Seleção Sub-17 leva surra da Espanha e mostra que máxima de John Wooden segue viva
Fábio Balassiano
Não há muito o que se possa dizer quando o placar aponta uma diferença de 37 pontos, né. Pois foi o que aconteceu na manhã deste domingo na Holanda, quando a seleção brasileira feminina Sub-17 levou incríveis 79-42 (31-9 no terceiro período) da Espanha no Mundial da categoria.
Poderia mais uma vez citar os números aqui (com os 20 erros de hoje, o Brasil é o segundo na lista dos times que mais desperdiçam bolas na competição), mas nem é muito necessário. Um time que chuta 30% na competição (hoje foram 23,5% de quadra) mostra claramente quão ruim foi a fase de preparação, quão curta foi o período de treinamento que estas meninas tiveram com Janeth Arcain, a técnica.
Tenho sinceramente pena das meninas que tentam em quadra suprir, por meio de seus esforços e muito suor, a falta de capacidade administrativa e gerencial da Confederação Brasileira. O problema é que quando o sarrafo cresce, o nível da competição aumenta, “só” raça não adianta, “só” vontade não ganha mais jogo. Em nível América, Janeth ainda consegue contornar os ridículos 30 dias de treino com conversa, com acerto em posicionamento. Em nível Mundial, não, não é possível. