Bala na Cesta

No sufoco, Uberlândia vence a terceira partida, varre Bauru e fará final inédita no NBB

Por Ivair Ribeiro, direto de Uberlândia (MG)

Se o público que lotou a bela arena do Sabiazinho (mais de 6000 pessoas!) esperava um jogo fácil como foi a segunda partida entre o Uberlândia e Bauru, no jogo 3 os todas as expectativas foram superadas minuto a minuto durante o jogo 3. O time de Uberlândia venceu pelo placar apertado de 80-77, definindo apenas nos minutos finais da partida a sua classificação para a final do NBB pela primeira vez na história da franquia. O time agora espera o vencedor de Flamengo e São José (série empatada em 1-1) para saber o adversário e o local da decisão (contra o rubro-negro será no Riode Janeiro; contra os joseenses, no Sabiazinho)

“O grande objetivo era a disputa pelo título. Estamos dento do nosso objetivo então”, sintetizou o técnico Helio Rubens.

O terceiro confronto começou de forma bem similar ao que ocorreu nas duas primeiras partidas. Bauru forçava o jogo de garrafão com o pivô Jeff Agba (19 pontos e 10 rebotes) enquanto o Unitri investia como sempre no jogo de perímetro. As estratégias funcionaram bem e o placar permanecia próximo. Bauru chegou a ficar na frente, mas com uma bola de 3 de Robby Collum no estouro do cronômetro, o time da casa venceu o primeiro quarto por 26-25. Sem mudar o ritmo, o segundo quarto começou acirrado, com várias mudanças na liderança e uma ligeira vantagem dos visitantes. Ao encaixar o ataque, Bauru começou a abrir vantagem, fechando o primeiro tempo em 48-41.

Logo no início do terceiro quarto, a diferença no placar chegou a 10 pontos. Uberlândia então reagiu com uma boa defesa e contra ataques rápidos e cortou a diferença pra 3 (48 x 51). Enquanto Valtinho brilhava pelo lado dos mineiros (o incansável armador atingiu um belo duplo-duplo com 15 pontos e 14 assistências), Gui Deodato (cestinha da partida com 24 pontos) mantinha os visitantes vencendo. No final do quarto, o jogo coletivo dos mineiros deu resultado e o time terminou vencendo por 66-64.

Os últimos 10 minutos de jogo foram alucinantes. Leonardo (dois tocos seguidos em Pilar) e Gui (com uma “bandeja espírita” seguida de falta) colocam fogo na partida, que ficou ainda mais interessante. Os times trocaram 3 vezes de liderança, mas faltando menos de um minuto de jogo uma jogada estranha criada pelos mineiros deixou Lucas Cipolini livre e de 3 o ala-pivô colocou o time da casa à frente do placar (78-77). Guerrinha ainda tentou ajeitar o último ataque após um pedido de tempo, mas o Unitri defendeu bem e conseguiu segurar os visitantes, vencendo a partida por 80-77 após mais uma bela jogada de Valtinho e Leo para selar a vitória na partida, a varrida na série e a passagem pra final inédita do NBB.

Compartilhe:

Uberlândia joga muito, surra Bauru, abre 2-0 e está a uma vitória da inédita final do NBB

Foi mais uma grande exibição do time de Hélio Rubens, este mito do basquete e cujo trabalho merece ser reverenciado mais uma vez. Jogando diante de um Sabiazinho lotado, o Uberlândia seguiu sem dar chances a Bauru, venceu todos os quatro períodos de jogo, ganhou a partida por fáceis 93-65, abriu 2-0 e agora está a apenas uma vitória de chegar a inédita decisão do NBB. O jogo 3 será no sábado às 21h45 novamente no Triângulo Mineiro (que horário bizarro, hein!).

Quem brilhou muito, mais uma vez, é este rapaz aí da foto do post. Ele se chama Lucas Cipolini, é um dos jogadores mais subestimados do basquete brasileiro, e registrou 21 pontos e 8 rebotes depois de ter feito 20+8 no jogo 1 no interior de São Paulo.

Eu, sinceramente, não consigo entender o que está acontecendo com o time de Bauru. É verdade que Coleman é um desfalque grande, que o garrafão está vazio, mas a falta de atitude/confiança da equipe é gritante. Para se ter uma ideia, o time tem chutado 27% dos três pontos (14/51) e não tem conseguido igualar nem a energia dos comandados de Hélio Rubens, que mais uma vez dá uma aula de basquete nos técnicos da nova geração, diga-se de passagem.

