todos depositavam esperança, mas não foi tão bem em Mogi. O que mudou do Lucas que não foi bem em Mogi para o que está sendo um dos destaques deste NBB?
LUCAS: Mudou de tudo um pouco. O ambiente mudou pra melhor. A forma dentro e fora de quadra de eu lidar com a profissão mudou pra melhor. Conheci pessoas que me apoiaram muito. Vou de novo citar dois caras muito importante pra isso. Já conhecia o Guilherme e o Fúlvio de jogar contra, mas nunca estando no dia a dia. São caras incríveis e que deixam a gente muito à vontade. Minha vida foi muito difícil em termos de sofrimento. Já passei por várias coisas em minha vida. Posso citar também a minha namorada, Danielle. Me ajuda muito no dia a dia me passando muita paz no coração. Agradeço a ela diariamente.

lucasBNC: Sinta-se à vontade para não responder a essa pergunta, mas quando você fala em sofrimento deve citar a morte do seu irmão em 2013, certo? Você e Leonardo, claro, tinham uma ligação muito forte e imagino que o choque ainda seja sentido até hoje.
LUCAS: O Leonardo foi o maior companheiro que eu tinha na minha vida inteira. Tudo tem um começo, meio e um fim, e o meu começo foi com ele. Bem novinho, quando não tínhamos nada, dinheiro pra transporte para ir ao treino, ele sempre ia comigo andando. Foi meu parceiro da vida, de tudo, cara. Meu companheiro maior, meu braço direito, amigo, irmão. Sabe o maior significado da palavra amigo e irmão? Então, eu considero o Leo. Em todos os momentos difíceis ele estava e posso te dizer que estou onde estou hoje devido a ele. Sempre me motivou muito e segue me motivando.

14-01-2017 - UniCEUB/BRBCARD x Flamengo - Foto: BritoBNC: Você chegou a pensar em parar de jogar quando aquele fato ocorreu?
LUCAS: Pensei em parar de jogar, mas não neste momento porque o Leo não me deixaria fazer isso e eu não poderia frustrá-lo neste sentido. Pensei em parar de jogar antes. Sou um cara de Planaltina, Goiânia, e você deve imaginar as dificuldades que eu tive para me tornar jogador profissional. Pensei várias vezes em parar, sofri muito preconceito. Mas persisti. Em Franca, por exemplo, foi outro problema. Muita gente lá tem o basquete vindo de casa. Eu não e isso dificultou muito. Para alguns era mais fácil. Para mim, menos. Quando se é mais novo, você enxerga as coisas diferentes. Meus pais e meu irmão nunca me deixaram desistir. Eles acreditavam muito em mim e eu continuei.

Lucas31BNC: Nesta sua fase espetacular você pensa obviamente em fazer parte do próximo ciclo olímpico da seleção brasileira, certo? E Europa, NBA, também pensa?
LUCAS: Quero fazer parte desse novo ciclo olímpico, claro. Vestir a camisa do Brasil é uma alegria e uma honra. Já são vários anos batendo na trave, fiquei ali, pertinho, pertinho, e agora acho que chegou a hora. Pretendo estar nas próximas convocações. Sobre NBA, Europa ou qualquer coisa, te digo a verdade: aprendi com o tempo a viver muito o presente. Penso demais em estar na Europa, NBA, sei lá, mas eu prefiro viver do hoje, da minha vida. Meu pensamento atualmente está em dar um título pra Brasília. Depois eu penso no que vai acontecer. Se eu pudesse eu fazer tudo de uma vez eu faria, mas preciso andar devagarzinho.

BNC: Há alguém que você tenha como referencia, como ídolo no esporte?
LUCAS: Meus ídolos vêm da minha família. Eles vivem tudo comigo e pra mim. Sempre foi difícil e graças a eles eu consegui me tornar atleta profissional. Dentro de quadra, gosto muito do DeMarcus Cousins, do Sacramento Kings. Quando estive nos EUA uma vez nós treinamos juntos por um mês. O cara é sinistro, um tanque mesmo de forte e de técnico. Apanhei muito nos treinos, não tenho vergonha alguma de dizer isso. A fama dele não é a toa. Ele é doidão, mas é muito bom. Lembro que nos treinos eu não podia falar uma palavra em português porque ele não entendia nada e começava a gritar, berrar. É uma referência técnica pra mim.


