Bala na Cesta

Arquivo : junho 2016

Especialista sobre contas da CBB: ‘Gestão Financeira deixa muito a desejar’
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Fábio Balassiano

Por Professor Jorge Eduardo Scarpin, Docente do Mestrado em Ciências Contábeis – UFPR (mais aqui). E-Mails para: jscarpin@gmail.com .

scarpin2O ano de 2015 não seguiu a tendência dos anos anteriores na CBB. Em alguns pontos houve piora da situação econômico-financeira e em outros pontos houve melhora, considerando os aspectos mais relevantes: endividamento, capacidade de pagamento, receitas, despesas e superávit ou déficit.

Um ponto negativo, antes de qualquer análise é: assim como em 2013 e 2014, a piora na evidenciação das informações por parte da CBB. Em 2015, 2014 e 2013, ao contrário dos anos anteriores, não há notas explicativas sobre as despesas da entidade, tais como Eventos, Competições Nacionais e Competições Internacionais, bem como sobre adiantamentos de cotas de patrocínio. Isto dificulta a análise e faz com que tenhamos que trabalhar com estimativas com base em outros dados do balanço.

Um ponto positivo é que, ao contrário de outros anos, não houve uma ênfase da auditoria quanto a situação econômica da entidade, o que expressa uma melhora na situação como um todo, embora ainda esteja bem ruim.
Vamos à análise técnica dos principais elementos do patrimônio da CBB:

1. Endividamento

Apesar do bom nível de contabilidade da entidade, pela própria característica da CBB, que é trabalhar com convênios, os balanços ficam um pouco confusos e um ajuste precisa ser feito para fins de análise. Tal procedimento é relativamente comum, pois a visão de um analista é diferente da visão interna de uma empresa. Sendo assim, os valores passam a ser os seguintes:

Quadro1

Para chegarmos ao valor total das dívidas da CBB, deve-se somar o Passivo Circulante (dívidas já vencidas ou que vencem no ano de 2015) e o Passivo não Circulante (dívidas que vencem após 31/12/2015). Considerando os valores reclassificados, observa-se um montante de dívidas no valor de R$ 17.206.453. Com exceção de 2012, quando houve uma leve melhora, os números são crescentes e preocupantes. O gráfico abaixo dá uma boa dimensão do problema.

Dividas1

divida3Em 7 anos o aumento da dívida foi de inacreditáveis 2.000%, fazendo a Confederação passar de uma situação de quase inexistência de dívidas em 2009 para um volume muito grande de dívidas em 2015. Deste volume total de dívidas, há dívidas tributárias, processos trabalhistas, fornecedores e principalmente bancos.

Os empréstimos bancários totais foram reduzidos de 5,2 para 4,1 milhões de reais (20% em relação ao ano anterior). Cabe então uma questão: como a dívida cresceu se os empréstimos bancários diminuíram? A dívida cresceu principalmente por adiantamento de cotas de televisão e de patrocínio, que a CBB recebeu de forma antecipada, passando de 1,1 milhão em 2014 para 5,2 milhões em 2015. Isso significa que nos próximos anos pode haver menor entrada de recursos por conta disto. Infelizmente a nota explicativa sobre o assunto… nada explica ao dizer laconicamente “referem-se ao adiantamento de cotas televisivas e de patrocínio da temporada 2016”.

divida2Sempre insisto nesse ponto. Sempre que olhamos o endividamento, temos que comparar o volume de dívidas com os bens que uma entidade possui para pagá-las. Em todas as empresas do mundo veremos um volume de dívidas muito alto, porém, como os bens que possuem são maiores ainda, tal fato passa a ser relativizado.

No caso da CBB não é assim. Apenas de dívidas de curto prazo, com vencimento no ano de 2016, o montante é de mais de R$ 13 milhões (depois da reclassificação). Há, também, cerca de 4 milhões de reais que a CBB considera que terá que desembolsar no longo prazo.

divida6Em uma empresa saudável, o volume de dívidas (endividamento) não deve superar 66% (2/3) do seu volume de bens e direitos (ativos). Entretanto, na CBB, o volume de dívidas representa 200% do volume de ativos, ou seja, a CBB tem de dívidas mais do que possui de bens e direitos, significando que, caso a CBB vendesse tudo o que possui, teria condições de arcar apenas com metade de suas dívidas. Mesmo sendo muito ruim, o valor está melhor do que 2014, e levemente melhor do que 2013. Tal fato foi ocasionado por aumento de caixa de 4 milhões de reais proveniente principalmente do recebimento de patrocínios e cotas televisivas (antecipação de cotas de 2016), explicitado pela CBB na sua demonstração dos fluxos de caixa.

Um fato relevante a ser considerado é que, até 2014 a CBB reconhecia um direito a receber de curto prazo de R$ 661.700 da Eletrobrás (R$ 577.941) e Bradesco (R$ 83.759) e agora já reconhece que esses valores serão recebidos apenas no longo prazo – se o forem. O gráfico abaixo mostra a piora acentuada ano a ano do endividamento da CBB ao longo dos últimos sete anos.

Endividamento1

divida4Se olharmos o que a CBB tem de bens e direitos de curto prazo, ou seja, que são mais fáceis de transformar em dinheiro, vemos que a situação é bem ruim, mas com uma sensível melhora em 2015 graças, principalmente, à antecipação de receita de patrocínio e cotas televisivas. Estes recursos, que em uma empresa normal devem superar as dívidas de curto prazo, cobrem 39,6% (em 2014 este número era de 19%) destas dívidas. Isto faz com que a entidade seja de alto risco para conseguir financiamento, fazendo com que pague juros muito altos para a rolagem da sua dívida.

divida1000

Em relação ao prazo da dívida com bancos, a situação piorou um pouco. Em 2012, 41% dos empréstimos eram de curto prazo e 59% de longo. Em 2013, 45% de curto prazo e 55% de longo prazo. Em 2014, 44% de curto e 56% de longo prazo. Em 2015 os números passam de 75% de curto prazo e 25% de longo prazo, o maior valor da série até aqui. Olhando os dados na nota explicativa, temos os seguintes valores de empréstimos.

Emprestimos de curto prazo1

emprestimo1Os empréstimos bancários totais foram reduzidos de 5,2 para 4,1 milhões de reais (20% em relação ao ano anterior). Entretanto, os empréstimos de curto prazo tiveram um aumento de 35,8%, passando de R$ 2,3 para R$ 3,1 milhões.

Analisando os valores, podemos observar que o empréstimo do Banco Itaú de curto prazo se manteve e houve uma redução do empréstimo de longo prazo, o que mostra que a CBB não deve estar renovando esta dívida. Já a dívida do Banco Bradesco diminuiu no curto prazo e zerou no longo, mostrando que o Banco passou a injetar recursos como patrocínio, não renovando as linhas de empréstimo. Além disso, um fato chama a atenção. Até 2014 a dívida da CBB era com grandes bancos de varejo (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil etc.) e em 2015 aparece de menor porte como credora da CBB, chamada Lecca Financiamento.

emprestimo1Outro fato a se destacar é novamente o aumento no valor de dívidas tributárias, principalmente com o INSS e IRRF. Enquanto em 2012 as dívidas tributárias em parcelamento junto ao governo eram de 1.208.437, em 2013 saltaram para 1.978.739, em 2014 chegaram para 2.596.284 e em 2015 somaram 3.890.601, um aumento de 50%. Ou seja: a empresa que recebe aporte do Ministério do Esporte tem quase R$ 4 milhões de dívidas federais.

Um fato que causou estranheza foi a não evidenciação, em nota explicativa, do processo judicial movido pela empresa Champion Products Europe Ltda contra a CBB referente a um contrato preliminar de patrocínio, firmado em 31/12/2008. Este processo estava em 2013 com um saldo de R$ 4.175.535 e não foi informado se o processo continua transitando na justiça ou se a CBB venceu a causa.

