Bala na Cesta

Categoria : Análises

Analisando e palpitando as quartas-de-final do NBB
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Fábio Balassiano

As quartas-de-final do NBB começaram ontem com belíssima vitória de Brasília contra Bauru fora de casa e na prorrogação (88-87). Hoje o Flamengo visita o Pinheiros (21h, com Sportv) e amanhã teremos Paulistano x Franca em São Paulo (14h, Band) e Vitória x Mogi (19h, Facebook do NBB). Vamos às análises e palpites:

Ricardo Bufolin: ECP

Flamengo x Pinheiros -> O Flamengo teve a melhor campanha da fase de classificação, está de folga há quase duas semanas e enfrentará um Pinheiros que vem de uma série difícil contra o Vasco (vitória em cinco jogos). Não obstante o cansaço do rival, o rubro-negro tem mais profundidade no elenco e um ótimo marcador (Ronald Ramon) para tentar deter Desmond Holloway, melhor jogador e cestinha pinheirense. Não será um confronto fácil, mas não creio que o time de José Neto sofra tanto assim.
Meu palpite: Flamengo em quatro partidas

Mogi x Vitória -> Outro duelo que eu também não vejo muito como dar zebra. O Vitória fez uma campanha brilhante, conta com um técnico muito bom (Régis Marrelli) e uma torcida que encherá o ginásio em Cajazeiras, mas do outro lado há um elenco com Shamell, Larry, Tyrone, Caio Torres, Filipin e muito mais – fora o treinador Guerrinha, que almeja a sua terceira final consecutiva com a equipe (Paulista e Liga Sul-Americana as anteriores). Os embates individuais entre Keyron e Shamell, Dawkins e Larry Taylor e Coimba e Caio Torres / Tyrone chamam a atenção.
Meu palpite: Mogi em quatro jogos

Franca x Paulistano -> Dois times extremamente jovens, com técnicos muito novos e promissores (Gustavo de Conti e Helinho) e dois estilos de jogo que não são tão diferentes assim. O time da capital de São Paulo e os francanos marcam muito forte, trocam incessantemente os jogadores para manter a intensidade em alta, possuem ótimas armas na armação (Coelho e Alexey pela equipe do interior de SP e Georginho e Arthur Pecos pelo CAP) e bons arremessadores do perímetro (Pedro e Lucas Dias). Acredito que esse duelo vá até o último jogo, e muito provavelmente até os cinco minutos derradeiros para ser decidido.
Meu palpite: Franca em cinco jogos

Brasília x Bauru -> Tá aí pra mim a série mais equilibrada desta fase. Embora Brasília tenha vencido ontem, acredito que o duelo esteja longe de estar decidido – longe. São dois elencos muito fortes, experientes e que sabem lidar com situações adversas. Vejo Brasília com alguma vantagem no garrafão, com Lucas Mariano, e na armação com Fúlvio em cima de Valtinho e Gegê, mas os bauruenses conseguem igualar as coisas com Alex e Jefferson, principalmente.
Meu palpite: Brasília em cinco jogos

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Tags : LNB NBB


Analisando e palpitando os confrontos dos playoffs da NBA
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Fábio Balassiano

Ontem dei aqui os meus prêmios para a temporada 2016/2017 da NBA. Hoje é a vez de falarmos sobre os confrontos dos playoffs que começam hoje (programação completa, inclusive com transmissões, aqui). Sem mais delongas, vamos lá:

LESTE

CELTICS x BULLS -> Poderia ser mais uma série fácil entre primeiro e último de conferência, mas não é bem assim, não. O Boston Celtics, melhor time do Leste, é muito bem treinado por Brad Stevens, possui um bom elenco, mas de estrela, estrela mesmo, apenas Isaiah Thomas. E é um grupo ainda muito jovem. Do outro lado estarão Jimmy Butler, Dwyane Wade, Robin Lopez e sobretudo Rajon Rondo, campeão pelo Boston há quase uma década e jogando diante de fãs que o veneram. Acho que o Boston é o favorito, tem mais chances de passar, mas não será fácil, não. O Chicago fez uma temporada regular bem inconstante, tem um técnico bem abaixo dos padrões ótimos da NBA (Fred Hoiberg), mas os confrontos individuais, a rodagem maior do elenco e sobretudo a dupla Butler-Wade funcionando podem fazer com que essa série vá bem longe.
Meu palpite: Boston em 6

CAVS x PACERS -> Tinha tudo pra ser um duelo difícil, mas não acho que será, não. O Indiana se reforçou bem antes da temporada, encheu Paul George de jogadores teoricamente talentosos, mas sua fase regular foi catastrófica. Se classificou em sétimo na bacia das almas e verá LeBron James e os Cavs logo de cara. O Cleveland não foi brilhante, mas a gente sabe bem como um atual campeão consegue se transformar em uma pós-temporada. Ainda mais com LeBron, que pode ir para a sua sétima final consecutiva, liderando o elenco. Vale a pena ficar ligado no duelo que já saiu faísca antes entre Lance Stephenson, contratado recentemente pelo Indiana, e LeBron James. Não acho inteligente ficar provocando o camisa 23 de Ohio, mas a gente bem como funciona (ou não funciona) a cabeça de Stephenson, né. Esta pode ser a última série de playoff com Paul George vestindo a camisa do Indiana. Ele tem seu nome especulado em várias possíveis trocas, está insatisfeito pacas com os rumos da franquia Pacers e não duvido que se o mata-mata for um desastre (algo bem possível) ele não peça pra se mudar já nessas férias americanas.
Meu palpite: Cavs em 5

