Bala na Cesta

Categoria : Análises

Preocupado com times que poupam atletas, chefe da NBA pede ajuda a donos das equipes
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Fábio Balassiano

Nas duas últimas segundas-feiras Adam Silver chegou ao seu escritório em Nova Iorque com um problemão a resolver. O comissário-geral da NBA precisaria ligar para o diretor geral da ABC para contornar uma situação inusitada.

EVENTO BALA NA CESTA EM SP – 27/03

Duas temporadas atrás a emissora norte-americana fechou com a liga norte-americana a transmissão de jogos aos sábados à noite. Era o acordo dos sonhos para a NBA, que conseguiria TV aberta, horário nobre, audiência absurda. Mas está dando errado, muito errado. Nas duas últimas partidas que a ABC exibiu simplesmente o melhor produto não chegou ao cliente final (o telespectador) porque os técnicos decidiram poupar seus melhores atletas. E aí o comissário-geral decidiu agir.

Silver enviou na segunda-feira um memorando bem forte aos donos das 30 franquias da NBA explicando como este tipo de atitude pode impactar na reputação do esporte, em uma queda brusca de audiências e sobretudo na receita com venda de ingressos (o site oficial da liga inclusive publicou parte do conteúdo, em uma prova de transparência incrível). Nenhum torcedor, agora, sabe exatamente que tipo de jogo verá quando comprar o seu ingresso com antecedência.

“Decisões deste tipo podem afetar fãs e parceiros de negócios, nossa reputação e prejudicam a percepção sobre o nosso esporte. Com tanta coisa em jogo, é simplesmente inaceitável que vocês, donos das franquias, não se envolvam ou participem desta tomada de decisão em suas organizações”, escreveu Silver, antecipando que este tema de times que poupam atletas será muito discutido na próxima reunião dos donos no dia 6 de abril em Nova Iorque.

Comentei aqui que há 15 dias no San Antonio Spurs x Golden State Warriors os dois times foram a quadra sem Kawhi Leonard, LaMarcus Aldridge, Steph Curry, Klay Thompson e Draymond Green (estes três últimos poupados). Neste último sábado, o Cleveland foi a Los Angeles e enfrentou o Clippers sem LeBron James, Kevin Love e Kyrie Irving. O resultado prático? Jogos sem graça, fãs frustrados, mídias sociais criticando pesadamente os treinadores e a credibilidade da liga em dúvida. Mais que isso: as audiências, que eram esperadas para chegar a casa dos 4 milhões de telespectadores, alcançou 2 milhões no jogo do San Antonio e 1,5 milhões na partida em Los Angeles. É mais ou menos como você comprar um ingresso para ver o Rolling Stones cantar e chegando lá notar que substituíram o Mick Jagger e o Keith Richards. Silver fez questão de lembrar disso no memorando para os donos dos times.

“Por favor, lembre-se de que, de acordo com as atuais regras da liga, as equipes são obrigadas a dar aviso ao escritório da liga, ao seu adversário e a mídia imediatamente sobre um jogador não participar de um jogo devido ao repouso. O não cumprimento destas regras resultará em penalidades significativas. Reforço que recentemente fechamos um acordo com as televisões, principais difusoras do nosso esporte”, escreveu Silver, deixando claro o impacto que pode haver com ABC e TNT, que pagaram quase US$ 24 bilhões para ter o produto NBA em suas grades de programação até a metade da próxima década.

Do meu canto, vale dizer que é muito óbvio o que Adam Silver está tentando fazer – pressionar os donos para que os técnicos coloquem em quadra sempre os melhores atletas, não impactando assim na relação da liga com os patrocinadores e sobretudo na imagem da NBA para com os fãs. Ele está olhando pelo lado do negócios, no que ele está certíssimo. O fato é que hoje em dia ninguém sabe que produto irá encontrar na quadra quando vai ao ginásio ou vê uma partida pela televisão. Do outro lado, porém, estão os treinadores, que têm todo direito de descansar seus atletas. O compromisso dos comandantes está, no final das contas, em ganhar jogos e preparar seus times da maneira que eles acharem melhor.

Vamos ver como esta equação envolvendo donos de franquias, liga, técnicos, atletas e patrocinadores se resolve. O produto NBA é fantástico e com uma credibilidade absurdamente alta, mas está em um momento de instabilidade. Jogar pro alto a audiência que a televisão proporciona não me parece um bom caminho.


Impecável, Jogo das Estrelas ratifica NBB e cria novo padrão de eventos esportivos no país
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Fábio Balassiano

Antes do Jogo das Estrelas do NBB eu disse aqui que esperava que o evento posicionasse a Liga Nacional de Basquete no topo do país. Eu errei. O que vimos no Ibirapuera neste domingo foi além disso. Muito além.

EVENTO BALA NA CESTA EM SP– 27/03

Em espetáculo impecável do começo ao fim, o Jogo das Estrelas comprovou que a turma da Liga Nacional é diferente, em termos de gestão, administração e apreço a novidades, do que vemos nos demais esportes do país. Continuará errando no dia a dia, mas seu saldo é absurdamente positivo e toda a evolução que vimos nos nove anos desde a sua criação acabaram fazendo com que o Jogo das Estrelas de 2017 criasse um novo padrão de qualidade para eventos no Brasil. Foi tudo tão lindo, correto, bem cuidado, caprichoso que só nos restou aplaudir. E nem abordo a parte técnica da coisa, não, hein. Venceram Tyrone (Mogi, Desafio de Habilidades), Jefferson (Bauru, Torneio de 3 Pontos), Bennett (Pinheiros, Enterradas) e NBB Mundo (Shamell o MVP). Falo pela parte do entretenimento. Aqui meus destaques:

1) União de todas as gerações -> Problema crônico do basquete nos últimos anos, pela primeira vez eu vi todas as gerações do esporte em um mesmo espaço. Bicampeões do mundo (Wlamir, Succar, Moises e Amaury), jogadores do Sírio e Monte Líbano (Israel, Maury, Marcel, Cadum etc.), dirigentes, técnicos, ídolos acima de qualquer suspeita (Oscar Schmidt, Magic Paula e Hortência) e tudo mais estavam no local. E felizes. Todos, sem a menor exceção, foram homenageados. Saíram do Ibirapuera certamente muito felizes com a reverência da Liga Nacional e do público.