2. Prestação de contas
conta3Pelo que se depreende das informações da CBB, um fato me causou estranheza quanto aos passivos relativos às Leis de Incentivo. O dinheiro recebido e ainda não gasto com projetos (como explicado no item anterior). Normalmente, esta conta possui valores recebidos em um ano e que serão gastos em projetos no ano seguinte.

conta5Quando esta conta fica com saldos constantes, pode-se observar ou que o projeto não caminhou no referido ano ou que está com alguma pendência de prestação de contas e por isto ainda é considerado como uma dívida potencial.

No ano de 2014 e 2015, um valor novamente me saltou aos olhos. Há R$ 690.778 referentes ao projeto “Campeonato Nacional Feminino de Basquete”, competição que já não é mais organizada pela CBB. Nesta conta, o valor de 2011 a 2013 foi de 590.791 passando para os R$ 690.778 em 2014 e 2015. Entretanto, como não há abertura maior sobre a razão pela qual o valor ainda permanece no balanço, não podemos fazer afirmação nenhuma neste sentido.

3. Superávit ou Déficit
Aqui temos a melhor notícia sobre o balanço da CBB. Pela primeira vez na série que começou em 2012, a entidade apresentou superávit, ainda que pequeno. Depois de atingir um pico em 2014, houve uma melhora nas contas do ano de 2015, como mostra o gráfico a seguir.

Superavit1

conta1Pela primeira vez na série podemos ver um leve superávit de R$ 132.557 no ano, o equivalente a cerca de R$ 11.000 por mês. A melhora poderia ter acontecido por aumento da receita, diminuição da despesa ou por uma combinação dos dois itens.

As receitas ficaram praticamente estáveis em relação ao ano de 2014, o que evidencia que a queda ocasionada em 2014 não foi pontual, tendendo a ser um novo padrão para a CBB. O gráfico a seguir mostra bem essa realidade.

receita1

financas28Analisando as receitas, em praticamente todas elas houve estabilidade, não podendo ser atribuído nenhum fator relevante para o comportamento das receitas em 2015. O fato positivo é que os gastos tiveram queda, passando de 27,7 milhões em 2014 para 24 milhões em 2015. Entretanto, esta redução não foi linear em todas as contas, podendo ser extraído um conjunto de fatos interessantes:

a) Juros. A CBB paga juros a bancos e paga desde 2009, e, embora tenha havido uma queda no ano de 2014, o valor voltou a subir em 2015, principalmente por conta do aumento das dívidas da entidade. Em 2009, a despesa com juros somou R$ 29.286, em 2010 somou R$ 833.234, em 2011 R$ 1.272.059, em 2012 recuou para R$ 717.950, em 2013 aumentou para R$ 2.524.094, em 2014 recuou para R$ 829.524 e em 2015 subiu para R$ 1.915.453, o segundo maior da série histórica. O gráfico a seguir exemplifica melhor essa piora.

juros1

a.1) Manutenção da estrutura da CBB: Aqui a melhor notícia do balanço. As despesas com pessoal somadas às demais despesas administrativas da CBB somaram R$ 8.315.568 (redução de 34% em relação a 2014), ou, em média, R$ 692.964 mensais. Isto tudo sem considerar os gastos com eventos propriamente ditos, só com a operação administrativa da CBB. Este número é o segundo menor da história, voltando praticamente ao nível de 2010. O gráfico a seguir mostra a evolução dos números.

estrutura

b) Competições. Infelizmente, neste ponto não há muito o que comentar. A CBB não mais separou os gastos em competições nacionais e internacionais, nem mencionou especificamente os gastos em cada uma delas. Podemos apenas ver que o gasto ficou praticamente constante, passando de 13,6 milhões em 2014 para 13,5 milhões em 2015.

4. Conclusões
financas1Fechando esta análise, se a CBB fosse uma empresa privada estaria em situação muito crítica, de portas fechadas ou se encaminhando para isto. Com certeza a gestão financeira deixa muito a desejar. Entretanto, depois de vermos 2014 como o pior ano da série histórica em 2015 e embora a situação tenha piorado nos indicadores de dívida, houve uma melhora na gestão administrativa, levando a entidade ter o primeiro superávit (pequeno) da série.

Ressalte-se que toda esta análise foi feita com os dados fornecidos pela própria CBB em seus balanços, sem nenhuma montagem minha quanto a números, bem como nenhum acesso a informação privilegiada.


Nas palavras de Barack Obama, o legado de Pat Summitt, que faleceu ontem
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Fábio Balassiano

*Por Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, em seu Facebook

obama1Ninguém saiu das quadras do basquete universitário mais vezes vitorioso do que Pat Summitt, de Tennessee. Durante quatro décadas, ela superou seus rivais, fez do verbo vencer uma atitude, amava seus jogadores como uma família e se tornou um modelo para milhões de americanos, incluindo as nossas duas filhas. Seu sucesso sem precedentes mostra que ela nunca teve uma temporada com mais derrotas do que vitórias em 38 anos de carreira, mas, e mais importante, uma taxa de graduação de 100% entre suas atletas. Mesmo com isso tudo seu legado é medido também pelas gerações de mulheres e homens que admiravam a competitividade e caráter intensos de Pat. Como consequência, ela encontrou em todos a confiança para treinar duro, jogar forte e viver com coragem dentro e fora e fora das quadras. Como Pat disse uma vez: “O que eu vejo não são os números das minhas atletas. O que eu vejo são seus seus rostos. ”

pat2Pat aprendeu desde cedo que todos devem ser tratados da mesma maneira. Quando ela iria jogar basquete contra seus irmãos mais velhos, eles não a tratavam de forma diferente. Mais tarde, sua carreira que a levaria ao Hall da Fama contaria a história da evolução do esporte que ela ajudou a transformar. Pat começou a jogar antes do Title IX (mais aqui) e começou a treinar antes da NCAA reconhecer o basquete feminino como esporte. Quando ela assumiu o comando da Tennessee como uma menina de 22 anos de idade, ela tinha que lavar os uniformes de suas jogadoras. Depois que, em 2012, Pat deixou o cargo de treinadora de Tennessee a faculdade tinha oito anéis de campeã universitária e tinha cortado redinhas em estádios lotados.

Medal of Freedom Awards at The White HousePat era um patriota que ganhou medalhas olímpicas para o nosso país como jogador e treinador, e tive a honra de atribuir-lhe a Medalha Presidencial da Liberdade. Ela era uma orgulhosa moradora do Tennessee que, estava em uma visita de de recrutamento, exigiu ao motorista de seu carro que retornasse a Knoxville para que seu filho pudesse nascer em seu estado natal. E ela era um lutadora inspiradora. Mesmo após a doença de Alzheimer suavizar sua memória, quando ela começou uma luta pública e corajosa contra essa doença terrível, Pat teve a graça e perspectiva para nos lembrar que “Deus não faz as coisas para ser cruel. Faz as coisas para nos aliviar. Ele leva as coisas para que possamos voar”.

Michelle e eu enviamos nossas condolências à família de Pat Summitt – que inclui os ex-jogadores e fãs do basquete no seu Estado-Natal e nos Estados Unidos”.

pat4Nota do Editor: Pat Summitt faleceu ontem aos 64 anos. Ela foi “só” oito vezes campeã nacional universitária por Tennessee, faculdade que dirigiu entre 1974 e 2012 sem NUNCA ter tido uma temporada com mais derrotas do que vitórias. Ela é considerada uma das melhores formadoras de atletas de todos os tempos (12 atletas olímpicas passaram por suas mãos, 1098 vitórias na carreira, 112 vitórias no Torneio Nacional , ouro olímpico como treinadora em 1984 e 7X técnica do ano na NCAA). Estava lutando contra o mal de Alzheimer. Não resistiu. Fica seu eterno legado de respeito ao jogo, lideranças com as atletas e inúmeros jogos geniais.