RAPTORS x BUCKS -> É uma pena que a gente não consiga ver o trio de jovens do Milwaukee jogando junto em uma pós-temporada. Jabari Parker se machucou na metade da temporada, e o técnico Jason Kidd passou quase que 100% da chave do time para o grego Giannis Antetokounmpo, que jogou uma barbaridade nesta fase regular. O problema é que o grego é a única estrela do Bucks, e do outro lado estarão dois All-Stars que jogaram com ele em Nova Orleans (Kyle Lowry e DeMar DeRozan) e um excelente elenco de apoio formado por DeMarre Carroll, Jonas Valanciunas, Serge Ibaka, Patrick Patterson, PJ Tucker, Cory Joseph e Lucas Bebê. O Bucks fez uma boa campanha (a melhor da franquia desde 2010), mas não sei se tem muito mais a oferecer neste playoff contra um time experiente e recheado de opções.
Meu palpite: Raptors em 5

WIZARDS x HAWKS -> Está aí uma série difícil de prever, analisar e palpitar. Pelo lado do Washington é mais tranquilo compreender o que se passa. A bola é de John Wall, armador que fez uma temporada regular excepcional, se consolidando como um dos melhores jogadores de sua posição na NBA e os arremessos são de Bradley Beal, Bojan Bogdanovic, Markieff Morris e Otto Porter Jr. . Isso funcionou bem demais na primeira fase, quando a equipe chegou a 49 vitórias. Do outro lado está um Atlanta Hawks que trouxe Dwight Howard e que coloca Dennis Schroder, o armador alemão, para ditar o seu ritmo. A franquia perdeu Kyle Korver na metade do campeonato, antes do certame viu Al Horford sair e ainda tentou, sem sucesso, trocar Paul Millsap, melhor jogador do time. Entre uma partida excelente e outra bizarra o Atlanta chega ao playoff sem a gente ter a menor noção do que pode acontecer com os comandados de Mike Budenholzer.
Meu palpite: Wizards em 6

OESTE

WARRIORS x BLAZERS -> É o duelo de dois excepcionais armadores (Steph Curry e Damian Lillard), de dois ótimos ala-armadores (Klay Thompson e CJ McCollum) e de dois jogadores de garrafão com ótima visão de jogo (Draymond Green e Jusuf Nurkic). O problema para o Portland é que as semelhanças entre ele e o Golden State Warriors param quando a gente começa a colocar Kevin Durant e Andre Iguodala na equação. O Blazers melhorou demais com a adição de Nurkic da metade pro final da temporada, mas está longe de ser um time que possa vencer o Warriors, duas vezes finalista da NBA nos últimos 2 anos, em uma série de sete jogos. Vai depender demais de performances absurdas de Lillard e McCollums, o que a gente saber que em playoff nem sempre é fácil. Pro Golden State, vai ser bom para entrosar ainda mais o seu elenco, já que Durant retornou às ações apenas no último sábado de temporada regular.
Meu palpite: Warriors em 5

SPURS x GRIZZLIES -> Não creio que dê muito para o cheiro aqui, não. O Memphis tenta jogar de uma maneira legal, diferente, mas totalmente fora dos padrões atuais da NBA (defendendo muito, sem tantas bolas de três tentadas e com ritmo lento). É divertido, eu gosto, parece um time dos anos 90, mas hoje em dia isso parece jurássico quando a gente olha um Houston Rockets, um Golden State jogando. Do outro lado estará o “melhor programa de basquete” da NBA atual, o San Antonio Spurs, que tem conseguido se adaptar às mudanças do esporte de maneira incrível nos últimos 20 anos. O Grizzlies teve problemas com lesão durante toda fase regular, e a gente não sabe bem em que condições estarão Marc Gasol, Mike Conley, Zach Randolph e Vince Carter, que aos 40 anos pode estar fazendo o último playoff de sua icônica vida profissional. O Spurs chega como sempre: descansado, com Kawhi Leonard voando e com Gregg Popovich brilhando no banco de reservas.
Meu palpite: Spurs em 4

ROCKETS x THUNDER –> É o duelo dos dois principais candidatos a MVP da temporada, mas a verdade é que o Houston tem mais a oferecer a James Harden do que o Oklahoma a Russell Westbrook. Acho que o Thunder vai endurecer fortemente a parada para o Rockets, vai jogar como franco atirador e sem nenhuma pressão, mas talvez falte um pouco para avançar com este elenco a uma segunda rodada de playoff, por exemplo. Olho no núcleo de apoio do Rockets formado por Trevor Ariza, Ryan Anderson, Eric Gordon, Patrick Beverley, Nenê e Clint Capela, responsável por levar a franquia a terceira posição do Oeste nesta temporada e que faz chover bolas de três nas partidas. Caso o OKC consiga diminuir a sanha ofensiva do Houston a gente pode imaginar que o confronto se estenderá um pouquinho mais.
Meu palpite: Rockets em 7

CLIPPERS x JAZZ –> Será sem dúvida alguma o confronto mais equilibrado dessa primeira rodada no Oeste. O Utah Jazz ficou com o mando de quadra durante a temporada regular inteira, mas no mês de março deu uma derrapada e o Los Angeles Clippers ficou com a quarta colocação. O Clippers, aliás, sabe que este é a última “dança” deste núcleo formado por Chris Paul, DeAndre Jordan e Blake Griffin, e eles jogam com esse senso de urgência para irem o mais longe possível. Do outro lado estará um Utah que volta ao playoff depois de cinco anos e que conta com um jogador excepcional chamado Gordon Hayward. O ala comanda uma franquia que também tem os ótimos George Hill, Rudy Gobert e Boris Diaw, que dão sustentação para que Hayward pontue com consistência. No final das contas, acho que o mando de quadra e a experiência vão pesar a favor do time de Los Angeles.
Meu palpite: Clippers em 7

E você, concorda comigo? Só lembrando que quem quiser ainda pode participar do bolão Bala na Cesta pros playoffs da NBA, hein… É só clicar aqui.