Viu o jogo? Gostou? Uberlândia já está na final? Comente!

Compartilhe:

Uberlândia joga bem e vence Bauru sem sustos no primeiro jogo da semifinal de NBB

Por Rafael Placce, direto de Bauru (SP)

A Panela de Pressão estava lotada assim como no jogo cinco, contra Franca, na última sexta-feira, mas o clima estava longe de ser o mesmo. Enfrentando um adversário mais forte, apático na defesa e mal no ataque, Bauru não ameaçou Uberlândia e também não fez a torcida entrar no clima de playoff semifinal, experiência que viveria pela primeira vez no NBB. A equipe do triângulo mineiro, que não tinha nada com isso, jogou bem e venceu por 89-75.

O jogo começou com Uberlândia impondo seu ritmo. Já dava pra perceber que sem Coleman (viajou para os Estados Unidos para resolver problemas pessoais) no garrafão defensivo a vida do ótimo Cipolini (20 pontos e oito rebotes) seria mais fácil. Jeff Agba (13 pontos e cinco rebotes), que jogou depois de conseguir efeito suspensivo, não esteve nada bem defensivamente.

Enquanto o aproveitamento de Uberlândia estava na casa dos 60%, Bauru tentava muitas bolas de três, que não caíam (o time começou com 0 de 7 do perímetro). O time de Hélio Rubens aproveitou para administrar o placar cadenciando o jogo, não deixando Bauru jogar em velocidade. Em momento raro de inspiração, Gui Deodato acertou seus únicos dois arremessos de três pontos no fim do segundo quarto e fez Bauru ir para o intervalo com uma desvantagem de 35-42. Levando em conta quão superior Uberlândia foi no primeiro tempo da partida, Bauru estava no lucro.

Na volta do intervalo, o time mineiro continuou mandando no jogo com uma bela atuação do ala Audrei (cestinha da partida com 23 pontos), que fez seu time não sentir a falta do americano Robby Collum (totalmente apagado com apenas quatro pontos). Na metade do terceiro período, foi a vez de Pilar (22 pontos e cinco assistências) tentar recolocar Bauru no jogo, mas foi o último respiro do Dragão. Depois do tempo pedido por Hélio Rubens, Uberlândia voltou a abrir vantagem e administrá-la com tranquilidade até o final do jogo.

Se Robby Collum esteve apagado, Larry Taylor (sete pontos) e Gui (seis pontos) também estiveram bem abaixo ofensivamente. É de conhecimento e surpresa geral a falta de infiltração no jogo do Gui, mas hoje isso atingiu outro nível. Foram 2 de 8 nas bolas de três e 0 de 1 nas de dois! E por duas vezes, depois de conseguir o rebote próximo ao garrafão, ele bateu bola até a linha de três para arremessar. Podemos dar um desconto na última tentativa, já que seu time perdia por 13 pontos no último quarto, mas a primeira tentativa foi no terceiro período.

Pilar foi um dos poucos jogadores bauruenses que reconheceram a apatia do time no jogo de hoje, mas mesmo assim continua confiante: “Mesmo com essa derrota em casa não estamos mortos na série. Temos dois confrontos em Uberlândia e podemos vencer lá também. Estamos nos superando a cada jogo e temos que mostrar isso mais uma vez”.

Compartilhe:

Debutantes, Bauru e Uberlândia abrem hoje semifinal do NBB no interior de São Paulo

Depois de sobreviverem a cinco jogos nas quartas-de-final, Bauru e Uberlândia abrem hoje as semifinais do NBB no interior de São Paulo (às 19h, com promessa de transmissão do Sportv) em uma série que promete bastante equilíbrio e muita emoção (também em SP, São José e Flamengo jogam amanhã).