2) Show do Jota Quest -> Fico com as palavras de Rogério Flausino em entrevista exclusiva a mim no final do incrível espetáculo de sua banda: “Eu sabia que ia ser legal, mas foi muito mais legal do que eu imaginava. Nunca vi uma interação entre música e esporte tão engendrada quanto eu vi hoje. Muito legal, muito legal”. Creio que não precise falar mais nada. Os mineiros colocaram a plateia para pular, cantaram seus hits e empolgaram demais o Ibirapuera. Primeira vez que houve um show do intervalo no Jogo das Estrelas, e a Liga Nacional acertou em cheio na atração.

3) Procura por ingressos e celebridades -> Todo evento bom é concorrido. Logo que cheguei ao ginásio (08h15) vi muita gente procurando ingresso. Quando entrei, uma série de famosos que fazem a imagem do basquete sair de sua própria bolha. Adriane Galisteu (foto), Pedro Scooby (surfe), Emicida (cantor), Lucarelli (vôlei), Thiago Braz (salto com vara) etc. Todos impressionados com a qualidade do espetáculo e animadíssimos com a festa. Todos com milhões de seguidores em suas redes sociais. Pensem na progressão geométrica de posts deles em Twitters, Facebooks e Instagrams. Quanto mais isso acontecer, mais a modalidade passará a ideia de ser cool, descolada.

4) Ginásio lotado -> Foram mais de 10 mil pessoas no Ibirapuera. Em um domingo de manhã. Em um jogo de festa. Sem nenhum time de massa na cidade. Prova que o trabalho da Liga Nacional é excepcional e surtiu efeito. Destes 10 mil, 40% eram de crianças que muito provavelmente tiveram seu primeiro contato em um ginásio na tarde de ontem. Assim se formam novos fãs, torcedores, atletas e consumidores. O clima no Ibirapuera estava indescritível. São Paulo tem uma história na modalidade e creio que o Jogo das Estrelas deste domingo a reacende. Muita gente comentou comigo que houve fila imensa na entrada, mas eram 10h15, quando efetivamente começaram as atrações do Desafio de Habilidades, e o local já estava bem cheio.

5) Torneio de Enterradas -> Vencido pelo norte-americano Bennett, do Pinheiros, foi bem disputado e com um confronto animadíssimo no final entre o ganhador e Gui Deodato, o Batman, de Bauru. É o “prato” mais aguardo do cardápio do Jogo das Estrelas e foi muito de ótima qualidade.


A vida além de Durant – como explicar a queda vertiginosa do Golden State na NBA?
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Fábio Balassiano

No dia 28 de fevereiro Kevin Durant foi para o vestiário com dores no joelho. O resultado todo mundo já sabe: o astro do Golden State Warriors ficará um mês fora das quadras. Sem ele, autor de 25 pontos por jogo, o time de Oakland teria que voltar a jogar basicamente com o mesmo núcleo que foi campeão da NBA em 2015 e vice em 2016.

Sem problemas, então, para os comandados de Steve Kerr, certo? Nada disso. Desde que o camisa 35 saiu o Warriors, que hoje enfrenta o Sixers em casa, tem 4 derrotas em seis jogos (três seguidas), apenas a décima-oitava melhor campanha do mês de março e o San Antonio Spurs empatado com ele na liderança do Oeste (ambos têm 14 derrotas). Fica a pergunta: é possível explicar queda tão vertiginosa assim? Vamos tentar.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

O primeiro e principal motivo atende pelo óbvio: Steph Curry e Klay Thompson estão arremessando incrivelmente mal desde que Kevin Durant se machucou. Com Durant em quadra, Curry e Thompson tinham, respectivamente, aproveitamentos 39% e 40% nas bolas de três pontos. Em março, 28,6% para cada um deles. Sobre Steph, duas vezes seguidas o MVP da temporada regular, um dado ainda mais estarrecedor: ele ERROU 58 de suas 76 últimas tentativas de três pontos (23% de acerto apenas). Para piorar as coisas, o volume de arremessos tentados aumentou sem o camisa 35 em quadra. Steph, que chutava 18 vezes por jogo, passou para 23. Klay saltou de 17 para 20. Com percentual de conversão tão baixo, já que estão muito mais vigiados, vocês conseguem imaginar o estrago que isso causa para a equipe, que não só não pontua mas também permite rebotes longos para seus adversários e a chance de pontuar em contra-ataque.

 

Outro ponto fundamental é que o atual elenco de apoio do Warriors é MUITO pior que o da temporada passada. Não dá pra dizer que foi um erro, mas sim uma escolha feita pela franquia quando trouxe Kevin Durant e, para acomodar o salário de mais de US$ 26 milhões em 2016/2017 do craque, teve que abrir mão de peças importantes. Os danos colaterais eram esperados mesmo. A oportunidade de adicionar um quarto All-Star fez com que o elenco ficasse menos profundo, com menos opções. Quando Durant sai machucado este problema aparece. Em 2015/2016 Harrison Barnes, Marreese Speights, Festus Ezeli, Leandrinho, Brandon Rush, Shaun Livingston, Ian Clark e Andrew Bogut traziam 56 pontos por noite para a equipe. Destes, apenas Livingston e Clark ficaram, e agora a rotação conta com nomes como Zaza Pachulia, JaVale McGee, Patrick McCaw, Kevon Looney, David West e Matt Barnes, que adicionam apenas 34 pontos por noite. O número é 40% menor que o de 2015/2016.