Seis motivos pra entendermos por que tantos recordes são batidos na NBA atualmente
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Fábio Balassiano

A temporada regular da 2016/2017 da NBA chega ao fim amanhã com 29 dos 30 times com média de 100 ou mais pontos (o Dallas Mavs é a exceção da regra), com um jogo de 70 pontos de Devin Booker, com 12 franquias acertando 10 ou mais bolas de três por noite (feito inédito), com um jogador tendo média e recorde de triplos-duplos em uma única temporada (Russell Westbrook) e muito mais.

São muitos e muitos recordes sendo quebrados todos os dias na NBA, né? E o que explica isso? Pensei em alguns fatores que ajudam a compreender o que está por trás das marcas que estão sendo superadas pelos atletas da melhor liga de basquete do planeta.

1) Jogadores mais polivalentes -> Este é um fato cristalino. Se antes havia os grandes especialistas, como Dennis Rodman, um fenômeno defensivo e dos rebotes, hoje em dia cada vez mais os atletas sabem fazer de tudo. É óbvio que há os fora de série em alguns fundamentos, como Steph Curry nas bolas de três pontos, mas não vemos apenas Russell Westbrook, um armador, dominando pontos, rebotes e assistências mas também caras como Nikola Jokic (foto), pivô do Denver Nuggets sendo o responsável (sim) por armar as jogadas de seu time. Tem muita gente que ainda não se deu conta, mas a época do “armador arma, ala arremessa, pivô faz bloqueio e ponto pertinho da cesta” já acabou faz tempo. E se todos fazem tudo, a chance de recordes serem quebrados fica potencializada.

2) Defesas inexistentes -> Se por um lado os atletas estão cada vez mais preparados, seja no lado técnico ou no lado físico, também é verdade que as defesas da NBA hoje em dia são verdadeiros “queijos suíços” (cheios de buracos). Ajuda o fato de que as arbitragens quase não permitem contato, motivo pelo qual os jogadores das décadas de 80 e 90 cansam de dizer que se atuassem atualmente seriam desqualificados com seis faltas na metade do primeiro período. Jogadores como DeMar DeRozan, do Toronto, por exemplo, se beneficiam assustadoramente disso. Batem pra dentro do garrafão, recebem um mínimo encostão e a arbitragem apita falta. O jogo fica mais chato, pois uma das belezas do jogo é o contato físico, os arremessos saem totalmente livres e pouco contestados e há poucos duelos inesquecíveis entre atacante e defensor nos últimos anos.

3) Ataques insanos -> Junte os itens 1 e 2 e você deve imaginar o resultado disso. Os ataques de hoje são cada vez mais incríveis. A gente olha um Warriors jogando, um Houston Rockets, um Cleveland jogando e se pergunta se em algum momento eles irão chegar a média de 130 pontos por jogo – antes julgava impossível, mas hoje não mais. Com espaço, os setores ofensivos são capazes de doutrinar as marcações adversárias, pontuar com facilidade e gerar números absurdos noite após noite. Individual e coletivamente.

4) Jogo mais rápido -> Coloque este item aqui na conta de Mike D’Antoni. Quando era técnico de Phoenix ele criou um sistema chamado “Sete segundos ou menos”, uma tática para se arremessar com sete ou menos segundos de posse de bola. O que era exceção no começo do século virou moda hoje em dia, principalmente no agora seu Houston Rockets que tem James Harden comandando as ações. Nem todos com esta velocidade toda, mas todos com bastante aceleração nos sistemas ofensivos sem dúvida alguma. O jogo está absurdamente rápido, com os times voando da defesa para o ataque e a velocidade com que as jogadas são finalizadas assusta. Quanto mais rápido o jogo, mais posse de bola. Quanto mais posse de bola, mais pontos disponíveis. Quanto mais pontos, mais recordes são possíveis de serem quebrados. Isso talvez explique o fato de os pivôs gigantescos estarem quase saindo de linha. O jogo ficou ligeiro demais pros gigantes, que não só precisam correr mas também necessitam saber passar, arremessar e tudo mais que não eram cobrados anteriormente.

5) Os “arremessos longos de 2 não existem mais” -> Um dos esportes mais estudados do mundo, o basquete e seus gerentes-gerais passaram a dissecar o esporte. E descobriram os “três ataques” do jogo moderno. Hoje em dia são aceitos tranquilamente 3 jogadas: contra-ataque, cestas de perto do aro (maior potencial de conversão) e bolas de três, cujo valor é maior que o das bolas de 2. Um dos reflexos disso é que não vemos mais arremessos de dois pontos de média ou longa distância. Aqueles que fizeram a vida de Michael Jordan e Kobe Bryant, por exemplo. O raciocínio hoje é: se é pra arremessar de longe, como Kobe e Jordan faziam, vale mais a pena dar um passinho pra trás e arriscar uma bola com valor maior (um ponto a mais com chance de acerto quase idêntica). O Warriors, campeão em 2015 e vice em 2016, é consequência direta disso. O Houston Rockets também. Nunca se arremessou tanto de longe da NBA e não é só porque há inúmeros gatilhos certeiros nos times. Hoje em dia as equipes são estimuladas a abrir a quadra para tentar bolas longas – e que valem mais. Com isso as pontuações sobem a níveis inimagináveis.

6) A individualização do jogo -> A cada temporada que passa, transforma-se no mais individualizado dos jogos coletivos. A definição não é minha, mas sim de Marcel de Souza, com quem conversei ontem. E Marcel continua: “Nunca os jogadores franquias foram tão individualistas como agora. Mesmo o Westbrook, triplo duplo em forma de homem, transformou cada rebote e cada assistência em uma ação de igual valor de uma cesta. Jogadores desse tipo têm um elenco especializado em valorizar o atual tipo de atuação do jogador(es) franquia. Vem daí o aumento do número de recordes”.

