Bala na Cesta

Estrelas da Argentina não confirmam aposentadoria da seleção – mistério continua!

“Quando fomos para o vestiário depois de perder da Rússia, o Julio Lamas falou primeiro, depois o Luis Scola e todos choramos muito porque a medalha de bronze era o nosso sonho. Ninguém disse que estava se retirando da equipe, e acho que ainda não é o momento para definir isso. A boa notícia é que ninguém tem claro que quer sair. Estamos todos em bom estado físico e técnico”, Pablo Prigioni

“Eu não sei se vou continuar ou não. É muito cedo, faltam dois anos para o Mundial, estarei com 37 anos… Quem sabe? O tempo dirá. Quando chega a hora, preciso ver como estarei em termos físicos, mentais, ver com minha família. É muito cedo ainda”, Manu Ginóbili (foto)

“Eu não posso saber exatamente o que vai acontecer. Mais cedo ou mais tarde todos aqueles que jogaram em Atenas, Turquia e Pequim não atuarão mais. Atletas não jogam pra sempre, e um dia isso acontecerá. Mas não é hora de falar sobre isso. Até hoje eu não sei quem vai seguir ou não na seleção. Sei que alguns deverão parar, outros devem vir e jogar bem como aconteceu no passado e será no futuro”, Luis Scola

As declarações acima são de três feras da seleção argentina que chegou em quarto lugar na Olimpíada de Londres. O trio não confirma e nem descarta a aposentadoria do time platense. Pelo visto, a decisão só será conhecida mesmo antes do Mundial da Espanha de 2014.

Será que ainda veremos a geração dourada outra vez em quadra? Tomara que sim!

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Em jogaço, EUA batem a Espanha e ficam com o ouro; Rússia é bronze

Terminou há pouco o basquete masculino da Olimpíada de Londres. E terminou com um jogaço de bola. Assim como em 2008, quando norte-americanos e espanhóis fizeram uma partida histórica (118-107), neste domingo não foi diferente. Os europeus deram um trabalho imensa, chegaram a liderar a peleja no segundo período, mas não aguentaram no final. Os EUA venceram por 107-100, conquistaram o segundo ouro seguido e deram mais uma demonstração de que quando levam os melhores e quando estão comprometidos é quase impossível vencê-los.

Com 30 pontos, Kevin Durant foi o melhor em quadra, mas o que dizer de LeBron James? MVP da temporada regular da NBA, campeão da NBA, MVP das finais da NBA e campeão olímpico agora há pouco (tá razoável, não?). Além deles, Kobe Bryant teve 17 pontos, enquanto que do outro lado Juan Carlos Navarro foi muitíssimo bem com 21 pontos, e Pau Gasol quase entra para a história como o primeiro atleta a conseguir um triplo-duplo em uma final olímpica (24 pontos, oito rebotes e sete assistências). Foi um partidaço, disputado com uma intensidade incrível e muito bem jogado pelas duas seleções.

Mais cedo, a Rússia contou com Aleksey Shved (25 pontos, sete assistências e um poder de decisão incrível!) para colocar água na possível festa de despedida argentina. Os russos terminaram com o bronze ao bater os hermanos por 81-77 apesar dos 21 pontos de Manu Ginóbili. Tal qual aconteceu em 2006, no Mundial do Japão, Andres Nocioni, do canto direito, teve a chance de virar a partida para os sul-americanos, mas a bola caprichosamente bateu no aro e saiu. Medalha para os europeus, mas é bom deixar claro: no final da partida, Luis Scola disse que ninguém ainda pensa em aposentadoria na seleção nacional.

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Argentina tentou, mas não conseguiu parar os Estados Unidos; Espanha também na final

Foi um bom primeiro tempo da Argentina nesta sexta-feira. Concentrada, com força física e muita técnica, os hermanos perderam a primeira etapa da semifinal olímpica contra os EUA por apenas sete pontos (47-40). Chegaram a estar oito atrás no meio da segunda metade, mas aí os norte-americanos pisaram no acelerador.