Há um terceiro fator que atende pela defesa no garrafão. Os números defensivos do Golden State são muito parecidos com os da temporada passada (104,1 pontos e 43,5% nos arremessos em 2015/2016 contra 105,3 e 43,8% em 2016/2017), mas há uma diferença enorme quando você tem Andrew Bogut e Festus Ezeli protegendo o seu aro em relação a JaVale McGee e Zaza Pachulia. Principalmente em relação a inteligência para coberturas e proteção de aro que o australiano Bogut trazia para o time (e isso nem sempre aparece em estatística). Some-se a isso a fase apenas verborrágica de Draymond Green, que tem se metido em polêmica quase a todo minuto, e o resultado não é muito bom. Green, All-Star e líder emocional da equipe, reduziu todas as suas médias de 2016 para 2017 e tem chutado terríveis 31% nas bolas de três pontos, seu pior índice desde o ano de calouro.

O último problema pode ser o vestiário. Na madrugada de sexta-feira, após o time perder de forma apática para o Minnesota Timberwolves fora de casa, Andre Iguodala foi avisado apenas pela imprensa que os principais jogadores do time, inclusive ele, seriam poupados pelo técnico Steve Kerr da aguardada partida contra o San Antonio Spurs no sábado. A reação do MVP das finais de 2015 foi uma mistura de surpresa e ironia: “Sério? Sério isso? OK, eu faço tudo o que meu mestre (o técnico Kerr) mandar”. O treinador ainda tentou colocar panos quentes, dizendo após a derrota no Texas que Iguodala é assim mesmo, brincalhão, mas não ficou muito legal, não. O desequilíbrio emocional pode ser visto também em Curry. Irritadiço, ele tem comportamento bem diferente dos últimos três anos, quando só sorria na quadra. Hoje em dia em qualquer lance lá está ele reclamando, balançando a cabeça ou reprovando algo. Para quem viveu acertando mais de 45% de seus arremessos longos deve ser difícil conviver com percentual tão menor assim de conversão.

É óbvio que o Golden State Warriors segue como um dos favoritos a ganhar o Oeste e chegar na final da NBA. Ganhar o título da liga continua sendo uma possibilidade pra lá de grande. A franquia tem um timaço de bola e provavelmente terá Kevin Durant ainda nas últimas semanas da temporada regular, mas o momento é de sinal amarelo em Oakland.

Desde que Steve Kerr chegou o time nunca havia perdido três vezes consecutivas em temporada regular. Agora é a hora de Steph Curry, Andre Iguodala, Klay Thompson e Draymond Green mostrarem que há, sim, performance de alto nível no Golden State Warriors sem Durant. Como sempre foi até seis meses.


Analisando a eleição de Guy Peixoto e mais uma aprovação de contas da CBB
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Fábio Balassiano

Guy Peixoto é o novo presidente da Confederação Brasileira. Eleito com 17 votos (seu oponente Amarildo Rosa teve 9, houve uma abstenção e o Tocantins não pode votar), Guy assume uma CBB dívida de mais de R$ 17 milhões e suspensa pela Federação Internacional.

Seu primeiro (e corretíssimo) ato foi pegar um avião rumo a Suíça para, nesta semana, tentar mostrar aos dirigentes do alto escalão do basquete mundial que uma estratégia emergencial, chamada por ele e seu time de “Plano de 100 dias”, estará em curso a partir de agora. O objetivo: retirar a suspensão que impede clubes e seleções brasileiros de jogar competições internacionais.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

Está claro que os desafios de Guy Peixoto serão imensos. Estarei como sempre vigilante a esta nova gestão da Confederação Brasileira, mas obviamente sabendo que a nova gestão precisará de tempo para analisar o cenário de terra arrasada da entidade (mesmo tempo que dei a Carlos Nunes em 2009 e que concederia em qualquer novo mandatário da CBB). Alguns fatos, ainda sobre a eleição, merecem ser levados em consideração e analisados por aqui. Vamos lá:

1) Além da votação no presidente em si, os 27 votantes liberados para o pleito (todas as Federações menos Tocantins e Associação de Atletas) tinham uma coisinha importante a fazer na sexta-feira no Comitê Olímpico Brasileiro: aprovar ou reprovar as contas de 2016 do (agora) ex-presidente Carlos Nunes. Os resultados (eleição e contas) encontram-se ao lado e estão claríssimos. Quinze presidentes de Federação aprovaram os resultados financeiros da CBB em 2016, 11 reprovaram e outra se absteve.

2) As aberturas encontram-se na figura ao lado (clique para ampliá-la). Apurei e coloco no blog como os presidentes de Federação e a Associação de Atletas votaram tanto para o presidente quanto para a aprovação ou reprovação das finanças da CBB em 2016. Em uma olhadinha rápida, todos os que elegeram Guy Peixoto chancelaram o balanço de Nunes em 2016 com exceção de MG, que se absteve. Os que reprovaram votaram em Amarildo. Não é coincidência. Vale dizer também que Rio Grande do Norte, que não votou para presidente, reprovou as contas. Pela primeira vez os Atletas votaram contra (analisarei adiante).

3) Presidentes de Federação normalmente são políticos, e até para analisar balanços financeiros votam… politicamente (e não financeiramente, como deveria ser). Para se ter uma ideia da coerência, ou falta dela, em relação a estes rapazes, em 2016 apenas três reprovaram o Balanço recheado de dívidas da CBB (Maranhão, Goiás e Pará). Estes agora aprovaram – e a situação piorou terrivelmente, sabemos. Os que antes chancelaram o trabalho de Carlos Nunes agora… reprovaram. O que mudou? Estes descobriram agora, só agora, que a situação da entidade é falimentar? Os que antes reprovavam passaram a aprovar por qual motivo?

