Bala na Cesta

Arquivo : fevereiro 2014

Flamengo e Uberlândia tentam chegar às finais da Liga das Américas
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Fábio Balassiano

nicolas1Já é quase Carnaval por aqui, mas a folia momesca do Brasil não vai pegar no Flamengo e no Ubelrândia, não. Os dois times estão em Xalapa, no México, para a segunda fase da Liga das Américas.

No grupo dos brasileiros estão, também, Halcones (o dono da casa) e Cocodrilos (Venezuela). O canal FoxSports tem os direitos de transmissão e exibe o quadrangular de hoje até domingo (aqui a programação com horários e tudo mais – pelo visto vai ser apenas no FoxSports2, o que é uma pena).

Este é disparadamente o mais difícil dos grupos do quadrangular semifinal da Liga das Américas. Flamengo é o líder do NBB e tem um dos melhores times das Américas. O Halcones foi bem na primeira fase e joga em casa. O Uberlândia, ainda tropeçando muito na competição nacional, tem ótimo elenco e pode surpreender. O Cocodrilos, da Venezuela, é tradicional demais, mas perdeu Andre Emmett, ala que passou (sem sucesso) pela NBA e que na primeira fase despejou mais de 30 pontos de média. Vai ser, como se pode ver, uma dureza só para os brasileiros.

Não tenho palpite para este grupo, não. Acho (só acho) que o Flamengo irá passar. E o outro não tenho a menor ideia. E vocês? Comentem!


Ex-jogador de futebol, Dragic brilha no Suns e exalta Neymar e Kaká
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Fábio Balassiano

* O blogueiro viajou a convite do Canal Space

dragic1Principal peça do surpreendente Phoenix Suns, que deixa todo mundo de queixo caído com a campanha de 33-24 que o coloca em oitavo no Oeste, o esloveno Goran Dragic tem uma trajetória de vida diferente. Seu sonho sempre foi ser jogador de futebol. Torcedor do Milan, fã de Kaká e agora de Neymar, ele sofreu uma lesão grave na perna aos 13 anos e teve que mudar de esporte. Empurrado pelos seus amigos, que viam no basquete uma oportunidade para o menino alto, Dragic ganhou altura e destaque cedo, sendo alçado desde as categorias de basquete como um dos melhores da Europa. Não durou muito e aos 22 anos ele já estava na NBA. Primeiro no Phoenix, onde permaneceu por três anos. Depois no Houston. E agora de volta ao Suns. Em um café da manhã promovido pelo Canal Space com jornalistas da América Latina durante o All-Star Weekend de Nova Orleans ele conversou comigo e com o repórter Fábio Aleixo, do Lance!, a respeito de sua carreira, da temporada (20 pontos, 6 assistências, 50% nos arremessos e 40% nas bolas de três pontos). Veja os principais trechos do papo que tivemos com o armador de 27 anos:

AMOR PELO FUTEBOL
“Eu amo futebol. Eu amo mesmo. Quando eu comecei a praticar esporte, meu esporte número 1 era o futebol. Mas machuquei a perna, os médicos disseram que eu não poderia mais jogar e aí tive que buscar outra modalidade. Como muitos dos meus amigos jogavam basquete, fui tentar a sorte. Infelizmente não poderei ir a Copa do Mundo no Brasil porque tenho um bebê pequeno, que nasceu recentemente e teremos que cuidar dele após a temporada da NBA. Mas eu realmente gostaria. Atualmente o jogador brasileiro que mais gosto de ver é o Neymar. Ele é especial, ele tem algo de especial. Além dele gosto do Ibrahimovic, dos craques do Barcelona, do Kaká. Também gostava do Pato, que jogou no meu time. Sou torcedor fanático do AC Milan, da Itália. Até os dias de hoje, quando volto pra casa eu fico vendo muitas partidas de futebol . Em casa, lá em Phoenix, eu não tenho canais de basquete para não ficar alucinado vendo jogos o dia inteiro. Então posso dizer que vejo muito, muito futebol mesmo”.

dragic2TEMPORADA DO PHOENIX
“A temporada no Suns tem sido muito boa, muita gente diz que eu deveria estar jogando no All-Star Game, era o que eu desejava também, mas acabou não acontecendo. Mas temos sempre o próximo ano. Tenho que manter a cabeça no lugar, a minha evolução para tentar jogar em 2015. Sobre o Phoenix, acredito que estejamos em uma ótima situação. Temos um time jovem, atlético, com muitas peças e com um futuro brilhante pela frente principalmente pelo que temos a evoluir como grupo. Se os resultados me surpreenderam? Sim, claro, claro que sim. Ninguém esperava por isso, nem mesmo eu. Mas aí a temporada começa, você vê que pode jogar de igual pra igual com todo mundo, ganha algumas partidas difíceis e deixa as coisas acontecerem. Não sei bem até onde nós podemos ir, quão longe, essas coisas. Nosso foco está em chegar aos playoffs, o que para a gente já seria uma grande façanha”.

nash2A SEMELHANÇA DE SUA CARREIRA COM A DE STEVE NASH (VEJA MAIS AQUI)
“Outro dia meu empresário, que é o mesmo do Nash (Bill Duffy), comentou sobre isso. Ambos começamos no Phoenix, saímos e depois regressamos. É engraçado, né. E eu vim para o Phoenix, como um calouro, para ser reserva dele, então as coincidências não param nunca. Quando cheguei à NBA em 2008 as pessoas falavam que tínhamos muitas coisas parecidas, mas não imaginava que fosse acontecer isso tudo. Aprendi muito com ele nos meus tempos de Suns na primeira passagem. No começo foi meio duro, porque eu queria ser apenas eu mesmo, e tudo o que fazia acabava gerando uma comparação com o Steve, que já era um craque consagrado. Fiquei três anos e meio com ele como meu mentor, meu tutor na NBA”.

goran1COPA DO MUNDO DA ESPANHA
“Não sei se irei, ainda não sei se irei. Tem essa questão do meu filho pequeno. E já joguei ano passado no Eurobasket, que para nós é uma competição tão importante quanto o Mundial devido às rivalidades que temos lá. Para mim, o Eurobasket tem um significado maior que a Copa do Mundo. Não digo que é melhor, mas tem mais partidas duras. Então ainda não sei mesmo o que irei fazer. Nunca digo não para meu país, nunca recuso, mas tem horas que meu corpo precisa de um descanso também. Vamos analisar isso calmamente ainda. Quando você joga na NBA, a temporada é tão longa, tão dura, tão cercada de jogos que seu corpo, acredite em mim, fica esgotado. Talvez por isso muitos atletas não atuem sempre por suas seleções. Acredito que o interesse de todos deve ser o de jogar, mas tem horas que é impossível, pois o ritmo dos jogos, e também das viagens, é muito puxado por aqui”. 

leandrinho1LEANDRINHO
“Comentei isso no Twitter quando o Phoenix lhe deu o contrato até o final da temporada e não tenho medo de afirmar. Ele é o melhor companheiro que você pode ter em um time. Trabalha duro, é divertido e leal. Foi muito bom reencontrá-lo na NBA e estamos todos, todos mesmo, muito animados em vê-lo de volta à liga, com saúde e muito feliz. Seis anos atrás, quando eu era um calouro, ele já estava no time e me ajudou demais. Para um jogador que vem de fora, da Europa, você deve imaginar como a transição é difícil. E ele só me deu força. É um dos meus, é um cara nota 10! É um dos grandes amigos que eu criei no basquete, é um dos grandes amigos que tenho no time”.