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Tags : NBA


Novamente comandando jovens, Gustavo de Conti mantém excelente trabalho no Paulistano
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Fábio Balassiano

Na sexta-feira estive em São Januário para comentar pela Rádio Globo a partida entre Vasco e Paulistano. No final das contas vitória do time de São Paulo por 82-67 sem grandes sustos. Os vascaínos estavam afobados, marcando mal o perímetro (13 bolas convertidas pelo rival, a maioria delas sem marcação) e sem inspiração no ataque.

Do outro lado pude ver mais uma vez um time jovem com potencial físico incrível para os padrões nacionais, organizado, sabendo exatamente o que fazia com a bola nas mãos e variando a defesa a cada segundo. Mérito total de Gustavo de Conti, excepcional treinador de 37 anos que mais uma vez volta a trabalhar com um grupo de atletas ainda em formação.

Na sexta-feira quem brilhou foi Lucas Dias, que anotou 19 pontos (cinco bolas de três convertidas), mas foram muito bem também os dois armadores (o titular, Georginho, saiu-se com 9 pontos e 6 assistências, e o reserva, Arthur Pecos, teve 5 pontos, 7 assistências, 6 rebotes e um controle de jogo absurdamente bom), os alas (Eddy, com 8 pontos, Jhonathan, com 15, e Mogi, com 7, se destacaram) e também os pivôs (Renato conseguiu cinco rebotes ofensivos). Foi uma atuação completa de um time que, como todo elenco jovem, ainda é muito instável (por isso a campanha de 14-12), mas talentoso ao extremo. No campeonato, 10 jogadores atuam por 15+ minutos e 8 deles possuem 8+ pontos de média, algo que mostra bem o espírito altruísta da equipe.

Noves fora manter de novo o time com campanha positiva na história do NBB, algo que acontece desde a temporada 2011/2012, Gustavo tem conseguido algo raríssimo no país: fazer suas equipes jogar de maneira completamente diferente de um ano para o outro. Quem acompanha basquete nacional há algum tempo lembra de ter visto o Paulistano com Dawkins e Holloway, os dois armadores norte-americanos, fazendo chover no perímetro. Agora, menos de um ano depois que a dupla foi dissolvida, o espaço é ocupado por Georginho, um dos mais comentados atletas dessa geração (estará em entrevista neste espaço ainda esta semana), Mogi e Arthur Pecos. Jovens e com estilos completamente distintos – mais velozes, mais físicos, mais atléticos, melhores defensores, mas com menos arremesso. Na ala saiu o jogo cerebral de Henrique Pilar para a chegada de Lucas Dias. Também jovem, com muito a aprender. No pivô o time perdeu com os pontos de Caio Torres, mas ganhou em mobilidade com o argentino Hure.

A metamorfose do Paulistano é imensa desde que foi vice-campeão do NBB em 2014 (perdeu a final em jogo único para o Flamengo). O time não foi bem no ano seguinte, em 2015/2016 fez estupenda campanha na fase regular (20-8) mas caiu nas quartas-de-final para o experiente Brasília. Era hora da diretoria mudar a rota, voltando ao que fazia com maestria – trabalhar com jovens talentos em buscam espaço.

Com o estudioso e corajoso Gustavo de Conti o Paulistano tem conseguido encarar todos de igual para igual no NBB ao mesmo tempo em que desenvolve jovens talentos e se classifica para mais um playoff. Dá gosto de ver um grupo tão novo jogando tão bem, tão determinado, tão destemido, tão livre assim.


Os motivos que explicam a queda do Cavs, que está perto de perder a liderança do Leste
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Fábio Balassiano

No sábado o Cleveland Cavs jogou em casa logo depois de LeBron James, o astro da equipe, pedir um pouco mais de firmeza aos seus companheiros. Segundo LeBron, o time precisava reagir e demonstrar um pouco mais de força, sobretudo defensiva. O jogo contra o Washington veio e os piores temores do camisa 23 se concretizaram: a marcação foi tenebrosa, cedeu 127 pontos e o Cleveland, jogando muito mal, perdeu em casa novamente (127-115).

Na entrevista coletiva, Ty Lue, o técnico, fez questão de colocar panos quentes e evitar um começo de crise, mas a verdade é que a situação do Cleveland inspira cuidados, sim. O time tem 47-25, enfrenta o San Antonio Spurs hoje fora de casa (21h, com Sportv) e está pertinho de perder a liderança da conferência Leste para o Boston Celtics, que ontem bateu o Miami Heat e chegou a 48-26. Como tem 2-1 no confronto direto contra os verdes, o Cavs tem um jogo de vantagem em relação ao time de Isaiah Thomas, o craque baixinho dos celtas. Mas, afinal, o que tem explica a queda de produção da franquia de Ohio?

Em primeiro lugar é fundamental falar da defesa. Tudo bem que as marcações da NBA atual são, de modo geral, frágeis, quase que inofensivas, mas nenhum time que quer ser campeão pode ceder tantos pontos assim como o Cleveland vem cedendo. Se em 2015/2016, quando conquistou o título, os Cavs permitiam apenas 98,3 pontos e 44,8% de conversão nos arremessos dos rivais, em 2016/2017 os números saltaram para 106,9 e 46,8%. Muita coisa.

Sendo justo, é importante citar os desfalques do técnico Ty Lue. Neste mês o Cleveland tem 6 vitórias em 14 jogos. Seus rivais diretos pela primeira posição no Leste, ao contrário, estão muito bem. O Boston tem 8-4. Washington Wizards, 7-3. Toronto, 6-5. Depois do All-Star Game (19 de fevereiro), a queda do Cavs, que teve desfalques de LeBron James, Kyrie Irving e Kevin Love retornando de cirurgia no joelho, é ainda mais acentuada. São apenas 8 vitórias em 17 jogos, a décima-sexta melhor campanha de toda liga no período. Neste mesmo espaço de tempo o San Antonio Spurs teve 13-3, Wizards, 11-7, o Raptors, 11-5 e o Celtics, 10-6. Perto dos playoffs, quando as franquias buscam ganhar confiança, o Cavs está justamente na direção oposta.

