Bala na Cesta

Arquivo : abril 2014

Na severa punição a Sterling, o grande exemplo da NBA
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Fábio Balassiano

USP NBA: COMMISSIONER ADAM SILVER-PRESS CONFERENCE S BKN USA NYA esta altura dos acontecimentos você, leitor atento que é, já deve saber que a NBA puniu com rigor Donald Sterling. Se não sabe, clique aqui e aqui para ler mais a respeito. Mas em resumo: pelos insultos racistas ditos em um áudio que vazou, Sterling foi multado em US$ 2,5 milhões (pena financeira máxima) e BANIDO para sempre de TODAS de jogos, treinos e qualquer atividade que envolva a principal liga de basquete do planeta.

Isso não é tudo. Nos próximos dias a NBA convocará uma reunião extraordinária com os outros 29 donos de franquia. Lá, será votado se os demais proprietários desejam que Donald Sterling venda a franquia Clippers ou se aceitam continuar sentando ao lado dele para negociar o futuro do melhor produto de basquete do planeta. Ou seja: caso 23 ou mais donos de times (serão necessários 3/4 de votos ou mais) não queiram o racista Sterling por perto, é só apertar o botão para limá-lo de vez. Tendo em vista a repercussão e as reações de atletas, técnicos e ex-atletas, acho BEM improvável que algum magnata pense em votar pela manutenção de Sterling.

silver2Mas, bem, há algumas coisas interessantes para se falar. Em primeiro lugar, é fundamental dar parabéns à NBA, em especial ao comissário Adam Silver (ele está em todas as fotos do texto). Silver, que assumiu há menos de seis meses, teve uma batata quente em suas mãos e precisava agir rápido e com veemência para não só punir Sterling, mas principalmente para mostrar uma carta de apresentação a atletas, técnicos, dirigentes, ex-atletas e torcedores condizente com a sua nova função.

E assim foi feito. A notícia do áudio de Sterling surgiu no sábado, Silver falou com a imprensa no domingo, analisou tudo nesta segunda-feira e ontem (terça-feira) anunciou a punição com o rigor necessário. De quebra, disse que os US$ 2,5 milhões da multa aplicada a Sterling serão destinados a Organizações que têm por objetivo combater o preconceito racial. Foram duas cestas do meio da quadra em um arremesso só.

silver3Silver puniu quem merecia ser punido, foi firme em seu pronunciamento (aqui o vídeo completo), afirmou estar envergonhado com o que Sterling disse, extremamente ágil para evitar rumores e impaciência geral (dos atletas principalmente), e ríspido o suficiente para mostrar o nojo dele e da NBA para com a situação. Ganhou a admiração dos fãs do jogo, o respeito dos atletas, o carinho de Magic Johnson (insultado nominalmente por Sterling) não só pela punição em si, mas pela transparência e a forma como conduziu o caso (algo raro em um meio esportivo quase sempre letárgico para tratar de assuntos espinhosos), e já pode ser considerado um grande e respeitado líder do esporte mundial (principalmente no momento em que o futebol, o mais popular dos esportes, tem que lidar, embora não saiba muito bem como fazer, com atos racistas dia sim, o outro também).

A NBA, que poderia sair muito bem com sua imagem arranhada de uma situação tenebrosa como esta, sai por cima, aumenta ainda mais a sua credibilidade e mostra que agilidade, rigor e transparência são fundamentais em qualquer gestão de crise (seja em que ambiente corporativo for). A verdade é uma só neste tipo de situação: não é questão de estar com um problema imenso nas mãos, mas sim na forma como você lida, na forma como você faz questão de tratá-lo.

E a NBA fez questão de tratar o problema do racismo de Donald Sterling de frente, olhando todos de frente. Era um caso grave, um caso extremo, um caso vergonhoso não só para a liga, mas para o esporte mundial. Alguns poderiam querer jogar para debaixo do tapete. Silver preferiu olhar diante das câmeras duas vezes no período de três dias sem o menor medo, sem a menor cerimônia. A primeira para anunciar que haveria uma rigorosa investigação. A segunda para anunciar a punição. Sem erro, sem medo, sem temer nada pois todo mundo sentia que havia seriedade, comprometimento em resolver tudo rápido.

silver4Adam Silver, o grande líder da melhor liga de basquete do planeta, começa muito bem a sua gestão e merece os parabéns pela postura firme e direta com que lidou com o caso. Em menos de uma semana ele conseguiu tirar a liga do buraco em que ela poderia ter se metido, alçou-a a outro patamar com uma punição exemplar, trouxe TODOS para seu lado (atletas, técnicos, torcedores e ex-jogadores) e enfileirou uma série de aulas e lições sobre como lidar e se comunicar em momentos de crise extrema.