A magia de Fúlvio e o crescimento de Lucas Mariano na vitória de Brasília contra o Flamengo
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Fábio Balassiano

fulvio11Todo Brasília x Flamengo (ou Flamengo x Brasília) é especial. É o maior clássico do NBB, são os dois únicos times que já venceram a competição (três pros brasilienses e cinco pros rubro-negros), os investimentos são altos, a rivalidade é imensa e vira e mexe temos bons jogos. O de ontem, transmitido ao vivo pela Band pra todo Brasil, não fugiu a regra. E ele será lembrado pela boa presença de público (mais de 4 mil pessoas), pela consolidação de Lucas Mariano (24 pontos – falarei mais dele a seguir) e pela magia do armador Fúlvio, principal responsável pela vitória de Brasília por 95-83. Com o resultado, os cariocas seguem na liderança, mas agora têm 11-2 e são vigiados ainda mais de perto pelos candangos, que somam 11-3 e vêm de quatro vitórias consecutivas.

fulvio1Sobre Fúlvio, quem olha seus números (9 pontos e 9 assistências em 28 minutos) pode achar que ele não teve tanta interferência assim no jogo de ontem. Mas neste caso os números mentem. Disparado o melhor passador do Brasil há no mínimo uma década, ele coloca seus companheiros SEMPRE em ótimas posições de arremesso, posiciona seu time muito bem em quadra, dita o ritmo (acelera, trava, pressiona o adversário etc.) e ainda consegue pontuar quando necessário. Ele fez isso tudo ontem, e com um adicional incrível de que ele saiu para se tratar após um choque com o adversário. É óbvio que aos 35 anos ninguém espera que ele seja um virtuoso físico, mas a sua visão de quadra impressiona e impulsiona o crescimento de Brasília. Nos jogos que teve 6+ assistências, o time venceu 8 e perdeu 2 vezes, numa prova não de dependência da equipe para com ele, mas sim de sua importância no esquema do técnico Bruno Savignani (muito promissor aliás!). Não é a toa que jovens que atuam com ele (Deryk e Lucas Mariano, por exemplo) cresçam assustadoramente, tamanha a sua capacidade de melhorar o nível de seus companheiros com passes, dicas etc. .

machadoFalando sobre o jogo, foi uma boa partida em termos técnicos, mas falando especificamente sobre o Flamengo confesso não compreender bem o que houve em relação ao tal espaçamento do time no ataque, algo que vinha sendo bem feito pela equipe de José Neto em todo NBB até agora. Sem Ricardo Fischer e Humberto, os armadores principais que estão lesionados, quase sempre a tomada de decisão ofensiva ficava a cargo de Marquinhos, cestinha do campeonato e melhor jogador do país. Não é algo estranho para os rubro-negros, já que o mesmo expediente foi adotado nas finais do último NBB contra Bauru. Mas neste sábado algo empacou. As ações ficaram muito concentradas no meio da quadra, e aí Brasília, que tem a melhor defesa da competição (sofre 75 pontos por jogo e permite apenas 28% de conversão do rival em bolas de três – melhores índices do certame), fechou bem os espaços e pressionou muito bem a bola. O resultado é que o Flamengo teve 6/22 de fora, desperdiçou 12 bolas e teve a sua terceira menor pontuação na fase regular. Mérito dos brasilienses também, claro, mas vale a comissão técnica de Neto, que estava bem irritado (com toda razão) durante a peleja, estudar bem o ocorrido para que não se repita mais pra frente.

lucas2É impossível terminar este post e não falar de Lucas Mariano. Após razoável temporada em Mogi em 2015/2016 (8,8 pontos e 4,3 rebotes), o pivô explodiu em Brasília. Lucas é o cestinha em uma equipe que tem Deryk Ramos, também jovem e de muito potencial, e Guilherme Giovannoni, uma das maiores estrelas do basquete nacional. Tem as incríveis médias de 19,4 pontos, 7,1 rebotes e 17,71 de eficiência. Nas três categorias ele está no Top-10 do campeonato e é o autor de quatro duplos-duplos até o momento. Lucas tem apenas 23 anos, pode crescer ainda mais (principalmente na parte física, tornando-se mais forte ainda) e, tal qual Deryk (12 pontos de média neste NBB), deve ser testado e provado na seleção brasileira para o próximo ciclo olímpico. Os dois jovens devem, inclusive, pensar em voos maiores (leia-se Europa) para os próximos passos de suas carreiras.