Por fim, vale falar sobre a dependência da equipe para com o trio formado por LeBron James, Kyrie Irving e Kevin Love, certamente uma das melhores combinações da NBA atual. É óbvio que as bolas, e as ações ofensivas, vão mesmo passar pelos três melhores jogadores do Cleveland, mas nesta temporada a dependência do trio se acentuou. Em 2015/2016 eles respondiam por 60,9 ou 57% dos pontos totais do Cavs. Neste campeonato, até o momento, 71,1 e 65% do total. E neste ano o elenco é bem melhor, recheado de armas novas como Deron Williams, Kyle Korver e Derrick Williams.

O sinal amarelo está ligado em Ohio, mas o mais incrível disso tudo, e compreendendo a irritação de LeBron James com a performance de seus companheiros nos últimos jogos, é que mesmo assim o Cleveland ainda é o grande favorito ao título do Leste.

Time por time, os Cavs ainda são muito superiores em relação a Boston, Washington e Toronto, os únicos que ao meu ver têm condições de minimamente fazer confrontos de sete jogos de playoff duros contra os atuais campeões da NBA.


Guy Peixoto cumpre primeira promessa como presidente e começa a ‘enxugar’ contas da CBB
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Fábio Balassiano

Nós, brasileiros, estamos acostumados a esperar de políticos eleitos coisas diferentes do que eles prometeram nas campanhas. A julgar pelo começo de Guy Peixoto, presidente recém-empossado na Confederação Brasileira de Basketball no começo do mês, a história pode ser diferente.

Enxugar as contas da endividada CBB era uma das bandeiras mais fortes de sua campanha. E na sexta-feira Guy divulgou suas quatro medidas iniciais: a) devolução de duas salas subutilizadas da sede da entidade; b) devolução do apartamento funcional utilizado pelo presidente anterior; c) cancelamento dos celulares corporativos; d) Eliminação dos gastos do dia a dia do presidente incluindo viagens, alimentação e outros gastos de representação, custos alocados diretamente à Confederação nos últimos anos. Obrigação total, algo bem básico, mas promessa inicial cumprida.

As informações estão no site da entidade, em uma rara e até certo ponto não usual prática de transparente para uma CBB que era, até pouco tempo atrás, de uma obscuridade incrível.

“Com estas quatro medidas teremos uma economia anual de cerca de R$ 2 milhões, o que nos quatro anos de nossa gestão trarão uma economia de R$ 8 milhões. E, dentro do compromisso assumido de trabalhar sempre de forma transparente, anunciando todas as nossas medidas e ações, estamos notificando a comunidade do basquetebol sobre essas importantes e necessárias iniciativas, que são apenas as primeiras de uma série a serem implementadas, buscando trazer de volta o equilíbrio econômico/financeiro da entidade”, disse Peixoto ao site.

Nesta semana Guy também se encontrou com Arnon de Mello, responsável pelo escritório da NBA no Brasil (falta a conversa com a Liga Nacional), e visitou o Museu da CBF, na sede da entidade do futebol (uma de suas ideias é criar algo parecido para o basquete). A julgar pelo começo, a CBB passará por um “banho de loja”, embora seja óbvio que algumas coisas, como a situação do basquete feminino e a retirada da suspensão (quando será a reunião com a Federação Internacional afinal?), sejam muito elementares de serem resolvidas, antes mesmo do museu.

É necessário cautela, obviamente e porque se trata de um começo de gestão de uma Confederação que está muito atrasada em todas as frentes. Por isso aguardamos ansiosos e esperançosos por mais bons próximos passos de uma entidade que precisa sem dúvida alguma ser forte para que a modalidade seja plenamente e completamente desenvolvida por aqui. Liga Nacional, NBA e CBB são complementares, e não excludentes. Quando as três estiverem caminhando juntas, e bem, o basquete brasileiro terá novamente protagonismo nacional e internacional.


Preocupado com times que poupam atletas, chefe da NBA pede ajuda a donos das equipes
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Fábio Balassiano

Nas duas últimas segundas-feiras Adam Silver chegou ao seu escritório em Nova Iorque com um problemão a resolver. O comissário-geral da NBA precisaria ligar para o diretor geral da ABC para contornar uma situação inusitada.

EVENTO BALA NA CESTA EM SP – 27/03

Duas temporadas atrás a emissora norte-americana fechou com a liga norte-americana a transmissão de jogos aos sábados à noite. Era o acordo dos sonhos para a NBA, que conseguiria TV aberta, horário nobre, audiência absurda. Mas está dando errado, muito errado. Nas duas últimas partidas que a ABC exibiu simplesmente o melhor produto não chegou ao cliente final (o telespectador) porque os técnicos decidiram poupar seus melhores atletas. E aí o comissário-geral decidiu agir.

Silver enviou na segunda-feira um memorando bem forte aos donos das 30 franquias da NBA explicando como este tipo de atitude pode impactar na reputação do esporte, em uma queda brusca de audiências e sobretudo na receita com venda de ingressos (o site oficial da liga inclusive publicou parte do conteúdo, em uma prova de transparência incrível). Nenhum torcedor, agora, sabe exatamente que tipo de jogo verá quando comprar o seu ingresso com antecedência.

“Decisões deste tipo podem afetar fãs e parceiros de negócios, nossa reputação e prejudicam a percepção sobre o nosso esporte. Com tanta coisa em jogo, é simplesmente inaceitável que vocês, donos das franquias, não se envolvam ou participem desta tomada de decisão em suas organizações”, escreveu Silver, antecipando que este tema de times que poupam atletas será muito discutido na próxima reunião dos donos no dia 6 de abril em Nova Iorque.