Engataram uma sequência de 11 pontos seguidos, abriram mais de 20 pontos e não tiveram dificuldade para finalizar o placar em 109-83 (18 bolas de três convertidas), chegando a segunda final olímpica consecutiva e espantando o fantasma de 2004 de vez. LeBron James esteve soberbo na marcação, nas enterradas e terminou com 18-7-7. Do lado argentino, Ginóbili teve 19 pontos, Delfino e Scola outros 15, mas além dos tiros longos, os 15 rebotes ofensivos e a maior rotação dos EUA acabaram com as chances dos hermanos.

No jogo do ouro, os EUA repetem a final de 2008 com a Espanha, que fez um primeiro tempo tenebroso (20 pontos), mas conseguiu se recuperar, anotou 47 nos 20 minutos finais e teve força para vencer a Rússia por 67-59 com 16 pontos e 12 rebotes de Pau Gasol, que esteve brilhante nos minutos finais. A pena da classificação espanhola é que certamente voltará a discussão sobre se valeu a pena ou não ter tirado, se é que eles tiraram mesmo, o pé no quarto período da peleja contra o Brasil.

EUA x Espanha na final, Argentina x Rússia disputando o bronze. Viu os jogos de hoje? O que está esperando pra domingo? Comente!

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Mirando 2004, Argentina tenta o milagre contra os EUA hoje na Olimpíada

Acabei não comentando aqui, alucinado que sou, mas ontem foi definida a final da Olimpíada feminina. A Austrália bem que tentou, contou com 19 pontos de Liz Cambage, mas não foram muito longe contra os EUA, que conseguiram a vitória de número 40 de forma consecutiva no torneio olímpico com os 86-73 de ontem. As norte-americanas medirão forças na final com a França, que venceu a Rússia por 81-64, chegando a sua primeira final olímpica da história.

E hoje é a vez dos rapazes. Para abrir os trabalhos, a Rússia tenta vencer novamente a Espanha para jogar a uma final olímpica pela primeira vez desde 1988. Precisarão barrar os irmãos Gasol e Ibaka no garrafão, mas principalmente a grandíssima experiência espanhola em jogos decisivos. A peleja começa às 13h, e vale a pena ficar de olho.

De todo modo, o jogo que mais me chama a atenção nesta Olimpíada é este EUA x Argentina (17h) na outra semifinal. Os argentinos vêm empolgados pela vitória contra o Brasil, mas sabem que terão que jogar a partida perfeita para repetir um feito: os hermanos são os únicos que bateram os norte-americanos em mata-mata nos Jogos desde que os atletas da NBA passaram a atuar. Foi em 27 de agosto de 2004, também em uma semifinal olímpica, em um dia em que Manu Ginóbili só faltou fazer chover na Grécia. Ele teve 29 pontos (9/13), levou seus marcadores a loucura e impulsionou uma vitória histórica por 89-81 (Andres Nocioni, incansável na marcação, ainda teve forças para contribuir com 13 pontos naquela noite histórica de Atenas).

Oito anos se passaram, a geração dourada está quase saindo de cena e o time norte-americano é muito, muito mais forte que o de 2004. Naquele jogo, Carmelo Anthony e LeBron James eram jovens, e o segundo nem entrou em quadra (LeBron teve três minutos). Do lado argentino, Manu, Scola, Delfino e Leo Gutierrez estavam lá.

Deixo abaixo um vídeo com o último período da vitória platense de 2004. Será que os hermanos conseguem aprontar de novo logo mais? Difícil, sem dúvida, mas como disse Andres Nocioni a ESPN depois da partida, “sonhar não custa, e entrar na quadra pra ganhar é o mínimo que devemos fazer”. O que será que acontece logo mais? Comente!

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Julio Lamas explica: ‘Nossa intenção era fazer Huertas não passar a bola. Deu certo’

“Nossa execução tática foi muito boa. Tratava simplesmente de fazer com que Huertas não passasse a bola, não fizesse seus companheiros jogar. O objetivo era claro: queria que o Brasil não usasse os pivôs de NBA que tinham para poder fazer um interior (de garrafão) mais igual, menos traumático para nós. Fomos impecáveis nisso. Ainda que tivéssemos levado 17 pontos dele no primeiro tempo, insisti para que a estratégia fosse mantida. Confiamos, deu certo e vencemos”, Julio Lamas na entrevista coletiva depois do jogo contra o Brasil (obrigado, Fábio Aleixo!).