lucas1Termino como comecei. Todo Brasília x Flamengo é especial. O deste sábado, 14 de janeiro de 2017, foi o clássico de Fúlvio, armador de basquete clássico, plástico, daqueles que a gente vê, se choca (porque o cara pensa nas coisas 2, 3 segundos antes) e só pode aplaudir.

Elogiado por todos os companheiros e técnicos com o qual teve contato, o camisa 11 é um grandíssimo jogador e um dos melhores armadores do país neste século sem sombra de dúvida. Vê-lo em quadra em seus recitais é um prazer imenso.


Bauru e Mogi largam na frente das semifinais do NBB
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Fábio Balassiano

alex1Terminou ontem à noite a, digamos, primeira perna das semifinais do NBB.

Na capital federal, Bauru dominou a partida do começo ao fim e fez 89-72.  Vi partes do jogo (era ao mesmo tempo de Toronto x Miami, jogo 1 da semifinal do Leste), e mais uma vez me impressionou a (eterna) intensidade do mito Alex Garcia (na foto ao lado dando uma cravada feroz em imagem belíssima do Caio Casagrande, Gerente de Comunicação bauruense). O camisa 10 teve 17 pontos, 5 assistências, 6 rebotes, 2 roubos e físico suficiente para segurar Deryk Ramos, uma das principais peças do time rival. A equipe do técnico Demétrius foi muito bem na defesa, contestando grande parte dos arremessos longos do adversário, que chutou 5/23 de fora, e pontuando muitas vezes com a marcação de Brasília longe do melhor posicionamento – mérito da transição ofensiva rápida do Bauru. O domínio foi tão grande que Guilherme Giovannoni, de Brasília, perdeu a cabeça com a arbitragem e foi expulso. Com isso, o Dragão abriu 1-0 e ficou em situação confortável para fechar voltar à decisão do NBB com os dois confrontos que terá em casa (sábado às 14h com Rede TV e Sportv e terça-feira às 21h15 com Sportv).

shamell1No outro lado, não houve ampliação do mando de quadra, não. Com o ginásio Hugo Ramos lotado e pulsando, Mogi, pelo contrário, defendeu bem o Flamengo, não permitiu segundas chances (apenas sete rebotes ofensivos para o rubro-negro), e contou com atuações inspiradas do seu trio de americanos (naturalizados ou não) para fazer 86-81 e abrir 1-0. Tyrone (muito bem com 24 pontos), Shamell (17) e Larry (13) foram responsáveis por incríveis 63% dos pontos dos mandantes, que agora colocam o time de José Neto totalmente contra a parede. Os jogos 2 e 3 (sexta-feira e segunda-feira às 21h – ambos com exibição do Sportv) serão no Rio de Janeiro, e qualquer vitória aproxima os mogianos de uma inédita final de NBB.

O que será que acontece a partir de sábado? O Flamengo reage? Mogi amplia a vantagem? Bauru fecha em casa? Brasília consegue retornar o duelo para a capital federal? Comente aí!


O crítico jogo 2 para o Paulistano contra Brasília em São Paulo
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Fábio Balassiano

cap4O Paulistano até que controlou bem o jogo 1 contra Brasília na capital federal. Venceu o primeiro período por 24-12, sustentou essa vantagem no segundo quarto, levou 28-21 na volta do intervalo e foi para os 10 minutos finais precisando conter os rivais para abrir 1-0 nas quartas-de-final do NBB.

Ali a experiência brasiliense em momentos decisivos falou mais alto. Os 32-22 no período derradeiro trouxe a vitória de 88-83, fez com que os candangos abrissem 1-0 e colocou o jogo de hoje (19h30, pela Web) como muito crítico para o time de Gustavo de Conti.

cap6O Paulistano tem dois jogos em casa (hoje e sexta-feira). Vencer os 2 significa viajar para a capital protegendo o mando de quadra. Revés em um dos dois, voltar para Brasília com 2-1 para o adversário e jogar a temporada em um duelo com torcida contra. Perder os dois, eliminação.