Comentei aqui que há 15 dias no San Antonio Spurs x Golden State Warriors os dois times foram a quadra sem Kawhi Leonard, LaMarcus Aldridge, Steph Curry, Klay Thompson e Draymond Green (estes três últimos poupados). Neste último sábado, o Cleveland foi a Los Angeles e enfrentou o Clippers sem LeBron James, Kevin Love e Kyrie Irving. O resultado prático? Jogos sem graça, fãs frustrados, mídias sociais criticando pesadamente os treinadores e a credibilidade da liga em dúvida. Mais que isso: as audiências, que eram esperadas para chegar a casa dos 4 milhões de telespectadores, alcançou 2 milhões no jogo do San Antonio e 1,5 milhões na partida em Los Angeles. É mais ou menos como você comprar um ingresso para ver o Rolling Stones cantar e chegando lá notar que substituíram o Mick Jagger e o Keith Richards. Silver fez questão de lembrar disso no memorando para os donos dos times.

“Por favor, lembre-se de que, de acordo com as atuais regras da liga, as equipes são obrigadas a dar aviso ao escritório da liga, ao seu adversário e a mídia imediatamente sobre um jogador não participar de um jogo devido ao repouso. O não cumprimento destas regras resultará em penalidades significativas. Reforço que recentemente fechamos um acordo com as televisões, principais difusoras do nosso esporte”, escreveu Silver, deixando claro o impacto que pode haver com ABC e TNT, que pagaram quase US$ 24 bilhões para ter o produto NBA em suas grades de programação até a metade da próxima década.

Do meu canto, vale dizer que é muito óbvio o que Adam Silver está tentando fazer – pressionar os donos para que os técnicos coloquem em quadra sempre os melhores atletas, não impactando assim na relação da liga com os patrocinadores e sobretudo na imagem da NBA para com os fãs. Ele está olhando pelo lado do negócios, no que ele está certíssimo. O fato é que hoje em dia ninguém sabe que produto irá encontrar na quadra quando vai ao ginásio ou vê uma partida pela televisão. Do outro lado, porém, estão os treinadores, que têm todo direito de descansar seus atletas. O compromisso dos comandantes está, no final das contas, em ganhar jogos e preparar seus times da maneira que eles acharem melhor.

Vamos ver como esta equação envolvendo donos de franquias, liga, técnicos, atletas e patrocinadores se resolve. O produto NBA é fantástico e com uma credibilidade absurdamente alta, mas está em um momento de instabilidade. Jogar pro alto a audiência que a televisão proporciona não me parece um bom caminho.


Impecável, Jogo das Estrelas ratifica NBB e cria novo padrão de eventos esportivos no país
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Fábio Balassiano

Antes do Jogo das Estrelas do NBB eu disse aqui que esperava que o evento posicionasse a Liga Nacional de Basquete no topo do país. Eu errei. O que vimos no Ibirapuera neste domingo foi além disso. Muito além.

EVENTO BALA NA CESTA EM SP– 27/03

Em espetáculo impecável do começo ao fim, o Jogo das Estrelas comprovou que a turma da Liga Nacional é diferente, em termos de gestão, administração e apreço a novidades, do que vemos nos demais esportes do país. Continuará errando no dia a dia, mas seu saldo é absurdamente positivo e toda a evolução que vimos nos nove anos desde a sua criação acabaram fazendo com que o Jogo das Estrelas de 2017 criasse um novo padrão de qualidade para eventos no Brasil. Foi tudo tão lindo, correto, bem cuidado, caprichoso que só nos restou aplaudir. E nem abordo a parte técnica da coisa, não, hein. Venceram Tyrone (Mogi, Desafio de Habilidades), Jefferson (Bauru, Torneio de 3 Pontos), Bennett (Pinheiros, Enterradas) e NBB Mundo (Shamell o MVP). Falo pela parte do entretenimento. Aqui meus destaques:

1) União de todas as gerações -> Problema crônico do basquete nos últimos anos, pela primeira vez eu vi todas as gerações do esporte em um mesmo espaço. Bicampeões do mundo (Wlamir, Succar, Moises e Amaury), jogadores do Sírio e Monte Líbano (Israel, Maury, Marcel, Cadum etc.), dirigentes, técnicos, ídolos acima de qualquer suspeita (Oscar Schmidt, Magic Paula e Hortência) e tudo mais estavam no local. E felizes. Todos, sem a menor exceção, foram homenageados. Saíram do Ibirapuera certamente muito felizes com a reverência da Liga Nacional e do público.

2) Show do Jota Quest -> Fico com as palavras de Rogério Flausino em entrevista exclusiva a mim no final do incrível espetáculo de sua banda: “Eu sabia que ia ser legal, mas foi muito mais legal do que eu imaginava. Nunca vi uma interação entre música e esporte tão engendrada quanto eu vi hoje. Muito legal, muito legal”. Creio que não precise falar mais nada. Os mineiros colocaram a plateia para pular, cantaram seus hits e empolgaram demais o Ibirapuera. Primeira vez que houve um show do intervalo no Jogo das Estrelas, e a Liga Nacional acertou em cheio na atração.

3) Procura por ingressos e celebridades -> Todo evento bom é concorrido. Logo que cheguei ao ginásio (08h15) vi muita gente procurando ingresso. Quando entrei, uma série de famosos que fazem a imagem do basquete sair de sua própria bolha. Adriane Galisteu (foto), Pedro Scooby (surfe), Emicida (cantor), Lucarelli (vôlei), Thiago Braz (salto com vara) etc. Todos impressionados com a qualidade do espetáculo e animadíssimos com a festa. Todos com milhões de seguidores em suas redes sociais. Pensem na progressão geométrica de posts deles em Twitters, Facebooks e Instagrams. Quanto mais isso acontecer, mais a modalidade passará a ideia de ser cool, descolada.

