Bala na Cesta

Fala, Leitor: O ressurgimento do Utah Jazz - time é realidade ou empolgação?

Fábio Balassiano

17/02/2017 14h00

* Por Alexandre Setani

Uma das “novidades” desta temporada entre os times que devem garantir uma vaga nos playoffs da conferência Oeste é o Utah Jazz. “Novidade” porque a franquia de Salt Lake City não disputou a pós-temporada nos últimos 4 anos (última participação foi na temporada 2011-12). Para os fãs da franquia, esse “jejum” não é normal, já que os Jazz possuem um histórico de 20 participações consecutivas (terceira maior sequência da história), em grande parte pelo trio Stockton, Malone e Jerry Sloan (técnico Hall da Fama) durante as décadas de 80 e 90.

É por isso que os torcedores (como eu) sentiram aquela alegria ao verem que o Jazz estava cotado por diversos analistas como figura certa para a pós-temporada da conferência Oeste, que é considerada por muitos a mais forte da NBA.

A pausa do All-Star Game que ocorre neste final de semana (17, 18 e 19 de fevereiro) é quando os times se aproximam dos 60 jogos e atingem a reta final para definição das posições para os playoffs. Quando olhamos a classificação vemos que o Utah Jazz encontra-se na 5ª posição com 34 vitórias e 22 derrotas (60,7% de aproveitamento) e deve brigar junto com Clippers, Grizzlies e Thunders pela 4ª posição (e mando de quadra). Ou seja, a pós-temporada é uma realidade para o Jazz.

Mas com oscilações do time (em especial nos últimos jogos com 3 derrotas seguidas), fica a dúvida: o Jazz definitivamente possui condições de se manter como uma das forças do lado Oeste ou se essa temporada é apenas pura empolgação? Assim, listo 3 principais motivos para acreditar no ressurgimento da franquia e 3 motivos para ficar preocupado com o futuro do time.

Eu Acredito #1: Elenco principal jovem

A direção do Jazz apostou em um trio jovem como base para o futuro da franquia e começa a colher os frutos dessa aposta agora. Liderados por Gordon Hayward (26 anos), que disputará seu primeiro All-Star Game, o trio é completado pelos Big Man Derrick Favors (25 anos) e Rudy Gobert (24 anos), o último cotado para melhor defensor da liga. Esse trio ainda tem pelo menos 2 anos para atingir seu potencial máximo e provar que a aposta da direção foi certa. Outras promessas do time são Rodney Hood (24 anos), Alec Burks (25 anos) e o armador Dante Exum (21 anos).

Preocupação #1: Lesões

Todo o time pode sofrer com a lesão de um ou outro jogador, mas essa temporada o Jazz é o sexto time que mais teve jogadores ausentes por lesão com um total de 7 jogadores lesionados que acumulados perderam 110 partidas (média de 14 partidas por jogador). Para um time considerado jovem, lesões são um pesadelo, pois travam o desenvolvimento do jogador e do time, deixando aquele medo se a recuperação será completa ou vai impactar muito a performance como vimos no caso de Derrick Rose. Esta temporada só entre os titulares George Hill (25 jogos lesionado), Rodney Hood (15) e Derrick Favors (14) perderam somados 54 jogos. Resta torcer para a recuperação dos atletas e confiar na equipe técnica para distribuir bem os minutos e fortalecer o físico do time como um todo.

Eu Acredito #2: Técnico Quin Snyder

Quin Snyder chegou com uma certa desconfiança no Jazz na temporada 2014-15, mas mostrou que seus anos como assistente do messias Mike Krzyzewski (lendário técnico de Duke e da seleção americana) foram ótimos para ele conseguir trabalhar com o desenvolvimento de jovens talentos. Os Jazz melhoraram nas últimas duas temporadas além de se manterem entre as melhores defesas da liga, mesmo com um elenco jovem. Em entrevistas, fica claro como ele se preocupa com a personalidade de cada jogador, assumindo para si grande carga da responsabilidade pelas derrotas, o que alivia o clima do elenco. Por diversas vezes ele defendeu arremessos errados ou ruins de jogadores em momentos cruciais da partida, evitando expor os jogadores jovens, especialmente Gordon Hayward e Rodney Hood. Em 2016 a direção do Jazz estendeu o contrato do técnico, demonstrando confiança no trabalho realizado.

Preocupação #2: Capacidade de lidar com a pressão e expectativa

Todo o potencial do time gera uma enorme expectativa dos fãs para que o Jazz retorne para as finais da NBA. E o primeiro passo disso é chegar aos playoffs. Por ser jovem e pelo jejum de pós-temporada, poucos jogadores do elenco possuem essa experiência da fase mata-mata. Esse foi um dos motivos para que a direção trouxesse 3 veteranos com vivência de playoffs para o time: George Hill (vindo dos Pacers), Joe Johnson (dos Nets) e Boris Diaw (dos Spurs). Mas essa dificuldade de lidar com a pressão e expectativa pode ser vista em alguns jogos chaves durante a temporada regular. Nos últimos anos o Jazz era um dos times que mais perdia partidas apertadas, em geral com desempenho ruim nos minutos finais das partidas. Exemplos recentes: contra times que disputam diretamente a 4ª posição do Oeste, os Jazz venceram 2 jogos e perderam 6 (25% de aproveitamento).

Eu Acredito #3: Time com identidade e personalidade

Se você assistir uma partida do Utah Jazz você vai notar que é o JAZZ jogando. Na contramão da maioria dos times da liga, o time de Salt Lake City, junto com os Grizzlies, mantém um estilo de basquete mais “tradicional”. Defesa forte, explorar ao máximo a força do pivô Rudy Gobert e do ala Derrick Favors no garrafão, trabalhar o cronômetro (cuidar da bola). Diferente da correria que se vê em times como Golden State Warriors, Houston Rockets e Cleveland Cavaliers, que possuem um fortíssimo jogo de transição, o Utah Jazz é um dos times que possui o menor índice de posse de bola (PACE) de toda liga, ou seja, o ritmo da partida é mais lento. Essa identidade é importante, pois gera consistência e facilita para que novas peças se encaixem em um sistema de jogo já definido. Pode ser um modelo arriscado, mas comparada com outras franquias que não sabem se correm ou andam com a bola (pensou nos Knicks?) é uma grande vantagem para o médio prazo apostar em um sistema já aceito pelo elenco de jogadores.

Preocupação #3: O armador ideal

A maior fragilidade do time nos últimos anos sem dúvida é a posição de armador. Em 2014-15 a aposta foi no novato Dante Exum e no jovem Trey Burke. Em 2015-2016 com Exum machucado a aposta foi no brasileiro Raul Neto e depois em Shelvin Mack. Agora o peso está quase todo no veterano George Hill, que definitivamente está um nível acima dos demais. O problema é que Hill completa 31 anos esse ano e as lesões acumuladas geram dúvidas da longevidade do armador para o futuro da franquia. E esse é um problema que a direção e comissão técnica terão que resolver. Apostam em Hill para mais uma ou duas temporadas? Contratam um outro armador de alto nível (que costuma ser caro) e possivelmente tendo que abrir de alguma peça do elenco, além de uma escolha em futuro Draft? A resposta não é simples, mas acredito que é possível insistirem em pelo menos mais um ano com Hill (segundo ano opcional). Mas nesse caso também não sabemos se George Hill aceitaria essa condição e poderia testar o mercado.

E você, fã dos Jazz? Acha que o time tem futuro promissor ou está com aquele frio na barriga para os próximos anos?

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