Para o Paulistano, é fundamental diminuir o volume de jogo de Giovannoni e Deryk, autores de 35 dos 88 pontos de Brasília no jogo 1, ter mais precisão nas bolas de fora (7/23 de longe), municiar mais o pivô Caio Torres perto da cesta (ele pode produzir mais do que os 12 pontos do duelo inicial) e evitar que o rival tenha tantas oportunidades de um novo ataque através de rebotes ofensivos (foram 11 na primeira partida).

cap1Para os brasilienses, jogar de “coração livre e aberto” pode ser muito bom, já que a pressão está toda com o Paulistano logo mais. Para o time de Bruno Savignani, é mais um jogo.

Para o Paulistano, é o jogo mais importante da temporada até o momento. Perder logo mais significa ver o forte rival com 2-0 em uma série que (ainda) promete ser longa.


Surpreendente, jovem Deryk, de 21 anos, brilha em Brasília no NBB
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Fábio Balassiano

deryk11A carreira de Deryk Ramos parecia sair dos trilhos pouco antes do começo da temporada. Tendo atuado a vida inteira no time da sua cidade natal, Limeira, e com a expectativa de continuar a ser reserva de Nezinho em outro NBB, ele se viu sem chão quando a equipe anunciou que não atuaria no campeonato nacional devido a dificuldades financeiras. Com a maioria dos elencos fechados, as opções eram pequenas, de difícil encaixe, mas aí surgiu Brasília. Potência, a agremiação da capital federal surgiu com uma proposta e fisgou o armador de 21 anos.

deryk20Lá ele seria o reserva imediato de Fúlvio, um dos melhores “professores” da posição no Brasil. Sua evolução (14,3 pontos, 3,1 assistências, 52% nos tiros de dois pontos e 36% nas bolas de fora), sua capacidade de decidir jogos complicados (ele teve duas bolas nos segundos derradeiros na final da Liga das Américas), seu alto nível de comprometimento em treinos e jogos (todos falam que ele é um maníaco por treinamento) e sua maturidade fizeram de Deryk não só titular de Brasília, mas também participante do Jogo das Estrelas (recebeu 7.687 votos) e também um dos candidatos a fazer parte do elenco de Rubén Magnano na Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro. Confira a entrevista com ele.

deryk7BALA NA CESTA: Depois de tudo o que você passou antes da temporada, com o fechamento de Limeira e também a indefinição de onde atuaria, qual a emoção de participar do Jogo das Estrelas menos de seis meses depois?
DERYK RAMOS: Estou muito feliz, sem dúvida alguma. É um reconhecimento, né? Reconhecimento por parte do público pelo fato de eu estar fazendo um campeonato bom, de estar entre os melhores do NBB. Ser votado, ser escolhido me dá uma felicidade imensa. Mas da mesma forma que é muito feliz quis aproveitar ao máximo o fim de semana em Mogi. É algo muito diferente de tudo aquilo que já tinha vivido. O clima, a descontração, a ausência de pressão, é tudo muito distinto. A gente sai fora do clima tenso de jogo atrás de jogo. É bom, né? Tem as ações sociais, as crianças, o carinho dos fãs. Foi muito legal.

deryk1BNC: Você passou pelo, digamos, crivo da imprensa, técnicos, personalidades do basquete e depois foi escolhido pelo público. Como é, tão jovem, ser selecionado pelo púbico que acompanha a modalidade?
DERYK: Você falou bem. Primeiro veio o reconhecimento dessa galera que você citou, e isso já é muito legal e gratificante. Depois disso vem a parte da torcida. E a quantidade de votos também não foi pequena. Isso tudo me deixa mais e mais motivado a seguir evoluindo no basquete, pois o esforço está sendo acompanhado por imprensa, técnicos e torcedores.

