Bala na Cesta

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O difícil fevereiro dos brasileiros na NBA – o resumo do mês no melhor basquete do mundo
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Fábio Balassiano

Desde o início da temporada 2016/2017 estou colocando no blog o desempenho dos brasileiros na NBA. Os números, uma leve pincelada, os destaques, essas coisas. Vamos lá a fevereiro de 2017? Teve muita coisa, hein!

O FEVEREIRO DE 2017 DOS BRASILEIROS

ACUMULADO DA TEMPORADA 2016/2017

NOVEMBRO/2016 , DEZEMBRO/2016 JANEIRO/2017

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

a) Anderson Varejão -> Anderson Varejão foi dispensado em 4 de fevereiro pelo Golden State Warriors. Desde então está procurando time na NBA, mas até o momento nenhuma proposta oficial surgiu. Seu nome foi especulado em Cleveland, em uma volta ao time pelo qual jogou por mais de uma década, mas os Cavs fecharam com o australiano Andrew Bogut e praticamente fecharam as portas para o brasileiro.

b) Bruno Caboclo -> Caboclo não entrou em quadra nenhuma vez por um cada vez mais reformulado Toronto Raptors, que foi um dos times mais ativos na janela de negociações da NBA trazendo o ala PJ Tucker e o pivô Serge Ibaka, mas o ala jogou muitas vezes e bem na D-League pelo Toronto 905. Foram 8 partidas e 27,5 minutos de média com 11,8 pontos, 40% nos arremessos e 5,8 rebotes. Entre 9 e 23 de fevereiro o brasileiro teve 4 partidas seguidas com 10+ pontos. Nos vídeos abaixo é possível ver a desenvoltura dele em quadra.

c) Cristiano Felício -> O pivô do Bulls ficou mais conhecido por isso aqui em fevereiro do que qualquer outra coisa:

Felício acabou correndo atrás de um rebote no último segundo de jogo contra o Cleveland, “tirou” o triplo-duplo de Dwyane Wade e foi motivo de brincadeira por parte do companheiro (Felício mesmo colocou em seu Twitter uma frase dizendo “Eu não sabia”). Ele estava certíssimo de ir atrás da bola porque pra ele qualquer rebote conta (seu contrato termina em junho), mas vale dizer que em fevereiro ele continuou a sua evolução na NBA. Foram 3 partidas com 10+ pontos, 5 com 20+ minutos e 5 com 5+ rebotes. Ele se consolida como pivô reserva da franquia de Illinois mesmo com a recente chegada do francês Joffrey Lauverne.

d) Leandrinho -> Foi um mês mais estável para Leandrinho na NBA. Se não jogou mais de 20 minutos nenhuma vez, em todas as partidas esteve em quadra por no mínimo dez minutos. Sempre bom ressaltar que função é dar experiência ao jovem Devin Booker, que tem jogado cada vez melhor, e entrar para “comer” os minutos quando o garoto descansa. Leandrinho teve uma partida muito boa contra o Pelicans em 06/02 ao anotar 14 pontos em 20 minutos e outra cinco dias depois contra o Houston quando cravou 12 nos mesmos 20 minutos. Nas duas oportunidades o brasileiro conseguiu 10+ pontos jogando fora de casa.

e) Lucas Bebê -> Lucas começou o mês muito bem com 10 pontos e 5 rebotes na partida contra o Boston. Atuou por 28 minutos e logo depois emplacou uma sequência de 7 partidas jogando 20 ou mais minutos em todas elas. Nesta série de jogos ele conseguiu 5+ rebotes por quatro vezes, mostrando presença perto da cesta e a força física de sempre. O problema para o brasileiro é que depois do All-Star Game o seu time, o Toronto Raptors, contratou Serge Ibaka e PJ Tucker, jogadores que atuam no garrafão. Com isso seu tempo de quadra caiu sensivelmente. Em fevereiro após o All-Star foram 3 jogos, com Lucas jogando 11, 10 e 0 minutos. Nas três saiu zerado em pontos e teve apenas 3 rebotes (somados). Se janeiro foi o mês de sua consolidação na NBA, fevereiro terminou com um ponto de interrogação imenso sobre seu futuro na franquia. Se Jonas Valanciunas é o pivô titular, aparentemente a rotação do técnico Dwane Casey para o garrafão agora contempla apenas Tucker, Ibaka e Patrick Patterson, outro ala. Bebê não tem sido utilizado e isso não é bom.