Técnico Frank Vogel afirma: ‘Indiana está preparado pra ser campeão’
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Fábio Balassiano

* O blogueiro viajou a convite do Canal Space

frank1Aos 40 anos, o sereno Frank Vogel tem uma missão e tanto em sua terceira temporada completa como técnico do Indiana Pacers. Comandando um elenco sem estrelas (nenhum Top-10 de Draft estava no elenco até a chegada, nesta semana, de Evan Turner, para vocês terem uma noção), Vogel tenta, primeiro, acabar com a hegemonia do Miami no Leste (são três títulos de conferência consecutivos) para depois lutar pelo primeiro título da franquia na NBA. Bati um papo com ele no All-Star de Nova Orleans.

BALA NA CESTA: O Indiana Pacers chegou às semifinais de conferência do Leste em 2012, na final de conferência no ano passado e lidera a NBA nesta temporada com 43-13 (venceu o Lakers ontem em casa). O time está mesmo pronto para brigar pelo título?
FRANK VOGEL: Sim, estamos preparados. Se vamos conseguir eu não sei, mas considero que passamos por todas as etapas para chegar ao objetivo final, que é o título. Hoje somo um grupo com bastante profundidade no elenco, atlético, jovem, unido e com fome de sucesso. Temos um grande líder, que é o Paul George, jogadores experientes, rodagem em pós-temporada e uma torcida bem fanática.

frank2BNC: Quão irreal, para quem analisa a NBA, é pensar que a final do Leste entre Indiana e Miami já está definida? E para os atletas e a comissão técnica do Pacers, quão prejudicial pode ser ficar com isso na cabeça?
VOGEL: Para quem está de fora eu não posso dizer muita coisa, mas para nós, que fazemos parte do Indiana Pacers, isso não entra em discussão. Sabemos que temos uma grande jornada até chegar às finais do Leste e quem sabe da NBA. Se acharmos que temos apenas o Miami pela frente será um erro imenso. E este erro teria consequências. Nós, da comissão técnica, estamos fazendo de tudo para que esta distração não afete o nosso rendimento.

bynum2BNC: Tudo bem, mas até que ponto a contratação do pivô Andrew Bynum foi pensada para um eventual duelo contra o Miami na final de Conferência Leste?
VOGEL: Olha, na verdade tínhamos uma posição aberta no elenco para fazer contratação do meio para o final da temporada, que é algo muito comum na NBA. A oportunidade do Bynum veio e foi feita a contratação. Acho que ninguém pode recusar um pivô do nível dele. Agora estamos cuidando dos joelhos dele, colocando-o em forma para que ele nos ajude nos playoffs. O mais interessante é que ele está feliz, animado, como provavelmente não esteve nas duas últimas paradas (Cleveland e Philadelphia).

BNC: Os jogadores foram consultados sobre a chegada de Bynum? Eles deram o aval?
VOGEL: Não. No Indiana as coisas funcionam de maneira muito simples. Os executivos dirigem, contratam e demitem. Os técnicos treinam e analisam os adversários. E os jogadores jogam. Tão simples quanto isso.

hibbertBNC: Desculpe-me insistir no assunto, mas vendo os jogos do Pacers contra o Miami é possível verificar que um dos pontos que você mais tenta explorar é o fato de conseguir pontuar, com o Roy Hibbert (foto à esquerda), perto da cesta. Imagino que ter dois pivôs que possam pontuar no garrafão, algo que o Miami tem dificuldade para defender, tenha pesado muito…
VOGEL: (Risos) Quanto a isso, nenhuma dúvida, nenhuma dúvida. Foi uma contratação que tem muito de tática, tem muito do que poderemos enfrentar lá na frente. Além disso, já tínhamos planejado reduzir o tempo de quadra dos nossos principais jogadores neste final de fase regular pensando na pós-temporada. Ter o Andrew Bynum em forma, o que acredito que acontecerá no início de março, faz com que nossa rotação de pivôs fique com cinco atletas de altíssimo nível (Luis Scola, Roy Hibbert, David West e Ian Mahinmi). Mas, sem fugir da sua pergunta, o Bynum realmente traz essa força ofensiva muito importante pra gente. Gosto de usar a formação com dois homens altos, dois homens grandes perto da cesta, e ter quatro que sabem pontuar, algo que o Ian (Mahinmi) não é muito pronto para fazer, traz um ganho imenso para a franquia.

lance1BNC: Outro jogador que gostaria que você comentasse é sobre o Lance Stephenson, que poderia muito bem ter sido indicado para o All-Star Game…
VOGEL: Tanto ele quanto o David West, né. Mas, bem, este é um outro problema. Olha, falar do Lance nos dá um orgulho danado porque literalmente pegamos ele para criar. Ensinamos não só sobre basquete, mas sobre trabalho, ética profissional, aspectos pessoais (não esportivos), coisas de vida mesmo. Foi um trabalho duro, longo, diário mesmo, daqueles que você precisa ter muita paciência para não desistir. Talento ele sempre teve, mas não sabia muito bem como usá-lo – e nem quando usá-lo da melhor maneira. Ele está conosco há quatro anos e sua evolução é tão nítida quanto linda de se ver. Hoje ele é um jogador dominante ofensiva e defensivamente, e todos o elogiam por isso. Mas só nós, que estamos com ele há quatro anos batalhando, sabemos o que passamos juntos. Podemos dizer que tínhamos um diamante bruto e com árduos dias de trabalho transformamos Lance Stephenson em uma pérola preciosa. Hoje ele é um grande jogador, um cara diferente por ser físico, técnico, agressivo e capaz de nos colocar em outra dimensão tanto quando marca o melhor pontuador adversário quando cria suas próprias cestas para desafogar o Paul George.

pacers1BNC: Por fim, uma pergunta: qual é a diferença entre o Indiana que foi eliminado pelo Miami na final de Conferência Leste passada, para este que lidera a NBA?
VOGEL: Cabelos brancos (risos). O time está mais maduro e eu gosto de dizer que estamos com fome, que estamos sedentos pela glória. Saímos da final do Leste passada com um gosto amargo por termos perdido no sétimo jogo, e sabíamos exatamente o que teríamos que fazer para não passarmos mais umas férias com o sentimento de frustração estampado em nossos rostos. Todos foram para casa com alguns deveres de casa, seja de melhorar na parte atlética, seja de evoluir na parte técnica, e começamos o campeonato muito bem. Nos deu confiança para seguirmos em frente e fôlego para seguir o planejado.

vogelfinalBNC: Pra fechar mesmo: você fala sobre planejamento e sobre o sétimo jogo em Miami na temporada passada. Ter o mando de quadra no Leste é algo que vocês se impuseram como meta principal para enfim conseguir chegar à final da NBA?
VOGEL: (Risos) Sim, foi algo que eu escrevi no quadro de avisos dentro do nosso vestiário no primeiro dia de treino. Eles não me deixaram apagar isso de lá até hoje. A mensagem não pode ser esquecida.