deryk15BNC: Todo mundo sabe o que aconteceu com Limeira, mas queria ouvir exatamente como foi o fechamento do time, a busca por outra equipe, essas coisas…
DERYK: Primeiro que eu nunca esperava que fosse acontecer o que aconteceu em Limeira. Nunca, nunca mesmo. Da forma como o basquete era tratado, pelo profissionalismo, por tudo o que acontecia dentro e fora das quadras, jamais imaginávamos que algo daquele gênero poderia passar. Foi um baque, porque realmente do nada a gente recebeu a notícia e no momento seguinte todos estávamos sem time. Foi um tombo muito grande. Primeira vez que isso aconteceu comigo. Já tinha ouvido de companheiros, de amigos, mas comigo, comigo mesmo, foi a primeira vez. É óbvio que fiquei muito triste, sou da cidade, cresci como pessoa e atleta naquela equipe, mas logo depois comecei a pensar na minha carreira. Não tinha outra coisas pra fazer, né? O problema foi, para os atletas, o momento em que o time anunciou que não jogaria o próximo NBB. Quase todos os elencos já estavam fechados, quase todos os orçamentos já tinham sido organizados para os atletas e não era uma questão de eu escolher onde eu quereria jogar, mas sim qual clube poderia contar comigo. Não era só eu que estava sem time, né? Eram nove, dez atletas na mesma situação. Tive algumas propostas, mas eu quis ir para Brasília, e posso te dizer do fundo do meu coração que um dos motivos foi o fato de poder estar jogando junto do Fúlvio. Eu tinha muito comigo que ele, Fúlvio, tem coisas que preciso muito melhorar, ou seja, essa parte de leitura de jogo, de passes, de controle da partida. Estar convivendo com um cara assim no dia a dia, nos treinos, nos jogos, nas viagens, só poderia me trazer benefícios. Eu cresceria, eu aprenderia. Eu queria continuar evoluindo. Eu sempre tinha visto esse cara jogando e ficava maravilhado. Jogando, convivendo, ouvindo os conselhos dele é totalmente diferente. É muito melhor, claro. Além do Fúlvio, há o fato da cidade de Brasília ser um polo importante para o basquete. É um time tricampeão de NBB, com inúmeras conquistas internacionais e há uma história muito forte no basquete. Vivendo em um time desses é uma atmosfera diferente, uma pressão maior. Passar por isso é muito bom, me ajuda a amadurecer muito.

fulvio2BNC: Você pode falar um pouco mais desse convívio com o Fúlvio? Eu conversei algumas vezes com o Ricardo Fischer, e ele atuou com o Fúlvio em São José. O Fischer fala muito isso que você está me dizendo, de aprendizado, de conselhos, de escutar o que um cara muito bom e muito experiente tem a dizer.
DERYK: Eu sempre fui muito observador. Joguei com vários excelentes armadores, como Nezinho, Hélio e Benite, que passaram em Limeira. Então o simples fato de estar no dia a dia com aquela pessoa te faz evoluir. Ganhei muito com esses caras do lado em Limeira. Isso também acontece com o Fúlvio, mas ele vai além. Tem a parte dos toques, dos conselhos, de explicar o porquê de ele ter feito uma determinada jogada em detrimento da outra, de perguntar o motivo pelo qual eu optei por uma ação e não outra, essas coisas. O cara sempre me ajudou muito, muito mesmo. São detalhes que parecem bobos, mas é essa diferença mínima de tempo que te faz encontrar um cara livre, um companheiro em boa condição de arremesso para ganhar o jogo como foi a jogada contra o Flamengo em que ele descobriu o Ronald passando por debaixo da perna de um adversário. Isso está agregando muito para a minha carreira. Essa questão de leitura de jogo é treinar, olhar, observar, ouvir e estar aberto a aprender. Não é só ele, né? Ele joga na minha posição, mas tem o Giovannoni, Arthur, tudo jogador de muito nome e que certamente têm muitas coisas para me passar.

deryk9BNC: Como foi a chegada ao time? A recepção, os primeiros dias…
DERYK: Cheguei lá e não tinha ideia de como seria. Nunca tinha saído de Brasília, Bala, nunca tinha jogado fora. Meus pais tentam fingir que está tudo bem, que estão apoiando, mas você sente que é uma situação complicada. Mas a gente sempre se falou todos os dias, mesmo nos períodos de seleção, então agora não é diferente neste sentido. A gente está longe, mas não se distancia. O engraçado é que o começo foi meio às pressas. A gente fechou em um dia à noite, no outro pela manhã eu estava viajando porque teríamos a Sul-Americana. A cabeça estava a mil, você deve imaginar. Pra você ter ideia eu não tinha nem casa pra ficar e acabei dormindo algumas noites na casa do Guilherme Giovannoni, que me acolheu como um irmão. Sou muito grato a todos de Brasília por causa dessa recepção, desse carinho comigo.