“A Argentina teve uma excelente postura tática, centrada na idéia de que Marcelinho fosse o protagonista sem que envolvesse a todos. A função básica de um armador é alimentar seu time, mas para Huertas custa pouco assumir o protagonismo e pensar apenas em pontuar, esquecendo do básico para sua equipe. Grave erro da equipe de Magnano, que custou o jogo. Além disso, o Brasil apostou, na minha opinião de maneira equivocada, no jogo interior e na individualidade de Marcelinho e Leandrinho. Este tipo de ataque quebrou a equipe em duas. Ou bola para dentro, ou um contra um dos dois citados. Assim, a equipe brasileira perdeu a fluidez. E eu digo que foi errado porque o interior do Brasil é composto de grandes jogadores, mas grandes jogadores defensivos. Nenê Hilário, Anderson Varejão e Tiago Splitter são marcadores excelentes, mas falta a eles capacidade de liderar um jogo dessa magnitude ofensivamente. Algumas vezes eles conseguem, mas em curtos períodos apenas. Com constância e por muito tempo, não. Por fim, eles foram péssimos nos momentos decisivos. Nota-se uma falta de liderança e de convicção absurdas na hora de decidir, na hora de buscar uma medalha. Se ficaram a dois pontos da vitória em um momento, foi porque tinham mais pernas, mais rotação e muito talento individual. Mas aí vem o lado psicológico, que destrói o Brasil”, Pepe Sanchez, armador titular da Argentina campeã olímpica, em sua coluna no site da ESPN (leia aqui)

“Contra o Brasil os jogadores defenderam muito bem, acreditando e respeitando o plano, embora no início tenhamos levado algumas cestas que não estavam no roteiro. A idéia era Huertas não permitir que os pivôs grandes deles entrassem no jogo. Não conseguiríamos marcar, todo mundo sabe. Os jogadores foram muito inteligentes, embora Marcelinho tenha marcado 17 pontos na primeira metade e nos assustado um pouco”, Julio Lamas a ESPN da Argentina.

Coloquei acima declarações de Julio Lamas, técnico da seleção argentina, e de Pepe Sanchez, armador campeão olímpico com os hermanos em 2004 (análise bem dura, mas impossível discordar do cara). Não gosto muito de ficar remoendo jogo, revendo partidas, mas ainda estou chocado com a leseira tática do Brasil nas quartas-de-final da Olimpíada. Falei aqui sobre a estratégia de Lamas de literalmente deixar Marcelinho Huertas jogar, pontuar, ser o protagonista das ações com arremessos, e muita gente acabou duvidando. Pois bem, está ai o que aconteceu. Huertas sem acionar os pivôs, pontuando como se não houvesse amanhã e sua principal função esquecida.

É óbvio que a responsabilidade da derrota é dividida, mas é inadmissível que um técnico da categoria de Rubén Magnano tenha caído duas vezes na rudimentar estratégia de Lamas (coisa boba, gente). Em 2010, Huertas teve 16 arremessos de quadra, 32 pontos e nenhum erro (marcação de longe). Os pivôs, naquele 7 de setembro, 14 arremessos e 20 pontos. Em 2012, 17 arremessos, um erro e 22 pontos. Os gigantes (Nenê não estava no Mundial da Turquia), 13 arremessos e 17 pontos. Será que ninguém percebia o que se passava ali? Magnano, Demétrius, Neto, Duró, atletas, ninguém?

E aí entra o segundo fator importante. Via de regra, falta leitura de jogo a atleta brasileiro, e talvez seja por isso que os argentinos, com um elenco envelhecido, sem o mesmo potencial físico e vivendo de uma tática simples, bobinha, tenham vencido o Brasil mais uma vez (com mais talento, é verdade, mas com, insisto, uma tática ridícula). Magnano errou ao não informar aos seus atletas o que estava acontecendo em quadra, mas os jogadores também deveriam ter o discernimento de entender o que rolava em quadra. É o mínimo que se esperar de atletas de alto nível.