Alguns pontos interessantes sobre a semifinal entre Bauru x Uberlândia:

1) O time de Uberlândia tem o mando de quadra. Faz o jogo de logo mais na casa de Bauru, tem dois jogos no Triângulo Mineiro, volta (caso necessário) para São Paulo e, na necessidade do jogo 5, o faz diante de sua torcida.
2) Será a primeira vez que as duas franquias jogam uma partida semifinal do NBB. Campeões nacionais quando o torneio era organizado pela CBB, nenhum deles havia chegado a uma fase tão importante quando a Liga Nacional passou a comandar a competição.
3) Muito bacana o duelo entre dois treinadores. Hélio Rubens (foto) foi técnico de Guerrinha em Franca, e agora reencontra seu pupilo na condição de rival. HR em Uberlândia, Guerrinha em Bauru. Há muita história entre eles.
4) Estou bastante curioso para ver como se portará o jovem Gui Deodato nesta série contra Uberlândia. Um dos meus jovens favoritos, Gui não foi muito bem contra Franca nas quartas-de-final e tem jogado com pouca variação em seu arsenal ofensivo (só chute, chute e chute – o que, para alguém do seu tamanho, me parece incompreensível, visto que há possibilidade de infiltrar, jogar de costas pra cesta, pedir corta-luzes etc.).
5) Jeff Agba está fora, e DeAndre Coleman, outro pivô de Bauru, tampouco deve jogar devido a um problema pessoal. Do outro lado estará Lucas Cipolini, um dos melhores jogadores de garrafão do NBB. Perigo a vista para os bauruenses?
6) Na armação/ala é que este duelo deve ser definido. De um lado Larry Taylor, (o agora recuperado) Ricardo Fischer e Gui Deodato . Do outro, Robby Collum, Valtinho e Robert Day. Quem se der melhor por aí fica próximo da grande final.

Animado para a semifinal entre Bauru x Uberlândia? Quem vence? Comente!

Compartilhe:

Em noite de Larry Taylor, Bauru segura reação de Franca e volta a semi nacional após 11 anos

Por Rafael Placce, direto de Bauru (SP)

Não há nada como um jogo cinco de playoff de basquete (só jogo sete na NBA). Tudo era diferente na Panela de Pressão na noite de ontem. Os ingressos foram vendidos em quatro horas, se esgotando 72 horas antes do início do jogo. Dois ônibus saíram de Franca para apoiar seu time. Cinco rádios, três emissoras de TV e um batalhão de fotógrafos e jornalistas. Tudo isso formou o clima e o cenário perfeito para um jogo decisivo entre dois rivais históricos. No final, o Paschoalotto/Bauru segurou o mando de quadra e venceu por 78-71, levando o basquete bauruense para sua primeira semifinal nacional desde 2002, quando o então Tilibra/Copimax passou pelo Vasco e se sagrou campeão nacional contra Araraquara.

Guilherme Teichmann (oito pontos e sete rebotes), por Franca e Ricardo Fischer (sete pontos – foto à esquerda), por Bauru foram para o sacrifício e foram muito importantes. Teichmann entrou no jogo depois de um começo muito ruim de Franca (Bauru fez 27-14 no primeiro quarto) e conseguiu, com sua experiência, acalmar o time. Ricardo Fischer, por outro lado, trouxe para Bauru o contra-ataque e a velocidade que estavam faltando para o time durante essa série.

Como eu disse, o jovem time de Franca começou muito nervoso, foram duas faltas técnicas e uma antidesportiva. Enquanto isso, Bauru entrou controlando o jogo, bastante parecido com o que Franca fez com Bauru no jogo quatro. Larry Taylor teve outra noite mágica, com 27 pontos – o “Alienígena” tirou vários coelhos da cartola, matando bolas aparentemente impossíveis.

Os segundo (21 -18) e terceiro (17-20) quartos foram mais disputados, o que era bom para o time da casa, que mantinha a diferença conseguida durante a primeira parcial. Na metade do terceiro quarto, a vantagem de bauru chegou a 21 pontos, mas um fim de quarto inspirado de Léo Meindl (19 pontos e cinco rebotes) devolveu seu time ao jogo. A vantagem bauruense era de 13 pontos com os dez últimos minutos a serem jogados.

E ai foi a vez de Franca marcar muito forte e Bauru ter seu apagão. As bolas de três, de Figueroa e Jeferson Socas (19 pontos) deixaram o time da capital do basquete a apenas dois pontos (71 -69), com dois minutos a serem jogados. Guerrinha parou o jogo e o Dragão conseguiu se acalmar e com uma sequencia de 7-2 fechou o jogo com a vitória e consequentemente com a vaga no bolso.