deryk13BNC: Você foi pra lá pra aprender com o Fúlvio, como você disse, mas você evoluiu tanto, e tão rápido, que acabou se tornando titular do time ao lado dele. Não sei exatamente o que você pensa sobre isso, mas você hoje pode ser considerado um dos cotados para a seleção olímpica do Rubén Magnano. Você pensa muito nisso, ou deixa acontecer?
DERYK: Sem dúvida nenhuma é um sonho, é algo que penso. É uma oportunidade única de jogar uma Olimpíada no Brasil. Mas ao mesmo tempo que é uma chance única eu também não posso ficar consumido por isso. As coisas precisam acontecer naturalmente. Eu não posso forçar alguma coisa ou mudar o meu estilo de jogo para que isso aconteça. Se rolar, vai ser natural. A forma carinhosa que eu fui recepcionado em Brasília também contribui para o meu crescimento, sabia? Não tenho dúvida disso. Os atletas se envolveram pessoalmente para que eu fosse para a equipe, e uma das formas que eu tenho de retribuir esse carinho é me esforçando muito em treinos e jogos. Sobre a seleção, é isso: tem que acontecer de forma natural. Eu só preciso estar pronto para quando a oportunidade aparecer. É para isso que eu treino, me esforço.

deryk12BNC: Tem uma história que você dormia com a bola em Limeira, isso é verdade?
DERYK: (Risos) É verdade, mas eu posso explicar melhor isso. Como eu ia de ônibus para o treino, eu levava a bola para ficar o dia inteiro com ela e não precisar pegar a chave para começar ou terminar a treinar. Maníaco, né? E nos fins de semana eu precisava da bola para ficar com ela o dia inteiro no clube. E meus pais e minha irmã ficavam comigo nessa. Treinando, catando bola, me ajudando nos treinos. Eu ficava jogando contra meu pai, minha mãe e minha irmã. Por isso ia e saía do clube com a bola. Em casa ela (bola) ficava no meu quarto.

deryk50BNC: Deixa eu te fazer uma pergunta e você me diga se tem relação: você tem treinado mais por estar longe de casa, ou não tem nada a ver? Porque hoje em dia a sua vida em Brasília é só basquete, né?
DERYK: Por incrível que pareça não mudou nada, nada mesmo. Em Limeira tinha amigos e família, mas o basquete sempre esteve acima de tudo. Em Limeira sempre cheguei uma hora antes no ginásio e sempre fiquei mais de duas horas me aprimorando depois dos treinos. Sempre me dediquei muito. Em Brasília é a mesma coisa. A diferença maior é em casa. E te explico: em Limeira, por mais que estivesse em família, a gente ficava vendo basquete. Sou meio tarado, você sabe disso. Em Brasília é igual, mas acabo assistindo mais sozinho. Com o meu pai, por exemplo, a gente fala quase que o dia todo de basquete. A dedicação sempre esteve muito alta comigo e nunca será diferente.

deryk14BNC: Sempre faço essas, e para um jovem como você é inevitável. Quais os próximos passos que pretende dar na carreira? Acha que ainda tem que ficar um pouco mais de tempo aqui, ou é hora de tentar um salto para Europa, essas coisas?
DERYK: Na minha cabeça a Europa iria agregar muito ao meu basquete, pois meu objetivo é único: crescer, crescer e crescer. Não quero colocar limite para o que poderei crescer. Jogar na Europa é um sonho, claro. O quanto você pode aprender lá é muito incrível, pois eles estão na frente da gente. Atuar na NBA também é um sonho. Todo jogador de basquete vai te falar isso, e comigo não é a mesma coisa. Mas tento pensar muito nos passos de curto prazo. O que eu preciso fazer agora para, lá na frente, colher? O que eu gostaria pra próxima temporada? Eu não gosto muito de contar com as coisas. Não dá pra ter certeza de absolutamente nada. Procuro aproveitar o momento em que eu estou. Tem um playoff importante vindo aí e quero estar focado em como ajudar Brasília da melhor maneira possível.

