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Bala na Cesta

Com processo por falta de pagamento, a dúvida: como a CBB fará para quitar a dívida com verba privada?

Fábio Balassiano

08/07/2013 01h29

Quem acompanha este blog sabe que desde o dia 24 de junho tenho divulgado aqui números bem bizarros sobre as contas de 2012 da Confederação Brasileira de Basketball comandada por Carlos Nunes (foto) com análises feitas por mim e (a melhor de todas) pelo Professor Jorge Scarpin.

A entidade máxima do basquete brasileiro, que recebeu mais de R$ 50 milhões nos dois últimos anos (R$ 25,7 mi em 2012 e R$ 25,2mi em 2011 – ver imagem abaixo), terminou 2012 com R$ 8,8 milhões de dívidas (aumento de R$ 1,8mi em relação ao ano anterior, ou 25,7%), perdeu o patrocinador principal para 2013 (a Eletrobrás diminuiu o patrocínio de R$ 13 para R$ 5,5mi – Fonte: Site CBB) e está sendo processada pelo Banco Itaú por falta de pagamento conforme divulguei aqui na sexta-feira em primeiríssima mão. Se os resultados fora de quadra são lastimáveis, em quadra, antes que aleguem que o esporte está crescendo, não é muito diferente, não (leia aqui e aqui).

No sábado, em ótimo trabalho de reportagem, o jornalista Vinicius Segalla, aqui do UOL, apontou os motivos do processo do Itaú contra a CBB. De acordo com o material divulgado por Vinicius, a Confederação solicitou empréstimo, em 27 de fevereiro de 2012, de mais de R$ 3 milhões ao banco, não pagou algumas parcelas desde dezembro/2012 e por esta razão foi acionada na Justiça para quitar o pagamento de cerca de R$ 3,7 milhões (dívida + juros + taxas de inadimplência). Para uma entidade que terá certamente uma receita mais reduzida devido à diminuição do patrocínio da Eletrobrás, sem que nenhuma outra linha de receita tenha surgido até agora (lembremos que já passamos do meio do ano), apresenta-se um cenário bem preocupante para os próximos meses (não custa recordar, também, que o Bradesco também emprestou grana para a Confederação em 2010).

É um cenário de terra arrasada, mas quando se trata de basquete brasileiro a gente nunca sabe onde é exatamente o fundo do poço. A grande dúvida agora é: como a CBB fará para pagar a dívida que contraiu na gestão Carlos Nunes ao Banco Itaú caso seja condenada em última instância? Essa, pra mim, é a principal pergunta que deve ser respondida pelos dirigentes que comandam a entidade máxima da modalidade nos próximos dias.

No sábado cobrei explicações por e-mail tanto de Confederação Brasileira de Basketball quanto do Ministério do Esporte por uma razão bem simples (ainda aguardo respostas, obviamente). A CBB é um grande castelo construído com dinheiro público em sua grandíssima maioria (em 2012, no mínimo R$ 20,6 da receita de R$ 25,7 milhões vieram dos cofres federais – 80,1%), e tenho muito medo, de, devido a sua asfixia financeira recente, a Confederação não ter como pagar a sua contraída dívida com o Itaú com verbas privadas (não seria bacana usar grana da União para pagar juros bancários, né).

Para 2013, a CBB terá, a não ser que alguma receita nova surja nos próximos dias (acho bem difícil), apenas o Bradesco e as cotas de televisão como grana privada (se formos usar o mesmo racional de 2012, isso não chega a R$ 6 milhões). Como já estamos no meio do ano, o que deve estar nos cofres da Confederação, de verba não-pública, não deve ser nem perto do total, né. Entenderam o buraco em que se meteu a entidade máxima? Ora bolas, nenhum contribuinte – eu, você ou qualquer outro – quer ver a grana dos impostos usada por uma entidade esportiva (mal administrada, diga-se de passagem) para quitar dívidas com banco – e acredito que a União tampouco goste de saber que essa possibilidade existe.

Se ainda não dá pra cravar o que acontecerá, é possível, sim, temer pelo futuro nessa questão envolvendo a Confederação e o Itaú – e os próximos passos da modalidade. Estou curioso pra saber qual será a engenharia financeira que o presidente Carlos Nunes, citado como um dos réus no processo, e seus funcionários farão para, com verba PRIVADA, pagar a dívida com o Banco (caso, claro, seja comprovado, na Justiça, o não pagamento das parcelas). O meu, o seu, o nosso dinheiro para pagar juros bancários seria bizarro demais, não?

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