Bala na Cesta

Arquivo : abril 2017

Melhor armador do NBB9, Fúlvio faz balanço sincero de sua carreira
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Fábio Balassiano

Fúlvio Chiantia de Assis é um dos armadores mais completos do país há muito tempo. Com passes certeiros, visão de jogo acima de média e liderança apurada, ele se tornou uma das referências da posição no Brasil neste século. Aos 35 anos e com passagens por Limeira, Mogi, Franca, Uberlândia, Paulistano, Assis, Casa Branca, entre outros, ele é uma das principais armas de Brasília no duelo desta tarde em Bauru válido pelos playoffs do NBB (18h30 com Sportv). Os bauruenses têm 2-1 na série e passarão às semifinais com nova vitória.

Líder em assistências da temporada 2016/2017 do NBB com 7,6 por jogo, ele conversou com o blog sobre sua brilhante carreira e não deixou nenhuma pergunta sem resposta. Suas alegrias, seu legado, suas frustrações, a seleção que não vinha, as mudanças dentro e fora de quadra no basquete. sua rotina, seus arrependimentos. Vale a pena ler com atenção tudo o que Fúlvio tem a dizer.

BALA NA CESTA: Como tem sido essa temporada do NBB pra você? Você fez alguns jogos excelentes e é um dos melhores armadores da temporada. O que você pensa sobre o seu campeonato?
FÚLVIO: Todo mundo brinca comigo que depois que eu virei veterano é que passei a cuidar mais do corpo. Mas é isso mesmo, sabia? A minha disciplina mudou muito na parte física. E as mudanças em Brasília foram essenciais. A chegada do preparador físico Leo, um cara fantástico, me ajudou muito, e isso tem feito a diferença pra mim. Entra, também, o momento, o grupo que joga comigo. Eu sempre gosto de distribuir o jogo, mas em Brasília nesta temporada tenho conseguido arremessar um pouco mais também. Toda mudança gera muita expectativa, e as mudanças em Brasília da temporada passada para essa creio que foram boas para a nossa equipe. Estou muito feliz de estar fazendo uma boa temporada novamente.

BNC: Você falou sobre essa sua qualidade de passar a bola, e essa sua qualidade te faz meio que um professor de outros armadores. O Ricardo Fischer jogou com você em São José e hoje é titular do Flamengo. O Deryk cansa de dizer que aprender incrivelmente com você em Brasília e tantos outros. É algo que, aos 35 anos, te orgulha, ou seja, ser reconhecido pelos seus pares?
FÚLVIO: Fico feliz, lisonjeado e mesmo quando isso não é divulgado eu sei que é a maior vitória que um profissional pode ter. Ouvir de um atleta que ele aprendeu com você, te inspira, isso é maravilhoso. Neste Jogo das Estrelas, em São Paulo, alguns jovens atletas chegaram pra mim e disseram que aprendem muito comigo quando me assistem na quadra, que tentam imitar meus passes, isso é gratificante demais. Esse reconhecimento é gratificante demais. Outra coisa que eu escuto e que gosto muito é quando os pivôs vêm falar comigo. Alguns deles viram pra mim, adversários, e falam: “Quando eu vou jogar com você?”. E é verdade mesmo. Eu uso muito os pivôs e falo pra eles que eles precisam me usar como escada. Sei utilizá-los bem, meu primeiro passe é sempre pra eles e fico muito feliz quando ouço alguns deles me dizendo isso. Murilo, Fiorotto, Varejão, agora o Lucas Mariano, tantos outros. Eu gosto de passar o que eu sei, entende? E pra passar você precisa ter a carta branca do seu treinador…

BNC: E quem te deu essa carta-branca pela primeira vez?
FÚLVIO: Eu sempre tive, acredita? Desde as categorias de base. Desde Limeira, onde joguei a base, foi assim.