Musa, Elena Delle Donne se diz pronta para mudar patamar da WNBA nos EUA
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Fábio Balassiano

* O blogueiro viajou a convite do Canal Space

donnecapaNascida em Dellaware, a simpática e educadíssima Elena Delle Donne tem um rosto tão bonito quanto seu basquete. Olhos cor de diamante (ou verde, ou qualquer cor clara), técnica invejável, voz suave, envergadura perfeita para uma atleta, cabelos loiros lisos, 1,96m de pura beleza, Delle Donne surgiu para o basquete feminino norte-americano em um momento delicado. A WNBA ainda não decolou, as atletas precisam se dividir em dois “turnos”(metade da temporada nos Estados Unidos, metade fora em Europa/China/Brasil) e a remuneração não chega perto da que é oferecida para os rapazes da NBA. Um rosto jovem (24 anos), um olhar bonito (ou lindo), uma personalidade carismática, um talento absurdo (18,1 pontos e quase MVP em sua temporada de estreia na WNBA, a liga profissional) é o que Eleninha, musa do blog, tem a oferecer para tentar mudar os rumos do basquete feminino nos Estados Unidos. Conversei com a ala do Chicago Sky em Nova Orleans, onde ela participou do Desafio das Estrelas, sobre este, digamos, pacote completo.

BNC: Como é pra você, jogadora da WNBA, participar de uma festa da NBA?
DELLE DONNE: Ah, é bem bacana, né. Ver uma festa tão grandiosa, de uma liga tão grandiosa como é a NBA, é muito legal. É uma honra e um prazer participar de uma festa que eu sempre acompanhei de casa, sempre acompanhei com minha família. Estar ao lado de tantos jogadores talentosos, de tantas pessoas legais me deixa muito feliz.

nba_cares1BNC: É um contraponto interessante ao que acontece na WNBA, que vive um momento delicado, não?
DELLE DONNE: Olha, não considero problemático o momento da WNBA, mas sim uma situação de transição de um momento em teve Lisa Leslie, Tina Thompson, entre outras feras, para uma geração mais nova que tenta buscar seu espaço. É difícil, mas é natural também. O que faz a diferença, também, é que a oferta financeira hoje na Europa e na China é tão grande, mas tão grande que o próprio mercado impõe que os calendários meio que sejam divididos. A NBA já se estabeleceu, já se consolidou como a maior e melhor liga de basquete do mundo no masculino. No feminino a WNBA tem concorrência mais pesada e isso faz com que até o próprio marketing do campeonato tenha mais dificuldade de se vender, de vender o produto em si. É quase uma lei de mercado. As meninas saem dos Estados Unidos para receber uma grana que lhes é merecida, que ajuda bastante na renda. E, o principal, que nos EUA não é possível receber por 9, 10 meses do ano. Se é fácil? Não, não. Mas é o cenário atual. Eu adoraria não ter que sair do meu país e jogar um campeonato longo, com mais partidas, mas isso ainda não é possível. De todo modo, tenho esperança que aos poucos a WNBA cresça e atinja o número de fãs necessários para chegar ao ponto que a NBA já chegou.

BNC: A entrada de Magic Johnson e seu grupo de investidores, que compraram o Los Angeles Sparks, traz uma esperança de que os dias serão melhores?
DELLE DONNE: Sim, sem dúvida que sim. Quando soube, juro que gritei de felicidade, porque é algo tão bom, mas tão bom para a nossa liga que você não tem ideia. Ele é uma personalidade mundial e certamente vai trazer investimentos, patrocinadores e mídia para a nossa liga. Nós, atletas, só podemos estar honradas de atuar na mesma liga em que Magic Johnson, ídolo de todas nós, possui um time. O Sparks é de uma cidade importante, tem tradição e estava passando por dificuldades. Não seria bom que ele tivesse desaparecido. Tê-lo na WNBA é ótimo. Com Magic Johnson, ainda melhor.

trio1BNC: E você sabe que, ao lado da Skylar Diggins (da ponta direita) e Brittney Griner (com a camisa 1), a WNBA conta muito com você para dar uma rejuvenescida no produto para poder vendê-lo internacionalmente, né…
DELLE DONNE: Sim, sabemos disso tudo e estamos sendo preparadas para assumir as funções não só de atletas, mas de embaixadoras da liga também. Quando entramos na WNBA ano passado sabíamos que teríamos um papel muito importante na divulgação, na aproximação com o público, na parte fora de quadra também. Não me assusta, pelo contrário. Me dá mais força para evoluir, para seguir desenvolvendo meu jogo.

BNC: É por essa questão de ser uma das embaixadoras da WNBA que você decidiu não jogar fora dos Estados Unidos nesta temporada? A grana, como você disse acima, deve ter sido bem forte… Você recebeu proposta de onde? Rússia? China?
DELLE DONNE: Olha, sim e não. Eu tinha alguns problemas físicos, algumas lesões que não tinham ficado 100% ao final da temporada. Por isso, e para promover minha marca, o nome da WNBA, eu decidi ficar aqui neste primeiro ano meu como profissional. Além disso, aqui eu treino duas, três vezes por dia e posso melhorar minhas habilidades, meu arremesso e meu físico, três deficiências do meu jogo. Recebi proposta da Rússia, da China, mas decidi ficar dessa vez. Não descarto nada, mas achei para que para mim, pessoal e profissionalmente, o melhor a se fazer era ficar.

skyBNC: Uma das coisas que mais me impressionaram em sua temporada de estreia na WNBA foi a sua frieza em quadra. Você teve a incrível média de 18 pontos por jogo, decidiu algumas partidas no final e em nenhum momento pareceu sentir o peso das partidas em uma liga pesada, forte. É a força mental que faz mais a diferença do que a técnica no esporte de alto nível?
DELLE DONNE: Boa pergunta, boa questão essa. É algo que minha família sempre destacou em mim, sabe. Meu foco, minha cabeça fria para tomar decisões em momentos complicados – seja na vida pessoal, seja em uma quadra de basquete. Talvez por tudo o que passamos em família eu seja assim, forte. Sou jovem, mas sei que meu time já dependia de mim. E eu precisava corresponder. Tínhamos o objetivo de chegar aos playoffs, e eu só iria sossegar se conseguíssemos. Quando vi que estava à vontade com o sistema tático e que minhas companheiras já confiavam em mim consegui elevar o nível do meu jogo e atuar com ainda mais confiança. E conseguimos jogar a pós-temporada pela primeira vez na história do Chicago Sky. É uma questão de força mental e de se adaptar o mais rápido possível às novas situações que o basquete te oferece. Quanto menos traumática é a transição Universidade-WNBA melhor será a sua carreira no circuito profissional. Por isso eu fiz de tudo para me adaptar de forma breve, sem tantos problemas.

donne2BNC: E você foi convocada para jogar a Copa do Mundo desde ano, iniciando, assim, a sua carreira na seleção adulta dos Estados Unidos. Imagino que você deva estar no Rio de Janeiro, certo? O que você conhece do nosso basquete?
DELLE DONNE: É meu objetivo, claro. Um dos maiores objetivos da minha carreira certamente. Terei 26, 27 anos quando acontecerem os Jogos Olímpicos e nada melhor do que estrear em uma competição assim como no Rio de Janeiro, um lugar lindo, que todos falam bem. Não sei se existiria maneira melhor de conhecer a cidade, né. Para ser sincera conheço pouco do basquete brasileiro. Sei que vocês têm uma história, ganharam títulos e medalhas importantes, mas atualmente não conheço muito. A Érika de Souza joga na WNBA e está entre as melhores pivôs do mundo, sem dúvida alguma. Ela é titular do Atlanta Dream, nos deu um trabalho danado na temporada passada e é uma força incrível dentro do garrafão, uma jogadora fenomenal. Admiro a sua (dela) história e sua perseverança em quadra. É uma jogadora sensacional.

familiaBNC: Você tem uma história de vida familiar muito bonita. Sua irmã, Lizzie, sofre de paralisia cerebral, é cega e surda, e você sempre fala com ela com um carinho incrível. Sua família parece muito unida em torno dela, inclusive (na foto está seu irmão, Gene). Participar dos eventos sociais da NBA (NBA Care) imagino que devam fazer com que você lembre dela…
DELLE DONNE: (Ela sorri e me interrompe) Elizabeth é o meu sexto sentido, minha razão de viver, minha luz mesmo. É uma espécie de anjo da guarda, uma irmã que amo demais. Através de uma comunicação não-verbal temos uma relação muito forte, e complementando sua pergunta anterior posso dizer que uma das razões de eu não ter saído do país é a Lizzie. Quando ficamos dois, três dias sem se ver já é um martírio, muito ruim. Imagina morar tão longe. Os eventos sociais da NBA são realmente muito lindos, e no que eu puder estou aqui para ajudar. Sempre que participo de ações assim eu me lembro do sorriso dela.