Tags : Pat Summitt


Balanço Financeiro da CBB: Dívida chega a incríveis R$ 17 milhões em 2015
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Fábio Balassiano

cbb2Nos últimos anos você tem acompanhado neste espaço (e praticamente só neste espaço em toda basquetosfera Brasil afora) a quantas anda a situação financeira da Confederação Brasileira. É um trabalhão danado que dá a mim e ao professor Jorge Eduardo Scarpin, craque que analisa a fundo os Balanços Financeiros, mas creio ser necessário para avaliar com mais qualidade (e menos achismo) como está sendo feito o trabalho da Confederação.

Comecei em 2010 (na antiga casa) e todos os anos repito aqui no UOL o mesmísismo expediente de fuçar os números, compreendê-los e trazê-los para vocês (no site da CBB está disponível o de 2015 aliás). Vamos lá então:

gui11) Antes de entrar nos números em si, vale dizer que o Balanço Financeiro de 2015 foi aprovado quase que por aclamação em abril deste ano. Apenas três Federações não aprovaram as contas de Carlos Nunes (Maranhão, Goiânia e Pará). A Associação de Jogadores, que também tem direito a voto, esteve presente, representada pelo Guilherme Giovannoni (Presidente que se posiciona muito pouco – ou quando se posiciona se posiciona mal…) e também aprovou as contas (tal qual fez nos últimos anos aliás). Guilherme Giovannoni, atualmente treinando com a seleção olímpica do Brasil, é visto como o arauto da ética por boa parte da imprensa (ou amigos), como um senhor de alto nível intelectual, mas que demonstra pouco (ou nenhum) senso crítico e/ou pensamento coletivo para elevar o nível da discussão de alto seríssimo. Nem tudo que reluz é ouro e quase sempre as “análises” aqui no país se curvam para o que lhe é mais amistoso (no sentido de amizade, de conivência ou de interesse), sabemos bem.

nunes12) O resultado do exercício (2015) melhorou um pouco, mas longe de ser motivo para comemoração. Houve manutenção das receitas (potencializadas por mais um aporte de mais de R$ 10mi do Ministério do Esporte na época dirigido por George Hilton para as seleções masculina e feminina se prepararem para a Olimpíada), fazendo com que a CBB recebesse em 2015 R$ 24,2 milhões. Para quem reclama de dinheiro quase sempre, como o presidente Carlos Nunes, não é pouca coisa. Apesar da redução das despesas para R$ 24,1 milhões (ótimo indicativo), a dívida cresceu de novo (mais R$ 4,2 mi, ou 32%), chegando a surreais R$ 17,2 milhões ao final de 2015. As contas da entidade fecharam assim:

balanco1

nunes33) A pergunta básica é: se a entidade manteve as receitas, reduziu as despesas, como a dívida cresceu mais de R$ 4 milhões? A resposta é bem simples: por conta dos juros que a entidade paga devido aos seus quase infinitos empréstimos bancários contraídos ao longo dos últimos anos. Não deixa de ser irônico que a entidade máxima do basquete brasileiro tenha, entre seus patrocinadores, um… banco (o Bradesco). Em 2009, a despesa com juros somou R$ 29.286. Em 2010, R$ 833.234. Em 2011, R$ 1.272.059. Em 2012 recuou para R$ 717.950. Em 2013 aumentou para R$ 2.524.094. Em 2014 recuou para R$ 829.524. E em 2015 subiu de novo para R$ 1.915.453, o segundo maior da série histórica.

nunes24) Não é só isso. A dívida cresceu também por adiantamento de cotas de televisão e de patrocínio. Passou de R$ 1,1 milhão em 2014 para R$ 5,2 milhões em 2015. Isso significa que nos próximos anos pode haver menor entrada de recursos por conta disto. Infelizmente a nota explicativa sobre o assunto nada explica, ao dizer, laconicamente, “referem-se ao adiantamento de cotas televisivas e de patrocínio da temporada 2016”.

nunes45) Carlos Nunes chegou à CBB em 2009. Com dinheiro em caixa. Fechou o seu primeiro ano com dívida de R$ 800 mil. Não seria ruim se fosse por causa de um (necessário) investimento em basquete. Não foi. Foi falta de competência administrativa mesmo. Entre 2009 e 2015, a dívida saltou de R$ 800 mil para R$ 17,2 milhões (ou seja, crescimento de 2.050%). Nem no pior cenário financeiro do mundo seria possível imaginar que alguém conseguisse chegar a isso, né?

Assustador, não? Amanhã eu volto com a minha análise e as palavras do Professor Jorge Eduardo Scarpin também.

Para acessar análises mais antigas, links abaixo:

a) Análise do Balanço Financeiro de 2010 (aqui, aquiaqui, aqui e aqui)
b) Análise do Balanço Financeiro de 2011 (aqui , aqui e aqui)
c) Análise do Balanço Financeiro de 2012 (aqui, aqui , aquiaqui)
d) Análise do Balanço Financeiro de 2013 (aqui , aqui , aqui , aqui , aqui , aqui e aqui )
e) Análise do Balanço Financeiro de 2014 ( aqui , aqui , aqui , aqui e aqui )


Analisando a troca que levou Derrick Rose ao Knicks na NBA
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Fábio Balassiano

No dia 26 de junho de 2008 a torcida de Chicago se animava com isso aqui:

rose1Da Universidade de Memphis chegaria aquele que poderia levar o Bulls de volta aos títulos. O armador Derrick Rose era a promessa de alguém que, vindo das mãos do competente John Calipari (técnico em Memphis), poderia colocar outros jovens talentosos (Joakim Noah e Luol Deng principalmente) no caminho das vitórias. O ano era 2008, o treinador era Vinny Del Negro e a torcida de Chicago voltaria a sonhar.

Oito anos se passaram, os títulos não vieram, Derrick Rose se lesionou muito e na semana passada houve o fim da história entre Chicago e o projeto de herói da franquia (herói que nasceu no Estado de Illinois). O Bulls não dúvida em aceitar uma oferta do Knicks para receber Robin Lopez, Jerian Grant e Jose Calderson por D-Rose e Justin Holiday. A troca pôs fim à Era Rose no Bulls, mas não só isso.

Dá pra analisar essa troca por três lados. Vamos lá:

rose21) Para Derrick Rose -> Para o armador, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido em sua vida profissional. Em Chicago, tudo o que acontecia era por causa dele. Se ganhasse, era por mérito dele. Quando perdia, era seu corpo que era culpado. Em Nova Iorque ele será MAIS uma peça no time que é de Carmelo Anthony até o momento. Chegar de leve, como mais uma peça da engrenagem que o Knicks está tentando montar, pode fazer muito bem a ele. A imprensa de NYC é mais “barulhenta” que a de Chicago, isso ninguém duvida, mas o foco estará muito mais em Melo do que no (agora) camisa 25. E vamos combinar uma coisa: em 2015/2016 D-Rose teve as médias de 16,7 pontos e 4,7 assistências em 32 minutos dos 66 jogos que disputou. Se não é o mais confiável dos atletas devido ao acúmulo de suas lesões, não é um talento que possa ser jogado fora, não. Se ele precisava de um pingo de motivação extra, ele acabou de ganhar uma cachoeira para chacoalhar seus ânimos e mostrar que, sim, ainda pode ser efetivo na NBA. Se não como “jogador-franquia”, que como uma ótima peça de apoio. Não há demérito algum nisso.