É cedo, ele ainda não tem um ano no cargo, mas Adam Silver está apenas começando a sua trajetória e já deixou um legado pra lá de respeitável. Só nos resta aplaudir.


A volta do Podcast Bala na Cesta: NBB, NBA, LBF e Donald Sterling
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Fábio Balassiano

Opa, o Podcast voltou! O Podcast voltou! Nesta semana Pedro Rodrigues e eu falamos sobre Bruno Caboclo no Draft da NBA, o título de Americana na LBF, os playoffs da NBA e obviamente sobre a imbecilidade de Donald Sterling, dono do Clippers que acaba de ser suspenso eternamente pela liga (escreverei sobre o tema amanhã por aqui). No final, uma singela e humilde homenagem a Luciano do Valle.

Se preferir, o link direto está aqui. Caso queira, o episódio também está disponível no iTunes! Críticas, sugestões ou qualquer tipo de mensagem é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado e bom programa!

Tags : NBA Podcast


José Medalha esclarece sua ida para a CBB
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Fábio Balassiano

A respeito do post que publiquei no começo desta terça-feira aqui no blog, em que digo que a Confederação Brasileira nomeou José Medalha, agente de jogador, para a função de Diretor Institucional, Medalha me enviou e-mail a respeito do tema. Reproduzo-o de forma completa.

“Prezado Balassiano,

Tomei conhecimento de sua matéria no blog sobre minha nomeação como Diretor Institucional da CBB e, diante do conteúdo postado, tenho a esclarecer o seguinte:

1. Fui convidado pelo Presidente para assumir esse cargo e realmente aceitei, com a condição de não ser remunerado e sim de contribuir com a minha experiência e contatos nas esferas nacional e internacional com a entidade e por extensão com o basquetebol brasileiro;

2. Quanto a minha candidatura em 2005 e idéias ali expostas, esclareço que naquela oportunidade a minha postura de “Muda CBB” era quanto o continuísmo da gestão Grego, o que se concretizou algum tempo depois. Acredito mesmo que algumas posições daquela campanha foram tomadas posteriormente, principalmente a mudança estatutária proibindo a reeleição do presidente após dois mandatos, terminando com o continuísmo tão criticado no esporte brasileiro;

3. Quanto a minha posição de agente FIBA, solicitei meu desligamento da função junto ao setor competente da entidade chefiado pela Francine Volleinweider. A exclusão do meu nome no site da FIBA será providenciada assim que a minha credencial for devolvida, o que foi feito através de correio no final da última semana;

4. Com todo respeito a sua função de jornalista, e entendendo a contribuição que você presta ao basquetebol com sua postura crítica, coloco-me a disposição sempre que necessário para qualquer comentário ou esclarecimento que minha nova função na entidade suscitar.

Grande abraço, José Medalha”

Duas perguntinhas pra fechar o tema:

1) Não seria mais recomendável esperar o desligamento e aí sim assumir a função?
2) Será que Medalha se atentou para o fato que Nunes e Grego são mais do mesmo? Será que ele soube que agora, inclusive, um (Nunes) faz parte da chapa do outro (Grego) na ABASU?


CBB nomeia empresário de jogador como novo Diretor Institucional
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Fábio Balassiano

nunes1Há certas coisas no basquete brasileiro que, como disse na semana passada (aqui), quando da nova união entre Carlos Nunes (atual presidente da Confederação) e Grego (ex-mandatário), a gente não quer acreditar. Mas elas são reais. Ontem, como faço em quase todos os dias, eu cliquei na seção NOTAS OFICIAIS no site da CBB (aqui o link). Lá, um sugestivo título me chamou a atenção: “Nº 80/2014 – Nomeação para Diretor Institucional CBB”.