2013 WNBA DraftBNC: Por fim, uma pergunta que não poderia deixar de fazer. Desculpe lhe dizer isso, mas você é uma mulher muito, muito bonita…
DELLE DONNE: Obrigada pelas palavras.

BNC: Sim. Incomoda que as pessoas falem tanto da sua beleza quanto do que do seu basquete, que também é lindíssimo?
DELLE DONNE: Olha, sinceramente não. Se estão falando bem de mim, tudo bem. E chama a atenção para o nosso esporte, então é uma coisa bacana para todas nós. Precisamos de todos os torcedores que podemos ter para fazer a WNBA crescer. E estão me elogiando. Como vou ficar triste? É óbvio que quero ser conhecida como jogadora de basquete, uma atleta, mas não posso ficar chateada quando falam bem de mim. Sou mulher, né. Faz bem ouvir elogios…


Desvendado o mistério da relação entre CBB, Ministério e FIBA Américas
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Fábio Balassiano

nunes1Você leu aqui no blog ontem uma análise longa sobre as declarações (pertinentes) de Alberto Garcia (Secretário-Geral da FIBA Américas) e Ricardo Leyser (Secretário de Alto Rendimento do Ministério do Esporte) a respeito da situação falimentar (financeira e administrativamente falando) da Confederação Brasileira de Basketball (CBB).

As razões para Ricardo Leyser e Alberto Garcia terem aberto fogo contra a CBB, que fará uma Assembleia Geral em março, foram confirmadas por dois personagens envolvidos diretamente e são fruto do não cumprimento de um acordo, por parte da Confederação, que começou a ser desenhado em uma reunião no ano passado por Leyser, Garcia, Carlos Nunes (presidente da entidade máxima – foto à esquerda) e outros dirigentes em São Paulo.

No sábado, Leyser quanto Garcia criticaram de forma dura a administração atual da Confederação Brasileira, deixando o presidente Carlos Nunes em péssima situação a menos de seis meses para a Copa do Mundo masculina da Espanha (para qual o Brasil pagou pelo convite para jogar) e a menos de três anos das Olimpíadas do Rio de Janeiro. A entidade máxima colocou ontem uma Nota Oficial em seu site rechaçando todas as críticas apresentadas, mas confirmando que fará uma reunião com o Secretário Leyser nesta semana para discutir todos os temas (tamanha a gravidade da situação). Mas parece não ter convencido nem ao Ministério do Esporte e nem mesmo a FIBA Américas, entidade que comanda o basquete nas Américas – do Sul, Central e do Norte.

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No final de 2013 reuniram-se alguns dirigentes em São Paulo. Entre outros, Alberto Garcia, Ricardo Leyser (foto à direita), Carlos Nunes e um ex-profissional da TV Globo (bem conhecido no esporte) estavam no encontro.

Lá, Leyser cobrou uma gestão mais profissional da Confederação e (principalmente) das Federações, oferecendo ajuda no que fosse necessário e pedindo que Nunes fosse mais independente das Federações para tocar os projetos de basquete tão necessários para o desenvolvimento da modalidade no país.

bradesco1Todos os problemas financeiros (aqueles apresentados nos balanços divulgados por este blog, que há anos briga praticamente sozinho contra as alucinações financeiras da Confederação) foram esmiuçados, inclusive o processo que a entidade máxima sofria do Banco Itaú. Carlos Nunes, presidente da CBB, comentou que estava, sim, disposto a ser ajudado, que estava disposto, JUNTO, a tirar a Confederação Brasileira de Basketball da lama. Pois bem.

Com o auxílio dos que compuseram a mesa de jantar em São Paulo o patrocínio do Bradesco (algo em torno de R$ 10 milhões/ano) saiu, e uma outra empresa estatal (os Correios) estava disposta a injetar dinheiro na entidade máxima. As duas, tanto a instituição financeira quanto a do Sedex, só impuseram uma condição: que a grana fosse administrada de forma austera, planejada, organizada – e por gestores profissionais. Ou seja: por alguém que NÃO faz parte do corpo de funcionários da CBB atual. Ou, se você quiser que seja mais claro ainda, por qualquer pessoa que não seja um funcionário de Carlos Nunes.

nunes1Algo que Nunes concordou, dando sinal verde para as negociações com os dois patrocinadores que tirariam a CBB do buraco financeiro em que estava atolada até o final de 2013. O acordo, portanto, estava selado no final de 2013. Duas alternativas foram visualizadas de cara: ou um Comitê de profissionais a ser formado ou uma empresa de marketing esportivo (a IMX) para gerenciar a Confederação.

Foi escolhida a primeira opção, sendo, então, criado um Comitê de Gestão para passar a tocar a administração da Confederação Brasileira. Além do rosto global conhecido, um profissional bem sucedido no mundo empresarial participou das reuniões com os patrocinadores e deixou a todas as partes bem impressionadas. Carlos Nunes continuaria a ser o presidente da entidade máxima, mas toda a parte financeira, administrativa, de marketing, de comunicação e o desenvolvimento do basquete seria tocado por este Comitê de Gestão. Isso foi no final de 2013, pouco antes do Natal.

nunes1O tempo passou, e Carlos Nunes inacreditavelmente não andou com absolutamente nada do que prometeu, descumprindo o acordo com Ministério, FIBA Américas e demais envolvidos. Não deu poderes, não chamou a tal Comissão para as reuniões, nada. Candidamente esperou, assinou o acordo com o Banco Bradesco, mas não chancelou o Comitê de Gestão até agora, deixando a todos bem furiosos.

Nada do que foi prometido, portanto, foi cumprido. Nada do que foi exposto, Nunes ouviu. Nada da ajuda que o presidente disse que queria saiu do papel. Nem no Jogo das Estrelas do NBB, uma das meninas dos olhos tanto de Ministério quanto de FIBA Américas, Nunes apareceu. A credibilidade dele, que já era baixa, chegou ao negativo…

E aí a bomba explodiu em Fortaleza, no Jogo das Estrelas, quando Ricardo Leyser  e Alberto Garcia se encontraram e colocaram a conversa em dia. Ambos ficaram surpresos com o NÃO andamento dos fatos e as entrevistas que vocês leram (aqui e aqui) no UOL saíram. Ambos foram inteligentes, hábeis, usaram a imprensa para escancarar um problema de gestão seríssimo que acontece na CBB. Mas não só isso: os dois estavam na conversa iniciada em São Paulo em 2013 e se surpreenderam muito com a leseira da entidade máxima do basquete brasileiro para, enfim, querer sair do atoleiro (passaram-se cinco meses). Como diz um amigo, aí sim a dupla surtou, soltou os cachorros de forma totalmente pensada e sabendo das conseqüências.

alberto2A lentidão no processo de “passagem de bastão” para uma gestão profissional (ou co-gestão, caso queiram chamar) irritou demais a Ricardo Leyser, que se sente desenganado devido ao investimento que sua pasta tem feito na CBB (mais de R$ 14mi só em 2013) e ao acordo de cavalheiros que tinha sido feito com Nunes no final do ano que se passou.