Por fim, o mais trágico, ao menos pra mim, é saber que esta geração, cantada em verso e prosa como a melhor do país em muitos anos, provavelmente nunca terá atingido, junta, o máximo, em termos técnicos e táticos, que poderia atingir. É uma pena.

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Duas imagens do basquete olímpico para fechar o dia – vale a pena ver!

Legenda para as fotos: no (ótimo) documentário Jogo de Cena (aqui o trailer), em que atores interpretam cenas de pessoas comuns (vejam, eu recomendo), a atriz Fernanda Torres diz: “A diferença é que com um personagem fictício, se você atinge um nível medíocre, você pode até ficar ali nele, porque ele é da sua medida. Quando o personagem é real ele meio que esfrega na sua cara onde você poderia estar e não chegou“.

Ótima analogia, não? É triste dizer isso, mas dá um orgulho danado ver essa geração da Argentina jogar com tanta alma, tanto coração, tanta inteligência, tanta técnica.

Infelizmente, parafraseando Fernanda Torres, esta geração brasileira poderia estar, mas não chegou.

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Brasil repete erros de 2010, perde da Argentina e está fora da Olimpíada de Londres

No dia 7 de setembro de 2010, Pablo Prigioni foi perguntado sobre a altíssima pontuação de Marcelinho Huertas (32 pontos e 10/16 nos arremessos) na partida em que os hermanos venceram o Brasil por 93-89 no Mundial da Turquia: “Essa era a tática mesmo. Deixá-lo pontuar, para que os outros atletas não ficassem muito envolvidos nao jogo”.

Pois bem. Isso foi há quase dois anos, e a tática de Julio Lamas se repetiu nesta quarta-feira (confesso que quando vi isso com um minuto de jogo mandei um SMS para o companheiro Gian, que também se surpreendeu). Pablo Prigioni “pagou” para os chutes de Marcelinho Huertas no começo, o brasileiro “caiu” na armadilha e começou a pontuar sem parar (sem, céus, envolver seus companheiros na partida). Anotou 13 pontos no primeiro período, mas a chave da vitória argentina estava lá. Nem Rubén Magnano nem o armador repararam, e Lamas viu sua velha estratégia dar certo (de novo).

Cercado na segunda etapa, Huertas começou a passar, mas as bolas não caíram. Com isso a vantagem argentina chegou a 15 pontos, e embora reduzida no final (caiu para dois a quatro do fim), os hermanos não foram superados em momento algum (e aí entra não o a experiência, mas também a capacidade que os platenses têm de assimilar os golpes e encontrar soluções dentro de situações complicadas). Tiveram cinco jogadores com 11 ou mais pontos (e Luis Scola, quase sempre genial, teve “apenas” 17), venceram por 82-77 (números aqui), eliminaram o Brasil e se classificaram para a terceira semifinal olímpica seguida.

Talvez seja difícil admitir, mas o Brasil perdeu para um time melhor, para um time que vem chegando e conquistando tudo há uma década. Cabe a tristeza, mas não a revolta, portanto. Se houve/havia chance de bater a Argentina, e a frustração se explique por isso, é importante ressaltar que os mesmos erros de outrora se repetiram (muito básico, não?).

Viu o jogo? Muito triste com a eliminação? Comente!

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Brasil e Argentina se enfrentaram uma vez em Olimpíadas – relembre aqui

A história de duelos entre Brasil e Argentina tem uma série quase infinita de capítulos, você deve saber bem (o Gian escreveu sobre alguns deles, veja aqui), mas por incrível que pareça, apenas um na história olímpica. Aconteceu há 60 anos, em 27 de julho de 1952, nos Jogos de Helsinque (Finlândia) e a vitória ficou com os hermanos por 72-56.

Naqueles Jogos, o Uruguai conquistou a sua única medalha olímpica, e brasileiros e argentinos duelaram ainda na fase de grupos. Com 13 pontos de Juan Carlos Uder e nove de Juan Gazso, os platenses, que ainda tinham Oscar Furlong (campeão mundial no Mundial de 1950e maior ídolo do basquete local até o surgimento da geração dourada – na foto), venceram o primeiro tempo por 31-21 e não deram muita chance ao Brasil na segunda etapa.