Assustei-me, pois este tipo de anúncio normalmente vem com uma notícia na capa do site, um release, um requinte, uma pompa, mas nada. Além disso, este cargo é o que foi “oferecido” a Hortência quando o presidente Carlos Nunes a tirou do Departamento Feminino da entidade máxima (veja mais aqui). Estava vago até ontem, portanto. Aí você clica na Nota Oficial (aqui) e lê: “No uso das atribuições estatutárias, na qualidade de Presidente da Confederação Brasileira de Basketball, nomeio o Sr. JOSÉ MEDALHA Diretor Institucional, na forma como dispõe o artigo 36, letra “f”, empossado no cargo no mesmo ato”. Fui dar uma olhadinha no organograma e está lá mesmo o nome do Professor Medalha (clique aqui).

medalha2Respeito demais a José Medalha (na foto à direita, com blusa branca), que tem uma vida dedicada ao basquete, mas confesso a vocês que me assustei bastante com sua nomeação a um cargo na entidade máxima do basquete brasileiro. Em primeiro lugar porque em 2005 Medalha foi candidato da OPOSIÇÃO (de ideias principalmente) do duo Grego e Carlos Nunes.

Clique aqui, aqui, aqui e aqui para relembrar um pouco sobre o pleito e o que ele pensava à época (agradeço ao Google por fazer com que eu achasse matérias sobre algo que ainda está muito fresco em minha memória). Acompanhei alguns debates, e me impressionei com sua oratória, com suas estratégias para tirar o basquete da lama (uma década se passou e nada…), com sua vontade de ver a modalidade melhor e longe das mãos dos mandatários vigentes à época (e que por coincidência são os mesmos até hoje…).

O mais chocante, porém, não é Medalha se aliar a quem ele tanto criticava, se aliar a quem tem levado o basquete brasileiro à bancarrota moral, intelectual, administrativa, financeira e técnica. O mais bizarro disso tudo é que José Medalha é AGENTE FIBA, empresário de jogador de basquete. Isso quem afirma não sou eu. Isso quem diz é o site da FIBA, da Federação Internacional. É só clicar aqui ou ampliar a figura abaixo. É na seção AGENTS CORNER, e lá seu registro (2008020299) está bem claro para quem quiser ver.

medalha

Ou seja: a Confederação Brasileira de Basketball nomeou para a função de Diretor Institucional alguém que é empresário, que agencia jogador de basquete no país. Há alguns ali bem conhecidos, que estão disputando o NBB e tudo mais. É uma conjugação ética pouco recomendável (Dirigente + Empresário), não acham? Mas, sejamos sinceros, não surpreende, né, já que nesta mesma CBB o filho do presidente Carlos Nunes é coordenador de Mini-basquete da entidade (relembre aqui e aqui).

Dá pra acreditar em mudança no basquete brasileiro assim?


Bruno Caboclo se inscreve no Draft de 2014 da NBA
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Fábio Balassiano

caboclo1A NBA divulgará nesta segunda-feira a lista dos inscritos para o Draft de 2014 (este que promete ser um dos melhores dos últimos anos). Mas o blog apurou com uma fonte dos Estados Unidos que a lista possui um nome brasileiro: é o de Bruno Caboclo, ala de 2,06m e jogador do Pinheiros (aqui seus números na atual edição do NBB). Conforme disse aqui no sábado, os atletas tinham até ontem, 27/4, para se inscrever e assim foi feito por Caboclo. Caso queira, o jogador tem até 16 de junho para retirar seu nome do Draft.

Aos 18 anos (fará 19 em setembro), Bruno Caboclo foi o melhor jogador do Basquete sem Fronteiras (uma espécie de Campo Internacional organizado pela NBA) realizado na Argentina em julho do ano passado (foto à direita) e desde então chamou a atenção da liga norte-americana, que passou a monitorá-lo de perto, bem de perto.

CONHEÇA MAIS SOBRE BRUNO CABOCLO, ALA DO PINHEIROS

bruno10Nascido em Osasco e criado em Pirapora do Bom Jesus e Barueri, o tímido Caboclo começou no basquete nas escolinhas do Barueri. Jogou lá dos 13 anos 17 e no começo de 2013 foi contratado pelo Pinheiros para fazer parte do elenco que disputaria a Liga de Desenvolvimento de Basquete, a LDB, principal competição de jovens do país.