deryk8BNC: Você é muito novo, mas que já está sendo bem remunerado, tá ganhando a sua grana com toda justiça. Você já conseguiu retribuir para seus pais o que eles te proporcionaram ao longo da vida? E quanto isso te emocionou?
DERYK: Eu e meus pais sempre estivemos muito juntos. Então toda ajuda que eu sempre precisei eles me ajudaram e todo auxílio que eles precisarem eu irei ajudar. Não houve nada específico, nada que eu possa te dizer, mas é claro que no que posso eu vou ajudando, vou contribuindo. Essa convivência pra mim já é muito emocionante. Eu faço o que posso e o que eu não posso para dar suporte a eles. Nunca fomos uma família ostentação. Sempre fomos muito simples e eles todos me apoiaram na minha decisão de me tornar um jogador de basquete. Sou grato eternamente a eles por isso.


Um dos últimos ‘românticos da armação’, Fúlvio avalia mudança do jogo
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Fábio Balassiano

fulvio2Fúlvio é um dos últimos românticos da armação no basquete brasileiro. Em uma posição cada vez mais preenchida por garotos novos, físicos e que pontuam com facilidade, o jogador de 34 anos, presente no Jogo das Estrelas de Mogi no último fim de semana e com média de 5+ assistências em todos os seis NBB’s que disputou falou com o blog sobre as mudanças recentes no jogo, como ele ainda consegue se manter focado na principal (em sua opinião) função de um armador e de dois de seus pupilos – Ricardo Fischer, que jogou com ele em São José, e Deryk Ramos, que atua com ele atualmente em Brasília. Confira o papo!

fulvio1BALA NA CESTA: Entrevistei recentemente o Ricardo Fischer e neste fim de semana o Deryk Ramos. Os dois jogaram com você (Fischer em São José e Deryk agora em Brasília) e todos falaram muito sobre a forma como você transmite conhecimento a eles. O que está acontecendo na posição de armador na sua posição?
FULVIO: Estamos vivendo uma grande transição no basquete, não só na minha posição. Essa transformação é física, muito física, então ela faz com que o armador hoje tenha se transformado também em um grande pontuador. Tenho minha opinião que o atleta nunca pode perder a agressividade, e o jogo tem mostrado isso a todo momento. Você mesmo cita o Russell Westbrook algumas vezes, e ele é um exemplo disso. Mas eu ainda acho que o principal objetivo do armador é passar a bola e liderar o time. Essa é a nossa função principal, digamos assim. É isso que tento passar para os armadores mais novos que jogaram ou jogam comigo.

fischerBNC: Você consegue ver como esses meninos crescem quando jogam com você?
FULVIO: O Fischer (foto) me lembra muito do que eu era mais jovem. A diferença é a maturidade dele aos 24 anos. Algo que eu não tinha. O Deryk tem evoluído a cada jogo, e estar no Jogo das Estrelas é uma prova disso. É um menino que escuta muito, quer aprender. Tem uma coisa. Eu não sou egoísta, nem um pouco egoísta. Então todo conhecimento que você tem, é fundamental que se compartilhe. Você não pode guardar pra você, porque senão ninguém cresce. De que adianta você saber e não passar adianta? Os outros nunca terão o conhecimento, eu também não vou melhorar. Então preciso que esses garotos aprendam, para que eu também evolua. É uma troca, na verdade. Eles dizem que aprendem muito comigo, mas é fato que eu também aprendo demais quando estou com eles. Fico feliz desses meninos falarem bem de mim, podendo fazer parte do crescimento da vida e das carreiras deles. Sempre que eu puder ajudar eu o farei.

