Raio-X do Basquete Feminino: com pires na mão, clubes agonizam e atletas sofrem
Fábio Balassiano
Você que acompanha este espaço e ainda está gostando do Raio-X sobre o basquete feminino produzido por este blogueiro já leu aqui o que falei sobre CBB, Hortência e LBF, certo? Se não leu, clique aqui.
Hoje a vez é dos clubes, dos clubes que ainda teimam em investir na modalidade. E se digo teimam, é simplesmente porque há poucos atrativos para patrocinadores colocarem grana em um esporte cujo retorno mostrou ser baixíssimo nos últimos anos (é ROI que descreve isso de forma bonita, não?).
Há culpa em todo sistema do basquete feminino atual, que, como vimos, é equivocado e pouco organizado/planejado pela Confederação e pela Liga de Basquete Feminino. Isso, sem dúvida, está mais do que claro. Basquete feminino, hoje, é feito por e para heróis da resistência. Mas os clubes têm sua parcela de responsabilidade nisso tudo também. Quase todos são acomodados, passivos e conformados com a situação que lhes é imposta por CBB, LBF ou Federações. Para ficar em um exemplo, quem acompanhou a luta da Federação Paulista recentemente para organizar o Paulista adulto feminino sabe que há pouquíssima vontade de ajudar a transformar a modalidade em algo comercialmente bom. Se quiserem outro, é só pensar na luta que a Liga de Basquete Feminino trava, a cada ano, para colocar oito ou dez times para jogar em sua divisão especial.
Como há pouca grana na mesa, os clubes gostam de ser tratados como reféns e ficam literalmente chorando pitangas aos quatro ventos. Reclamam de taxas, de passagens, de hospedagens, de tudo, mas pouco fazem para, repito, melhorar a situação da modalidade no país. A formação, com isso, é prejudicada, o nível técnico desde a base caiu assustadoramente bons profissionais e atletas preferiram trocar de modalidade ou simplesmente abandonar o basquete (natural, não?). E aí entra um pouco também das concepção de esporte deste país. Querendo ou não, a realidade hoje aponta para os clubes como centros formadores, centros de desenvolvimento e revelação de talentos. Se os do basquete feminino estão com pires na mão, como serão formadas as futuras estrelas da seleção brasileira? Missão quase impossível, certo?
Há, claro, boas e honrosas exceções. A maior delas é Americana, cidade do interior de São Paulo que, com apoio da Unimed local, consegue formar, desenvolver, educar e revelar ótimas atletas. Não obstante tudo isso, possui um time fortíssimo no adulto (embora com poucas atletas das divisões inferiores atuando), ginásio cheio e relação excepcional com a comunidade. É um exemplo a ser seguido, um exemplo a ser olhado por Confederação e Liga de Basquete para mostrar às demais agremiações que há, sim, um caminho possível para agremiações de basquete feminino não falirem dia após dia.
É uma triste realidade, mas não há muito jeito. Enquanto os clubes estiverem nesta situação, com pires na mão e passivos até a alma, o basquete feminino não sairá da lama. Ainda dá tempo de mudar, mas chegou o momento de clubes, federações, CBB e LBF sentarem na mesma mesa para rediscutir o basquete e suas relações.
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Fábio Balassiano
24/08/2012 23:58:09
nao. a tv é consequencia de um bom produto.tem que arrumar a casa antes, xará.eu colocarei uma proposta bacana no começo da próxima semana.abs!
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Fabio Carvalho
24/08/2012 20:24:19
Bala, to acompanhando a sua série. Muito legal!Acho que estou sendo até chato fazendo comparações mas o volei feminino, campeão olímpico, só tem 7 equipes em seu campeonato....Mas no basquete feminino a situação é ainda pior... Bala, qual seria a solução? Ter TV aberta nos campeonatos?
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Iremeyre
24/08/2012 18:00:20
Oi, Bala!!! Estou acompanhando e apreciando muito esta sua série "Raio X . . .". Você está de parabéns!!! Quanto ao que já foi dito até então, concordo sobre o trabalho realizado por Americana, trabalho com Basquete Feminino em São João da Boa Vista-SP, bem próximo de Americana e já tivemos até jogadoras tentando vaga nas equipes de base por lá. Creio ser uma das únicas, senão a única aqui do interior a ter Equipe competitiva no Adulto e Projeto funcionando bem (pq projetos são vários, mas na prática, não funcionam) com a massificação na iniciação, que, se não me engano, abrange inclusive a cidade de Santa Bárbara com quem faz divisa.Mas, gostaria de lembrar que, no geral, quando se fala em base, esquecem da iniciação das meninas ao basquetebol, e passam a promover equipes competitivas, desde a categoria sub 12, realizando as famosas "peneiras", dessa forma, dependem de outras cidades que fazem o árduo trabalho da captação e conquista de novas meninas para a modalidade, caso meu e de outras cidades vizinhas, como Itapira, Itatiba etc. Concordo com a falta de um planejamento, de uma linha de conduta que norteie o trabalho do Basquete Feminino no Brasil, sentimos na pele as dificuldades de se trabalhar com as idades de iniciação (10-12 anos), e, quando as perdemos na continuidade, quando passam a ter 14-15 anos, pois perdem o interesse (existem milhões de outros atrativos) ou abrem mão do esporte em pról de "ajudar em casa" (trabalho).