jackson432) Para o Knicks -> Para o time do agora técnico Jeff Hornacek foi uma tacada de mestre. Robin Lopez não passa de um pivô razoável que havia recebido um cheque muito maior do que seu talento poderia supor. Financeiramente o time trocou três salários que somados davam US$ 21 milhões por um só de US$ 21mi – o de Derrick Rose. Com o atenuante que o de Rose é expirante, ou seja, termina em 2016/2017 (o de Lopez vence em 2019). Se Rose for bem, o Knicks tem tudo para renovar com ele e formar um trio de respeito com Rose, Melo e Porziņģis. Além disso, mesmo com D-Rose (e muito por Porziņģis ainda estar em seu contrato de calouro), os Knicks têm apenas US$ 55 milhões comprometidos para a próxima temporada cujo teto deve beirar os US$ 90 milhões. Ou seja: há dinheiro de sobra para buscar um pivô de respeito (fala-se em Pau Gasol ou em Dwight Howard) e mais peças de apoio para um quinteto titular que deve ter D-Rose, Arron Afflalo (se renovar), Carmelo Anthony, Kristaps Porziņģis e o cincão que deve chegar. Aparentemente é um time que jogará no famoso quatro abertos, com quatro caras que atacam muito bem a cesta e que têm arremessos razoáveis e um ser pronto para proteger o aro (mais para D12 do que para Gasol esta última parte). Pode dar certo – sobretudo no Leste. Para quem não tinha pick algum de Draft, Phil Jackson se virou muito bem. Se livrou de salários altos e de atletas cujos rendimentos não são tão altos assim (embora Jerian Grant possa virar um atleta razoável em algum momento), trouxe um ótimo jogador que pode reencontrar o melhor momento de sua carreira na Big Apple e deu mais um passo para formar uma espinha dorsal bem boa em Nova Iorque.

felicio3) Para o Bulls -> Está claro o que a diretoria do Chicago fez. Ela não confiava mais que este núcleo formado por Derrick Rose, Jimmy Butler, Joakim Noah e Luol Deng (este já saiu antes) poderia dar o tão sonhado título ao Bulls. Está partindo, portanto, para o doloroso, longo e nem sempre fácil programa de reconstrução. Vai se desfazer de seus veteranos com valor de mercado, não fará força (ou não terá força) para manter os com contrato expirante (Pau Gasol por exemplo) e vai tentar ao máximo trocar as suas peças por posições de Draft e/ou jogadores jovens e com potencial (foi assim que na noite do Draft quase ficou com Kris Dunn e Zach LaVine, do Minnesota, mas o Wolves não topou incluir LaVine na jogada para ter Butler). Será ruim para os torcedores, mas pode representar uma oportunidade de ouro para os garotos que lá estarão – entre eles o brasileiro Cristiano Felício. De jogadores de garrafão, agora, os Bulls têm apenas ele, Lopez, Nikola Mirotic, Bobby Portis e Taj Gibson, cujo contrato é expirante e cujo valor de mercado é bom (ou seja, pode sair a qualquer momento…). Para a torcida de Illinois, é, mais do que nunca, hora de ter paciência.

Concorda comigo? Comente aí!


Meu Balanço da temporada 2015/2016 do NBB
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Fábio Balassiano

machado6Fiz em 2013 , 2014 , 2015 e agora faço o meu balanço da temporada 2015/2016 do NBB que terminou há duas semanas com o título do Flamengo (o quarto consecutivo) em cima de Bauru no Rio de Janeiro.

Antes da análise em si, um preâmbulo necessário: como disse em 2015, o produto NBB não é mais uma criança. Terminou o seu oitavo campeonato, tem uma parceria consolidada com a NBA, é um campeonato exibido em três canais diferentes (Site LNB, Rede TV e Sportv) e com alguns ótimos times. Não dá pra tratar, portanto, com condescendência, como se a Liga Nacional ainda estivesse nascendo – porque não está mais. Se o nível do campeonato subiu, a exigência também precisa crescer, né? Então vamos lá.

PONTOS POSITIVOS

nbb1a) Patrocinadores – Impossível não começar por isso. Há cerca de três anos que a Liga Nacional não possuía aporte financeiro que não da Rede Globo e/ou da NBA (sua parceira desde 2014). Chegaram para a temporada 2015/2016 quase que de uma vez Caixa (patrocinadora máster), Sky, Avianca e Spalding. Mérito de toda equipe da LNB, sobretudo do gerente de marketing Alvaro Cotta, que chegou recentemente à estrutura da Liga e já começa, rapidamente, a colher resultados. O dinheiro (dos patrocinadores) pelo dinheiro não significa muita coisa, obviamente. Não fará dos clubes mais ricos neste primeiro momento, mas dará fôlego para a Liga Nacional de Basquete pensar (e principalmente realizar) novas ideias, cobrando, inclusive, as equipes em temas críticos como gestão (falaremos mais adiante), marketing e planejamento.

sarasate1b) Crescimento do público nos Playoffs – Acho que havia muito tempo que eu não via um playoff tão disputado e com ginásios tão cheios. Ainda não peguei os números oficiais com a Liga Nacional, mas acho bem provável que o de 2.500 de 2011 na pós-temporada, maior marca até aqui, seja superado pela média de 2016. Houve ginásios a tope em Caxias do Sul (no playoff em sua primeira participação no NBB), Fortaleza (o Paulo Sarasate viu mais de 9.500 pessoas contra Mogi no jogo 3), Marília (sede de Bauru na decisão) e Rio de Janeiro três vezes com mais de 7 mil pessoas na Arena Carioca na decisão do Flamengo contra Bauru. Também fizeram bonito neste sentido Mogi (como sempre enchendo o Hugo Ramos), Brasília e Rio Claro. Foi lindo ver praças importantes com presença tão grande de público.

nbb2c) Transmissões pela Web – Já falei isso algumas vezes neste espaço e repito: o público do basquete é, hoje, de internet. Pode (e deve) crescer para se popularizar e encontrar a galera de outros meios, mas é, atualmente, prioritariamente do mundo virtual. Por isso o esforço da Liga Nacional com a exibição de jogos na internet é mais do que fundamental. Os números não são tão altos assim (não chega a 100 mil espectadores por jogo), mas a qualidade das transmissões (o narrador Guilherme Maia, a repórter Giovanna Terrezzino e o comentarista Cadum são realmente muito bons!) sinalizam mais do que uma iniciativa de capturar o web-basqueteiro, mas a formação de um produto como é o NBA League Pass, plataforma de venda de jogos por streaming da principal liga do mundo. As finais da Liga Ouro através do Facebook Live foi outra iniciativa bacana dentro deste mesmo ponto “internético”. Desde o início de 2014, foram 116 partidas transmitidas pela internet. Nesta temporada, 38 jogos do NBB, 15 da Liga de Desenvolvimento  na etapa final; a partida inaugural e as finais da Liga Ouro.

nbb3d) Presença nas Redes Sociais – Este ponto é extensão do de cima. Atualmente o NBB conta com mais de 300 mil seguidores no Facebook (ok, sabemos que a rede do Mr. Mark Zuckerberg, que neste fim de semana fez um Live com ninguém menos que Barack Obama, permite que números se inflem com facilidade devido ao investimento financeiro), mais de 45 mil no Twitter, 54 mil no Instagram e outro punhado no Snapchat, rede social que este blogueiro até tentou, mas não teve habilidade pra usar. Se a galera do basquete é jovem pra caramba e está na internet, nada mais inteligente do que literalmente bombar nas redes sociais. É o que a Liga Nacional vem fazendo estrategicamente e cirurgicamente desde sempre. Decisão inteligente e com pessoas muito capacitadas tocando esta operação.