Do lado brasileiro, que terminou as Olimpíadas de 1952 na sexta colocação, faziam parte do elenco comandado por Manoel Pitanga os seguintes jogadores: Alfredo Motta, Almir de Almeida, Angelim, Godinho, João Francisco Bráz, Zé Luiz, Mayr Facci, Mário Jorge da Fonseca Hermes, Raymundo Carvalho dos Santos, Ruy de Freitas, “Tião”, Thales Monteiro e “Algodão”. Naquele jogo, Zé Luiz teve 13 pontos e Alfredo Motta, nove, mas não conseguiram deter os hermanos.

Será que a história será diferente nesta quarta-feira? Comente na caixinha!

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Antes de Brasil x Argentina, a pergunta: vale a pena torcer contra a seleção da CBB amanhã?

Liguei para um amigo ontem e ele perguntou na lata: “Bala, você vai torcer contra o Brasil, não vai?”. Meio hesitante, não entendendo o porquê da pergunta, balancei a cabeça, mas ele emendou: “Você é o um dos maiores críticos da Confederação, e se vier uma medalha tudo de ruim que está aí tende a continuar”, disse-me com alguma sabedoria. Batemos um longo papo, sobre basquete e principalmente sobre jornalismo (ai minha conta de celular…), e concluí dizendo acho isso tudo uma bobagem.

Primeiro porque jornalista não torce, e acho este o principal ponto de todos. Desde que passei a acompanhar basquete como blogueiro, minha paixão pelo jogo só aumentou (acho que vocês devem imaginar que consumo tudo sobre a modalidade de uma maneira até doentia), mas passei a não ter, digamos, contato emocional algum com qualquer time que seja. Clube no Brasil, seleção nacional, franquia da NBA, nada (nesses anos todos, eu só comemorei uma vitória, confesso a vocês). Se isso não bastasse, eu cito o exemplo do futebol para mostrar que resultados esportivos quase nunca mudam os rumos estruturais do esporte (talvez o que o Guga fez com a CBT seja mais exceção do que regra).

Entrou ano, saiu ano, e o comando do esporte mais popular do Brasil não mudou por causa dos resultados obtidos no campo. Muito jornalista afirmava que, vencendo, o regime de Ricardo Teixeira tendia a continuar, mas eu nunca enxerguei assim. Teixeira saiu quando as denúncias o sufocaram, e não porque o futebol praticado pelo time nacional piorou terrivelmente nos últimos cinco, dez anos. A mesma analogia é possível fazer com o basquete.

Sou muito cético (já deu pra perceber, né) em relação a qualquer melhora profunda no basquete brasileiro (ficaremos nesta draga técnica e estrutural por um bom tempo, não tenho dúvida disso), e vocês que acompanham este espaço sabem bem o que sinto por esta desastrosa gestão do basquete brasileiro. Carlos Nunes é um péssimo presidente da Confederação, mas no final das contas Rubén Magnano e seus atletas têm muito pouco a ver com o estado em que a modalidade encontra-se aqui no país (na verdade, os atletas, como agentes políticos de qualquer mudança, poderiam ser mais críticos, atuantes, menos passivos, mas deixemos esta discussão para outro momento).

Em 2007, um então amigo viu a semifinal do Pré-Olímpico de Las Vegas na minha casa. Assistiu ao show de Luis Scola e no final parecia feliz com a não classificação da equipe de Lula Ferreira aos Jogos de Pequim. No final, entendi a mensagem que ele quis passar. Enquanto Grego estivesse no comando, ele torceria contra. Quem sou eu pra ficar julgando as pessoas, mas não consigo ser assim.

Jornalista não torce (quem torce, distorce), jornalista não usa a primeira pessoa do plural (os jogadores ganharam/perderam, e não ganhamos/perdemos) e sinceramente não creio que alguma coisa mude no basquete deste país por causa de um resultado olímpico (seja por causa de um começo de mudança por causa de derrota ou por começo de ciclo virtuoso de planejamento e gestão em caso de triunfo).