f) Marcelinho Huertas -> Huertas seguiu a sua sina de só jogar os minutos de partidas já decididas, mas no dia 23 de fevereiro de 2017 uma troca envolveu o seu nome. O brasileiro foi trocado pelo Lakers para o Houston, que logo em seguida o dispensou. Tal qual Anderson Varejão, ele procura novo time na NBA. Caso não consiga ficar na liga norte-americana, ele possui amplo mercado na Europa e é bem possível que ele retorne para o Velho Mundo caso nenhum time da NBA demonstre interesse por ele.

g) Nenê -> Aos 34 anos, Nenê mostra forma física invejável e uma arma fortíssima vindo do banco de reservas do Houston Rockets, o terceiro melhor time da conferência Oeste. Foram 3 jogos com 10+ pontos, inclusive os 15 pontos pontos e 7 rebotes contra o Indiana Pacers no dia 27 de fevereiro. Ele é disparada a melhor opção ofensiva entre os brasileiros na temporada 2016/2017 da NBA e tem conseguido produzir muitos pontos nos minutos em que está em quadra (a média de fevereiro ficou quase em 1 ponto a cada 2 minutos em quadra, algo excelente). Gosto sempre de ressaltar que o pivô está no basquete mais difícil do mundo há 15 campeonatos, e sempre com relevância, importância. É bem relevante.

h) Raulzinho -> Raulzinho não vive situação boa na NBA. É o terceiro reserva de um time muito bom (o Utah Jazz) ele só tem jogado realmente quando a partida está decidida (mesmo cenário que Huertas vivia no Lakers). Isso não é bom, e Raulzinho, mega jovem (completará 25 anos em maio), precisa de quadra, precisa jogar, precisa estar em atividade. A fase de sua carreira é de crescimento, e sinceramente vejo com bons olhos algum movimento de troca de ares para ele no próximo campeonato.

i) Tiago Splitter -> Tiago Splitter segue em sua recuperação do quadril, mas no dia 23 de fevereiro a sua vida mudou um pouco quando ele foi trocado pelo Hawks para o Philadelphia 76ers. Lá ele poderá fechar a temporada jogando um pouco e mostrando ao mercado que está bem em termos físicos. Seu contrato vence no final do campeonato e quanto mais ele conseguir atuar ainda nesta temporada regular pelo Sixers, melhor.

E você, o que achou do mês de fevereiro dos brasileiros? Comente aí você também.


O janeiro de 2017 dos brasileiros na NBA – Como eles foram?
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Fábio Balassiano

Desde o início da temporada 2016/2017 estou colocando no blog o desempenho dos brasileiros na NBA. Os números, uma leve pincelada, os destaques, essas coisas. Vamos lá ao primeiro mês de 2017?

RELEMBRANDO NOVEMBRO/2016 & RELEMBRANDO DEZEMBRO/2016

O JANEIRO DE 2017 DOS BRASILEIROS

Janeiro

ACUMULADO DA TEMPORADA 2016/2017

Acumulado

a) Anderson Varejão -> Acho quase irrelevante falar do mês de janeiro de Anderson Varejão sabendo que no começo deste fevereiro o pivô foi dispensado do Golden State Warriors, né? Não dá pra dizer que é surpresa, porque o seu desempenho de fato não foi bom com a franquia de Oakland, mas é triste do mesmo jeito. Agora fica a pergunta: ele conseguirá outro time na NBA? Ou sua história na melhor liga de basquete do mundo terminou? Vamos esperar um pouco!

caboclo1b) Bruno Caboclo -> Caboclo praticamente não jogou na NBA, mas voltou a disputar muitos jogos na D-League pelo Toronto 905, onde é treinado por Jerry Stackhouse, um ótimo ala na NBA na década de 90. Foram 9 partidas pela filial do Raptors com 10,1 pontos de média, sendo em três oportunidades com o ala alcançando 14+ pontos e 7+ rebotes. Ainda é muito cedo pra projetar qualquer coisa sobre o jogador que completará 22 anos apenas em setembro de 2017. Bruno está sendo preparado pela franquia, que tem muita paciência com ele. Não é certeza que irá vingar, mas é um trabalho de longo prazo e convém esperar no mínimo até 2017/2018. Este é mais um ano de aprendizado para ele no Canadá.