Acho que esse time de Franca continuará dando muito trabalho nas próximas temporadas. É impossível não traçar paralelos com o time de Ribeirão, montado pelo Lula e que até hoje dá frutos em Brasília. As semelhanças são assustadoras e tenho certeza que esse time vai dar muitas alegrias para a cidade que respira basquete. Léo Meindl estava chorando copiosamente ao final do jogo, Socas também não escondia as emoções, mas com certeza essa garotada ainda vai comemorar muitas vitórias.

Pelo lado bauruense, me impressiona, e muito, a capacidade de superação. O time que mais uma vez não pode contar com Jeff Agba, suspenso, teve seu outro homem de garrafão, Coleman, jogando com a cabeça longe. A imprensa ficou sabendo, somente após a partida, que sua esposa sofreu um acidente grave nos Estados Unidos. Mesmo jogando abaixo do que vinha jogando, o ala de força conseguiu um duplo-duplo com 11 pontos e 11 rebotes. Agora ele segue para o seu país e provavelmente não enfrenta Uberlândia no primeiro jogo da série na segunda-feira às 19 horas em Bauru.

Larry Taylor agradeceu seu amigo por ter jogado mesmo nessa situação difícil: “Queria agradecer muito o Colemam, porque ele teve esses problemas com a mulher dele, mas ele não quis deixar o time na mão, ele quis entrar na quadra e ganhar com a gente. Parabéns pra ele, ele foi muito importante hoje”.

Pilar, o nome dessa série, ao lado de Coleman, falou sobre a superação do time: “A gente não sabe onde esse time pode chegar, a gente não está traçando metas para nos limitar. Nós estamos simplesmente se unindo, acreditando… A gente já fez história hoje, mas a gente quer fazer mais”. Ele também comentou sobre como foi jogar como armador durante essa série: “Essa nova função que eu exerci me deu mais concentração, como é uma posição diferente, eu tive que entrar mais concentrado. Isso me fez aprender certas coisas, como jogar mais focado, ler melhor o jogo. Então foi muito bom como aprendizado até mesmo para minha posição de origem, que eu vou fazer com a volta do Ricardo”.

Já Lula Ferreira, técnico de Franca, lamentou a derrota, mas enalteceu o desempenho de seu time: “É uma derrota doída porque chegamos tão perto e não conseguimos, mas esse time superou a expectativas de muita gente e com certeza vem mais forte para a próxima temporada”

Compartilhe:

Com direito a protestos contra Jeff Agba, Franca vence Bauru e força quinto jogo no NBB

Por Marcella Murari, direto de Franca (SP)

Vitória. Essa era a única palavra que constava no dicionário francano nesta segunda-feira. Nada além do êxito interessava a quem compareceu ao Pedrocão para ver a equipe de Lula Ferreira enfrentar o plantel de Guerrinha no 4º jogo da série de 5 pelas quartas-de-final do NBB5. E os 3.500 torcedores conferiram a vitória de seus jovens ídolos, que garantiram o quinto jogo em Bauru no próximo dia 10, às 20h. O Franca Basquete venceu por 70-62, com destaque para as atuações de Léo Meindl (19 pontos – foto à direita), Figueroa (14 assistências) e Lucas Mariano (12 rebotes) pelo lado francano e Coleman (16 pontos) e Jeff Agba (3 assistências e 11 rebotes) pelos bauruenses.

Antes mesmo da bola subir, era visível a irritação da torcida em relação ao jogador bauruense Jeff Agba e ao técnico Guerrinha. Faixas (“Jeff, o basquete brasileiro não precisa de gente como você” e “Bauru, sem tomate, é misto”), vaias, caras pintadas com as cores do uniforme francano, protestos e palavras nada carinhosas foram proferidas no começo, meio e fim da partida. E não era para menos. Após o pivô fazer uma jogada conhecida como “cama de gato”, que resultou numa grave lesão do jogador e destaque francano nesta temporada, Jhonathan Luz, o STJD optou por puni-lo, constatando que a falta foi maldosa. Pouco tempo (isso mesmo) depois, o STJD mudou de ideia e voltou atrás na decisão. Ou seja, Jeff Agba enfrentou o Franca na sexta-feira e jogou hoje com seus companheiros, algo que foi muito mal visto não apenas pelos torcedores e repórteres regionais. O presidente da equipe francana se manifestou rigorosamente através de uma nota no sábado, e para o blog seu repúdio ficou ainda mais evidente quando José Guilherme Calil Maia definiu o episódio como uma grande oportunidade da LNB moralizar a parte jurídica do esporte dentro da própria Liga.  “Falou-se tanto em fair play e a grande chance foi essa. A LNB voltou numa decisão que já estava tomada. Não era mais alçada deles, e sim, do STJD. Nós ficamos muito tristes e chateados com esta postura da entidade e principalmente da responsável pela arbitragem”.