BNC: Eu sei, mas perdão lhe cortar. Quando você está na base, meio que o grande jogador é o dono do time, tem a liberdade do técnico, o próprio treinador depende muito daquele que é o melhor do grupo. No adulto já é diferente, pois quando você chega tem muitos do mesmo nível e o jovem que chega precisa ganhar espaço, confiança e a liberdade do treinador, entende? Quem foi o primeiro cara que te disse algo do tipo “joga seu jogo que eu seguro as pontas aqui”?
FÚLVIO: Entendi. O primeiro foi o Eduardo Agra (hoje comentarista da ESPN), que foi quem me levou para o Paulistano e era técnico de lá. Eu era primeiro ano de juvenil e ia jogar também o adulto, cujo titular era o Gustavo de Conti, atualmente o técnico do time profissional do Paulistano. Você vê como eu estou velho, Bala (risos). E aí o Agra colocou o Gustavinho, que na época era muito bom e ganhava todos os troféus de base em São Paulo, no banco e eu era o titular. E sempre me dando uma liberdade absurda para criar, para desenvolver meu jogo, para comandar a equipe. Aí eu fui pra Uberlândia com o Carioquinha e logo depois eu fui para Casa Branca, onde tive certo destaque com o Marco Antonio Aga. Ele também me deu total liberdade. Eu era o segundo armador no Paulista, mas já jogando 25, 30 minutos, e aí na Liga Nacional ele me efetivou como titular. Deu o time na minha mão, sabe? Deu carta-branca total, total mesmo. Tinha 19, 20 anos. Com o Daniel Wattfy em Franca os medalhões tinham saído, não tínhamos tanta responsabilidade e eu fui titular também com total possibilidade de jogar como eu gosto. Foi quando eu joguei com o Anderson Varejão. Fizemos um Paulista fantástico. Aquele time era muito bom para todos os jovens aparecerem. Eu surgi pro mercado, o Anderson foi embora pra Europa e assim eu fui para Mogi com o Carlão, um timaço que tinha Demétrius, Brent, Farofa, uma galera experiente e com quem aprendi muito.

BNC: Você tem a cabeça de técnico, né? Todo mundo vê isso. Já pensa nisso pro seu futuro?
FÚLVIO: Não, não. Eu não penso em ser treinador e pra te ser sincero eu não penso em nada ainda para o meu futuro. Eu amo tanto o que eu faço, que é jogar, que eu não coloco nada extra em minha vida no momento. É treinar, estudar, relaxar, me preparar e jogar. Alguns caras me falam: “Vai se preparando”. E eu não faço. Gosto de viver isso aqui intensamente. De acordar cedo, ir pra academia, depois pro treino, voltar, almoçar, descansar e nas últimas temporadas isso tudo tem dado muito certo. Eu me dedico a isso, gosto do que eu faço e ainda não penso em nada. Vou jogar até meu corpo pedir arrego. E isso ainda está longe.

BNC: Você nunca teve tantas chances na seleção, né? Por que você acha que isso aconteceu?
FÚLVIO: Em 2004 eu estava jogando muito bem, mas tive uma lesão grave no joelho. Já estava até com uma proposta da Itália em mãos, sabia? Fiquei um ano de recuperação e eu tive uma nova oportunidade em 2007 com o Moncho Monsalve. Ele me viu nos treinos do time que ia ao Sul-Americano e me puxou para a equipe que ia o Pré-Olímpico na Grécia. Só que eu nunca tinha jogado um torneio daquele nível, daquela importância, contra rivais tão duros. E ali eu vi claramente que eu não estava preparado, não estava pronto. Tinha 25 anos, joguei 2 minutos e não rolou. Fui pressionado, perdi duas bolas, me derrubei psicologicamente e ele logo me tirou. Acabou com minha moral e não mais me colocou. Quando voltei desse Pré-Olímpico eu falei pra mim mesmo que tinha que ir jogar na Europa. Por qualquer valor, pra qualquer time, pra qualquer coisa. Eu precisava viajar, jogar fora, pra aprender, pra me desenvolver. Era mais que uma meta, era uma missão mesmo. O Moncho mesmo me disse que precisava me preparar. E eu acredito que tudo é hábito, rotina. Na Itália foi tudo muito bom, experiência incrível, apesar de ter ficado sem receber. No último mês de temporada eu lembro que fui para o Granada, na Liga ACB espanhola. Time mediano, estava pra cair e precisávamos ganhar 3 jogos de 5 pra se salvar. Foi maravilhoso e salvamos o time. Ali eu me senti preparado. Acreditei que voltaria a ser chamado, Bala. O Moncho foi até Granada falar comigo, treinei para a Copa América em 2009 e fui cortado. Naquele ano ele levou apenas o Huertas de armador, e Leandrinho e Duda para ajudarem no revezamento. Ali eu confesso a você que fiquei muito abalado, muito derrubado mesmo.

BNC: Com o técnico Rubén Magnano nunca rolou nada, né?
FÚLVIO: Em 2010 fui pro Sul-Americano com o João Marcelo e tinha esperança do Magnano me chamar para ao menos treinar para o Mundial. Mas não rolou. Depois eu fiz altas temporadas em São José, nunca fui chamado.

BNC: Vocês chegaram a conversar?
FÚLVIO: Não, nada. Nunca chegaram a falar comigo, sabe? Quem me deu muita força nessa época foi o Régis Marrelli, meu técnico em São José. Ele disse pra eu focar em minha defesa, no time, esquecer de seleção. O tempo passou, eu me lesionei de novo, fui pra Brasília, não joguei legal e acho que é isso. Aparentemente já tinha esquecido e aos 33, 34 anos a seleção apareceu novamente. Fui com o time do Sul-Americano em 2016 e aí sim o Magnano veio falar comigo. Me elogiou, disser que eu tinha mudado meu jogo, que passei a atuar dos dois lados da quadra e que ficava feliz por mim. Me botou esperança de eu ficar pro time olímpico, mas eu não caía mais nessa (risos).