Mais do que isso: Leyser sabe que até 2016 os cofres (estatais e privados) estarão abertos, prontos para investir nos esportes ditos olímpicos. Caso as Confederações não consigam ter gestões profissionais AGORA, a tempo de deixar um legado mínimo que seja para depois das Olimpíadas do Rio de Janeiro, todo o investimento feito pela sua pasta terá sido praticamente em vão.

Seu medo, portanto, é que a entidade máxima do basquete brasileiro e suas Federações por tabela (milhões de vezes mais atrasadas) percam o momento, o bonde da história, para se organizar, se planejar para um período de vacas magras que virá em no máximo dois anos e meio – tendo o Ministério avalizado, chancelado tamanha falta de competência com o dinheiro PÚBLICO.

nunes3Nada (planejamento, passagem de bastão, organização, saneamento financeiro) andou, e Alberto Garcia e Ricardo Leyser começaram a tentar sufocar a CBB por mudanças drásticas que precisam acontecer para ontem. O que estava difícil de entender, portanto, agora está bem claro. O Comitê de Gestão ainda não foi criado, os problemas GRAVES continuarão na Confederação e Carlos Nunes está cada vez com menos aliados (Ministério, FIBA Américas e algumas federações que já se insurgem), encurralado em uma trincheira cada vez mais solitária.

O cenário, sem dúvida alguma, já foi mais bonito no basquete brasileiro.


Ex-armador do Sonics, Gary Payton quer levar NBA de volta a Seattle
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Fábio Balassiano

* O blogueiro viajou a convite do Canal Space

payton1Aos 45 anos, o agora ex-jogador Gary Payton mantém o mesmo estilo “bocudo” da época em que jogava pelo Seattle Supersonics (também passou por Bucks, Celtics, Lakers e Heat, onde, no final de sua carreira, conseguiu o sonhado anel de campeão em 2006). Atual comentarista do canal Fox Sports, o (agora ex-)armador arisco e cerebral descarta uma volta às quadras de basquete como técnico ou dirigente, mas faz a sua missão para voltar a ver um povo que tão feliz fez quando atuava alegre novamente. Payton é um dos responsáveis por tentar colocar Seattle novamente de novo no mapa das cidades com franquia na NBA. Confira meu papo com ele.

BNC: Você é visto como um dos maiores ídolos de Seattle não só pelo que fez em quadra com os Sonics na década de 90, mas principalmente pelo que tem tentado fazer agora para levar a NBA de volta para a cidade. Como tem sido isso?
PAYTON: Olha, depois que parei de jogar eu confesso a você que recebi inúmeras propostas para ser assistente-técnico ou técnico de armadores, algo parecido com o que o Sam Cassell tem feito com o John Wall no Washington Wizards. Mas isso eu não quero, não. Meu negócio, agora, é tentar fazer com que Seattle receba de novo jogos da NBA, tenha um time na NBA. A cidade ama basquete, eu sei porque eu joguei lá quase 15 anos. Desculpe, mas é insano um lugar como aquele não ter os melhores jogadores de basquete do planeta. O povo ama basquete. Você já esteve lá?

1996 NBA Finals Game 2:  Seattle SuperSonics vs. Chicago BullsBNC: Não, nunca estive…
PAYTON: Entendo. Nada contra algumas cidades que têm times na NBA atualmente, mas a energia de Seattle em um jogo de basquete não é muito fácil de se encontrar por aí, posso lhe garantir. Hoje estou no grupo que faz de tudo para tentar fazer os Sonics voltarem a existir. Quase aconteceu nessa temporada (quando o Kings por pouco não saiu de Sacramento), mas irá acontecer em pouco tempo. Tenho certeza disso.

BNC: Foi por essa razão que você não aceitou ter seu número retirado pelo Oklahoma City Thunder?
PAYTON: Sim e não. Não tem relação com o que estou tentando fazer pela cidade de Seattle, e muito menos uma falta de respeito com a franquia Thunder. Eles estão lá e trabalhando muitíssimo bem. Respeito muito o que eles conseguiram fazer com o time, com a comunidade e com os jogadores que atuam pelo OKC. Mas eu acho que não faz sentido algum eu ter minha camisa 20 aposentada em uma cidade, em um ginásio, para uma torcida que nunca me acompanhou, que jamais me aplaudiu, entende? Quando você coloca uma camisa no teto do ginásio o objetivo é muito simples: que os torcedores olhem para cima, vejam um número/camisa e pensem assim “caramba, esse cara jogou muito AQUI”. E eu fui um jogador bacana em Seattle, não em outro lugar.

durant1BNC: Mas fica algum tipo de frustração por hoje você estar aqui no All-Star e ver o Kevin Durant, que começou a carreira em Seattle, estar jogando no Oklahoma? O cara certamente está entre os cinco melhores do planeta, e você deve imaginar o impacto que ele traria em Seattle…
PAYTON: De verdade não. Kevin não saiu de Seattle porque quis, mas sim porque houve uma decisão de negócios. É algo que não passa pelo atleta, pelos jogadores. É óbvio que bate um sentimento nos torcedores de que Durant, Westbrook e todo o ótimo elenco do Thunder poderia estar lá jogando no Seattle, sendo um Sonic, mas isso não é bacana de se pensar. Tivemos um ótimo time na minha época, chegamos às finais uma vez, a cidade já fez festa para um time campeão anos atrás (em 1979, com Dennis Johnson como MVP) e sabe que quando tiver novamente por quem torcer os sentimentos irão voltar. Não há frustração quando se vê Kevin Durant ter trocado de cidade simplesmente porque ele não teve escolha.

BNC: Falando especificamente de quando você jogou, algumas coisas me chamavam a atenção. Posso perguntar de tudo?
PAYTON: Claro.

kemp2BNC: Uma é que você falava pra caramba, era um dos adeptos do trash-talk...
PAYTON: (Risos) Eu? Mas eu falava tão pouco em quadra… (Risos) Mas, bem, era algo que eu precisava para me motivar, para elevar o meu jogo para outro nível. Não era fácil jogar naquela época. Era Stockton em uma noite, Jordan na outra, Magic na seguinte, Drexler na esquina. Manter-se forte mentalmente era importante. E eu precisava daquele combustível. Mas não era nada que outros não fizessem, não, hein…

BNC: A outra é que a sua dupla com Shawn Kemp é até hoje uma das mais conhecidas de todos os tempos. Como era a química com ele?
PAYTON: Olha, somos duas pessoas completamente diferentes, de formações diferentes e de filosofias de vida diferentes. Não temos muito contato hoje, para você ter uma noção. Mas quando jogávamos éramos como irmãos, nos entendíamos perfeitamente em quadra. Eu era mais pensador, e ele, mais explosivo. Defendíamos muito bem, conseguíamos correr bem a quadra e sempre que eu precisava fazer um passe ele estava preparado. Era bom jogar com ele…

jordanBNC: E os duelos com Michael Jordan, como foram?
PAYTON: Ah, cara, aquela final de 1996 foi muito especial, muito legal para todos nós. Era a primeira vez que Seattle via um time na final em quase 20 anos, era o retorno de Michael Jordan à decisão da NBA, era um momento bacana para George Karl, nosso técnico também. Na quadra o cara (Jordan) falava muito, era difícil de jogar contra ele. Naquele ano MJ ainda estava revoltado por eu ter sido escolhido o melhor defensor naquele ano. E isso me trouxe problemas, né, porque naquela final o indivíduo pediu para me marcar quase a toda hora. E você deve imaginar que isso está longe de ser uma situação confortável. Hoje, olhando friamente, eu vejo que foi uma honra ter dividido com ele a mesma quadra, embora sempre bata uma tristeza grande quando eu vejo que perdemos o título.