felicio1c) Cristiano Felício -> Mais um mês de evolução para Felício no Bulls. É realmente o pivô reserva na caótica rotação do técnico Fred Hoiberg e tem uma qualidade que o seu titular, Robin Lopez, não possui – ele tem arremesso de média e longa distância, conseguindo espaçar muito bem a quadra e permitindo situações de infiltração de seus companheiros como Lopez não consegue fazer. Em janeiro, em três oportunidades, Felício passou dos 10 pontos e em duas conseguiu duplo-duplo (11+11 contra o Thunder e 12+10 contra o Magic. Em 7 jogos passou dos 20 minutos em quadra. Aos 24 anos e em seu último ano de contrato, o pivô vai mostrando que, sim, merece estar na liga. Ótimas chances de ele conseguir um novo, e gordo, contrato na próxima temporada.

d) Leandrinho -> O ano de Leandrinho começou com uma partida de 10 pontos em 13 minutos contra o Miami em casa. Poderia-se esperar que fosse dali pra melhor, mas não foi além, não. Ele mais uma vez jogou pouco, e apenas em 26 de janeiro, com 9 pontos em 16 minutos contra o Denver, teve algum destaque. Como Eric Bledsoe e Devin Booker, armadores titulares, têm ido muitíssimo bem, fica cada vez mais restrita a presença do brasileiro em quadra por muitos minutos.

lucas1e) Lucas Bebê -> Janeiro só não foi melhor para Lucas porque no jogo contra o Nets, no Brooklyn, em 17 de janeiro, ele teve uma concussão na cabeça. Estava sendo titular junto com Jonas Valanciunas, mas perdeu os dois jogos seguintes, fazendo com que sua performance não fosse ainda melhor (Patrick Patterson voltou para a posição quatro, e o brasileiro para o banco de reservas, de onde sai para ser o cadeado defensivo da segunda unidade). Bebê se firmou como pivô reserva e faz parte, de forma firme e consistente, da rotação do Toronto Raptors. Teve 13 pontos contra o Phoenix, 10 contra o Nets, 9 contra o Bucks e dois jogos com 4 tocos. Ah, e o cara agora está arriscando bolas de fora. Contra o Suns e Nets ele converteu duas.

f) Marcelinho Huertas -> Seis jogos, sempre com eles decididos e nada de relevante para Huertas em janeiro na NBA. É uma pena, torna-se repetitivo dizer isso aqui, mas a realidade é que já passou da hora de ele procurar novos ares. Ali, pelo visto, não vai acontecer nada pra ele mesmo. E digo isso com a certeza de que em alguma franquia com espaço para ele Huertas tem tudo para mostrar seu talento. O cara é muito, muito bom.

nene1g) Nenê -> Mês incrível para Nenê na NBA. Aproveitou cada segundo que esteve na quadra, teve atuações sensacionais como a contra o Sixers (21 pontos e 6 rebotes em 27 minutos) e contra o Bucks (17 pontos e 8 rebotes) e mostrou porque está há 14 temporadas no mercado de basquete mais difícil do mundo. Aos 34 anos, ele é uma peça pra lá de importante na rotação de Mike D’Antoni no Houston Rockets. Contra o Minnesota, em 11 de janeiro, ele inclusive matou uma bola de três pontos. Diante do Oklahoma, lá no começo de 2017, lances-livres fatais contra o OKC. Bem legal, Nenê! Arrebentou!

h) Raulzinho -> Outro que está em situação difícil na NBA. Passou pela D-League, quando esteve em quadra não foi muito bem e vê a concorrência (Shelvin Mack, Dante Exum e Alec Burk) comendo todo o tempo de quadra na armação que conta com o titular George Hill (este muitíssimo bem aliás). O mais complicado para Raulzinho deve ser segurar a ansiedade por querer mostrar serviço em pouco tempo de quadra sem parecer individualista. Torçamos para que ele ou encontre espaço em Utah ou que outra franquia aposte suas fichas no garoto de 24 anos.

i) Tiago Splitter -> Splitter ainda não estreou na NBA ainda. Deve retornar agora em fevereiro, depois do All-Star Game. Já faz trabalhos na quadra e treina normalmente com o seu time.

E você, o que achou do mês de janeiro dos brasileiros? Comente aí você também!


O mês de dezembro para os brasileiros na NBA – Confira como eles foram!
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Fábio Balassiano

Já virou tradição! Mentira, comecei no mês passado. Mas desde o início da temporada 2016/2017 estou colocando no blog (veja aqui como foi novembro) o desempenho dos brasileiros na NBA. Seus números, uma leve pincelada, os destaques, essas coisas. Vamos lá a dezembro de 2016? Vamos, mas já aviso que a partir de agora colocarei também o acumulado do certame inteiro.

RELEMBRANDO NOVEMBRO/2016

brasileiros_novembro

DEZEMBRO/2016 (em cinza o destaque do mês)

brasileirosNBADez2

ACUMULADO DA TEMPORADA 2016/2017

brasileirosNBADez1

andy3a) Anderson Varejão -> Não está boa a temporada para Anderson Varejão mesmo. Terceira opção como pivô (Zaza Pachulia e JaVale McGee à sua frente) de um time que vira e mexe joga sem pivô, o capixaba jogou apenas quatro vezes, normalmente quando as partidas já estavam decididas e nem sempre foi bem quando solicitado pelo técnico Steve Kerr. No final de novembro contra o Minnesota foi assim. Em dezembro, contra o Grizzlies, também. Aparentemente Kerr conta com a experiência de Anderson para os playoffs, o que é ótimo, mas sabe que seu potencial físico, sua energia e sua defesa já não são as mesmas de antes.

caboclo2b) Bruno Caboclo -> Caboclo entrou para a história ao ser o primeiro a atuar na D-League e na NBA no mesmo dia. Foi em 20 de dezembro, quando jogou de tarde pelo Toronto 905, da D-League, por 31 minutos (10 pontos) e à noite pelo Raptors contra o Nets na NBA (dois minutos). Para analisar o último mês de 2016 do ala é preciso, na verdade, esquecer a NBA, quando atuou pouco (14 minutos em 4 jogos) e olhar o seu desempenho na D-League. Que foi bom. Se em novembro comentei que seu aproveitamento de arremessos poderia ser melhor, em dezembro notou-se uma melhora muito grande (o que é excelente!). Bruno fez cinco jogos na Liga de desenvolvimento, em TODOS jogou 20+ minutos e em TODOS conseguiu 10+ pontos e 40%+ nos chutes. Se em nenhum deles passou dos 13 pontos, mostrou consistência e regularidade, maior variação de golpes (70% de seus chutes não vieram da zona dos três pontos, como vinha acontecendo) e ótimo tempo de bola para roubadas (foram sete). Suas médias na D-League (8,8 pontos, 4,4 rebotes e 1,1 assistência) ainda não empolgam, mas tendem a crescer nos próximos meses.

felicio1c) Cristiano Felício -> Felício começou não muito bem a temporada, deu uma passadinha rápida na D-League, mas teve um dezembro bem bom, ganhando mais tempo de quadra e espaço na rotação do Bulls. O problema, pra ele, é que o Chicago está caindo pelas tabelas e o técnico que gosta de seu jogo (Fred Hoiberg) está bem ameaçado no cargo. No último mês de 2016 Cristiano teve 4 jogos com 20+ minutos, em alguns momentos fechou as partidas no lugar de Robin Lopez, o pivô titular, e no dia 30/12 teve o seu primeiro duplo-duplo do certame. Foi contra o Indiana Pacers (12 pontos, 12 rebotes, 2 assistências e um roubo de bola). Seu tempo de quadra tem tudo para seguir crescendo em 2017, e ele tem que continuar aproveitando as oportunidades que surgem para ele em Chicago. Lopez é experiente, mas lento pacas e sempre tem queda acentuada do meio para o final dos campeonatos. Mais do que nunca é a hora de Felício, cujo contrato termina ao final da temporada, aproveitar.