O jogo começou quente e com uma intensidade que não vi nos dois últimos jogos da equipe contra o adversário. Cauê Borges (foto à esquerda) abriu o placar com uma cesta de dois pontos e o lance foi seguido de outros pontos feitos pelo pivô Lucas Mariano e Romário, abrindo 8 a 0 no começo do embate. Lucão, com cinco minutos de jogo, já tinha 4 pontos e 5 rebotes em sua conta, mostrando a soberania francana ofensiva e defensiva neste quarto. Não foi à toa que o período terminou 23 a 2 (!!!).

Jeff Agba fez dois pontos no início do segundo quarto e, pra variar, não ficou quieto. Ele resolveu provocar a torcida francana após receber uma falta de Antônio ao cravar uma bola com o jogo parado. Claro que todo mundo no ginásio o xingou e foi agressivo com o ato, o que deu ainda mais combustível ao americano, resultando em outros dois pontos. Lula percebeu que o pivô estava despertando do “sono eterno” bauruense e pediu tempo. Seus comandados reagiram e voltaram a pontuar. Kurtz deu lugar a um fraturado Lucão, que voltou à quadra com um dos dedos da mão esquerda imobilizado. Mesmo assim, ele pontuou e abriu 15 pontos de vantagem faltando quatro minutos para o fim do período. Andrezão fechou o quarto com uma bela cesta de três, diminuindo a diferença para 13 pontos. O segundo quarto terminou 38 a 25 (15 a 23).

A terceira etapa trouxe um Jeff ainda mais polêmico, bem na base do “faço sem querer querendo”. Ele bateu, com maldade, no rosto de Lucas Mariano, mas o árbitro não marcou nada. O público, claro, não gostou do que viu, protestou e intensificou sua torcida, engrandecendo o basquete apresentado pelo Franca. O ataque não deixava barato e continuava pontuando, mas a defesa começou a vacilar e permitiu que o Bauru ficasse a apenas dois pontos do empate perto do fim do terceiro quarto. A reação dos visitantes revoltou quem estava assistindo ao jogo principalmente pelo fato do técnico Lula Ferreira não pedir tempo para ajustar as posições de seus jogadores e consertar seus erros. O quarto terminou 50 a 49 (12 a 24), e aquela superioridade vista no começo do embate ficou realmente para trás. O Franca não conseguiu segurar a ampla diferença que tinha no placar, caiu de produção e voltou para o último quarto disposto a vencer.

Já o quarto período nos mostrou a deficiência francana vista no último jogo: Os rebotes. Sem Teichmann e Jhonathan, os anfitriões tinham dificuldades em segurar as bolas e pegar rebotes. Mas o jovem Léo Meindl, um dos destaques da equipe, voltou mais antenado e disposto a ajudar o time. Ele fez uma cesta de dois pontos e converteu um lance livre, jogadas seguidas por uma falta feita por Romário em cima do americano Coleman, que errou um dos chutes e acertou o segundo. O jogo foi pausado novamente por conta de outra falta em Léo Meindl, e ele acertou os dois lances livre marcados a seu favor. Daí em diante, a partida ficou mais pegada e menos parada, do jeito que gostamos.

A vitória francana estava sendo consolidada com uma dificuldade desnecessária. Não era preciso todo esse sufoco final para arrastar a série e fazer o último jogo em Bauru. Bastava manter o ritmo inicial e errar menos. Mas, como resultado é o que importa nos playoffs, Franca garantiu a quinta disputa e venceu por 70 a 62 (20 a 13). E isso motivou os jogadores, como Cauê Borges, que afirmou “Vamos buscar a vitória no quinto jogo e manter o ritmo que impusemos a eles hoje”. Lucas seguiu a mesma linha. “Nosso ataque fluiu, apesar das vaciladas no segundo e terceiro quarto de jogo. Não importa se meu dedo está quebrado ou não: não vou abandonar o time neste momento e vamos tentar a vitória em Bauru. Depois do jogo eu vejo”, contou o pivô. E isso refletiu em Léo Meindl, que chamou a responsabilidade para si e não mostrou medo de ser cobrado pela torcida. “Prefiro sair daqui jogando coletivamente e tentando vencer. Melhor perder tentando que não tentar. Apesar dos desfalques (Jhonathan e Teichmann), nós vamos buscar mais um triunfo nesta competição”.