BNC: Título que você também não conseguiu conquistar quando foi jogar no Lakers em 2004. Temporada confusa aquela, não?
PAYTON: Olha, foi bastante confusa, sim. Mas eu sempre gosto de lembrar para quem conversa comigo o seguinte. Vamos ver tudo o que tivemos naquele ano: Kobe Bryant sendo acusado de um estupro e tendo a sua vida devassada pela imprensa e torcedores, Shaquille O’Neal com seus problemas e deixando dirigentes e técnicos à beira de um ataque de nervos, Karl Malone e eu machucados com gravidade e por muito tempo e (o técnico) Phil Jackson com alguns problemas de saúde. Sabe no que deu isso? Este time ainda conseguiu ir a uma final de NBA. Não considero um fracasso por tudo o que nós passamos. O objetivo era o título, mas pelo que vivemos lá naquele ano até que saímos no lucro.

NBA Finals Game 6:  Miami Heat v Dallas MavericksBNC: Título pra você que veio com o Miami em 2006. Como foi jogar com Shaq novamente, Wade surgindo…
PAYTON: Foi a coroação de todo o meu esforço, de tudo o que passei em minha carreira. É óbvio que minhas funções eram menores, eram mais modestas, mas eu ainda me sentia útil, eu ainda tinha com o que contribuir ali. Seja ensinando aos jovens Jason Williams ou Dwyane Wade, seja com arremessos ou passes em alguns jogos decisivos em playoff. É um período da minha vida que certamente está bem guardado comigo.

BNC: E qual é o melhor sentimento que fica quando você vem a uma festa como esta, aqui em Nova Orleans?
PAYTON: Ah, o melhor são as amizades que fica, a camaradagem, o respeito que temos um pelos outros. Fomos rivais, competidores até o último nível, grandes rivais, a maioria que está aqui nessa sala (ele aponta para Mourning, Malone, Hakeem Olajuwon) ficou mais de uma década em seu respeito time, mas sempre tivemos um grande respeito pelo trabalho do outro. Isso é o que mais sentimos falta quando retornamos, como agora, a um All-Star. Era, e ainda é, bacana sentar e conversar com essa galera

glove20BNC: Por fim, o que você acha desse time do Miami atual? É imbatível mesmo?
PAYTON: Imbatível não é, claro, mas pouca gente reconhece neste time do Miami o trabalho de um grande cara, que é o Pat Riley. O que ele conseguiu montar, os jogadores que ele conseguiu contratar, tudo o que ele fez para cercar o Big 3 (LeBron James, Wade e Chris Bosh) de talento foi inacreditável. Basquete não se ganha com três, com quatro. Na NBA você precisa ter elenco, você precisa ter um grupo forte. O Miami tem o trio, que é o melhor da liga atual, mas tem Shane Battier, Mario Chalmers, Norris Cole, Chris Andersen, Rashard Lewis, Ray Allen, Greg Oden. Veja que elenco, veja quanta peça a comissão técnica tem para rodar. A grande lição que eles deixam é que não adianta só você ter grandes craques. É preciso ter grandes peças ao redor também para vê-los brilhando – e ganhando o tempo todo. Um jogador não ganha nada sozinho. Nunca ganhou e nunca vai ganhar na NBA.


Sobre declarações do Ministério e FIBA Américas contra a CBB – o que mudou?
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Fábio Balassiano

nunes1Você leu no UOL, em reportagens de Daniel Neves (se não viu clique aqui e aqui), que o cerco se fechou definitivamente para a Confederação Brasileira de Basketball presidida por Carlos Nunes (foto à direita). FIBA Américas, via Alberto Garcia (Secretário-Geral), e Ministério dos Esportes, através do Secretário de Alto Rendimento, Ricardo Leyser, soltaram o verbo contra a CBB em Fortaleza depois do Jogo das Estrelas do NBB.

Antes de seguir, eu só quero dizer uma coisinha importante aqui. Quem acompanha este blogueiro sabe quão tenebroso é o estado financeiro e de gestão da CBB. Quem lê os balanços financeiros (aqui do lado há os dois últimos; aqui, o outro) da Confederação no blog sabe que não há NOVIDADE ALGUMA no que foi dito sábado a respeito da Confederação. Se outros (meios de comunicação, dirigentes, políticos etc.) se calaram e só agora abrem os olhos, eu só posso lamentar, pois a má utilização de dinheiro (quase sempre público) por parte de Carlos Nunes e seus comandados existe desde que ele assumiu o cargo de presidente em 04 de maio de 2009. E como eu venho dizendo aqui (relembre o que disse exatamente sobre isso): o problema da entidade máxima NUNCA foi de dinheiro, mas sim de como utilizá-lo. Pode entrar Eletrobrás, pode sair Eletrobrás, pode entrar Bradesco que não muda em nada. As cabeças pensantes (ai) são as mesmas de 15, 20 anos atrás – e os métodos, pouco inteligentes, também.

Vamos lá, pois as duas declarações merecem análises e questionamentos.

alberto1No sábado, Daniel publicou matéria mostrando que a FIBA Américas, através de declarações de Alberto Garcia (foto à esquerda), duvida do pagamento do convite devido à saúde financeira da entidade máxima: “Eles se comprometeram a pagar 1 milhão de francos suíços à Fiba até 2016. Pagaram uma parte, mas não tem como pagar o restante”; “Uma entidade que não tem esse dinheiro (US$ 15 mil para sediar os Pré-Olímpicos), terá dinheiro para quê?”; e “Também se comprometeram a uma série de investimentos na base, no fomento da modalidade, no basquete 3×3, mas até agora nada. Tenho certeza de que o Brasil fará um bom papel no Mundial, tem uma seleção sólida e grandes nomes. Mas e depois disso? Se você não fomenta a base, não tem praticantes, qual é o futuro do basquete nesse país? Tem que mudar essa administração, contratar gestores profissionais, pessoas do marketing. Se não tiver credibilidade, não atrai a iniciativa privada”.

PERGUNTAS

1) Se a situação da CBB é tão caótica assim, por que a FIBA não levou isso em consideração à época da escolha dos convidados para a Copa do Mundo? Será que o convite conseguido pelo Brasil fez com que Alberto Garcia mudasse o tom? Digo isso pois para ele não há novidade alguma no caos da entidade máxima do basquete brasileiro. Em Barueri, no Mundial de Clubes de 2013, ele já havia me dito a mesmíssima coisa (com menos ênfase e indignação, é verdade, mas tinha).