bassule) Departamento Técnico – Já tivemos algumas discussões grandes, mas gosto de Paulo Bassul, hoje Gerente Técnico da Liga Nacional de Basquete, desde sempre. É um cara estudioso, com metodologia, sonhador e organizado. A Liga divulga pouco as ações que seu departamento têm feito, mas conversando com ele (e ele estará em um Podcast especial sobre isso proximamente) dá pra notar como a Liga tem se aproximado dos clubes para entregar às agremiações bastante conhecimento e capacitar os treinadores. Ainda é pouco, sabemos, pois o nível técnico do produto NBB ainda é baixo (e não se resolve apenas com os times de cima, mas com sólidos trabalhos desde a divisão de base), mas na semana passada aconteceu uma clínica muito interessante em São Paulo com Casey Hill, treinador da D-League (a “LDB” da NBA), e demais técnicos internacionais, que exemplifica muito bem isso que estou falando neste item.

ldb3f) Liga de Desenvolvimento – Segue sendo, pra mim, o que mais gosto desde a criação da Liga Nacional. O Campeonato Sub-22 tem uma série de ajustes que precisam ser feitos (desde o número e quais os times até o ajuste na idade limite), mas é o maior torneio de base dos esportes olímpicos do país. Tem “corpo”, ótimo número de atletas, ações de capacitação com técnicos e atletas, acompanhamento por parte do Departamento Técnico da Liga Nacional e ótimos jogadores surgindo. Não é coincidência que Lucas Dias, do Pinheiros, foi MVP da última LDB da qual o seu clube foi o campeão e meses depois foi selecionado para atuar no Jogo das Estrelas. Uma coisa (o tempo de quadra, a confiança e os jogos em sequência na LDB) gera uma série de outras coisas muito boas para atletas, agremiações e pra própria Liga mesmo.

PONTOS A MELHORAR

nbb5a) Arbitragem – Preciso começar por isso, né? Desculpem, mas aqui não dá pra dourar a pílula. É bem verdade que atletas e sobretudo técnicos causam o CAOS aos árbitros durante os jogos com simulações, discussões, reclamações em TODOS os lances do jogo. Para uma atividade que não é fácil de se fazer (marcações de juízes são complicadas e muitas vezes subjetivas mesmo), ter os envolvidos buzinando no ouvido a todo instante não é a coisa mais tranquila do mundo, concordam? De todo modo, não dá pra julgar a culpa de uma deficiência deles (dos árbitros) nas partes que sofrem (ou acham que sofrem com isso). O playoff do NBB foi desesperador em termos de marcações de arbitragem, culminando com aquela tenebrosa do jogo 3 da final no Rio de Janeiro (a tal bola presa envolvendo Hettsheimeir, de Bauru, e Rafael Luz, do Flamengo). Ali, na verdade, foi o caldo entornando de algo que já estávamos vendo acontecer há muito tempo. Insisto: as arbitragens do NBB são MUITO ruins, muito ruins mesmo. E por uma série de razões: a) a formação dos árbitros depende da CBB mais do que de qualquer entidade (e não preciso me alongar muito mais quando cito isso, certo?); b) o número de juízes no país é muito pequeno; e c) a reciclagem ainda é lenta. Tem um ponto muito meu, mas muito meu mesmo, que é achar (e é só um achismo) que a Liga Nacional não pensa que o nível das arbitragens é péssimo. Com isso, não ataca o problema com o senso de urgência que ele (o problema) merece. Pode ser um engano meu, mas me parece algo plausível pois, ao contrário de demais áreas do produto NBB (marketing, comunicação, arenas, parte técnica etc.), não vemos evoluções neste campo nem a curto e nem a longo prazo.

nbb8b) Gestão dos clubes – Não é um ponto exatamente que a LNB tenha responsabilidade, mas cabe a ela gerenciar isso melhor. De novo tivemos casos de salários atrasados, crises estruturais durante a competição, ginásios muito vazios e pouquíssimas ações de engajamento envolvendo times e suas comunidades. A ausência de um calendário anual que envolva clubes, Liga e torcedores é algo que me incomoda. A Liga, sim, tem culpa de não cobrar mais das equipes, mas as equipes (grande parte delas – com Mogi, Rio Claro e Bauru sendo honrosas exceções) também são pra lá de acomodadas por enxergar o basquete como esporte, quadra, jogos e atletas. A parceria com a NBA deveria servir também para isso, não? Para trazer a experiência de mais de meio século da melhor liga de basquete do planeta e adaptar ao que podemos fazer por aqui. Muito pouco ainda é feito. A saída do patrocinador de Bauru (Paschoalotto) na semana passada, com o time quase todo sendo desmontado, é um reflexo disso. As gestões das agremiações são muito pouco planejadas, ficando sempre tentando montar times e estruturas de um ano para o outro. Vai dar errado – sempre…

franca2c) Ginásios – O que aconteceu em Rio Claro nos playoffs foi um verdadeiro absurdo (assalto a atletas de Franca) e isso não pode mais ocorrer. Sei que o problema dos ginásios é muito mais brasileiro do que do basquete em si, mas a Liga Nacional de Basquete precisa, também neste ponto, agir com rigor. Se o ginásio é ruim, que os clubes sejam OBRIGADOS a dar condições mínimas a atletas, técnicos, torcedores e imprensa dentro daquilo que a arena oferece. No caso específico de Rio Claro, confesso que fiquei menos chocado com o assalto em si e mais com a qualidade do vestiário do ginásio Felipe Karam – espaço pequeno, com bancos de madeira e cadeiras velhas de plástico. A parte de banheiros, setor de imprensa, acessos aos torcedores e áreas de alimentação precisam urgentemente ser melhoradas.

nbb2d) A qualidade do produto NBB – A parte técnica do NBB ainda é ruim – de ruim pra baixo sendo muito sincero. Nas finais o nível sobe um pouco, mas nada de tão assustador assim. Para melhorar só há uma maneira: capacitar os técnicos das divisões de base. É um processo longo, eu sei disso, mas algo precisa ser feito, agora, para que a qualidade suba um pouco. Não é coincidência que quase todos os “jogadores-franquia” estejam na faixa dos 30 anos (Ricardo Fischer, de Bauru, é a exceção que confirma a regra).

bauru2e) Desequilíbrio – Todo mundo que acompanha o NBB sabia que a final seria entre Bauru e Flamengo. A não ser que houvesse uma catástrofe era isso que estava previsto para acontecer. E aconteceu. E só rola porque há um desequilíbrio imenso, gritante, galopante entre as equipes que mais e as que menos investem. Sinceramente não sei como resolver isso, porque não dá pra pedir para os times que contam com mais verbas de seus patrocinadores, para reduzir seus investimentos, mas ter um campeonato inteiro direcionado (no sentido de sabermos exatamente quais os dois clubes que chegarão às finais dentro de seis meses) não me parece algo bom para a Liga Nacional e muito menos para quem acompanha.

lbf1f) O vai, não vai da LBF – Afinal, a estrutura da Liga de Basquete Feminino foi ou não incorporada à da Liga Nacional de Basquete. Serão dois órgãos que irão caminhar juntos dentro do mesmo corpo, ou ficarão separados? A ausência das meninas no Jogo das Estrelas em Mogi foi um problema seríssimo e até agora não está claro para as pessoas que acompanham o basquete se será uma gestão compartilhada ou se a LBF seguirá o seu caminho sozinha. Torço para que a LBF seja definitivamente um dos produtos da LNB, mas não é alto que está muito tranquilo para quem está de fora entender, não.

CONCLUSÃO

nbb1Sigo achando o produto NBB bom, mas tal qual disse aqui neste espaço o dirigente Alexandre Póvoa, do Flamengo, eu penso que falta uma subida de patamar urgente para tornar um produto de nicho em algo maior, em algo potencializado.