4) Para responder a pergunta acima eu fui conversar com 4 presidentes de Federação. Dois que aprovaram e dois que reprovaram. Todos foram na mesma linha: o grupo de choque de Guy Peixoto aprovou as contas para ter acesso livre a todas as informações da CBB de Carlos Nunes.

Não é a maneira que eu lidaria com isso, mas foi uma estratégia em conjunto de quem sabe que terá muita coisa para tirar dos porões da Confederação. Os que reprovaram o fizeram porque já sabiam que perderiam a eleição e seria uma forma de retaliar o agora ex-presidente da entidade.

5) Sobre a votação para presidente em si, chamam a atenção os votos de Rio de Janeiro e São Paulo. As duas maiores Federações do país votaram em Amarildo Rosa. Têm representatividade, sem dúvida alguma, mas juro que gostaria de entender as razões do voto. Nada contra Amarildo, pelo contrário, mas houve algum motivo especial para que especificamente SP e RJ optassem pelo lado que acabou saindo derrotado? Ademais, como Guy Peixoto lidará com seu, digamos, grupo de eleitores e não eleitores? Seus votos vieram, em sua grande maioria, de Norte e Nordeste, antigos centros eleitorais que elegeram Grego no final do século passado.

6) Não poderia deixar de elogiar a postura da nova gestão da Associação de Atletas. Não pelo voto em Guy Peixoto em si, porque aí é uma questão de análise dos candidatos e eu não posso dizer quem está certo ou errado, mas sim pela coerente reprovação das contas. As contas da CBB são tenebrosas, e não faz o menor sentido aprová-las (nenhum motivo!). Vale dizer que o mandatário anterior, Guilherme Giovannoni, jogador de Brasília, aprovou TODAS as contas de Carlos Nunes desde que passou a votar. Em seu primeiro ato como novo mandatário da Associação, Guilherme Teichmann, bom ala-pivô do Pinheiros, optou por reprovar algo que está muito ruim. Mesmos nomes, posturas completamente diferentes, né? Ainda bem!


Warriors? Cavs? Saiba como ‘velocista’ coloca o Wizards como o melhor da NBA em 2017
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Fábio Balassiano

A temporada da NBA está polarizada em Golden State Warriors e Cleveland Cavs, times que fizeram as duas últimas finais e que surgem como grandíssimos favoritos para repetir a dose na decisão deste ano. O que pouca gente nota é que em 2017 a melhor campanha da liga não é nem do time de Steph Curry e nem do de LeBron James. O Washington Wizards, do velocista John Wall, armador considerado um dos jogadores de basquete mais rápidos do mundo, possui 25 vitórias em 33 jogos e lidera não só em número de triunfos, mas também em aproveitamento (76%). Desde janeiro o Cavs é apenas o nono (18-14) e o Warriors, o terceiro (23-9). O San Antonio Spurs é o segundo melhor com 24-8.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

No total o Washington, que hoje enfrenta fora de casa o Minnesota, tem 41 vitórias em 65 jogos e em grande fase ganhou 7 dos últimos 10 duelos, 11 dos 14 mais recentes e está em segundo lugar na conferência Leste, atrás apenas do Cleveland, que tem 43-21. Para quem começou a temporada perdendo os três primeiros duelos, ainda com o gosto de não ter se classificado ao playoff em 2015/2016 em um campeonato pra lá de frustrante e com um técnico que em 2015 havia sido demitido de Oklahoma (Scott Brooks) no comando, dá pra dizer que atingir este patamar é, sim, uma agradável surpresa. E o sucesso da franquia da capital norte-americana passa totalmente por Wall, que consegue cruzar a quadra inteira em menos de cinco segundos.

Um dos mais prestigiados armadores da atualidade, o camisa 2 tem as médias de 23,1 pontos, 45% nos arremessos e 10,8 assistências (todas as melhores de uma carreira de sete anos na NBA). Se seu arremesso de três pontos continua errático (31,7% em 2016/2017, índice idêntico ao de sua trajetória profissional), Wall melhorou em liderança, em capacidade de envolver seus companheiros. A segunda melhor média de assistências fala um pouco sobre isso, mas não tudo. A forma como ele passou também a defender estimula seus companheiros a pressionar a bola e a levar o Washington adiante. Mas não foi assim fácil que a transformação chegou.

Após a primeira partida da temporada (derrota fora de casa contra o Atlanta Hawks por 114-99), Brooks não poupou a sua maior estrela e disse que nunca havia visto uma marcação tão ruim quanto a que tinha visto de John Wall. A velocidade que Wall usava para correr para o ataque com a bola era inversamente proporcional a que ele voltava para marcar na defesa. Crítico, o camisa 2 não bateu boca com seu novo treinador, mas sim procurou-o para analisar os problemas. Brooks o recebeu com um vídeo de 10 minutos contendo suas maiores deficiências defensivas. Não era uma questão grave, mas basicamente de retorno rápido à marcação e impedir que seu rival cortasse facilmente rumo a cesta. O jogador decidiu implementar o que o novo chefe indicou. Deu certo. A transição ataque-defesa melhorou muito, Wall se tornou um atleta mais completo, o Wizards passou a não levar mais tantos pontos em contra-ataque e os resultados apareceram.

Se foi duro com Wall no começo, Brooks, adepto ao jogo fluído e leve da NBA atual, também soube elogiar o seu comandado quando ele foi escolhido para o All-Star Game de Nova Orleans: “Ele não é só um jogador muito rápido. Acho incrível quando ele vai de um extremo ao outro da quadra em menos de cinco segundos, mas John tem sido fundamental também no vestiário, estimulando e elevando o nível de seus companheiros. Treinei jogadores excepcionais em Oklahoma, joguei com outros tantos em Houston, e o que ele tem feito por aqui é realmente acima da média. Excepcional mesmo”, afirmou o treinador que comandou Russell Westbrook, um dos melhores armadores da liga, no Thunder, e que, quando atleta, foi campeão com o Houston Rockets de Hakeem Olajuwon.