BNC: Vou fazer uma pergunta difícil. Você sabe que é o melhor ou um dos melhores armadores do país. Como é o momento quando sai a convocação, você sabe que está entre os melhores, e não vê seu nome na lista do site da CBB? O que passa pela sua cabeça?
FÚLVIO: É um sentimento difícil de explicar. Porque tem época que você sabe que não vai ser chamado. O Magnano tinha muita coerência, isso é inegável. Ele fechou um grupo praticamente desde o início e foi com esse grupo até o final. É verdade também que eu também estava melhor que um determinado armador. Em 2012, por exemplo, a gente foi vice-campeão, eu estava jogando muitíssimo bem, e ele poderia até ter me cortado, mas era obrigação, na minha opinião, ele ter me levado. Eu era merecedor para estar ali. E acho que não fui porque daria dor de cabeça nos treinamentos, entende? Essa é a minha opinião, só isso. Ele precisava me dar aquele direito. Sabe o que o mais incrível? Jogadores de seleção, de renome, vinham falar comigo que eu merecia aquela chance, que eu merecia estar ali. Isso te faz ficar ainda mais chateado, se perguntando o porquê de estar acontecendo aquilo. Mesmo que ele fosse me chamar com a cabeça de cortar. Eu merecia estar ali e ficava muito chateado.

BNC: Quem mais ouvia as suas lamúrias? Sua esposa?
FÚLVIO: Ah, sem dúvida. Ela ouvia desde aquela época e ouve até hoje porque eu sou chato pra caramba. Quando a convocação não vinha conversávamos, ela me dava força, mas teve uma vez que pensei assim: “Chega, eu desisto”. Porque isso vai minando a sua cabeça, vai contaminando seu dia a dia e eu preferi deixar de lado. Era mais prudente em minha opinião. Já tinha esquecido de seleção e em 2016 me chamaram de novo. E se acontecer ano que vem eu estou lá de novo. E isso não tem nada a ver com patriotismo, mas sim porque eu amo jogar, amo estar ali e porque é um prêmio ao meu desempenho também. É status, é bom, é reconhecimento, é valorização. Quando você vê que há atletas melhores, a gente releva. Quando não é o caso, fica-se maluco mesmo. Acontece, né, Bala?

BNC: Como você vê o basquete hoje? Em relação ao NBB, por exemplo. Melhorou, né?
FÚLVIO: Muito, muito. Evoluímos bastante na parte técnica com a chegada de inúmeros estrangeiros de qualidade. Depois dá pra falar sobre a estrutura dos ginásios, que melhorou demais também. Vários jogadores novos apareceram, isso é ótimo e fala muito sobre o papel da Liga Nacional de Basquete também. Então acho que tudo está crescendo. Pro NBB ficar aquela liga fantástica acho que demora uns cinco, seis anos devido a crise econômica do país. Você vê times como São José fechando as portas, uma cidade fantástica e que ama esporte. Rio Claro e Limeira a mesma coisa. Isso não é bom. Chateia um pouco. Sempre falta uma coisinha, mas acho que não podemos ficar comparando. Me perguntaram sobre Euroliga, Liga ACB e não tem nada a ver. A seleção é parelha. Mas em termos de ligas, campeonatos, estamos longe ainda.

BNC: E em relação ao basquete mundial, que é um jogo recheado de chutes, chutes de fora, você gosta do que vê hoje em dia?
FÚLVIO: É, então, a NBA é um jogo a parte. É muito físico, tem muito um-contra-um e tem uns caras imarcáveis. Você pega um Russell Westbrook, por exemplo. Ele tem o jogo inteiro na mão dele, todo mundo sabe disso, todo mundo sabe o que ele vai fazer e o cara termina com média de triplo-duplo. Vai lá marcar e vê o que acontece! É difícil pacas. O LeBron James quando que ir pra cesta ninguém para. Steph Curry quando arremessa do meio da quadra e cai. Há alguns casos que até fazem mal quando a gente olha aqui, sabia? O Curry é um deles. Aquilo que ele faz lá tem uns garotos que tentam fazer no treinamento e obviamente dá errado. O cara é um fenômeno e por ser um fenômeno ele pode fazer aquelas doideiras dele. O resto, nós mortais, não (risos). Mas, voltando, eu gosto muito de ver o Chris Paul. O Westbrook eu gostava menos, confesso, mas dei o braço a torcer. Ele é na minha opinião um cara que se fosse pro atletismo também seria o melhor. É um atleta mesmo na acepção da palavra. Mas eu não gosto do estilo de jogo dele. O Chris Paul tem chance de ser campeão jogando no estilo dele. O Westbrook, jogando assim, não.