2) Na prática, o que Alberto Garcia pode fazer para que a gestão da CBB seja mais austera, mais responsável?

alberto2MINHA ANÁLISE SOBRE AS ASPAS DE ALBERTO GARCIA:
Alberto Garcia tem TOTAL razão quando fala sobre gestão, administração, marketing, credibilidade e  tudo mais que anda em falta na CBB. É uma entidade falida em termos financeiros e de ideias, e temendo o enfraquecimento de um importante país das Américas no cenário mundial ele tem todo motivo do planeta para falar, criticar, expor o que realmente pensa. Mas o convite, uma das tábuas de salvação de Nunes e companhia, veio. O patrocínio, a maior das tábuas, também. O caos financeiro tende (notem o verbo tender, por favor) a diminuir, e a participação na Copa do Mundo também tende (notem o verbo tender de novo, por favor) a ser uma das melhores caso o país realmente vá completo. Espuma, sem dúvida alguma, mas uma espuma de efeitos anestésicos em muita gente (Federações, jogadores, parte da imprensa, dirigentes, políticos etc.). Que o alerta de Alberto siga ligado em todas as esferas, portanto.

leyser1Hoje Daniel colocou aqui aspas de Ricardo Leyser, Secretário de Alto Rendimento do Ministério do Esporte. Amante de basquete, presença constante aqui no blog (só colocar o nome dele no buscador), Leyer disse algumas palavras interessantes sobre o atual mandatário da Confederação Brasileira: “Há essa chance (de o Ministério cortar apoio financeiro), pois a situação da CBB é muito delicada. É um desequilíbrio financeiro muito grande. O nosso patrocínio do Governo olha o basquete inteiro. Se o sistema como um todo não estiver rodando, não adianta o Ministério resolver um pedaço. Temos investimento na Confederação, mas temos também no NBB, na LDB, nos estados. Isso forma um todo. Para que a gente mantenha o investimento no basquete, esse todo tem que funcionar. E hoje a gente percebe que o ponto frágil desse sistema todo é a Confederação”, disse, para depois emendar: “Para haver um apoio público, tem que ter uma avaliação da necessidade e da capacidade de gerir. A avaliação do Ministério é que a CBB chegou ao seu limite de gerir. Não adianta o Ministério ampliar os recursos se a CBB não ampliar sua capacidade de gestão. Ainda há uma avaliação geral de que são passos tímidos, é preciso que a CBB realmente faça uma coisa mais radical no sentido da sua profissionalização. É preciso que a CBB tenha respeito no mercado do basquete, dos patrocinadores, das televisões, que hoje ainda não é o ideal”.

leyser9PERGUNTAS:

1) Leyser sempre deu todo suporte a Carlos Nunes e à CBB. Seja com declarações de apoio ao grupo de Nunes via este blogueiro (que o entrevistava), seja com investimentos de valor absurdo para uma entidade que NUNCA soube cuidar de dinheiro (veja tudo aqui e nos 3 links abaixo citados). Ricardo jamais havia criticado a Confederação de forma tão aberta (e o cenário é o mesmo de agora). Pelo contrário: o Secretário SEMPRE manifestou apoio a Nunes mesmo com todos os indícios de péssima gestão e administração de grana pública. Interessante que seu ponto de vista tenha mudado (salutar até), mas o que modificou a forma como Ricardo fala sobre não investir mais na Confederação?

2) Se o dinheiro é PÚBLICO, e há mau uso do dinheiro PÚBLICO como está provado há algum tempo, o que mais Leyser precisa para enfim CORTAR a grana PÚBLICA da Confederação? Qual evidência maior ele precisa? Não precisa de mais nada, certo? Só lembrando: sua pasta já liberou mais de R$ 14 milhões para a CBB. O retorno, como esperado, não está sendo bom, e já houve duas (conhecidas) reuniões em que o tema poderia ser tratado (uma em Brasíliaoutra no Rio de Janeiro). Qual a surpresa?

3) O patrocínio do Bradesco não atenuaria os problemas financeiros da CBB, dando a ela um pouco mais de autonomia à entidade máxima para investir?

leyser2MINHA ANÁLISE SOBRE AS ASPAS DE RICARDO LEYSER:
Respeito demais o Secretário Ricardo. Disse recentemente a uma amiga que me perguntou sobre ele que eu sinceramente confiava em Leyser por tudo o que vinha tentando fazer no basquete (como ele mesmo disse, não só na CBB, mas em LNB, LDB etc.). E está claro que houve uma mudança de rota, uma mudança em sua forma de analisar o cenário do basquete brasileiro (na parte da CBB). Leyser dera várias declarações de apoio à Confederação e neste sábado abriu fogo em Fortaleza (relembre aqui, aqui e aqui o que ele havia falado). Situações mudam as opiniões, e APARENTEMENTE houve algo que tenha modificado o panorama (desde sempre sombrio) pintado por Carlos Nunes. A administração Nunes é uma tragédia, mas ele conseguiu o convite para a Copa do Mundo, o patrocínio veio e a reeleição foi um sucesso (foi aclamado por 21 dos 27 votos). Leyser terá que manter o tom assim (crítico, fiscalizador) caso queira efetivamente mudanças claras e rápidas de gestão.

MINHA ANÁLISE FINAL SOBRE TUDO ISSO:

Pode parecer paradoxal, mas tanto Leyser quanto Alberto me parecem (notem o verbo parecer) ter usado muito bem a imprensa que esteve em Fortaleza para tratar de um tema maior, mais profundo, mais, digamos, espinhoso na relação Ministério, FIBA e Confederação. Tema este que para mim ainda é um mistério, ainda é desconhecido, ainda não é palpável. Respeito ambos (Leyser e Alberto) demais, demais mesmo, mas para mim não está claro o que está acontecendo – e algo está acontecendo, creio eu.

nunes3Reitero: todos os pontos mencionados pelo Ministério do Esporte e FIBA Américas são relevantes, conhecidos e reais, mas não são novos, não foram conhecidos na quinta-feira e levados a debate de forma inédita na sexta-feira em Fortaleza. Crise financeira, deficiência na gestão, ausência de credibilidade e falta de qualidade no trabalho de base estão na ordem do dia na Confederação Brasileira desde que Carlos Nunes assumiu o comando (e quem acompanha este blog sabe bem do que estou falando).

Para mim os dois (Leyser e Garcia) foram muito hábeis, inteligentes e cirúrgicos ao colocar publicamente os problemas da CBB para a imprensa, que na hora reverberou isso, amplificando as aspas do Ministério do Esporte (ME) e da FIBA Américas. Ambos pressionam a entidade máxima não só a dar explicações que certamente virão nesta semana mas a trabalhar, a correr atrás do desenvolvimento da modalidade e a sanear os problemas financeiros gravíssimos que existem desde que Nunes por lá pisou. Com boa parte da mídia nacional por lá, o barulho que se fez foi realmente grande, embora na prática não tenda (notem o verbo tender, por favor) a mudar muita coisa já que Nunes foi reeleito ano passado, o convite para a Copa do Mundo já saiu e o patrocínio com o Bradesco foi assinado. A fiscalização, o cerco à Confederação, seja de FIBA ou de ME (e até mesmo da imprensa), só deve aumentar neste momento. E isso é bom demais.

leyser2O ponto que para mim não fecha é: o que teria acontecido, então, de um mês (tempo da última visita de Ricardo Leyser na entidade máxima – como demonstra esta foto ao lado) para cá, para que Leyser e Garcia tenham cuspido fogo com força em Nunes e companhia depois do Jogo das Estrelas do NBB em Fortaleza?