É óbvio que John Wall é o nome que mais chama atenção neste Washington, mas o que deixa uma pulga em todas as orelhas é tentar entender como um time que não se classificou ao playoff em 2016 se candidata, em 2017 e basicamente com o mesmo núcleo, a ir longe no mata-mata da conferência Leste. É uma questão que ainda não encontra uma resposta nos números, mas sim nos fatos. Se a base tática e técnica é praticamente a mesma de quando o técnico Randy Wittman estava por lá, se ataque e defesa estão hoje entre os dez primeiros da liga, mas não entre os cinco (ou seja, são bons mas não excelentes), aparentemente a química do vestiário mudou com a chegada do técnico Scott Brooks, considerado um “player’s coach“, o que, em uma tradução livre, seria como um treinador que fala a língua dos atletas. Um punhado de jovens talentosos (o mais velho do elenco tem 33 anos) que jogava de forma praticamente individualizada até a temporada passada se tornou um time coeso e talentoso. Uma grande história, não há dúvida.

É óbvio que as recentes aquisições de Bojan Bogdanovic (o ala croata trazido do Nets adiciona 16 pontos de média) e do armador Brandon Jennings aumentam a profundidade do banco de reservas e que o crescimento de Bradley Beal (23,2 pontos), Otto Porter Jr. (14,2) e Markieff Morris (14,3) contam muito, mas o sucesso do Washington, que também tem o polonês Marcin Gortat (11,5 pontos) como peça importante da rotação curta de Brooks, passa mesmo pelo crescimento em ataque e defesa de Wall, um dos melhores jogadores da NBA na atualidade.

O Wizards, eliminado em 2016 ainda na fase regular, se permite sonhar com voos maiores graças a John Wall.


Suspensa, CBB realiza eleição a portas fechadas na sede do Comitê Olímpico Brasileiro
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Fábio Balassiano

Chega ao fim hoje a Era Carlos Nunes. Presidente da Confederação Brasileira por longos 8 anos, Nunes é o responsável maior por colocar na lama o nome da modalidade no país. Assolada por uma dívida de R$ 17 milhões ao final de 2015, com credibilidade negativa e culminando com a suspensão da Federação Internacional (FIBA) no mínimo até o final de maio deste ano, o mandatário põe um ponto final na pior gestão que a CBB já viu (e olha que ele teve a concorrência de Gerasime Bozikis, seu antecessor).

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

Como fecho de “ouro”, Nunes realiza o pleito desta sexta-feira que tem como candidatos Guy Peixoto (o favorito) e Amarildo Rosa, ambos entrevistados neste espaço esta semana, mais uma vez a portas fechadas. Ou seja: ninguém, com exceção dos eleitores (presidentes de Federação e Associação de Atletas) e candidatos, terá acesso a mais esperada eleição da CBB dos últimos anos. A FIBA pedia transparência, seriedade e credibilidade. A Confederação, em seu último ato de uma gestão tenebrosa, reage assim. Incrível!

Nem um pouco adepta a liberdade de imprensa e da difusão da informação, a Confederação sequer faz questão de esconder o seu lado censor, colocando no site a seguinte atrocidade: “Os profissionais credenciados da imprensa somente terão acesso ao recinto da Assembleia para o momento de apuração de votos no processo eletivo, conforme consta do Edital de convocação”. Se não podemos (jornalistas) acompanhar o processo eleitoral de forma completa, vale a pena fazer o que lá então? Nada, né? Vale dizer que antes de eleger o novo mandatário os presidentes de Federação e a Associação de Atletas vão aprovar ou reprovar as contas de Carlos Nunes referente ao ano de 2016 (minha curiosidade é imensa em relação às justificativas dos votantes neste quesito e sobretudo com os números que do Balanço Financeiro sairão).

O mais bizarro de tudo é que o pleito acontece na sede do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que indiretamente acaba concordando com um sistema de eleição deprimente, retrógrado, arcaico e que lembra os piores tempos da ditadura. Triste, pra dizer o mínimo. Mas fica a pergunta: se o Comitê chancela isso abrindo as suas dependências para uma eleição a portas fechadas, sem que a imprensa possa exercer livremente o trabalho de informar o que se passa, o que esperar do COB?

Vamos acompanhar os movimentos que esta sexta-feira nos reserva. Ficarei bastante surpreso se Guy Peixoto não for eleito. Em todas as conversas que tive o empresário, que tem o apoio de muitos ex-jogadores, aparece como grande favorito a presidir a CBB nos próximos quatro anos. Torçamos para que ele ou Amarildo Rosa não tragam somente cores novas em termos de gestão, mas sobretudo ares de transparência, credibilidade e abertura ao público. Já seria um excelente começo em uma entidade que se acostumou a tentar censurar o trabalho de quem deve sempre fiscalizar o poder – ainda mais uma entidade pessimamente gerenciada como esta que Carlos Nunes e seus colegas administraram por oito anos.

Fechar uma eleição é o cúmulo do absurdo. Mas segue acontecendo no basquete. Desta vez nas barbas do Comitê Olímpico Brasileiro. Nada mais triste.


Começa o mês da eleição presidencial da Confederação – o que esperar do pleito?
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Fábio Balassiano

Chegou o mês de março. Antes das águas fecharem o verão há uma eleição da suspensa Confederação Brasileira por vir. Ela acontecerá no dia 10 de março, no Rio de Janeiro, e terá dois candidatos – Amarildo Rosa, presidente da Federação do Paraná, e o empresário Guy Peixoto. Os dois, aliás, receberam perguntas do blogueiro e, caso respondam, estarão aqui na próxima semana com seus argumentos.