fulvio10BNC: Você falou da evolução da posição, que hoje em dia tem muita gente pontuando mais. É muito difícil diferenciar o momento do passe do de pontuação?
FULVIO: Falta um pouco, na verdade. Ainda temos muito a crescer nesta área, pra ser sincero. Mas vejo alguns atletas, como o Ricardo Fischer, como o Deryk, eles têm maturidade para isso. Vejo um futuro brilhante neles porque eles sabem fazer de tudo em uma quadra de basquete – pontuar, passar, jogar coletivamente, leitura de jogo etc. . Falo muito em linguagem corporal pra eles. É algo que uso muito. Eu não sou um cara extremamente físico, mas é usando isso que consigo enganar o adversário para poder passar melhor a bola e encontrar o companheiro do meu time. Isso é importante. Pegar o adversário desprevenido é algo difícil também. Por mais físico que esteja o basquete hoje em dia, e está mesmo, principalmente no nível internacional, é fundamental trabalhar também essa parte da linguagem corporal, porque capacidade técnica eles têm de sobra.

nash1BNC: Pra fechar: com quem você aprendeu? Quem te inspirou?
FULVIO: Eu via muito o Steve Nash jogar, mas comecei mesmo com fitas do Isiah Thomas, do Detroit Pistons. Era um outro tipo de armador, diferente do Nash, mas ambos craques de bola e que me inspiraram muito. Tenho estes ídolos, e tenho que agradecer muito aos meus técnicos por terem me dado carta branca para tentar, para arriscar. E você só acerta porque tem coragem, não tem jeito. Sem coragem você não arrisca, você não sabe se a bola vai entrar. Eu cometi muitos erros para ter meus acertos. Na vida é assim, né? Coragem é importante, e a carta-branca dos meus técnicos, que sempre me incentivaram a dar passes, independente da dificuldade deles (passes), foi essencial para eu me tornar o armador que sou hoje.


Flamengo tenta curar ‘ressaca’ da Liga das Américas contra Brasília no NBB
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Fábio Balassiano

mmA Liga das Américas não terminou nada bem para o Flamengo. Não tanto pelo quarto lugar, mas pela forma como tudo acabou acontecendo. Para quem não lembra, o enredo foi o seguinte: na semifinal contra Bauru o rubro-negro vencia por 17 pontos já no quarto período.

Levou uma incrível virada, perdeu por 83-81 e deu adeus a chance de conquistar o caneco continental (e consequentemente de disputar o Mundial Interclubes contra o campeão da Euroliga no início da temporada 2016/2017). No dia seguinte Mogi venceu o Fla por 73-71 na disputa do terceiro lugar.

mark1A tristeza é imensa, obviamente, e imagino que a confiança deve ter diminuído bastante para os comandados de José Neto, mas a temporada continua – e um título importante ainda pode ser conquistado.

Nesta quarta-feira às 20h o Flamengo enfrenta Brasília no Tijuca pelo NBB em duelo que será transmitido pelo site da Liga Nacional (estarei nos comentários) e que marcará o reencontro do rubro-negro com a sua torcida depois de quase um mês (a última peleja no Rio de Janeiro foi em 20/02 contra o Vitória).

deryk1Do outro lado há um fortíssimo rival, e que tem subido de produção nesta temporada. O time da capital tem 17-8, ainda briga para ficar no G-4 e tem um dos melhores elencos do país (muito completo, muitas opções e bastante experiente). Chamo a atenção para o estupendo campeonato que o jovem Deryk Ramos está fazendo. São 14,6 pontos (segunda melhor marca do elenco, atrás apenas de Guilherme Giovannoni, que tem 17,3) e 3,2 assistências. Prestes a completar 22 anos, o ex-armador de Limeira mostra-se cada vez mais preparado para os grandes jogos, e seu desempenho pra lá de consistente fala por si. Desde 17 de dezembro do ano passado que o camisa 9 anota 10 ou mais pontos nas partidas (foram 17 a partir de então). Quem foi o rival que o deteve abaixo dessa marca? Justamente o Flamengo (Deryk fez apenas três pontos naquela peleja).

ramon1Vale a pena ficar de olho para ver como será a reação do Flamengo depois do baque grande que foi a eliminação na Liga das Américas e quão pesado virá Brasília para tentar empurrar o rival ainda mais pra baixo.

Não custa lembrar que os dois times são os únicos que até agora conquistaram os títulos do NBB (quatro pro Fla, três pros brasilienses) e que a rivalidade envolvendo as duas equipes é fortíssima.