Chegou a hora (ou já está passando da hora) do basquete crescer, alçar vôos maiores, comprar boas brigas e não ter mais medo de correr riscos (a relação com a TV Globo, que ainda apita em muitas coisas, é um bom exemplo disso). E para isso acontecer é preciso investir pesado em gestão, em capacitação e cobrar pesadamente os clubes que estão no NBB para caminhar na mesmíssima direção. Não é mais tolerável termos assalto em vestiário, briga (como foi em Marília) ou ações de comunicação mal exploradas como foi a da Festa da Uva, em Caxias do Sul.

nbb6O NBB já não é mais um bebê. É uma criança que chegará em menos de dois anos a uma década de existência. Seus ganhos são imensos e estão aí pra todo mundo ver, mas para crescer a turma da Liga Nacional vai precisar se reinventar em si mesma em todos os campos – parte técnica, marketing, comunicação, arbitragem, gestão dos clubes, capacitação etc. .

Quem sou eu pra querer alguma coisa, mas queria ter chegado a 2016 vendo grandes evoluções do produto (como um todo) NBB em relação a 2015. Não foi o que aconteceu. Foi mais um ano de consolidação do que de crescimento em si. Torço para, em 2017, estar aqui neste espaço exaltando grandes inovações, e não para basicamente dizer que a Liga Nacional se manteve no patamar em que se encontrava 12 meses antes.

Tags : LNB NBB


Podcast BNC: Analisando o Cleveland Cavs campeão da NBA
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Fábio Balassiano

lebron11O que fez o Cleveland ser campeão da NBA pela primeira vez? Quão mitológica foi a performance de LeBron James no jogo 7? O que não deu certo para o Golden State Warriors dessa vez?

Caso você prefira, o link direto está aqui. Caso queira, também está disponível no iTunes ! O código RSS está aqui. Críticas, sugestões ou qualquer tipo de mensagem é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem e divirtam-se!


Fala, Leitor – A proeza de LeBron James e dos Cavs
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Fábio Balassiano

lebron7* Por Josué Seixas

Me falta a capacidade de declarar alguma coisa realmente significativa ao fim do grande jogo que foi a sétima partida da final da NBA. Hora de tentar.

O Cleveland Cavaliers é o novo campeão da NBA. LeBron cumpriu a sua promessa quando não mais se esperava ser possível. Curry não comprovou a sua escolha como MVP unânime. LeBron ainda é o melhor jogador do mundo. O mais completo. Os números comprovam isso. Nossas lembranças comprovam isso.

mitos1O jogo foi o melhor da série, sem dúvidas. Prevaleceram os dois melhores jogadores de até então: LeBron James e Kyrie Irving. As lágrimas de alegria na comemoração, somadas aos gritos em euforia, demonstram o quão grande foi o estímulo do Cleveland Cavaliers. Cinquenta e dois anos. Cinquenta e dois anos. Um Rei precisa trazer orgulho ao seu Reino e é extremamente importante frisar que LeBron James conseguiu.

lue1Como a maioria dos campeões, os detalhes mais importantes são clichês: garra, desejo, instiga, força, conquista, superação. Em uma frase: nenhum time, numa final, havia conseguido se recuperar de um déficit de 3-1. Se houve história na temporada regular, há história na final.

A temporada 2015-2016 serviu para desestruturar alguns dos recordes e amarras no basquetebol como era conhecido há muitos anos. Desestabilizou a imagem de LeBron James (quem poderá chamá-lo de pipoqueiro agora?) e lhe trouxe ao pódio dos melhores aos olhos de todos. Ser o MVP das finais foi o mínimo. Ele alcançou o máximo. A conquista da temporada regular não deve ser desmerecida. O recorde significa algo, apesar da ausência do anel. Aconteceu num momento díspar do atual, apenas.

lebron3A final, entretanto, deve ser exaltada. Seus fatores foram supracitados e talvez palavras sejam incapazes de exaltá-la na intensidade devida. Não há o que se falar sobre a ausência de Draymond Green no quinto jogo ou de um sumiço repentino dos Splash Brothers. Isso deve ser diminuído se comparado à proeza de LeBron James, Kyrie Irving, Lue e companhia. Já havia escrito antes, falando sobre o Golden State Warriors: a história foi feita.

Dedico aqui os meus parabéns ao Cleveland Cavaliers. A equipe, a cidade, aos jogadores, aos torcedores. Aos que torceram pelo Golden State Warriors, lembrem-se: no fim do dia, somos todos os seres humanos. Todos sujeitos à falhas.

Tags : Cavs NBA


Troca que levou Ibaka ao Orlando foi a surpresa da noite do Draft da NBA
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Fábio Balassiano

ben1Foi aquela noite agitada de sempre. Sessenta escolhas para times da NBA no Draft realizado ontem, com Ben Simmons (Sixers – na foto), Brandon Ingram (Lakers), Jaylen Brown (Celtics) nas três primeiras posições, e um punhado de negociações (10 não nascidos nos Estados Unidos entre os 16 primeiros aliás, coisa impressionante). O Minnesota tentou loucamente enviar o seu quinto pick para o Chicago Bulls por Jimmy Butler, mas (até agora) nada feito. O Utah, por sua vez, recebeu o armador George Hill e enviou o pick 12 (o ala-pivô Taurean Prince) ao Atlanta, que repassou Jeff Teague ao Pacers.

ibaka1O maior movimento, mesmo, veio com a troca que levou o ala-pivô congo-ibérico Serge Ibaka ao Orlando Magic (notícia divulgada em primeira mão pelo Woj, que novamente saiu na frente de todos em quase todas as informações de ontem). Indo para o seu último ano de contrato, Ibaka foi trocado pelo Oklahoma City Thunder, que recebeu o calouro Domantas Sabonis (sim, ele mesmo, o ala-pivô que teve 17 pontos e 11 rebotes de média na temporada passada por Gonzaga é filho do lendário pivô Arvydas Sabonis) e os alas Victor Oladipo e Ersan Ilyasova (o OKC tem a opção de ficar ou não com o turco).

gordon1Em primeiro lugar, não deu pra entender o movimento do Orlando Magic. O time, agora, tem novo técnico (o excepcional Frank Vogel, vindo do Indiana Pacers) e poderia abrir espaço para Aaron Gordon (foto) se desenvolver na ala, algo que não tinha acontecido com Scott Skiles. Ainda teria Sabonis, ótimo projeto de jogador (ainda muito cru, mas com bastante potencial) e a chance de, enfim, fazer dar certo o duo envolvendo Victor Oladipo e Elfrid Payton. O que fez o Magic? Despachou Oladipo e Sabonis ao OKC, pegou o contrato expirante de Ibaka, que poderá sair ao final da temporada 2016/2017 e é o cara que será o dono da posição 4 – a mesma de Gordon. Ibaka é excelente, muito bom mesmo. Todos falam de seu comprometimento, de seu ótimo profissionalismo, mas para um time em reconstrução perder duas peças jovens por alguém que pode ficar por lá por apenas um campeonato me parece arriscado demais.

sabonis1Do lado do OKC a troca faz sentido, mas precisa ser analisada com frieza. Pelo lado positivo temos: Dion Waiters, reserva do perímetro, pode sair neste mercado caso não aceite a proposta da franquia. Victor Oladipo, portanto, seria um bom substituto (caso Billy Donovan mantenha Andre Roberson de titular na posição 2). Domantas Sabonis (foto) é uma (de novo) ótima promessa e com a evolução de Enes Kanter (sobretudo na defesa) e Steven Adams no garrafão (este deve receber uma bolada de dinheiro caso continue evoluindo ao fim do seu primeiro contrato, em 2016/2017, aliás) foi possível se desfazer de Ibaka sem tantos problemas. Como curiosidade, vale dizer que com Sabonis (Lituânia), Kanter (Turquia), Adams (Nova Zelândia) e Ilyasova (Turquia) o Thunder terá um garrafão 100% internacional pra próxima temporada.