Passou a treinar forte (algumas vezes de forma individual e com trabalhos específicos), fez bom uso da excelente estrutura do clube (recheada de técnicos, fisioterapeutas, departamento científico etc.) e na LDB que terminou no final de 2013 Caboclo fez todos que foram vê-lo nos ginásios babar. Fechou a competição com as médias de 14,8 pontos, 6,8 rebotes, 2,4 tocos e 16,6 de eficiência, tendo feito partidas assustadoras nas finais disputadas no Rio de Janeiro.

TRIO DO PINHEIROS BRILHA E SONHA ALTO

caboclo1Deixou todos de boca aberta e com a nítida percepção de que seu potencial físico era fora dos padrões normais (ele parece um albatroz, tamanha a sua envergadura – dizem que passa dos 2,30m), ganhou espaço na rotação do time e se destacou na primeira fase da Liga das Américas, tendo feito 24 pontos e cinco rebotes em seu primeiro jogo internacional adulto. Tem boa técnica, defende bem, mas obviamente ainda precisa evoluir MUITO em todos os fundamentos do jogo (o que é natural para alguém de 18 anos e com tão pouco tempo de basquete assim).

Após a primeira fase da Liga das Américas, no entanto, Caboclo se machucou, não foi nem ao Jogo das Estrelas, onde disputaria o Torneio de Enterradas, e acabou não jogando muito até o final da temporada, onde seu time foi eliminado pelo Mogi nos playoffs do NBB6.

Ainda não se sabe quais serão os próximos passos dele (se treinará nos Estados Unidos, se ficará por aqui, se irá a Treviso, no tradicional Camp para jovens gringos que tentarão o Draft), mas desde já desejo boa sorte a Caboclo. Tentei contato com o jogador, mas não consegui.


Flamengo e Brasília podem fazer hoje último jogo da temporada em casa
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Fábio Balassiano

jackson1As quartas-de-final do NBB começaram no fim de semana. São quatro séries, né. E se eu disser a vocês que há duas com inversão de mando de quadra (quando o time de pior campanha vence alguma na casa do de melhor), em quais duelos você arriscaria? Duvido muito que apontasse o dedo para Flamengo e Brasília. Pois é o que está acontecendo.

Limeira e Mogi já fizeram dois jogos (única série assim), e os limeirenses venceram as 2 em casa, abrindo 2-0 e encaminhando classificação para uma inédita semifinal. Neste domingo, com 23 pontos de David Jackson (na foto à direita), vitória por 83-72. E também ontem, na capital de São Paulo, o Paulistano sofreu, mas venceu Franca e abriu 1-0 na série com os 82-72 (Holloway fez 23). Limeira e Paulistano, portanto, defenderam seus mandos de quadra e continuam com a vantagem. Mogi e Franca seguem com sua missão de TER que ganhar um jogo para chegar entre os quatro melhores do NBB nesta temporada.

Flamengo e Brasília, os únicos vencedores da história do NBB (dois títulos rubro-negros, três para os da capital federal), foram derrotados em casa no sábado para Bauru e São José, respectivamente, e fazem o jogo 2 em casa nesta segunda-feira (o de Brasília será exibido às 19h no Sportv) com a obrigação de vencer os difíceis rivais se quiserem manter vivas as esperanças de chegar às semifinais. Fla x Bauru será no Tijuca às 20h (sem TV).

fla1Mais do que isso. Flamengo e Brasília podem fazer, nesta segunda-feira, 28 de abril de 2014, o último jogo da temporada diante de seus torcedores (mesmo vencendo). Caso percam logo mais, Bauru e São José (este sem a presença da torcida, visto que houve punição da Liga Nacional devido à confusão contra o Palmeiras) precisarão ganhar os dois jogos em casa para sacramentar a classificação sem a necessidade de um quinto e agônico jogo. Se vencerem novamente, os dois times do interior de São Paulo precisariam apenas de uma vitória em casa para eliminar os campeões do NBB.