BNC: Tá doido, Fulvio? Chris Paul nem em final de conferência chegou na vida dele. O Westbrook já foi vice-campeão…
FÚLVIO: Mas jogando com quem, Bala?

BNC: Ah, ok, com o Kevin Durant. Então é uma questão de companheiros, não de qualidade técnica…
FÚLVIO: Sim, ele precisa de mais gente. A bola não precisa ser só dele. O que esse cara está fazendo essa temporada é anormal, é sacanagem, é absurdo. Putz. Quando você vê as médias passadas, Wilt Chamberlain, essas coisas, você acha que nunca mais vai se repetir. Aí pega um Westbrook, um James Harden mesmo fazendo triplo-duplo de 50 pontos, é inacreditável. Ele é um animal mesmo, o Westbrook, eu só não gosto do estilo (risos).

BNC: E a situação do basquete brasileiro fora de quadra, como você vê?
FÚLVIO: É triste, Bala. Eu torço muito pra que essa gestão nova do Guy Peixoto seja eficiente. A maior expectativa é, por ele ser um empresário de sucesso, que consiga transformar a CBB em uma empresa. Ao mesmo tempo a gente sabe bem que a Confederação tem uma dívida monstruosa e que o cara só vai ter abacaxi pra descascar. Esses primeiros quatro anos vão ser só de abacaxi pro cara. Ao mesmo tempo tem competições internacionais pra jogar. Se a suspensão for caçada, né? Ele disse que a gente, os jogadores, vai ser ouvido, isso é legal. O pessoal tem muita coisa a dizer. Tem que ser mais aberto pra depois ele tomar decisão. Não o conheço, mas torço pelo sucesso dele.

BNC: Bom, você sabe o que vou perguntar. Por que vocês atletas demoraram tanto para agir? A situação da CBB está tenebrosa há anos. Vocês leem lá o blog, compartilham as coisas lá do balanço financeiro. Atletas se mobilizam muito pouco, não?
FÚLVIO: O que acontece com muitos atletas é o seguinte: não é que somos submissos, mas é que tem muito peixe pequeno pra brigar com peixe graúdo. Por mais que seja um peixe grande aqui no Brasil, em relação ao mundo eu sou nada pra brigar com os caras lá de cima. Não quero colocar meus amigos de NBA no meio do abacaxi, mas se eles colocarem o problema a coisa muda de figura. O conceito muda, abrange uma mídia diferente do que se o Fúlvio for lá e falar. Pega um cara de NBA que chega e diz: “Bala, é isso aqui, ali, acolá. Eu não aceito isso e tudo mais”. Deixa o Anderson falar, o Leandrinho, o Nenê, aí você atinge outro patamar. O problema é que esses caras dependem muito menos de seleção hoje em dia. A gente aqui pode sofrer retaliação, a própria Liga é chancelada pela Confederação. É lógico que a gente tem vontade de meter a boca, mas somos muito pequenos. E mal instruídos também.

BNC: Perfeito. Sendo super claro. Meu blog divulga isso há cinco, seis anos, direto. Vocês leem isso, vocês sabem disso. Não chegam no Nenê, Anderson, Leandrinho, e dizem que eles precisam ser os porta-vozes disso?
FÚLVIO: Isso já foi falado. Mas precisa partir deles também. Veja, não estou criticando os caras, não estou apontando o dedo pra ninguém. Os caras têm as razões deles e certamente tomariam algumas atitudes se estivessem cientes da situação. É complicado. Ficamos a mercê de situações. A gente sempre foi submisso a ordens, sistemas, regras da CBB. Atleta nunca teve opinião e voz para nada. Agora é que passamos a ter voz em conselhos. Você sabe melhor do que eu que o basquete estava morto até a criação da Liga. Isso tudo está melhorando em relação a clubes, contratos, Associações e tudo mais. É atrasado, errado, mas estamos crescendo agora.