4) Ginásio lotado -> Foram mais de 10 mil pessoas no Ibirapuera. Em um domingo de manhã. Em um jogo de festa. Sem nenhum time de massa na cidade. Prova que o trabalho da Liga Nacional é excepcional e surtiu efeito. Destes 10 mil, 40% eram de crianças que muito provavelmente tiveram seu primeiro contato em um ginásio na tarde de ontem. Assim se formam novos fãs, torcedores, atletas e consumidores. O clima no Ibirapuera estava indescritível. São Paulo tem uma história na modalidade e creio que o Jogo das Estrelas deste domingo a reacende. Muita gente comentou comigo que houve fila imensa na entrada, mas eram 10h15, quando efetivamente começaram as atrações do Desafio de Habilidades, e o local já estava bem cheio.

5) Torneio de Enterradas -> Vencido pelo norte-americano Bennett, do Pinheiros, foi bem disputado e com um confronto animadíssimo no final entre o ganhador e Gui Deodato, o Batman, de Bauru. É o “prato” mais aguardo do cardápio do Jogo das Estrelas e foi muito de ótima qualidade.


A vida além de Durant – como explicar a queda vertiginosa do Golden State na NBA?
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Fábio Balassiano

No dia 28 de fevereiro Kevin Durant foi para o vestiário com dores no joelho. O resultado todo mundo já sabe: o astro do Golden State Warriors ficará um mês fora das quadras. Sem ele, autor de 25 pontos por jogo, o time de Oakland teria que voltar a jogar basicamente com o mesmo núcleo que foi campeão da NBA em 2015 e vice em 2016.

Sem problemas, então, para os comandados de Steve Kerr, certo? Nada disso. Desde que o camisa 35 saiu o Warriors, que hoje enfrenta o Sixers em casa, tem 4 derrotas em seis jogos (três seguidas), apenas a décima-oitava melhor campanha do mês de março e o San Antonio Spurs empatado com ele na liderança do Oeste (ambos têm 14 derrotas). Fica a pergunta: é possível explicar queda tão vertiginosa assim? Vamos tentar.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

O primeiro e principal motivo atende pelo óbvio: Steph Curry e Klay Thompson estão arremessando incrivelmente mal desde que Kevin Durant se machucou. Com Durant em quadra, Curry e Thompson tinham, respectivamente, aproveitamentos 39% e 40% nas bolas de três pontos. Em março, 28,6% para cada um deles. Sobre Steph, duas vezes seguidas o MVP da temporada regular, um dado ainda mais estarrecedor: ele ERROU 58 de suas 76 últimas tentativas de três pontos (23% de acerto apenas). Para piorar as coisas, o volume de arremessos tentados aumentou sem o camisa 35 em quadra. Steph, que chutava 18 vezes por jogo, passou para 23. Klay saltou de 17 para 20. Com percentual de conversão tão baixo, já que estão muito mais vigiados, vocês conseguem imaginar o estrago que isso causa para a equipe, que não só não pontua mas também permite rebotes longos para seus adversários e a chance de pontuar em contra-ataque.

 

Outro ponto fundamental é que o atual elenco de apoio do Warriors é MUITO pior que o da temporada passada. Não dá pra dizer que foi um erro, mas sim uma escolha feita pela franquia quando trouxe Kevin Durant e, para acomodar o salário de mais de US$ 26 milhões em 2016/2017 do craque, teve que abrir mão de peças importantes. Os danos colaterais eram esperados mesmo. A oportunidade de adicionar um quarto All-Star fez com que o elenco ficasse menos profundo, com menos opções. Quando Durant sai machucado este problema aparece. Em 2015/2016 Harrison Barnes, Marreese Speights, Festus Ezeli, Leandrinho, Brandon Rush, Shaun Livingston, Ian Clark e Andrew Bogut traziam 56 pontos por noite para a equipe. Destes, apenas Livingston e Clark ficaram, e agora a rotação conta com nomes como Zaza Pachulia, JaVale McGee, Patrick McCaw, Kevon Looney, David West e Matt Barnes, que adicionam apenas 34 pontos por noite. O número é 40% menor que o de 2015/2016.

Há um terceiro fator que atende pela defesa no garrafão. Os números defensivos do Golden State são muito parecidos com os da temporada passada (104,1 pontos e 43,5% nos arremessos em 2015/2016 contra 105,3 e 43,8% em 2016/2017), mas há uma diferença enorme quando você tem Andrew Bogut e Festus Ezeli protegendo o seu aro em relação a JaVale McGee e Zaza Pachulia. Principalmente em relação a inteligência para coberturas e proteção de aro que o australiano Bogut trazia para o time (e isso nem sempre aparece em estatística). Some-se a isso a fase apenas verborrágica de Draymond Green, que tem se metido em polêmica quase a todo minuto, e o resultado não é muito bom. Green, All-Star e líder emocional da equipe, reduziu todas as suas médias de 2016 para 2017 e tem chutado terríveis 31% nas bolas de três pontos, seu pior índice desde o ano de calouro.

O último problema pode ser o vestiário. Na madrugada de sexta-feira, após o time perder de forma apática para o Minnesota Timberwolves fora de casa, Andre Iguodala foi avisado apenas pela imprensa que os principais jogadores do time, inclusive ele, seriam poupados pelo técnico Steve Kerr da aguardada partida contra o San Antonio Spurs no sábado. A reação do MVP das finais de 2015 foi uma mistura de surpresa e ironia: “Sério? Sério isso? OK, eu faço tudo o que meu mestre (o técnico Kerr) mandar”. O treinador ainda tentou colocar panos quentes, dizendo após a derrota no Texas que Iguodala é assim mesmo, brincalhão, mas não ficou muito legal, não. O desequilíbrio emocional pode ser visto também em Curry. Irritadiço, ele tem comportamento bem diferente dos últimos três anos, quando só sorria na quadra. Hoje em dia em qualquer lance lá está ele reclamando, balançando a cabeça ou reprovando algo. Para quem viveu acertando mais de 45% de seus arremessos longos deve ser difícil conviver com percentual tão menor assim de conversão.