leandrinho1d) Leandrinho -> O ala do Suns passou aqui pelo blog em entrevista exclusiva no mês passado, lembram? Seu começo de dezembro foi excelente, com quatro jogos seguidos com 10+ pontos, inclusive um brilhante contra o Lakers, uma de suas vítimas favoritas na NBA desde sempre (relembre aqui), quando fez 21 pontos (5 bolas de 3) e 4 assistências. Depois, porém, seus números foram caindo, principalmente quando Eric Bledsoe e Devin Booker, os titulares do perímetro do Phoenix, passaram a jogar melhor. Mesmo assim Leandrinho terminou 2016 com outro jogo bom (12 pontos em 13 minutos contra o Sixers) e fazendo muito bem a sua função de ensinar a Booker e também de “comer” os minutos possíveis quando os titulares do perímetro descansam. Se seus números não são empolgantes, o trabalho nos campos intangíveis segue muito bom e elogiado pela franquia.

lucas1e) Lucas Bebê -> Está aí a surpresa mais legal, agradável e empolgante para os brasileiros nesta temporada 2016/2017 da NBA. Neste momento ninguém tem mais dúvida sobre quem é o pivô reserva do Toronto Raptors, né? Lucas Bebê ganhou a disputa contra o austrícado Jakob Poetl, tem jogado muitíssimo bem (20 minutos/jogo em dezembro), em alguns jogos até mais tempo do que o titular, o lituano Jonas Valanciunas e em muitas vezes é o brasileiro que tem fechado os jogos (o técnico Dwane Casey confia mais em sua defesa para bloquear o garrafão). Seu percentual de conversão de arremessos é surreal de alto (mais de 70%) porque ele faz muito bem o jogo de pick-and-roll (corta-luzes) com Kyle Lowry e DeMar DeRozan, terminando os pontos com enterradas ferozes, mas em dezembro tivemos uma surpresa: Lucas acertou uma bola de três contra o Utah Jazz (vídeo abaixo). Foram duas partidas com 10+ pontos, uma com 30+ minutos, 9 com 5+ rebotes e 13 com pelo menos um toco (contra o Nets, em 20/12, foram quatro!). Mais maduro e mais focado, como ele mesmo admitiu recentemente, Lucas é o pivô reserva do segundo melhor time do Leste. Excepcional novidade e mérito total dele, que batalhou para alcançar isso.

huertasf) Marcelinho Huertas -> Cara, como é difícil escrever sobre Huertas. Acho o camisa 9 do Lakers excepcional, teve uma carreira incrível na Europa, foi bem no final da temporada passada pela franquia angelina, mas a verdade é que sua temporada 2016/2017 na NBA tem sido terrível. Não tanto por culpa dele, mas sim porque o técnico Luke Walton tem uma rotação muito bem definida – e em algumas vezes sem armador fixo. Os titulares são D’Angelo Russell e Nick Young no perímetro, com Lou Williams e Jordan Clarkson vindo do banco. O restante dos minutos são disputados a tapa entre o brasileiro e o espanhol Jose Calderón, que está em queda (técnica, física, tudo) livre. Por isso em várias ocasiões a gente abre a estatística dos jogos do Lakers e verifica o famoso “DNP – Coach’s Decision” (Did not Play – Não jogou, opção do técnico). O bizarro disso tudo é que mesmo no meio desse caos Huertas, dono de visão de jogo diferenciada, tem conseguido se destacar com passes geniais e números bem razoáveis. Foi assim contra Houston e Phoenix no começo de dezembro, quando, na ausência de D’Angelo Russell e Nick Young, ele teve dígitos duplos em pontos e sete assistências contra o Rockets. Infelizmente, porém, noites assim têm sido exceção em um campeonato recheado de DNP’s. Aos 33 anos, não é lá o melhor cenário, né?

nene2g) Nenê -> O mais experiente dos brasileiros na NBA tem papel importante no Houston Rockets, um dos times mais empolgantes da atual temporada. Ele é reserva de Clint Capela, mas não tem a função apenas de “comer” os minutos do titular. Nenê passa experiência para Capela e também para os jovens (de garrafão) Chinanu Onuaku e Montrezl Harrell (este tem jogado muito bem, aliás). Na ausência de Capela, o camisa 42 tem sido titular em algumas vezes, desempenhando bom papel, como foi contra o Dallas, quando teve 12 pontos e 7 rebotes além de uma bela discussão com Justin Anderson, do Mavs. Sua importância no vestiário é sempre destacada pelo técnico Mike D’Antoni, já que Nenê é o mais velho de um grupo que tem um potencial enorme, mas ainda jovem.