BNC: Sua filha tem 4 anos. Você acha que ela direta ou indiretamente fez com que você melhorasse em termos de temperamento? Porque você era um cara difícil…
FÚLVIO: Ah, mas não tenha nenhuma dúvida disso. Cara, Bala, eu vou te contar. Lembro que quando perdia jogos eu chegava em casa maluco, doido mesmo. Ninguém podia falar comigo, sabia? Minha esposa comentava alguma coisa e eu nem falava nada. Do carro pra casa a gente ia mudo. Chegava em casa, me trancava no quarto e ia ver o jogo pra entender o que eu e meu time tínhamos feito de errado. Eu era um grosso, um babaca, né. Aí depois que eu tive minha filha melhorei muito. E era muito feio o que eu fazia. Minha esposa é maravilhosa, paciente, calma, o meu oposto. Às vezes eu quero brigar e ela me deixa falando sozinho, é mole? Já são 12 anos juntos, viveu tudo comigo. A Roberta é incrível. Quando a Giovanna nasceu ainda mais. Não perco minha rotina, mas adaptei. Agora vou pra casa, brinco com elas, bato um papo, elas dormem e… eu vou ver o meu jogo (risos). Faço isso até hoje. Eu tenho os jogos gravados de temporadas passadas, acredita? Pra você ter uma ideia, do infanto-juvenil em diante minha mãe sempre filmou os meus jogos. Ela teve tendinite nos ombros de tanto tempo que ficava com a câmera nos ombros. Eu tenho essas fitas, esses jogos, até hoje. E desde o começo eu sempre via depois das partidas. Minha mãe sempre foi uma grande incentivadora. Tenho certeza que isso me ajudou, me fez evoluir. Jogava a base em Limeira e ela ia, me acompanhava. Coisa de maluco. Sempre fui assim. Eu adoro assistir jogo.

BNC: Por fim: você tem algum arrependimento?
FÚLVIO: Quando eu olho hoje eu posso te dizer claramente que eu não gostei muito da minha trajetória profissional porque eu pinguei muito de clube em clube. Realmente as propostas eram mais interessantes e os clubes também. Teve uma época que eu já estava casado e vi que precisava criar mais raízes. Em São José, por exemplo. Abracei a cidade, o projeto e criei raízes. Quando machuquei em Mogi tive proposta de dois anos e mesmo lesionado preferi sair. Fui pro Ribeirão Preto, me arrependo de não ter permanecido em Mogi. Meu arrependimento único é esse. Sou muito grato e feliz pela trajetória que tive. Me considero um cara abençoado e muito guerreiro por ter superado todas as minhas lesões e dores. Eu amo muito jogar basquete e os amigos que fiz na quadra.


Sempre inovando: fãs decidirão seis prêmios da NBA a partir de agora
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Fábio Balassiano

Sempre disposta a criar mais formas de interação com o público, a NBA anunciou nesta semana que os fãs terão papel fundamental na escolha de seis prêmios da temporada 2016/2017 da liga. Os torcedores poderão eleger todos os vencedores das categorias, digamos, alternativas através das redes sociais.

Utilizando a # correspondente à categoria, os fãs poderão escolher a enterrada do ano (#DunkOfTheYear), jogador mais estiloso (#BestStyle), toco do ano (#BlockOfTheYear), bola decisiva do campeonato (#GameWinnerOfTheYear), melhor performance (#TopPerformanceOfTheYear) e melhor assistência (#AssistOfTheYear). Os votos podem ser realizados em Facebook, Twitter e Instagram, colocando sempre o nome do atleta que deve ser premiado e a categoria (aqui a lista completa dos que estão concorrendo). Quem quiser, por exemplo, eleger o jogo de 70 pontos de Devin Boooker, do Phoenix Suns, como a performance do ano, deve fazer assim: #TopPerformanceOfTheYear , Booker .

A premiação deste ano inaugura uma nova era na NBA. Antes divulgada de forma “pingada” e individual, nesta temporada a liga inaugura uma festa onde serão conhecidos todos os vencedores. A cerimônia acontecerá no dia 26 de junho em Nova Iorque e terá como apresentador o cantor Drake, canadense e torcedor fanático do Toronto Raptors.

As demais categorias, como MVP, calouro do ano, melhor técnico, time ideal, entre outras, continuam da mesma maneira, ou seja, tendo os ganhadores escolhidos por um grupo de jornalistas selecionados pela NBA.

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NBA pode ter visto o último jogo de lendário Vince Carter nesta quinta-feira
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Fábio Balassiano

O mundo do basquete pode ter testemunhado o último jogo de um dos jogadores mais icônicos dos anos 2000. Ala do Memphis Grizzlies, Vince Carter deu adeus à temporada 2016/2017 da NBA após seu time ter sido derrotado ontem à noite pelo San Antonio Spurs por 103-96. Vince jogou por 32 minutos e teve 12 pontos e 4 rebotes. Com o resultado, o time texano fechou o duelo válido pela primeira rodada do playoff em 4-2 e avançou para a semifinal da conferência Oeste, onde enfrentará o Houston Rockets.