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Tom
24/08/2012 14:32:12
O produto é ruim porque ninguém incentiva ou ninguém incentiva porque o produto é ruim?Enquanto estivermos nesse paradoxo, NADA vai acontecer.
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Fábio Balassiano
24/08/2012 09:35:28
mto, mto mais séria.concordoabs
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Fábio R.
24/08/2012 08:57:06
Bala, e o futuro...Nem quero imaginar.A selecinha sub-17 acabar de perder pro poderosíssimo Mali e vai disputar a décima primeira colocação no Mundial.Nossa base anda bem obrigado e ajudará bastante a LBF nos próximos anos...SÓ QUE NÃO!!!!
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Tiaguingsilva
24/08/2012 08:44:38
Acho que uma das soluções que poderia ajudar os clubes é a criação de ligas regionais, onde os clubes precisariam de menos investimentos e teriam como começar a montar equipes. Por ter uma liga forte, São Paulo possui times mais estruturados e são maioria no cenário nacional.
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Marcial Ribeiro Chaves
24/08/2012 06:23:24
Concordo que a mídia é fundamental para o ressurgimento do feminino, mas para que haja mídia os times têm que se apresentar num patamar mínimo de qualidade técnica. Hoje em dia, mesmo pessoas como eu, que amam o basquete feminino têm dificuldades em assistir aos jogos da liga nacional e do campeonato paulista, que com o descaso na formação das atletas na base, sobretudo no que diz respeito ao domínio dos fundamentos do jogo, o que se vê é um verdadeiro cortejo de horrores, com dezenas de erros de passes, movimentos de defesa pra lá de descoordenados, percentuais de acertos dos chutes de quadra baixíssimos, percentuais de acertos de lance livres apavorantes, enfim, a coisa me parece bem mais séria. O que vc acha Bala?
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Tom
23/08/2012 23:52:33
A Globo é e ao mesmo tempo não é o problema do basquete brasileiro. .Ela compra e esconde os jogos no SPORTV. Ok, é a única que apareceu pra comprar. .Mas acredito que enquanto o esporte não for pra TV aberta fica dificil mudar alguma coisa.
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Jose da Periferia
23/08/2012 22:37:45
Ola...........taí um bom post para vc Bala...............o Iago deu uma otima ideia.........a relação da midia com o basquete...........principalmente da nossa maior emissora com nosso basquete GLOBO........e outras...ESPN....FOX......SPORTV.......RECORD.....BAND...........a moda é falar do produto.........(que não é bom, não chama anunciantes, não tem retorno etc)..........agora todos querem o produto pronto.....bonitinho........na verdade o pessoal luta por exclusividade........não para ganhar com o produto........e sim para não deixar ninguem ganhar.........tem esporte com muito menos apelo que domina alguns canais.........algo de podre existe no reino televisivo..........na midia em geral tambem........não vemos programas de radio sobre o basquete....espaço nos jornais........tudo bem que estamos em uma monocultura esportiva..........mas temos que descobrir meios que ajudem o basquete(vamos começar pelo basquete)
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filipe
23/08/2012 22:30:35
tenho 33 anos....ainda me lembro quando os campeonatos de basquete feminino passavan na tv aberta (band), havia grande cobertura da mídia (na epoca impressa), a rivalidade Paula x Hortência, ginásio cheios, patrocinadores, enfim, o basquete já foi o segundo esporte do nosso pais....a decadência veio por vários fatores.....falta de gestão, resultados, ídolos...etcccc
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Fábio Balassiano
23/08/2012 22:09:36
nao sei
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lago
23/08/2012 21:00:47
continuando...mega rampa skate um esporte infimo perto do basquete mas mesmo assim amior tv aberta do brasil faz propaganda maciça...E O BASQUETE? NADA....SEMANAS E SEMANAS SEM NENHUMA VÍRGULA, UMA NOTÍCIA....Acho que a saída pro basquete nacional é torná-lo popular novamente...e isso só possível como a mídia...BALA ESSE SEU RAIO-X VAI SE REPETIR ANTES DO INÍCIO DA LBF...dessa vez para falar dos times especificamente para a competição, como estão se preparando, atletas etc...???
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lago
23/08/2012 20:56:07
Bala você fez uma análise objetiva da realidade...é por aí mesmo...acho que o papel da mídia de massa nesse processo de renascimento do basquete brasileiro...veja só a GLOBO, há praticamente 15 dias de propaganda e cobertura do RALLI DOS SERTÕES...ralli...um atividade de ricos e para ricos...Não é só, vejamos um evento como MEGA RAMPA
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Fernando Ribeiro
23/08/2012 20:43:55
Ola bala.....Só gostaria de lembrar que São José dos Campos hoje tem tanto no masculino como no feminino dois ótimos times...Um trabalho de alguns anos que começou a dar frutos o ano passado.Existe um comprometimento enorme de grandes pessoas que gostam realmente de basquete aqui na cidade temos torcida organizada e posso citar duas a sexto elemento e o panico, gostamos do esporte mas o que vejo é que a mídia da mais valor para o futebol, os caras preferem colocar alguém chutando lata a uma partida de basquete, eu gosto de futebol também....O maior problema que vejo é que não se pode falar dos patrocinadores por isso se me permite queria dizer que graças a heatcraft nas categorias de base e agora ao shopping colinas no adulto feminino ainda sonhamos em continuar vendo nosso basquete cada vez mais forte aqui em São josé dos Campos.....
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