Sobre o pleito, alguns pontos importantes merecem ser levantados. No modelo arcaico em que vivemos, 27 presidentes de Federação (Estados + Distrito Federal) e Associação de jogadores têm direito a voto e decidirão os destinos do basquete do país nos próximos 4 anos (o novo presidente precisa, portanto, de 15 para ser eleito). Só isso e mais nada.

Vale dizer que, pouco antes da votação começar, são estes mesmos rapazes que aprovam ou não as contas de 2016 do ainda presidente Carlos Nunes (Pará, Maranhão e Goiás surgem como boas exceções, batendo de frente contra o sistema e reprovando os buracos cebebianos com frequência). Não custa lembrar que nos últimos anos essa galerinha gente boa tem aprovado tudo o que Nunes fez. E tudo o que Nunes fez, no caso, é colocar a dívida da entidade em R$ 17 milhões, gerar uma suspensão internacional e fazer o basquete brasileiro ser motivo de chacota (mais informações aqui e aqui). Aqui vale detalhar um pouco os atletas, no nome do senhor Guilherme Giovannoni, que até o final de 2016 presidia uma Associação de Atletas que deveria brigar por condições melhores para os jogadores – e não para chancelar coisas tenebrosas como ele fez. Desde que passou a ter direito a voto nas Assembleias, Giovannoni e seus representantes (Douglas Viegas, seu vice) aprovaram TODAS (vou repetir: TODAS) as contas de Carlos Nunes. Vai entender…

Mas, bem, voltando. Como toda confusão no basquete brasileiro é bobagem e sempre cabe mais loucura, um dia antes da eleição e da aprovação das contas haverá uma assembleia em que será votada a efetivação da força-tarefa proposta pela Federação Internacional no final do mês de janeiro. Guy Peixoto é contra. Amarildo Rosa (foto), por sua vez, aceita a força-tarefa. Não consigo entender bem o motivo dessa votação prévia, mas é assim que será e ainda preciso entender para que ela serve. No momento é suspense total.

Vale lembrar que a CBB está suspensa no mínimo até o final de maio de 2017, com a FIBA tendo que rever a situação da entidade máxima do basquete brasileiro após isso. As duas seleções Sub-19 (masculina e feminina) atualmente estão fora de seus Mundiais. Caso o novo presidente consiga reverter a situação / suspensão, as duas equipes poderão atuar, mas é algo improvável. O olhar, porém, deve estar até mais à frente. Caso a FIBA mantenha o pulso firme, o basquete brasileiro pode até mesmo ser desfiliado, ficando fora das Eliminatórias para os próximos Mundiais (Feminino em 2018 e Masculino em 2019) e os clubes nacionais mais uma vez fora de competições continentais.

Pelas conversas que tenho tido, Guy Peixoto surge como favorito a vencer a eleição do dia 10 de março. Seu plano de gestão de fato parece ser muito bom pelo que puder ler (está disponível aqui, algo raro em termos de transparência e credibilidade – e que fique claro que aqui não há NENHUM apoio a candidato algum, mas apenas análise de cenário), mas a gente sabe que em eleição de Confederação votam 27 presidentes de Federação e estes caras não ligam exatamente para o bem do basquete. São muito mais afeitos a vaidades e tapinhas nas costas do que qualquer outra coisa.

O dia 10 de março marcará a saída de Carlos Nunes da Confederação. Sai de cena o pior presidente da história da CBB (conseguiu superar Grego neste sentido, o que é um feito e tanto) e entrará alguém para literalmente limpar as atrocidades que Nunes cometeu durante 8 anos. Guy ou Amarildo assumirá uma entidade endividada, sem credibilidade, suspensa e com patrocinadores escassos. O cenário é de terra arrasada, não há a menor dúvida.


Favoritos ao título da NBA, reforçados e preocupados, Cavs e Warriors planejam playoff
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Fábio Balassiano

Os dois maiores favoritos ao título da temporada 2016/2017 da NBA só pensam no playoff. E estão em ritmos bem parecidos: olhando o mercado para novas contratações e bastante preocupados. O Cleveland Cavs com JR Smith, machucado desde o começo do campeonato, e Kevin Love, que operou o joelho recentemente. Ambos só retornam no mata-mata (exatamente em que fase ninguém sabe). O Golden State Warriors, com Kevin Durant, que ontem à noite contra o Washington Wizards teve uma hiperextensão do joelho e será avaliado ainda hoje na capital norte-americana para saber o dano real de sua lesão.

O Golden State é o mais preocupado, na verdade. Está fazendo orações desde o momento em que aconteceu isso aqui em Washington na noite de ontem, ó:

É isso mesmo. Marcin Gortat, bruto pivô do Wizards, empurrou Zaza Pachulia e o jogador do Warriors acabou se chocando contra o joelho de Kevin Durant. O camisa 35 foi ao vestiário, onde foi detectada a hiperextensão do joelho e não mais voltou. A preocupação é imensa. Pode não ser nada grave, mas também pode ter acontecido ali um rompimento de ligamento, que faria Durantula perder o restante da temporada. De acordo com o sempre bem informado Woj, do The Vertical, o time já trabalha com a possibilidade do ala só retornar para os playoffs do Oeste. O resultado oficial será divulgado hoje.

Temendo o pior o Golden State se reforça. O time anunciou ontem a contratação do ala Matt Barnes, ala que joga na mesma posição de Kevin Durant. Barnes jogou na franquia em 2007, colocou emotiva mensagem em seu Instagram e chega para assumir um pouco da responsabilidade que a ausência de Durant vai causar. Um fato interessante, e ao mesmo tempo triste, é que o Warriors já tinha planejado contratar o espanhol Jose Calderón, demitido do Lakers no começo da semana. Com a mudança repentina causada pela lesão do seu camisa 35, a franquia decidiu mudar de direção. Vai honrar a sua palavra ao assinar com Calderon para pagar tudo o que havia combinado, mas irá demiti-lo no momento seguinte para fechar com Barnes. Acabou que, no final das contas, o espanhol ficou sem time a um mês do começo do playoff e terá que procurar uma nova equipe a partir desta quarta-feira.