É meio óbvio isso, mas NUNCA na história da competição houve uma semifinal sem Brasília ou Flamengo (claro, né, pois os dois ganharam as cinco edições de NBB até aqui!). Na história, o rubro-negro chegou no MÍNIMO às semifinais em todos os campeonatos. Os candangos, por sua vez, só morreram antes da semi na temporada passada, quando foram eliminados justamente por São José na mesmíssima fase de quartas-de-final em que medem forças neste campeonato.

alexNão sou técnico (ainda bem), mas se fosse comandante de São José (Zanon) e Bauru (Guerrinha) faria de tudo para vencer o jogo desta noite. Abrir 2-0 significa colocar o difícil rival (Brasília e Flamengo) nas cordas, pertinho da eliminação, fazendo com que dos dois jogos no interior de São Paulo apenas uma vitória seja necessária. Abrir a guarda e permitir triunfos fáceis logo mais, como muitas vezes acontece na NBA com times que estão em vantagem na série, é um grave erro que joseenses e bauruenses não podem nem pensar em cometer (principalmente por permitir que, psicologicamente, os adversários recuperem a auto-estima).

Será que Flamengo e Brasília reagem? Ou Bauru e São José aprontam novamente? Comente!


Depois do milagre de Carter, Spurs precisa vencer Dallas hoje
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Fábio Balassiano

No sábado, perdendo de dois pontos, com menos de dois segundos de jogo, o Dallas jogou pros céus pra ver no que dava. E deu isso.

Vince Carter, quem diria, arremessou bem, com muita técnica ao perceber que Manu Ginóbili vinha pulando (reparem que ele finge que vai, o argentino salta, e aí sim ele arremessa), e deu não só a vitória ao Dallas, mas principalmente a liderança na série (2-1), a manutenção do mando de quadra e a certeza que o duelo vai durar no mínimo seis jogos (isso, claro, se os Mavs não fizerem 4-1, o que não acredito) nesta que tem sido a mais bem jogada série dos excepcionais playoffs de 2014 da NBA.

vince11

Muita gente tentou falar em falha na marcação de Ginóbili, mas eu sinceramente não vejo assim (e acho que precisa-se parar com isso também). Há mérito de Carter na jogada, procurando um espaço livre para concluir uma jogada que nem fora desenhada para ele (as opções eram Monta Ellis e Dirk Nowitzki. Não há culpa, não há erro. Há é mérito por parte do Dallas, que fez uma partida brilhante e executou perfeitamente a jogada final.

Por isso nesta noite, também em Dallas (22h30 de Brasília), o San Antonio está contra a parede. É uma situação bem delicada a dos Spurs, sem dúvida alguma. Melhor time da temporada regular, os Spurs não podem nem pensar em voltar para casa, para o jogo 5, com 1-3 na bagagem, com um déficit tão grande em uma série que, em teoria, não deveria ser tão enrolada assim (embora os confrontos individuais, principalmente quando Samuel Dalembert está fora, sejam ótimos pros Mavs).

Este é o cenário de hoje à noite. O Dallas joga para fazer um 3-1 e deixar o San Antonio a beira do precipício. O San Antonio sabe que não pode nem pensar em outro revés. Quem será que vence logo mais?


O racismo de Donald Sterling e a hora da punição severa da NBA
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Fábio Balassiano

donald1Nesta altura dos acontecimentos você já deve estar sabendo que Donald Sterling, dono do Los Angeles Clippers, é o homem mais odiado do basquete mundial na atualidade. Se não sabe, clique aqui. Em resumo: o magnata, em um áudio recebido pelo site de fofoca TMZ, disse a sua namorada que não gostaria de ver negros no ginásio em jogos de seu time.

Uma imbecilidade sem tamanho, obviamente (para não usar uma palavra mais forte). Mas não é surpreendente, isso é importante ser dito. Sterling tem uma folha corrida deprimente, triste mesmo, daquelas que você tem vergonha de pertencer a mesma sociedade que um idiota assim. Em 2006 ele já tomara um processo devido a racismo. Em 2009, de Elgin Baylor,  seu ex-funcionário no Clippers, levou outro. Danny Manning, ex-jogador da NBA, disse que uma vez ouviu um “estou oferecendo muito dinheiro para este negro”, em uma de suas negociações de contrato. Baron Davis (foto à esquerda), estrela da franquia recentemente, cansou de dizer que Sterling sentava à beira da quadra e dizia ATROCIDADES para os jogadores, com insultos racistas e não pronunciáveis por aqui. Logo, não é surpresa, não é novidade.