raulzinho1h) Raulzinho -> Não é o ideal, mas Raulzinho já jogou bem mais em dezembro do que em novembro. E fez certinho. Entrou em quadra e arriscou o que tinha que arriscar. Na ausência de George Hill, armador titular, minutos acabaram livres para que o brasileiro mostrasse seu talento. Foi assim contra o Kings, por exemplo, no dia 10 de dezembro, quando ele teve 8 pontos, 4 rebotes e 3 assistências em 11 minutos. Número idêntico de pontos ao conseguido no último dia do ano contra o Phoenix (8 pontos em 14 minutos de atuação). Não é o ideal, claro, mas seu tempo de quadra deu uma bela subida no final de 2016. Resta saber como o técnico Quin Snyder, do Utah, fará quando tiver todos os atletas à disposição.

tiago1i) Tiago Splitter -> O pivô do Atlanta segue em sua recuperação física. Espera-se que ele jogue ou no final de janeiro, ou no começo de fevereiro. Obviamente é uma situação preocupante. Para um agente-livre ao final do campeonato, cada dia afastado da quadra é muito ruim para Splitter. Que ele retorne rápido e em ótima condição.

E você, o que achou do mês de dezembro dos brasileiros? Comente aí você também!


Como foi o mês de novembro para os brasileiros na NBA? Confira!
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Fábio Balassiano

Um dos grandes pedidos dos leitores é que eu faça análises sistemáticas dos brasileiros na NBA. Sempre relutei, mas agora vou fazer. Funcionará assim: no começo do mês eu sempre colocarei os números do mês anterior dos 9 brasileiros da liga e um parágrafo sobre eles, ok? Em cinza estará sempre o destaque do mês (em minha opinião). Vamos lá com o que os atletas fizeram em novembro então:

brasileiros_novembro
varejao1a) Anderson Varejão
-> Acreditava-se que o brasileiro seria o pivô reserva de Zaza Pachulia no Warriors, mas o camisa 18 tem perdido espaço para JaVale McGee, errático atleta de 28 anos que vira e mexe protagoniza lances hilariantes desde que entrou na liga. Varejão entrou e não foi mal na semana passada no duelo contra o Minnesota, mas não tem atuado em todas as partidas e tem seus minutos bem reduzidos quando atua (os 5,8 de média em apenas 4 partidas falam por si só). Não é uma situação confortável.

caboclob) Bruno Caboclo -> O número frio de Caboclo é este que está na tabela (um jogo, 4 minutos), mas para analisá-lo de forma mais profunda é preciso ver seus jogos na D-League, onde ele tem atuado pelo Toronto 905. Já são seis partidas por lá, com 26,9 minutos, 7 pontos, 31% nos chutes (17% nas bolas de três pontos), 6,2 rebotes e 0,8 assistência. Em apenas dois desses jogos (20/11 e 01/12) Bruno conseguiu mais de 10 pontos. Em apenas uma vez (20/11 contra o Long Island Nets) teve 45% ou mais nos arremessos. É claro que ele tem apenas 21 anos, dá pra ver seu crescimento físico e também técnico (em vários jogos da D-League ele mostra um arsenal muito bom no jogo de costas pra cesta e também no um-contra-um), mas me espanta um pouco que 40% dos seus arremessos tentados (3,8 dos 9,7) venham da linha de três pontos. Com seu imenso potencial físico, Caboclo poderia explorar outras armas de seu repertório.

felicio1c) Cristiano Felício -> Começou bem a temporada e parecia se credenciar a ser o reserva de Robin Lopez no Bulls. Aos poucos, porém, foi perdendo espaço para Bobby Portis na rotação e foi parar na D-League para ganhar minutos. Na última semana de novembro já retornou ao elenco do Chicago (estava no banco contra o Cavs na sexta-feira e jogou 15 bons minutos contra o Dallas no Texas no sábado à noite).