Do outro lado está o Cleveland Cavs. Um pouco mais tranquilo, mas não tanto. Dois titulares do time campeão da temporada passada, JR Smith e Kevin Love, estão fora e só retornam nos playoffs. A grande vantagem é que a franquia de Ohio foi brilhante no mercado para contratar os jogadores que tiveram seus contratos rescindidos recentemente. Primeiro chegou Deron Williams para ser reserva de Kyrie Irving na armação. Ontem foi anunciada a contratação de Andrew Bogut, pivô que será o suplente de Tristan Thompson.

O interessante de Bogut é que ele faz o caminho invertido do brasileiro Anderson Varejão, que ano passado foi trocado pelo Cavs para o Portland. Depois Varejão assinou com o Warriors, que venceu o Cleveland na final de 2015. Bogut, por sua vez, foi trocado pelo Golden State para o Dallas, que o despachou para o Sixers, que o demitiu. Bogut, livre no mercado, optou por jogar contra o time que o venceu na final da temporada passada. Com isso o elenco do Cavs fica absurdamente forte, com 11 jogadores excelentes fazendo a rotação que contará com Kyrie Irving, JR Smith, LeBron James, Kevin Love e Tristan Thompson no time titular e Deron Williams, Iman Shumpert, Kyle Korver, Richard Jefferson, Channyng Frye, Derrick Williams e Andrew Bogut no banco de reservas. Sinceramente não me lembro de um elenco tão numeroso assim nos últimos tempos. Acho que agora LeBron James, que vinha reclamando da falta de opções em Cleveland, não tem muitos motivos para lamuriar, né?

Assim caminham Cavs e Warriors rumo a terceira final consecutiva deles na NBA. O Cleveland ajustando suas peças e esperando o retorno (já confirmado) de Kevin Love e JR Smith para os playoffs. O Golden State, por sua vez, rezando para que a lesão de Kevin Durant não seja tão grave assim e se precavendo com a chegada de Matt Barnes.


Quinta-feira, 26 de janeiro, o caótico dia pra quem gosta de basquete no Brasil
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Fábio Balassiano

lnb1Se liga só em como foi a quinta-feira, 26 de janeiro de 2017, pra quem gosta de basquete no Brasil. Sente o drama e acompanha tudo comigo.

A menos de 72h do maior jogo do NBB na temporada, o Vasco x Flamengo que já foi adiado anteriormente, a Liga Nacional de Basquete, organizadora do campeonato, comunicou via Nota Oficial que a partida será realizada… com portões fechados. Não com as duas torcidas, nem com torcida única, mas sim sem um mísero torcedor no ginásio (a Rio Arena, a antiga HSBC Arena). Reforçando: era o evento considerado o MÁXIMO da fase regular da competição para a turma da LNB e que será (perdão pelo termo) decepcionante devido a uma lamentável atitude da Polícia do Rio de Janeiro, que não garante segurança alguma e que avisa aos clubes e a Liga horas antes da partida acontecer (notadamente na terça-feira passada). Mundo bizarro, não? O UOL explica mais profundamente a situação. Só uma perguntinha importante: como pode o GEPE e a Polícia Militar não garantirem a segurança de um evento com 4, 5 mil pessoas, número de entradas que o Vasco venderia? Estranho isso, não acham?

cbb1Acham que acabou? Não, não, não. Em matéria publicada em primeiríssima mão o UOL informou que a FIBA convocou todas as partes envolvidas no basquete brasileiro (LNB, CBB, os dois candidatos a presidência da Confederação etc.) para discutir a situação e esclarecer o que acontecerá com a modalidade por aqui após a suspensão que termina em 28 de janeiro (o famoso amanhã). O encontro será na Suíça em 3 de fevereiro na sede da entidade máxima do basquete no planeta.

cbb1Sinceramente não consigo entender o que está acontecendo nesta relação pouco ortodoxa de FIBA e CBB, mas aparentemente alguma coisa deu errado na tentativa de intervenção da Federação Internacional e que envolveria Ministério do Esporte e Comitê Olímpico Brasileiro.

Aqui não é informação, mas sim uma análise de cenário de quem, como eu, ouviu muita gente nas últimas 24 horas para entender melhor o tema. E me explico. Caso a FIBA tivesse uma solução para o caso envolvendo a CBB, onde realmente está o problema, sabemos bem, ela já teria informado às partes sobre os próximos passos e tudo mais. Como (aparentemente) não tem, e muito provavelmente Ministério e COB saíram do barco, coube a ela em um último recurso chamar os envolvidos no esporte da bola laranja no país para tentar encontrar uma solução no meio do caminho. Creio, inclusive, que a FIBA não tenha muita noção do que deva ser feito, chamando os envolvidos para informar do ocorrido e meio que, em português claro, lavar as suas mãos. Trevas total. O que está por vir? Não tenho ideia, mas tenho medo absurdo do pior – como sempre acontece quando o assunto envolve a Confederação.

tristezaEspero, do fundo da minha alma, que aquele famoso trecho introdutório e/ou conclusivo de alguns textos meus, quando coloco o já conhecido “mais um dia triste para o basquete brasileiro” não seja mais escrito por aqui, mas com tanta notícia ruim fica difícil acreditar no contrário. É uma pena, é uma tristeza absoluta dizer isso, mas é a mais pura realidade. Alguns trabalham, e bem, como é o caso da Liga Nacional, mas há tanta força jogando contra que ser otimista e pensar que as coisas irão melhorar por aqui é um verdadeiro devaneio.