Aos 40 anos, Vince Carter foi o jogador mais velho a atuar nesta temporada da NBA e encerra o seu contrato com o Memphis ao final desse campeonato. Ele ainda não declarou de forma oficial, mas seu status para renovar o contrato com o Grizzlies ou procurar outra equipe ainda é incerto. Bem incerto.

Muita gente especula mesmo que Vinsanity, seu apelido, irá mesmo se aposentar deixando um legado de enterradas espetaculares, idolatria em Toronto, onde começou a sua carreira, e, já em fase madura, excelência técnica em Memphis e Dallas. Ao todo, Vince acumulou apenas em salários mais de US$ 170 milhões desde que entrou na NBA em 1999.

Abaixo um dos momentos mais incríveis de sua carreira, quando enterrou praticamente por cima do francês Frederic Weis na Olimpíada de 2000 com a seleção norte-americana. Se ontem foi o final, o basquete só pode agradecer a Vince Carter.


Chega ao fim a espetacular temporada de Russell Westbrook na NBA
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Fábio Balassiano

Chegou ao fim o histórico campeonato de Russell Westbrook na NBA. Autor de 42 triplos-duplos e a média de TD na temporada regular, o armador viu o seu Oklahoma City Thunder ser eliminado há instantes pelo Houston Rockets na derrota por 105-99. O Rockets, que mais uma vez contou com brilhante atuação do brasileiro Nenê (14 pontos e 7 rebotes), fechou o duelo em 4-1 e enfrentará o vencedor de San Antonio Spurs e Memphis Grizzlies.

Em um jogo que serve de resumo de tudo o que foi a temporada do OKC, Westbrook teve anormais 47 pontos, 11 rebotes e 9 assistências (quase a metade dos pontos de seus companheiros), enquanto os demais titulares somaram módicos 30 pontos. Victor Oladipo, que renovou seu contrato recentemente com a franquia por surreais US$ 84 milhões pelos próximos quatro anos, por exemplo, teve 4/17 nos arremessos e 10 pontos nesta terça-feira. No confronto, média de 11 pontos e 28% nas bolas de três. Muito pouco para quem deveria se colocar como segundo melhor jogador do time.

Oladipo é o nome mais claro e que exemplifica quão horrível é o elenco de apoio que Russ teve nessa temporada, motivo pelo qual ele teve que “inflar” suas performances para colocar o Thunder nas costas durante 87 jogos (82 da fase regular e estes cinco dos playoffs). Um grupo de jogadores dispensados de times fracos ou medianos (Oladipo mesmo veio do Orlando, e Taj Gibson e Doug McDermott, do Bulls), jovens (Alex Abrines, Domantas Sabonis e Steven Adams) e outros não mais que regulares (Enes Kanter e Andre Roberson – porque sou educado aqui, hein…). Quem viu o jogo desta terça-feira em Houston sabe do que estou falando. O Oklahoma, com o camisa 0 em quadra, liderava a partida até o final do terceiro período por cinco pontos (na volta do intervalo ele anotou 20 dos 33 do time). Westbrook foi tomar um pequeno ar, das uma descansada, e em menos de 3 minutos o Houston abriu 14-2 no último quarto, sacramentou a virada e pavimentou o caminho de sua vitória.

Quem gosta de basquete, quem gosta de presenciar a história, quem gosta de ver grandes jogadores tem que abrir um sorriso e ficar feliz com o que Russell Westbrook fez na temporada 2016/2017 da NBA. Muitíssimas performances fora do normal, incontáveis momentos sublimes, inúmeras vitórias quase que exclusivamente por sua causa.

Agora é esperar pela nomeação do MVP da temporada regular. Em junho a NBA dirá se o prêmio vai para o feito histórico de Russell Westbrook ou para um não menos brilhante James Harden. Vale lembrar que o resultado dessa série não traz interferência alguma para o resultado.


Podcast BNC: Os bombantes playoffs de NBA, NBB e LBF
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Fábio Balassiano

No programa desta semana dissecamos os emocionantes playoffs da NBA, do NBB e da LBF. Falamos especialmente do jogo 4 entre Memphis e San Antonio Spurs, o melhor da NBA até agora, da monumental atuação de LeBron James no jogo 3 contra o Indiana Pacers, de quantos momentos incríveis o playoff do NBB já conseguiu produzir em 2017 e do princípio das finais da LBF entre Americana e Uninassau.

Caso prefira, link direto aqui. Também estamos no iTunes ! O código RSS aqui. E-mails para podcastbalanacesta@gmail.com . Aproveitem e divirtam-se!