Nesta quarta-feira, serei mais um espectador. Sem torcer contra ou a favor, eu só espero que seja um grande jogo de basquete. Nada mais do que isso.

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Para o Brasil, a chave da vitória contra a Argentina passa pela defesa a Luis Scola

Gastei uma fortuna em ligações ontem, podem ter certeza. Liguei pra um técnico, troquei ideia com amigos, confabulei táticas com um guru.

Tudo para tentar “descobrir” a melhor tática para vencer a Argentina nas quartas-de-final da Olimpíada de Londres nesta quarta-feira (16h de Brasília). A conclusão foi clara: Manu Ginóbili é o jogador mais espetacular que estará em quadra, mas a vitória brasileira passa pela defesa que tentará deter Luis Scola (foto)

Há incontáveis atuações excepcionais de Luis Scola contra o Brasil (a do Pré-Olímpico de 2007, quando teve 27 pontos e nove rebotes nos 91-80 que garantiram aos hermanos a vaga olímpica em 2008, e a sublime do Mundial de 2010, com 37 pontos e nove rebotes nos 93-89 são as que mais me vêm a cabeça), e tenho certeza absoluta que Rubén Magnano está treinando, falando, mostrando vídeos sobre a melhor forma de marcar a jogada que tem maltratado o Brasil nos últimos anos.

Ela se chama pick’n'roll, mas em português podemos chamar de corta-luz que todo mundo vai entender. É jogadas em “dupla” e até a sua avó desavisada vai entender se você explicar que é aquela “paredinha” que o gigante faz para gerar um desequilíbrio na defesa em uma jogada com o armador. Não é a explicação mais técnica do mundo, claro, mas em Olimpíada é bom tentar “traduzir”.

É assim, com a tal “paredinha” que a Argentina começa quase todas as suas jogadas há quase uma década, e é assim que ela ganha – e perde – com e por causa dela. Na primeira fase, venceu da Lituânia quando o corta-luz encaixou bem. Perdeu feio da França quando Tony Parker e seus pivôs marcaram estupendamente.

Há formas, claro, de o Brasil defender a estratégia argentina também, claro (e não vou falar aqui sobre prender Scola na Vila Olímpica, sem dúvida a melhor delas). Impedir que Pablo Prigioni (ou até mesmo Manu Ginóbili) não inicie a ação de corta-luz (chamemos de CL a partir de agora) é a principal delas. Colocar um jogador mais alto ou mais forte pode ser uma ótima alternativa, e Larry Taylor e Alex surgem como alternativas.

Outra boa ideia para deter o CL argentino é “exigir”que Pablo Prigioni chute. Ou seja: “congelar”o pivô e até mesmo o armador em Scola e meio que esquecer do armador platense. É arriscado, mas o aproveitamento de Prigioni seguramente será menor que o de Scola. Caso o camisa 8 decida passar (provável), as rotações brasileiras precisarão estar afiadas. Outra alternativa viável, e aí não necessariamente defensiva, é forçar o jogo ofensivo de garrafão em cima de Scola. Em todos os jogos contra o Brasil, o camisa 4 praticamente descansou na marcação, e carregá-lo em faltas e desgastá-lo fisicamente pode ser fundamental principalmente para o final da partida.

Ouvi gente falando em dobrar a marcação em Scola a qualquer custo, mas eu sinceramente não recomendo. Se fosse em outra ocasião, com a Argentina desfalcada, eu até entenderia. Com Manu Ginóbili ou Carlos Delfino podendo decidir sem marcação, essa ideia não faz sentido (ao menos pra mim, claro).

Será um jogo mental, psicológico, de muita cabeça, sem dúvida alguma. Os argentinos, vocês sabem bem, cansaram de vencer os brasileiros e esfregar na cara deles como se faz um basquete bonito, eficiente e vencedor nos últimos anos. Mas pensar que a partida de amanhã se decidirá “apenas” neste aspecto é um engano. Que Magnano treine sua defesa a exaustão para conter Luis Scola.

Reduzindo o percentual de acerto nos arremessos (na Olimpíada, onde tem a média de 20,2 pontos, está em altíssimos 56,7%) é o primeiro passo para derrubar os hermanos. Será que o Brasil consegue?

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