É oficial: a NBA estará na TV Globo – apenas motivos para comemorar?
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Fábio Balassiano

globo1A notícia divulgada pela coluna Radar, da Revista Veja, no primeiro dia de 2017, se confirmou de forma oficial neste sábado, 7 de janeiro. A NBA será exibida na tela da TV Globo a partir desta temporada. De acordo com o comunicado oficial disponível no site do Sportv, que também é o site oficial da NBA no Brasil (insano, mas é isso, como informei no final de 2015), neste primeiro momento a emissora exibirá os melhores momentos apenas das finais a partir do jogo 4 (possibilidade de ter, portanto, quatro partidas na tela).

arnon1Sei que muita gente torce o nariz quando o assunto é Rede Globo, mas sinceramente acho uma doideira qualquer tipo de crítica em relação ao tema do post. E o assunto de NBA na Rede Globo era algo que já estava na mesa há tempos, conforme entrevista publicada por este espaço com Arnon de Mello, chefe do escritório da liga no país, logo no começo de 2016 (relembre aqui).

nba1A Globo, assim como outra empresa qualquer, visa o lucro, pensa no negócio dela (que é gerar audiência) e está colocando um novo produto em sua grade de programação. Assim como foi com a NBA na Rede Bandeirantes na década de 80. Assim como foi com o UFC na própria Globo recentemente. Nenhum destes produtos entrou “ao vivo” direto e fazendo um estrondo de audiência. Provavelmente a direção do canal verá a performance (leia-se audiência), medirá a repercussão e pensará no que fazer para os próximos anos. Se quiser chamar a final de 2017 do melhor basquete do mundo de “Projeto Piloto”, algo muito normal no mundo corporativo, para a Rede Globo é bem por aí.

globoLi todas as possíveis críticas (narração, nome dos ginásios, não ser ao vivo, apenas melhores momentos etc.), mas creio que neste momento, nós, os basqueteiros mais aficcionados e que acompanhamos a NBA com mais assiduidade, devemos ampliar o olhar e pensarmos em quantas pessoas serão impactadas com esta novidade. Pessoas, neste Brasil de mais de 200 milhões de pessoas e de inúmeras realidades, que não têm acesso a TV a cabo, a internet, a blogs, a quase nada que não seja uma rádio e/ou uma televisão que pegam apenas os canais abertos. Querer que um produto de nicho continue sendo apenas um produto de nicho é, no final das contas, egoísta pra caramba e lembra muito aquele fã que acompanha uma banda desde o começo e que fica chateado quando ela (a banda) faz sucesso, passando a ter mais pessoas para “dividir” o amor / conhecimento. Em esporte, quanto mais gente acompanhando melhor – em todos os aspectos, mas sobretudo pelo lado financeiro da coisa. Para quem já foi impactado, e gosta de basquete, nada muda. Nós, os “heavy-users“, continuaremos a consumir este esporte maravilhoso em internet, tv a cabo, revistas, blogs etc. . É assim que funciona, não?

lebron2Vocês já pararam pra imaginar a quantidade de gente que passará a ter contato com LeBron James, Steph Curry, Kevin Durant, Kawhi Leonard, Kyrie Irving, entre outros, que NUNCA sequer soube da existência da NBA? Quantos novos fãs / consumidores / amantes do jogo estarão sendo formados pelo simples fato de uma liga profissional de basquete ter um espaço importante na maior emissora de televisão da América Latina? Conseguem mensurar quão “expansível” torna-se o produto no país com ele chegando a, sei lá eu, mais de 100 milhões de habitantes? É um impacto absurdo, gente! E isso é bom pra todo mundo, né? Anunciantes, jornalistas, clubes, Liga Nacional e seu NBB etc. .

kawhi2Vale dizer uma coisa importante. É muito óbvio que os tempos mudaram e que o acesso a informação é bem diferente daquele da década de 80. Lá, os melhores momentos eram a única forma que o fã de basquete tinha de acompanhar e até mesmo saber dos resultados dos jogos. Hoje, sabemos, não é bem assim. Com a internet o resultado é “em tempo real”, pra usar uma expressão da moda, e pode ser que o impacto seja menor que aquele de 30, 20 anos atrás. Isso é um fato cristalino e negar isso não me parece inteligente.

sternDe todo modo, eu encerro este texto relembrando uma frase de David Stern, ex-comissário da NBA na década de 80 e responsável maior pela expansão da liga pra fora da fronteira: “Highlights are marketing” (“Melhores momentos são marketing“). E vocês entendem o significado disso, né? Difusão, informação, tornar conhecido um produto até então desconhecido, alcance maior de marcas (times) e atletas (também marcas) e tudo mais. Se não é o ideal, porque somos muito ansiosos e queremos tudo pra ontem, tipo com jogos todos os dias da semana no lugar da novela e só se for ao vivo e com direito a mesa redonda no dia seguinte às 9h da manhã pra discutir a rodada, creio ser um movimento pra lá de interessante e mais uma etapa da expansão da NBA no Brasil.

nba2Vale relembrar a linha do tempo histórica da liga no país: escritório montado, três jogos de pré-temporada por aqui, dois clubes indo jogar na pré-temporada nos Estados Unidos, aumento no número de transmissões, crescimento no número de vendas do League Pass, inúmeros eventos do NBA 3X, primeira loja física lançada (no Barra Shopping, Rio de Janeiro), o maior canal de esportes da tv fechada do país comprando os direitos da liga (Sportv), NBA House durante as Olimpíadas com sucesso total, álbum de figurinhas nas bancas e agora a informação de que as finais estarão disponíveis também em TV aberta.

Juro que, crítico que sou, gostaria de achar problemas com a chegada da NBA à TV Globo. Pode ser uma visão até certo ponto romântica e/ou ingênua, mas não encontrei ainda. Pra mim, só há coisas boas com o acesso do melhor basquete do mundo a um número ainda maior de pessoas por aqui.