d) Leandrinho -> Vem fazendo temporada conforme esperado no Phoenix Suns. Leandrinho foi contratado para dar experiência e ser o mentor do ótimo garoto Devin Booker. E é isso que vem fazendo. “Come” os minutos quando Booker descansa, de vez em quando tem suas partidas de 10, 15 pontos, mas nesse momento da sua carreira ele está mesmo preocupado em passar o que aprendeu em mais de uma década de NBA para o jovem que tem um futuro incrível na NBA. Não é nenhum problema o que vem acontecendo com ele (99% dos veteranos passam por isso). A questão toda é saber se Leandrinho está em paz com suas funções de professor – eu acredito que sim.

lucas1e) Lucas Bebê -> Melhor surpresa, disparada, deste começo de temporada. Lucas Bebê vem vencendo com sobras a disputa contra o austríaco Jakob Poetl e tornou-se o pivô reserva de Jonas Valanciunas mesmo. Mostra evolução física, técnica, mental e sobretudo comportamental, encarando a carreira como ela deve ser encarada – profissional, séria e dedicada. De seu talento nunca as pessoas duvidaram. A questão era como ele daria o próximo passo – que agora vem sendo dado. Com uma defesa acima da média, Bebê mostra ao Raptors que pode ser uma opção segura não só pra substituir a Valanciunas, mas também para fechar os jogos (vira e mexe o lituano é sacado por Dwane Casey no final da partida). Se seus números de novembro são tímidos, o melhor é notar que ele conseguiu dar ao Toronto a demonstração de que é um cara pra franquia investir e olhar com carinho. Hoje Lucas já faz, sim, parte da rotação do time e isso é sensacional.

huertasf) Marcelinho Huertas -> Vive situação bem complicada no Lakers. Terminou bem a temporada passada, imaginava-se que manteria o ritmo nesta, mas as chegadas do espanhol Jose Calderón e do técnico Luke Walton mudaram os rumos de Huertas. Calderón é o reserva imediato do garoto D’Angelo Russell, que certamente será o jogador-franquia dos angelinos. Luke Walton não só opta por Calderón na frente de Huertas como também de vez em quando utiliza formações sem armador principal (Lou Williams com Jordan Clarkson ou um dos dois com Nick Young, por exemplo), diminuindo ainda mais o tempo de quadra do brasileiro. Não é um bom momento pra ele, e o mais importante é manter a cabeça no lugar para quando as oportunidades surgirem ele agarrá-las com força. O melhor exemplo pra ele é justamente o de Lucas Bebê. Mesmo jogando pouco o cara é capaz de protagonizar lances geniais como este abaixo.

nene1g) Nenê -> Veio pro Rockets e tem exercido bem a sua função. Esperava que ele fosse ser titular, mas Mike D’Antoni escolheu Clint Capela para começar as partidas. Não dá pra dizer que o técnico mandou mal, tendo em vista o ótimo começo do Houston. Mesmo assim Nenê tem despejado partidas com 10+ pontos com frequência sem sequer ficar 25 minutos em quadra. O mais importante de tudo é que o Rockets irá pro playoff e Nenê será importante na pós-temporada com toda sua experiência.

raulzinho1h) Raulzinho -> Infelizmente esta também era pedra cantada. Raulzinho está em um elenco recheado de armadores e seu tempo de quadra seria reduzido mesmo. Tem jogado pouco, e sinceramente o melhor que poderia lhe acontecer seria ter uma franquia que lhe desse espaço. E digo isso não porque acho que Raulzinho é muito bom (como de fato o é), mas simplesmente porque em 2015/2016, quando foi titular em boa parte da temporada, desempenhou ótimo papel. De titular para DNP (Did not Play, Coach’s Decision – Não jogou, decisão do técnico), como aparece sempre nas estatísticas quando um atleta não atua, em menos de um ano deve ser muito difícil compreender. Quem sabe uma mudança de ares lhe faça bem. No momento, é exercer a paciência e entrar em quadra quando solicitado mostrando que pode, e deve, ganhar mais minutos.

i) Tiago Splitter -> O pivô do Hawks ainda não estreou na temporada da NBA. Ele segue em recuperação de sua cirurgia no quadril e a previsão de estreia é em janeiro de 2017.

E você, o que achou do mês de novembro dos brasileiros? Comente aí você também!


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