Na capital, o fundamental jogo 3 entre Brasília e Bauru no playoff do NBB
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Fábio Balassiano

Brasília e Bauru voltam a se enfrentar na capital federal hoje às 21h30 (Sportv exibe) nesta que tem sido a melhor série das quartas-de-final até o momento. Até o momento foram duas partidas, vencidas pelo time que atuou fora de casa (na quinta-feira passada os brasilienses ganharam no interior de São Paulo e no domingo, em Brasília, a situação se inverteu). Quem ganhar hoje abre 2-1 e tem a chance de liquidar a fatura no domingo, quando voltam a medir forças no ginásio Panela de Pressão (Bauru).

Também nesta terça-feira Franca e Paulistano se enfrentam no Pedrocão, no interior de São Paulo, com o time francano perdendo o duelo por 1-0 até agora. O jogo começa às 19h30 e terá transmissão do Facebook do NBB.

Pelo lado de Brasília, Giovannoni e Fúlvio jogaram de novo mais de 32 minutos e parece que sentiram um pouco no final. Talvez descansá-los um pouco antes do último período seja uma alternativa interessante para o jovem e promissor técnico Bruno Savignani.

Continuo com meu palpite de que essa série envolvendo Bauru e Brasília vai a cinco jogos, mas a partida de domingo na capital federal trouxe novos elementos para a equação. Sem tanta rotação no garrafão desde a saída de Rafael Hettsheimeir para a Espanha, o técnico Demétrius colocou o garoto Gabriel Jaú (foto) para jogar pelos bauruenses. E se deu bem. Corajoso, Jaú foi soberbo com 17 pontos em 2 rebotes em 18 minutos de atuação, o que deu fôlego para Demétrius segurar as suas estrelas para jogar com intensidade máxima no final (quando Leo, Alex e Gui Deodato decidiram).

Vale dizer que na história do NBB, o vencedor do jogo 3 em séries empatadas em 1-1 acabam ganhando o confronto em 80% das vezes. Quem será que vence logo mais para se aproximar da semifinal? Brasília ou Bauru?


Comitiva da CBB se reúne com a FIBA para tentar retirar suspensão do país
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Fábio Balassiano

Acontece nesta semana em Mies, na Suíca, uma série de reuniões envolvendo a cúpula da Confederação Brasileira de Basketball e a da Federação Internacional, órgão máximo da modalidade no planeta. Entre hoje e quarta-feira a diretoria da CBB mostrará aos mandatários da FIBA o que foi feito nestes primeiros 40 dias da gestão comandada por Guy Peixoto e o que está sendo pensado para os próximos momentos do basquete nacional.

O objetivo final do encontro é único e bem claro: retirar a suspensão ao basquete brasileiro imposta pela FIBA no final do ano passado e que impede que clubes e seleções disputem competições internacionais.

“Vamos fazer apresentações e reuniões com integrantes da FIBA e demais presentes, mostrando o que fizemos nestes primeiros 40 dias de gestão, das iniciativas que já que tomamos para iniciar a recuperação financeira da entidade, além do trabalho para trazer de volta a credibilidade da Confederação Brasileira”, divulgou Guy Peixoto no site da CBB.

Embora exista otimismo em relação às ações tomadas pela gestão Guy Peixoto, principalmente em relação à auditoria, dificilmente a CBB retornará da Suíça com o basquete brasileiro livre para disputar competições tanto de clubes quanto de seleções. Não por competência ou falta dela, mas sim porque a decisão sobre a manutenção ou retirada da suspensão acontecerá apenas em maio durante reunião do Comitê Central da FIBA.

Essa reunião em Mies, na verdade, é o primeiro, e talvez o mais importante, passo para suavizar os corações e mentes da diretoria da FIBA em relação ao basquete brasileiro. A ideia de Guy Peixoto e seu corpo diretivo é mostrar que a CBB vive uma nova fase. Vamos ver como a Federação Internacional interpretará isso.


A maior preocupação do Warriors no playoff da NBA é o seu próprio técnico – entenda!
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Fábio Balassiano

O Golden State Warriors que hoje às 23h30 (Sportv exibe) enfrenta o Portland Trail Blazers para fechar a série em 4-0 e avançar à segunda rodada tem uma preocupação imensa para os próximos confrontos nos playoffs da NBA. Não é uma franquia específica, um craque rival ou a situação física de Kevin Durant, que não jogou no sábado e muito provavelmente nem entrará em quadra hoje.

A maior preocupação do grande favorito ao título da temporada 2016/2017 atende pelo nome do técnico Steve Kerr. Ausente no começo do campeonato passado devido a problemas nas costas, o treinador teve dores imensas na coluna no sábado e não foi comandar a equipe contra o Portland no jogo 3.

A situação é tão crítica que Steve Kerr não conseguiu nem sair do hotel desde que chegou a Portland, garantiu que não vai também comandar o time nesta segunda-feira e afirmou para a imprensa local que se a situação não melhorar nos próximos dias ele ficará de fora até o final dos playoffs. Por enquanto, quem assume a prancheta do Golden State é Mike Brown, ex-técnico do Cleveland e assistente principal de Kerr no Warriors.