O que causa esta maior comoção, embora cause choque do mesmo jeito que nos anos anteriores, é porque agora há um áudio que está aí sendo escutado por quem quiser, talvez na primeira prova real/concreta da imbecilidade etnocentrista de Sterling. Em tempos de redes sociais funcionando como amplificador de todos os assuntos, o barulho ficou obviamente ainda maior – o que neste caso é positivo, pois o assunto merece ser discutido.

donald2A questão é que agora o foco da NBA está no Clippers não pelo motivo que deveria estar – os playoffs. Hoje o time faz contra o Golden State, sabiam? Alguém lembra que neste domingo a franquia faz um crucial jogo 4 em Oakland contra os Warriors? Não e nem é pra lembrar mesmo porque o foco passou para a patacoada de seu dono. Potencializa a imbecilidade de Sterling o fato de seu melhor jogador (Chris Paul) e seu técnico (Doc Rivers) serem negros. Rivers, inclusive, disse estar muito decepcionado e que não sabe exatamente o que pensar, agir e nem falar com seus atletas, que tiveram um encontro a portas fechadas para tratar do tema e decidiram jogar. Alguns nomes de peso da liga, como Kobe Bryant e LeBron James, também se manifestaram contra Sterling neste sábado.

A NBA, por sua vez, enviou um comunicado à imprensa dizendo que a gravação está sendo analisada e que punições podem ser efetuadas nas próximas horas. Uma suspensão de Sterling não está descartada, mas obviamente isso é muito pouco para alguém (insisto) cujo histórico de alucinações contra os negros é gigante.

silverEste, portanto, é o primeiro grande abacaxi que o novo comissário-geral Adam Silver (foto à direita) terá que descascar. Suspender Sterling é o básico, o banal, o elementar. Isso irá acontecer. Mas não muda muita coisa. Sterling não joga, não entra em quadra. O máximo que aconteceria neste caso é o dono não ir ao ginásio. Não mudaria nada.

Uma punição mais enérgica, portanto, seria o mais recomendável, mas o que Silver deve fazer? Aplicar uma multa não é bem o caso para um cidadão como Sterling cuja fortuna está estimada em quase 2 bilhões de dólares. Há uma possibilidade, mas um pouco mais remota. A NBA é uma liga, e os outros 29 donos poderiam forçar Sterling a vender a franquia. É uma possibilidade, mas, repito, muito remota. Não sei se os outros proprietários se meteriam tão fundo assim. E o racismo de Sterling é conhecido há anos, muitos anos, sem que nem a liga (David Stern preferiu o silêncio, uma lástima) e nem os demais milionários tivessem feito algo.

silver2De Donald Sterling, 80 anos e o dono mais antigo da NBA (comprou o Clippers em 1981), não dá pra esperar nada. Já falou uma vez, já falou duas vezes, falou ontem e seguirá falando atrocidades pois suas ideias foram, são e serão racistas. Aguardemos uma punição exemplar de Adam Silver, portanto. Não sei exatamente como Silver punirá Sterling, mas o mundo do basquete clama por algo bem forte, bem exemplar mesmo. Magic Johnson, Charles Barkley, todo mundo por lá caiu em cima de Sterling.

Que Silver comece bem seu mandato aplicando a Sterling uma punição imensa. Que tal obrigá-lo a vender a franquia Clippers para alguém sério, alguém decente, alguém com um mínimo de inteligência?


Domingo, 27/4, dia importante para o Draft da NBA
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Fábio Balassiano

stern1Os playoffs estão rolando, mas este domingo é um dia importantíssimo fora das quadras norte-americanas. De acordo com o planejamento da liga norte-americana, este 27 de abril de 2014 é o ÚLTIMO dia para os atletas que desejam ingressar no Draft de 2014 se inscreverem.