okc2Pelo lado negativo, essa notícia da troca de Serge Ibaka pode influenciar decisivamente na vida de Kevin Durant. Agente-livre, Durant sempre elogiou a Victor Oladipo, que agora chega para reforçar o Thunder. O problema, para o OKC, é que KD adora desde muito tempo a Ibaka, com quem, ao lado de Russell Westbrook, forma o núcleo do Oklahoma desde 2010. Os três cresceram juntos na liga, evoluíram, perderam, ganharam e criaram fortes relações não só profissionais. Pelo que a imprensa americana disse, o camisa 35 não foi consultado sobre a troca de ontem envolvendo Ibaka e Oladipo.

okc3Para sabermos se realmente a troca que levou Oladipo, Ilyasova e Sabonis (estes, dois alas-pivôs que sabem arremessar de fora – a nova grande tendência da NBA aliás…) deu certo para o Thunder temos que esperar um pouco mais. Se Kevin Durant renovar por longo tempo, o OKC se deu muito bem. Se da foto ao lado só restar Russell Westbrook após o mercado de agentes-livres, é melhor o GM Sam Presti colocar as barbas de molho. Não só porque terá perdido Durant (o Knicks, agora com Derrick Rose, tema de post no blog na próxima semana, virá babando em cima do cara…), mas sobretudo porque poderá, também, se ver sem Westbrook, que pode sair na janela de 2017.

Esperemos um pouco mais. A tacada do Orlando foi muito ruim. A do Thunder até ontem parece ter sido muito boa. Em uma ou duas semanas ela poderá parecer trágica.


A superação de Tyronn Lue, técnico campeão pelo Cavs
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Fábio Balassiano

lue2“Não vou dizer nada sobre isso, me desculpe. Meus jogadores sabem o que precisamos fazer para ganhar essa série. Os dois últimos treinos foram apenas sobre isso”.

Foi assim, seco porém com respeito ao repórter, que Tyronn Lue, técnico do Cavs, respondeu a uma questão da imprensa americana antes do jogo 5. Contra a parede com o famoso 1-3 da decisão contra o Warriors, Lue decidiu ir pro tudo ou nada colocando em prática um plano de jogo que exigia que seus atletas atacassem a Stephen Curry em todas as posses de bola do Cleveland. O resto da história vocês já sabem, né?

lue4Visto com desconfiança por 11 entre 10 analistas de basquete (eu me incluo aqui) quando da saída de David Blatt, Lue tinha muito mais a perder, no longo prazo e pensando em sua trajetória, do que a ganhar como treinador do Cleveland. Inexperiente, capacho de LeBron, sem voz no vestiário e cumpridor de ordem dos atletas. Foram alguns dos “adjetivos” que ouviu para receber a oferta de emprego após a saída de Blatt. Ademais, se ganhasse, muito bem. Se não levasse o Cleveland ao título, ouviria todos os elogios possíveis e imagináveis. Ele não só ouviu quieto como recusou a proposta de 3 anos e US$ 3 milhões/ano que a diretoria do Cavs lhe fez. Preferiu ficar como interino até o final da temporada. Foi uma aposta em si mesmo e também sincero de sua parte. Lue sabia que de fato era algo temporário (até o final do campeonato) que depois poderia se prolongar – e não algo que deveria ser duradouro de cara, pois a franquia não o conhecia como técnico principal.

lue1O fato cristalino e analisado agora é que Lue fez um playoff muito bom como técnico. Noves fora a fragilidade do Leste, não se desesperou quando o Toronto fez 2-2 e poderia ter empurrado o Cleveland para o precipício naquele jogo 5 em Ohio. Manteve o pulso firme e a mesma tática dos dois duelos iniciais da série e fechou no sexto jogo no Canadá sem tanto susto assim. Na decisão, abriu a sua caixa de ferramentas.

Fez com que seus atletas atacassem Steph Curry loucamente, trocou as marcações em Curry e Klay (eles não arremessariam livres em NENHUM momento) e no sétimo jogo fez questão de diminuir o ritmo (foram menos de 100 posses de bola para cada lado pela primeira vez na série). Lue foi tão maduro, que depois de perder Kevin Love por uma concussão no jogo 3 deixou o camisa 0 no banco para o confronto seguinte e trouxe Love de volta ao quinteto titular para a quinta partida mesmo com Richard Jefferson, seu substituto, indo muitíssimo bem. Também foi inteligente ao encurtar a rotação e deixar Channing Frye (péssimo nas finais) e Matthew Dellavedova fora da rotação nos jogos 5, 6 e 7 por necessidade tática e por queda de rendimento dos atletas.

lue5Se do outro lado Steve Kerr não estava muito inspirado nas pranchetas, o técnico calouro, o mais novo a ganhar um título da NBA (39 anos) e outro no seleto grupo a ganhar como atleta e treinador, não tinha o menor medo de ousar, de fazer diferente. Foi bacana de ver na verdade.

De todo modo, é cedo pra dizer quão bom Tyronn Lue será em sua carreira. Independente do que aconteça, ele já tem e sempre terá um título em seu currículo, o que não é pouco. Lue tem o respeito dos atletas, mostrou ótimo conhecimento e muita calma para administrar as situações difíceis que o Cleveland passou nessa pós-temporada. No teste de fogo, o técnico passou com louvor. Agora é sentar com o anel de campeão com Dan Gilbert, o dono da franquia Cavs, e David Griffin, o gerente-geral, e exigir um polpudo aumento em relação aos US$ 3 milhões anteriormente oferecidos.


A frustração existe, mas não deve apagar outro passo histórico do Warriors
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Fábio Balassiano

curry1O Golden State Warriors não conquistou o tão sonhado bicampeonato da NBA. Abriu 3-1 contra o Cleveland, viu o Cavs virar para 4-3 e frustrou (a melhor palavra é essa mesmo) a sua torcida. É triste, vai doer por muito tempo, mas creio ser fundamental que ninguém esqueça quão fantástico foi o campeonato que esses caras que ganharam 73 vezes na fase regular tiveram. Faltam adjetivos para descrever a grandeza do que estamos vendo acontecer na nossa frente e ignorar isso por um fim de certame ruim não é o melhor a se fazer.

curry2Antes de começar os elogios, vamos ao óbvio: está muito claro que alguma coisa não deu certo para o Warriors nesta decisão. Assim como algumas situações precisam ser corrigidas pelo Cleveland também. Não existe time perfeito (nunca houve). Só não concordo, agora, com as críticas que tenho visto ao estilo do Golden State. Muita gente diz que a franquia não tem jogo de garrafão e que por isso perde. Não lembro de ter visto este tipo de argumento ano passado quando a equipe foi campeã. É uma análise em cima de resultados apenas e só isso? Sem querer comparar nada, mas já comparando, o Chicago de 1996 tinha no garrafão Luc Longley e Dennis Rodman, que somavam 15 dos 106 pontos por jogo da equipe 20 anos atrás (menos de 15% portanto). Não falta ao Warriors jogo perto da cesta, mas talvez um pouco mais de consciência para arremessar o melhor arremesso possível do ataque. E mesmo assim tendo a discordar disso que acabei de escrever, pois o que faz desses caras um time já histórico é a imprevisibilidade, o alto número de posses de bola e o jogo rápido, muito rápido. De todo modo, para um playoff me parece importante saber jogar em uma marcha menor em alguns momentos.