Essa pergunta eu ainda não consigo responder, mas faria com que o entendimento sobre o que se passou no Ceará ficasse mais claro, menos contraditório como está parecendo agora.


Nenê faz cesta da vitória do Wizards – veja vídeo!
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Fábio Balassiano

Nenê teve mais uma excelente partida em sua não menos excelente temporada pelo Washington Wizards. Jogando contra o badalado jovem Anthony Davis, o brasileiro, cascudo, fez questão de mostrar o que os anos de NBA podem gerar. O ala-pivô acertou 13 de seus 19 arremessos, apanhou 7 rebotes, deu tocos, terminou com 30 pontos (igualou a sua melhor marca da carreira – também conseguida neste campeonato) e ainda salvou o melhor para o final. Ele aproveitou jogada bem boa de John Wall, recebeu o passe e deu a vitória a seu time por 94-93 contra o New Orleans Pelicans na capital dos Estados Unidos na noite de sábado. Veja abaixo o vídeo com a cesta de Nenê.

AQUI UMA ENTERRADA DE NENÊ EM STIESMA

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Mais uma jogada de mestre de Larry Bird
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Fábio Balassiano

granger1Acabou que devido às atividades da semana eu não comentei as trocas do último dia de transferências, mas acho que vale a pena. O resumo completo você lê no ExtraTime, e eu vou me ater mesmo a negociação que considerei a mais bombástica da semana. A ida de Evan Turner para o Indiana Pacers (com Danny Granger e seu contrato expirante se mandando para o Sixers).

Bem, na verdade não foi só Turner por Granger. Lavoy Allen (contrato expirante) foi pra o Indiana, e os Pacers liberaram uma escolha de segunda rodada de Draft pro Philadelphia (aliás: os Sixers fizeram tanta troca, mas tanta troca, que eu acho que eles já têm umas 21 escolhas de segunda rodada de Draft guardadas até 2050…). Mas em termos de basquete isso importa bem pouco na verdade.

Para Danny Granger (foto à direita), o que fica na verdade é um ensinamento. Ele tem um contrato imenso por terminar (ganha US$ 14milhões essa temporada), já foi a cara da franquia Indiana (franchise player), mas desde que se lesionou com gravidade não voltou a ser o mesmo. Tem a questão física, óbvio, mas tem também a comportamental. Técnicos e dirigentes que passaram pelo Pacers reclamavam de sua atitude, de seu pouco comprometimento na volta para a temporada e nenhuma liderança. Ele será agente-livre assim que terminar o campeonato, e duvido muito que os Sixers, em renovação, aceitem pagar alguma coisa altíssima por ele. O ala terá que baixar a sua pedida, mas principalmente aumentar o seu nível profissional. Talento ninguém discute que ele tem. Mas, como diz um amigo, sua “fama” na NBA não está boa, não.

turner1Pelo lado do Indiana, só elogios. E por dois motivos. Primeiro porque Evan Turner, que por pouco não foi para o All-Star Game na semana passada, pode se tornar um jogador vindo do banco mais efetivo do que Granger vinha sendo (este tinha 8,3 pontos0. Em seu quarto ano na liga, Turner estava jogando muitíssimo bem pelo Sixers (17 pontos e 6 rebotes de média), é jovem, tem bom físico, rápido e certamente estará feliz por jogar em um time vitorioso e que brigará por título (ele estava bem insatisfeito atuando pelo Phila que só queria perder…). Aceitará, portanto, Turner suas funções (ao menos nesta temporada) de reserva e trará força física e um outro tipo de jogo (mais rápido, menos travado) aos Pacers pensando em uma eventual, provável, possível, esperada final de conferência contra o Miami Heat (vê-lo marcando, e bem, a Dwyane Wade não é irreal).

Além disso, há uma questão contratual nisso tudo. Um dos melhores jogadores da franquia, Lance Stephenson tem um dos menores salários do time (US$ 981 mil) e será agente-livre ao final desta temporada. O objetivo de Larry Bird, presidente do Indiana, é obviamente renovar com ele, mas se não conseguir teria Turner, que também será agente-livre (mas é restrito, ou seja, os Pacers podem cobrir qualquer oferta que vier), para supria a ausência em uma eventual saída de Lance.

bird1Foi mais uma jogada de mestre de Larry Bird, presidente da franquia Pacers. Trouxe alguém com mais “fome” para este campeonato (o dirigente mesmo já havia criticado Danny Granger publicamente – que é raro) e já conseguiu pensar na próxima temporada (caso Lance Stephenson não fique). Ou seja do ou seja: foram duas cestas com um arremesso só (uma no curto e outra no longo prazo). Bird era genial em quadra. Foi estupendo como técnico (levou o próprio Indiana às finais contra o Lakers há mais de 10 anos). E agora segue excelente como dirigente, ajudando a montar um grande esquadrão para este e próximos anos.

Larry Bird é, portanto, um caso raríssimo no esporte: alguém bom em tudo o que se mete a fazer. Com ele no comando os Pacers são cada vez mais candidatos ao título da NBA nesta temporada. Concorda comigo?


Brasileiros vencem gringos no Jogo das Estrelas do NBB
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Fábio Balassiano

Fortaleza (CE) 22/02/2014 - NBB Brasil X NBB MundoTerminou, com menos de 20 horas de duração, o Fim de Semana das Estrelas do NBB em Fortaleza. Na sexta-feira, Marcelinho Machado (nos 3 pontos), Nezinho (Habilidades), Trio Chuí, Cauê e Roseli (Arremesso Campeão) e DeVon Hardin (Enterradas) saíram como os vencedores. Neste sábado, o time de brasileiros venceu o de gringos por 126-116 (Alex, com 33 pontos, foi o MVP). Um ponto a se destacar, também, foi a homenagem feita pela Liga Nacional às campeãs mundiais de 1994 (faz 20 anos da conquista agora em junho).

Confesso a vocês que eu não acompanhei tão de perto (ontem fui ao Rio Open de Tênis e só vi o reprise dos eventos na madrugada) este fim de semana das estrelas do NBB (li bastante coisa do Daniel Neves, repórter do UOL que está lá, porém), mas me assustou um pouco que o ginásio não tenha ficado lotado em nenhum dos dois dias de festa. E o objetivo de se levar a festa para Fortaleza foi promover o basquete, o NBB em uma praça nova, uma outra cidade, sempre lembrando. A imagem, quando a câmera abria, esteve longe de ser bonita.

Fortaleza (CE) 22/02/2014 - NBB Brasil X NBB MundoSinceramente não quero ficar repetindo, hoje, tudo aquilo que venho falando nos últimos meses (sobre promoção de evento, valorização de produto, amadurecimento de marca etc.), porque é mais do mesmo e há pouco sinal de melhora (sugiro uma boa lida nos quatro P’s de Kotler, que agora já são 6, 7, 9, sei lá quantos os novos estudos já estão dizendo).

Sendo bem resumido: não se PROMOVE um evento (EVENTO, não um JOGO, notem a diferença, por favor) de terça, quarta-feira para sexta-feira ou sábado. Sendo este evento algo que não de futebol, o fator “tempo para conhecimento do produto” fica ainda menor.

E aí, acompanhou algo? Gostou? Comente!

Tags : LNB NBB