Compartilhe:

Com clima tenso, Franca e Bauru fazem jogo 4 no Pedrocão com foco em Jeff Agba

Será uma noite agitada no Pedrocão a partir das 19h desta segunda-feira (o Sportv promete exibir). Franca e Bauru fazem o quarto jogo de uma série até então bastante disputada (2-1 para os bauruenses, que podem avançar às semifinais pela primeira vez na história do NBB), mas cujo foco infelizmente estará em um assunto chato pacas – a lesão de Jhonatan Luz e todos os acontecimentos depois disso.

O ala de franca, todo mundo sabe, se machucou em um lance com Jeff Agba (foto à esquerda). Gerou muita revolta nos francanos, uma suspensão preventiva no norte-americano antes do jogo 2 e uma reconsideração do STJD antes do jogo 3. Agba entrou em quadra na terceira partida, acabou com o jogo e ajudou Bauru a virar a série. Aí pronto, né. Na tarde de sábado, visivelmente incomodada, Franca soltou um comunicado dizendo o seguinte:

A diretoria do VIVO/FRANCA vem manifestar o seu profundo pesar e constrangimento em face da reconsideração, pelo STJD do Basquete, com apoio em tortuoso “parecer” da coordenadora de arbitragem da Liga Nacional de Basquete, da suspensão preventiva que havia sido aplicada ao atleta Jeff Agba pela agressão praticada contra o atleta Jhonatan Luz (foto à direita), no primeiro jogo da série entre Franca e Bauru, que provocou sérias lesões no punho esquerdo do atleta de Franca, o qual deverá ficar afastado das quadras por seis meses ou mais, como já é de domínio público. (…) A Liga Nacional de Basquete e o STJD perderam uma grande oportunidade de homenagear o tão decantado “fair play”. Saiu ganhando a violência, a maldade e o cinismo dos que pregam que vale tudo para conseguir uma vitória, mesmo matar ou aleijar, desde que dentro da quadra de jogo. O VIVO/FRANCA repudia a violência e lamenta que a LNB e o STJD tenham cedido a pressões cínicas e condenáveis pela impunidade de um ato que envergonha aos amantes do esporte limpo e exemplar”.

Não vou, sinceramente, entrar no mérito da questão. Já vi o lance uma dezena de vezes (aqui o link) e só ontem cheguei a uma conclusão definitiva. Além da lesão de Jhonatan, que é lamentável pelo basquete que ele vinha apresentando, o que me deixa mais triste é que novamente esferas jurídicas estejam diretamente envolvidas nos destinos de um campeonato nacional de basquete. Quem vivenciou anos terríveis de Nacionais da CBB que não terminavam, ações e impugnações de tribunais e outros artifícios jurídicos sabe quão ruim para a modalidade é quando o foco muda dos jogadores e técnicos para advogados. Tomara que a força maior da Liga Nacional, a união dos clubes, permaneça intacta após este incidente entre Agba e Jhonathan. O trabalho da LNB é muito bom, transparente e de reafirmação do basquete, e um episódio assim não pode acabar com a unidade que existe por lá.

Torço, sinceramente, para que o jogo ocorra em um clima tranquilo – tenso, por causa de uma partida de playoff, mas sem nenhum ato de violência ou fora da normalidade. Que a torcida de Franca proteste pelo que acha que deve protestar, mas que demonstre a mesma civilidade quando o faz contra Nezinho, ou seja, sem violência, apenas nas vaias e na voz. E que os atletas entrem em quadra sem a pilha trazida de fora, sem nervosismos exacerbados. Que eles se preocupem apenas em jogar basquete, pois dentro de quadra os jogos têm sido bem bons até aqui.