Ou seja: quem tem o sonho de jogar na NBA tem até amanhã para enviar o formulário “declarando-se” disponível para ser escolhido pelas franquias no Draft de 2014. A seleção dos novatos, em si, acontecerá em 26 de junho, em Nova Iorque, e esta será a primeira vez desde 1984 que a liga não verá David Stern anunciando os primeiros escolhidos (caberá ao novo comissário-geral Adam Silver a missão de, entre outras coisas, ser vaiado pela torcida do Knicks…). Na foto à esquerda, Stern selecionando Hakeem Olajuwon para o Houston em 84, sua primeira “escolha”.

Alguns nomes já se inscreveram no Draft e são considerados pules de dez para serem escolhidos nas primeiras posições. Julius Randle, que jogou apenas uma temporada pela Universidade de Kentucky (vice-campeã da NCAA nesta temporada), confirmou presença no Draft e deverá ser Top-5. Jabari Parker, de Duke, também se inscreveu. James Young, também de Kentucky, vai tentar a sorte no Draft também.

wiggins1Alguns nomes, porém, ainda estão não foram oficialmente anunciados. Andrew Wiggins (foto à direita), calouro de Kansas e provável número 1 do Draft, não se inscreveu ainda e pode até ficar mais um ano na faculdade. O croata Dario Saric, craque de bola, deve fazê-lo hoje ou amanhã, mas vive às voltas com uma confusão imensa entre seu agente e seus familiares.

Além deles, outros nomes de fora dos Estados Unidos, como o do armador australiano Dante Exum, são especulados para se inscreverem nesta que pode ser a melhor turma de calouros dos últimos anos. O Draft de 2014 promete e é bom ficar de olho.

Tags : Draft NBA


Herói inesperado salva o Houston – veja o vídeo!
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Fábio Balassiano

daniels1O Houston Rockets, tal qual o Chicago Bulls, estava num buraco danado ontem à noite. Foi ao Oregon visitar o Portland Trail Blazers e sua enfurecida torcida (os donos da casa não tinham 2-0 em playoff desde 2000) no primeiro jogo de pós-temporada no ginásio desde 28 de abril de 2011 (Blazers eliminados pelo Dallas) e precisava sair com a vitória de qualquer jeito. E conseguiu.

Venceu o forte rival por 121-116 na prorrogação contando com um arremesso decisivo de um herói completamente inesperado. James Harden estava em quadra, mas não tem chutado muito bem nesta série (27/82, 32% de aproveitamento). Ele tentou o drible quando o jogo estava empatado em 116, tropeçou, a bola pipocou, acabou com Jeremy Lin, que a quicou para Troy Daniels, o camisa 30 desta foto à direita. O calouro pegou a bola e não teve dúvida. Veja o vídeo abaixo!

troy2O Portland ainda teve uma chance de empatar, mas Nicolas Batum, que cravou uma bola de três no tempo normal para levar a partida para a prorrogação, não foi feliz. Os Blazers ainda têm a vantagem de 2-1, mas tal qual os Bulls, os Rockets estão novamente vivos.

Para você que nunca tinha ouvido falar neste rapaz, Daniels tem 22 anos, veio de Virginia Commonwealth University (VCU), não foi escolhido no Draft de 2013, jogou a Liga de Verão pelo Charlotte Bobcats mas não conseguiu um contrato direto. Recebeu um contrato do próprio Houston Rockets em 18 de outubro de 2013, mas foi demitido logo em seguida.

Manteve a cabeça no lugar e foi tentar a sorte na D-League. No Rio Grande Valley Vipers, bateu o recorde de bolas de três convertidas na D-League mesmo com 18 partidas por jogar (foram 173 conversões em 32 jogos, mais de cinco por partida).

No dia 21 de fevereiro foi contratado pelo Houston, com um aviso de seu gerente-geral, o nerd Daryl Morey, no Twitter (abaixo).

morey1

Troy Daniels, o salário mais baixo do elenco do Houston (US$ 154 mil), ainda não havia ENTRADO EM QUADRA neste playoff da NBA. Entrou ontem, jogou 20 minutos, acertou três de seus seis arremessos de três, fez 9 pontos, a bola decisiva e saiu como herói. Foi a bola de três número 255 acertada por ele na temporada. Certamente a mais importante. Certamente a mais valiosa.

O Houston está vivo devido a ele. Simplesmente é isso.