green1Aqui, de novo, vale aquele alerta: o jogo mudou, o jogo está mudando, e assiti-lo como se assistia há 20, 30 anos é um erro colossal. Para ver o esporte da bola laranja da atualidade a melhor coisa, mesmo, é se despir de todos os conceitos e aprender com o que está acontecendo. Já falei algumas vezes sobre o Warriors (aqui , aqui e aqui ) neste espaço, mas obviamente vale a pena ressaltar o que esses caras comandados pelo ótimo Steve Kerr (teve falhas na decisão da NBA e também na final do Oeste, mas segue sendo um grandíssimo treinador) têm conseguido fazer no basquete. Não por chutarem loucamente de três pontos, algo que irrita a muita gente, mas por conseguir quebrar freneticamente os conceitos arraigados do jogo.

kerr1Isso, aliás, é algo que merece ser explicado com um pouco mais de cuidado. Quando assumiu a equipe, Steve Kerr sabia que tinha em mãos dois dos melhores arremessadores desta geração (Klay Thompson e Steph Curry). Ele sabia, portanto, que para vencer não poderia jogar da maneira habitual, da maneira “regular” dos outros times. Ritmo de meia quadra, dois pivôs perto da cesta, chutes de dois pontos em profusão e vamos ver no que dá. Nada disso. Kerr tem noção, também, que a melhor arma do seu time (o chute de três pontos), vale mais do que os tiros de dois pontos (50% a mais, né…).

numerosCom um pouco mais de estatística neste texto: os estudiosos do jogo dizem que, atualmente, existem três tipos de chutes “confiáveis” no basquete atual: bolas de três pontos (vale mais, insisto…), bolas em contra-ataque (a maioridade numérica gera alto potencial de conversão) e bolas perto da cesta (mais de 60% de aproveitamento). O Golden State Warriors tem, minimamente, armas bastante letais nos dois primeiros itens dos gênios dos analytics (chutes de três e contra-ataque). Se tem isso tudo, por qual razão atuar de maneira ortodoxa? Não havia razão de fato. A saída foi realmente quebrar a banca, desafiar status quo e criar uma maneira única de jogar basquete – o seu basquete.

kerr1A questão foi, é e cada vez mais será COMO fazer com que Steph e Klay chutassem BEM para fazer com que a arma fosse potencializada. A preparação para os arremessos, com trocas de passes e bloqueios constantes para Steph e Klay, são tão importantes quanto as bombas lançadas por eles em si. Em uma matemática boba, em um espaço de 10 arremessos, 9 bolas convertidas de dois pontos (90% de aproveitamento) por um time qualquer valem exatamente a mesma coisa (18 pontos) que os Splash Brothers podem conseguir acertando 6 em 10 (60%). É, como diria aquele personagem da televisão, aritmética.

green1A grande graça para o mundo basqueteiro é tentar entender os conceitos, admirar a franquia de Oakland, mas saber que o que eles se propõem a fazer é quase que impossível de ser “copiado” simplesmente porque as peças que estão ali são bastante heterogêneas. Quem no planeta possui jogadores tão multidisciplinares e capazes de exercer tantas FUNÇÕES ao mesmo tempo em quadra como Andre Iguodala, Leandrinho, Shaun Livingston, Draymond Green, Festus Ezeli, Anderson Varejão e Harrison Barnes? Ninguém, né? Por essa singela razão nem todo time pode jogar igual ao Golden State Warriors. Ninguém tem chutadores tão confiáveis assim quanto eles e peças tão diferentes entre si em um elenco de 15 jogadores. Peças tão diferentes, tão distintas, mas que encaixadas fazem com que pareçam uma coisa só. Dentro da álgebra, a geometria para achar os melhores ângulos e a química, para achar as melhores formações, são importantes também.

iggy1Para o Golden State importa pouco a altura dos atletas que estarão em quadra. Importa mais a combinação do que eles conseguirão fazer, juntos, contra as formações dos rivais. Importa, sobretudo, que os cinco caras saibam realmente jogar basquete (é quase o que Pep Guardiola faz em seus times de futebol, trazendo volantes para jogar na zaga e povoando o meio-campo, onde se pensa e se cria o jogo…).

Klay2Vimos neste playoff várias vezes o Warriors sem os “pivôs”. Vimos, também, o GSW com Curry e Livingston, armador principal e seu reserva, juntos. Vimos defesas impressionantes e dominando os rebotes com Draymond Green, “gigante” de 2,01m como o rapaz mais perto da cesta. Mais que isso: como evitar cestas dos rivais não tendo necessariamente um pivozão grudado no aro? Ter peças com braços longos, rapidez nas pernas e capazes de marcar rivais de diferentes posições (Iguodala, Green, Barnes e Livingston principalmente) ajuda o GSW a ter uma das melhores marcações da NBA atual. Boas defesas permitem contra-ataques. Boas defesas permitem que, no contra-ataque, Curry e Klay já se posicionem nas extremidades (corner-shots) para chutar sem marcação (spot-up shots). Se marcados eles já têm conversões altas (mais de 40%), imaginem livres (mais de 50% nos tiros longos…). Como é um time bastante leve, as movimentações são frequentes e frenéticas, deixando os adversários MALUCOS para acompanhar os ritmos e deslocamentos. Isso conta. Isso conta e cansa também. Vimos infinitas maneiras de se chegar a cesta com diferentes atletas em quadra. Dava para pontuar com as bombas de Curry ou Klay do perímetro. Mas dava, também, para ver jogo de costas para a cesta de Livingston, infiltrações de Leandrinho, picks com Draymond Green, ponte-aéreas para Ezeli e Bogut, isolações para Andre Iguodala e Harrison Barnes. O arsenal construído é praticamente imarcável.

gsw4Não torço pelo Warriors, mas torço para vê-los jogar assim por muito, muito tempo. Se fica a frustração, pra eles, de não ter conquistado o sonhado bicampeonato, vale lembrar que alguns times históricos, como o Lakers da década de 80, demoraram anos para conseguir títulos consecutivos. Outros, nunca chegaram lá (o Spurs atual e o Boston Celtics mesmo da década de 80 não conseguiram). O que estamos vendo é um time que venceu 67 vitórias em 2015, 73 em 2016 e que conseguiu avançar às finais por duas vezes seguidas. Não é pouco. Com uma diferença bem incrível que o Golden State consegue fazer isso com um núcleo ainda muito jovem (Curry é o mais velho e tem módicos 28 anos), que pode conquistar ainda muita coisa, e mudando os conceitos do jogo (como não querer que isso se prolongue por muito e muito, gente?).

warriors1Muita gente ainda teima em não colocá-los no panteão dos melhores times da história. Não só os coloco lá entre os melhores, mas também na classe das equipes que conseguiram modificar a curva da modalidade. Houve o Celtics da década de 60 com Bill Russell e seu jogo pesado de defesa. Depois o Lakers em 1980 com o estilo incrível de transição. Tivemos, também, o Detroit Pistons, máquina de moer adversários com seu estilo físico na mesma década de 80. Logo depois, o Bulls com o seu sistema de triângulos incrível. Anos depois vieram os altruístas San Antonio Spurs e o Detroit-2004 (este por menor espaço de tempo) e o Lakers com o duo Shaq e Kobe (o último, até agora, a conseguir 3 títulos seguidos). Agora é a Era Warriors. Basquete rápido, baseado em arremessos longos, trocas de marcação constantes e armas ofensivas infinitas. E vencendo muito.

Quando este esporte for estudado daqui a 50, 60 anos, este Golden State Warriors (até agora) campeão de 2015 e vice de 2016 precisará de um capítulo a parte. Único. Único como seu lindo e sorridente basquete.