É óbvio que o Golden State Warriors segue como um dos favoritos a ganhar o Oeste e chegar na final da NBA. Ganhar o título da liga continua sendo uma possibilidade pra lá de grande. A franquia tem um timaço de bola e provavelmente terá Kevin Durant ainda nas últimas semanas da temporada regular, mas o momento é de sinal amarelo em Oakland.

Desde que Steve Kerr chegou o time nunca havia perdido três vezes consecutivas em temporada regular. Agora é a hora de Steph Curry, Andre Iguodala, Klay Thompson e Draymond Green mostrarem que há, sim, performance de alto nível no Golden State Warriors sem Durant. Como sempre foi até seis meses.


Analisando a eleição de Guy Peixoto e mais uma aprovação de contas da CBB
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Fábio Balassiano

Guy Peixoto é o novo presidente da Confederação Brasileira. Eleito com 17 votos (seu oponente Amarildo Rosa teve 9, houve uma abstenção e o Tocantins não pode votar), Guy assume uma CBB dívida de mais de R$ 17 milhões e suspensa pela Federação Internacional.

Seu primeiro (e corretíssimo) ato foi pegar um avião rumo a Suíça para, nesta semana, tentar mostrar aos dirigentes do alto escalão do basquete mundial que uma estratégia emergencial, chamada por ele e seu time de “Plano de 100 dias”, estará em curso a partir de agora. O objetivo: retirar a suspensão que impede clubes e seleções brasileiros de jogar competições internacionais.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

Está claro que os desafios de Guy Peixoto serão imensos. Estarei como sempre vigilante a esta nova gestão da Confederação Brasileira, mas obviamente sabendo que a nova gestão precisará de tempo para analisar o cenário de terra arrasada da entidade (mesmo tempo que dei a Carlos Nunes em 2009 e que concederia em qualquer novo mandatário da CBB). Alguns fatos, ainda sobre a eleição, merecem ser levados em consideração e analisados por aqui. Vamos lá:

1) Além da votação no presidente em si, os 27 votantes liberados para o pleito (todas as Federações menos Tocantins e Associação de Atletas) tinham uma coisinha importante a fazer na sexta-feira no Comitê Olímpico Brasileiro: aprovar ou reprovar as contas de 2016 do (agora) ex-presidente Carlos Nunes. Os resultados (eleição e contas) encontram-se ao lado e estão claríssimos. Quinze presidentes de Federação aprovaram os resultados financeiros da CBB em 2016, 11 reprovaram e outra se absteve.

2) As aberturas encontram-se na figura ao lado (clique para ampliá-la). Apurei e coloco no blog como os presidentes de Federação e a Associação de Atletas votaram tanto para o presidente quanto para a aprovação ou reprovação das finanças da CBB em 2016. Em uma olhadinha rápida, todos os que elegeram Guy Peixoto chancelaram o balanço de Nunes em 2016 com exceção de MG, que se absteve. Os que reprovaram votaram em Amarildo. Não é coincidência. Vale dizer também que Rio Grande do Norte, que não votou para presidente, reprovou as contas. Pela primeira vez os Atletas votaram contra (analisarei adiante).

3) Presidentes de Federação normalmente são políticos, e até para analisar balanços financeiros votam… politicamente (e não financeiramente, como deveria ser). Para se ter uma ideia da coerência, ou falta dela, em relação a estes rapazes, em 2016 apenas três reprovaram o Balanço recheado de dívidas da CBB (Maranhão, Goiás e Pará). Estes agora aprovaram – e a situação piorou terrivelmente, sabemos. Os que antes chancelaram o trabalho de Carlos Nunes agora… reprovaram. O que mudou? Estes descobriram agora, só agora, que a situação da entidade é falimentar? Os que antes reprovavam passaram a aprovar por qual motivo?

4) Para responder a pergunta acima eu fui conversar com 4 presidentes de Federação. Dois que aprovaram e dois que reprovaram. Todos foram na mesma linha: o grupo de choque de Guy Peixoto aprovou as contas para ter acesso livre a todas as informações da CBB de Carlos Nunes.

Não é a maneira que eu lidaria com isso, mas foi uma estratégia em conjunto de quem sabe que terá muita coisa para tirar dos porões da Confederação. Os que reprovaram o fizeram porque já sabiam que perderiam a eleição e seria uma forma de retaliar o agora ex-presidente da entidade.

5) Sobre a votação para presidente em si, chamam a atenção os votos de Rio de Janeiro e São Paulo. As duas maiores Federações do país votaram em Amarildo Rosa. Têm representatividade, sem dúvida alguma, mas juro que gostaria de entender as razões do voto. Nada contra Amarildo, pelo contrário, mas houve algum motivo especial para que especificamente SP e RJ optassem pelo lado que acabou saindo derrotado? Ademais, como Guy Peixoto lidará com seu, digamos, grupo de eleitores e não eleitores? Seus votos vieram, em sua grande maioria, de Norte e Nordeste, antigos centros eleitorais que elegeram Grego no final do século passado.

6) Não poderia deixar de elogiar a postura da nova gestão da Associação de Atletas. Não pelo voto em Guy Peixoto em si, porque aí é uma questão de análise dos candidatos e eu não posso dizer quem está certo ou errado, mas sim pela coerente reprovação das contas. As contas da CBB são tenebrosas, e não faz o menor sentido aprová-las (nenhum motivo!). Vale dizer que o mandatário anterior, Guilherme Giovannoni, jogador de Brasília, aprovou TODAS as contas de Carlos Nunes desde que passou a votar. Em seu primeiro ato como novo mandatário da Associação, Guilherme Teichmann, bom ala-pivô do Pinheiros, optou por reprovar algo que está muito ruim. Mesmos nomes, posturas completamente diferentes, né? Ainda bem!