Compartilhe:

Jeff Agba é liberado em cima da hora, joga bem e Bauru abre 2-1 na série contra Franca

Por Rafael Placce, direto de Bauru (SP)

O relógio marcava 18:40 quando o juíz Fabrício Dazzi, o mesmo que havia sentenciado Jeff Agba (na foto) a 30 dias de suspensão preventiva, aceitou o pedido do time bauruense e liberou o pivô da liminar. Jeff (18 pontos, 12 rebotes) foi titular e, junto com seu conterrâneo, Deandre Coleman (18 pontos, 12 rebotes e cinco assistências), levou o Paschoalotto/Bauru a sua segunda vitória na série contra Franca, com o placar de 87-78. Agora a série volta para a capital do basquete, Franca, e o jogo quatro acontece na segunda feira, às 19 horas, no Pedrocão. Para Franca, é vida ou morte.

Com os dois pivôs bauruenses jogando tão bem e tomando conta do garrafão, Franca sofreu demais nos rebotes (42 contra apenas 18), o que deixou o veloz time de Lula Ferreira sem contra-ataque, dependendo do jogo de meia quadra. Bauru quase sempre teve o controle do jogo e por várias vezes conseguiu abrir vantagem no placar, embora Franca logo deixasse o jogo equilibrado novamente.

Dependendo muito de Cauê Borges e Léo Meindl, Franca, talvez pela primeira vez, tenha sentido mais falta de Teichmann e Jhonatan . Principalmente quando Léo não conseguiu jogar no terceiro período, se irritou com a marcação de Pilar e acabou saindo com problemas de faltas. Pela primeira vez na série também vi o time da capital do basquete bagunçado, sem esquema, como em uma bola que sobrou para o Lucas Mariano na linha dos três e o pivô tentou ir para o “um contra um” e acabou perdendo a bola.

Bauru voltou a ter problemas com faltas (Gui estava com quatro já no terceiro quarto) devido aos poucos jogadores a disposição de Guerrinha, que teve que quebrar a cabeça mais uma vez pra manter o time descansado e produtivo em quadra. Pilar, Gui e principalmente Larry (20 pontos, cinco rebotes e seis assistências – na foto à esquerda) funcionaram como válvulas de escape para o time, quando a situação apertava, um deles tirava uma bola da cartola, mas a vitória de hoje ficou mesmo por conta da dupla de garrafão.

Jeff falou sobre a expectativa pra saber se jogaria ou não: “Nem dormi direito para ser sincero. Acordei e fiquei o dia inteiro vendo as notícias e não aparecia nada (sobre a liberação). Quando eu cheguei aqui, o Caio (assessor de imprensa) me disse que iria jogar, eu pensei que ele estava brincando comigo, mas aí o Guerrinha me mandou colocar uniforme e eu fiquei muito feliz, queria muito jogar hoje.”

A vitória de hoje deixa o time de Bauru a um passo de uma inédita semifinal de NBB e também marcou a centésima vitória do técnico Jorge Guerra (foto à direita) pela competição nacional. Ele é o segundo com mais triunfos, atrás de Hélio Rubens (Franca e Uberlândia) nessa categoria, mas o único com cem vitórias por um único time.

Compartilhe:

Na base da superação, Bauru joga bem, vence Franca e empata a série em 1–1

Por Rafael Placce, direto de Bauru (SP)

As contusões de Jhonatan e Teichmann por Franca e Ricardo Fisher por Bauru, além da suspensão preventiva do pivô Jeff Agba, tirou peças importantes do tabuleiro dos técnicos Lula Ferreira e Guerrinha. Depois de um jogo eletrizante do começo ao fim, o Paschoalotto/Bauru conseguiu defender sua quadra e empatar a série com uma vitória por 86–79. O terceiro jogo acontece na sexta-feira, às 20 horas, novamente na Panela de Pressão.

O jovem time de Franca não sentiu o “calor” da Panela de Pressão e começou arrasador, marcando pressão quadra inteira, roubando bolas e saindo no contra-ataque. Abriram 11–0 em dois minutos e meio de jogo, Guerrinha parou o jogo e Bauru voltou com a cabeça no lugar, conseguindo equilibrar a partida, terminando o primeiro tempo com vantagem de 41-39.

A partir daí, o jogo não foi muito diferente do que se tinha visto no domingo, em Franca. Nenhum time conseguiu se desgarrar no placar. No final do terceiro período, Bauru conseguiu abrir sua maior vantagem, seis pontos, e quando o momento estava todo para seu lado Franca foi buscar a virada mais uma vez.