Se na quadra está indo tudo bem para o Warriors, que busca reconquistar o título da NBA perdido em 2016, fora dela a preocupação em torno de Steve Kerr, que tem o respeito dos jogadores e é considerado um dos melhores técnicos em ajuste durante os jogos, algo bem difícil no basquete, é bem grande na franquia de Oakland.


Craque de Mogi, Shamell chega a 6 mil pontos no NBB com atuação incrível no playoff
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Fábio Balassiano

Ontem foi a estreia de Mogi nos playoffs. O time, segunda melhor campanha da fase de classificação, começou neste sábado a sua caminhada no mata-mata das quartas-de-final jogando contra o Vitória no ginásio Cajazeiras, em Salvador. E começou bem. Venceu a partida, exibida pelo Facebook oficial do NBB, por 89-83, abriu 1-0 e agora tem dois duelos em casa (quinta-feira e sábado) para se classificar às semifinais.

Para vencer o jogo contra um difícil rival os mogianos contaram 22 pontos de Larry Taylor e 19 de Tyrone, mas sobretudo com uma atuação monstruosa de Shamell. Melhor jogador do NBB nesta temporada (em minha opinião, claro), o camisa 24 anotou surreais 34 pontos (11/17 nos arremessos) e guiou a sua equipe neste sábado. Com os 34 de ontem, ele se tornou o primeiro jogador a chegar a 6 mil pontos na história da competição (agora são 6.008).

Mogi vem fortíssimo neste playoff e tem o objetivo de jogar a primeira final de NBB de sua história. Ano passado a equipe teve 2-1, jogo em casa e a chance de conseguir isso contra o Flamengo, mas acabou não acontecendo. Nesta temporada o comando técnico mudou de Danilo Padovani (que continua como assistente) para o experiente Guerrinha, chegou o pivô Caio Torres para dar mais consistência e força perto da cesta e os três norte-americanos estão funcionando muitíssimo bem (Shamell, Larry Taylor e Tyrone somaram 46 pontos por jogo na fase de classificação). Olho nos mogianos, que estão mais fortes do que nunca.

Abaixo os melhores momentos do jogo 1 de ontem contra o Vitória-BA.


‘Choro’ dá certo, Memphis está liberado pra marcar e iguala série contra o Spurs
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Fábio Balassiano

Após as duas primeiras partidas da série contra o San Antonio Spurs, David Fizdale, o técnico do Memphis Grizzlies, soltou os cachorros: “Não recebemos o respeito que merecemos porque Mike Conley (armador do time) não enlouquece, tem classe, só joga o jogo. Mas eu não vou deixar que nos tratem desse jeito. Sabe, eu sei que Pop (Gregg Popovich, técnico dos Spurs) tem pedigree e eu sou um jovem novato, mas eles não vão nos tratar como calouros. Isso é inaceitável, não-profissional. Meus jogadores lutaram no jogo e ganharam o direito de estarem no jogo e eles (juízes) não nos deram nem uma chance (de ganhar). Toma essa informação”, afirmou.

Sua reclamação tinha um motivo claro. O San Antonio Spurs teve 57 lances-livres e 42 faltas apitadas a seu favor em dois jogos. Kawhi Leonard, melhor jogador do rival, 28 lances-livres cortados. Como um técnico uma vez me disse, nenhum treinador reclama pelo que já passou. Reclama para prevenir que aconteça novamente (ou seja, para o futuro). E não é que deu certo para o Memphis? Conhecido por sua defesa “pegadora”, forte, que maltrata os rivais, o Grizzlies começou o jogo sufocando Leonard, que só cobrou quatro lances-livres. Vitória do Memphis por 105-94.

Ontem, sábado, foi o jogo 4 em Memphis e nova vitória do Grizz faria o empate em 2-2 acontecer. E foi o melhor duelo do playoff da NBA até agora. Atuações brilhantes de Kawhi Leonard (43 pontos, sendo os últimos 16 do seu time no tempo normal, 8 rebotes e 6 roubos – apenas oito lances-livres) e Mike Conley (armador do Grizzlies teve 35 pontos, 9 assistências e 8 rebotes), prorrogação e no final um arremesso salvador do espanhol Marc Gasol a sete décimos pro final.

Vitória do Memphis (110-108), pra delírio da sua torcida, empate em 2-2 na série e a certeza de que o choro do técnico Fizdale deu certo (Kawhi só cobrou 12 lances-livres nas partidas 3 e 4). Abaixo a bola do espanhol Marc Gasol que deu a vitória ao Grizzlies.