O último quarto foi um dilema para a equipe bauruense, já que precisava marcar mais forte para ganhar a liderança, mas não podia cometer faltas devido ao seu elenco reduzido (Guerrinha contou com apenas sete jogadores). Franca, aproveitando da situação, abusava das infiltrações com Léo Mendl e Cauê . Coleman, que fazia um belo jogo (23 pontos, 30 de eficiência), foi desqualificado quando o cronômetro ainda marcava 3:25 para o final.

Com a situação muito difícil para o time da casa, Pilar (jogou quase o jogo todo como armador principal, mesmo com Larry em quadra) colocou a bola debaixo do braço, acalmou a equipe e conduziu o time a vitória. O time de Franca me surpreendeu bastante pela personalidade. Em um ambiente bastante hostil, a molecada não abaixou a cabeça e jogou de igual pra igual. Destaques para Léo Mendl (16 pontos), Cauê (18 pontos) e para o único veterano do time, Figueroa (13 pontos, sete assistências e seis rebotes).

Do lado de Bauru, se ouve muito a palavra “superação”, e os três principais jogadores dessa vitória demonstraram bem isso: Pilar, que é ala-pivô, mais conhecido pela sua emoção dentro de quadra, tendo que jogar de armador principal, cerebral. E jogou MUITO bem (19 pontos, sete rebotes e 24 de eficiência). Colemam, que na ausência de Jeff teve que se desdobrar para segurar um garrafão com Lucas, Kurtz e Romário – ainda foi muito bem no ataque.

E principalmente Andrezão, que ganhou tempo de quadra por causa dos desfalques e acabou fazendo um de seus melhores jogos em Bauru (19 pontos, cinco rebotes e 20 de eficiência). Ele comentou sobe o espírito do time: “A gente se uniu e resolvemos jogar pelos outros que não estão conosco, tá todo mundo dando 110%, independente da posição que tenha que jogar, a gente tá dando raça, o coração, deixando o sangue dentro da quadra pra levar esse time ao lugar que ele merece”.

Compartilhe:

Sem Jeff Agba, Bauru tenta empatar série contra Franca; Brasília e São José também duelam

Rodada dupla de basquete logo mais no Sportv a partir das 17h (aliás, o dia hoje é sensacional pra quem gosta de basquete, pois há três jogos na sequência: os dois do NBB e o da NBA no Space às 20h).

Em casa, o Brasília, que perdeu de São José no jogo 1, tenta se recuperar e empatar a série, que é a reedição da final da temporada passada. Nova derrota e os candangos ficarão em apuros. Para evitar o revés, o time da capital conta com a torcida no Nilson Nelson a partir das 17h desta quarta-feira. Jogando em Brasília, Alex e companhia venceram 15 dos 17 jogos deste NBB (88% de aproveitamento). Do outro lado, porém, estará um time muito bem arrumado por Régis Marrelli e com Murilo, Jefferson e Fúlvio cada vez melhores (o trio teve 61 dos 90 pontos e 21 dos 31 rebotes dos joseenses no primeiro embate das equipes na pós-temporada).

No outro jogo da noite, às 19h30, o Bauru abre as portas do Panela de Pressão em um jogo que tem muito a ver com o nome do ginásio e com os desfalques dos dois times (serão quatro jogadores de fora hoje). Também perdendo por 1-0, os bauruenses não terão Jeff Agba (foto), suspenso pelo STJD após a lesão nos ligamentos do pulso do ala Jhonatan Luz (o ala, que provavelmente seria convocado por Rubén Magnano, fraturou a mão e operou no próprio domingo), de Franca, no jogo 1 da série (leia mais aqui). O lance pode ser visto aqui, e eu não vou entrar no mérito da discussão jurídica, até porque não entendo do riscado (ele foi enquadrado no artigo 254 da Justiça Desportiva, que diz “agressão física durante a partida, prova ou equivalente”). Os francanos não terão, além de Jhonatan, o capitão Guilherme Teichmann, que também operou (só que o dedo). Boa recuperação a ambos, aliás. Os bauruenses, além de Agba, estão sem Ricardo Fischer, mas contam com Larry, Gui Deodato e Pilar para empatar o confronto.

O que acontece logo mais no NBB? Franca e São José quebram o mando de quadra e abrem 2-0? Ou Bauru e Brasília empatam tudo? Comente!

Compartilhe: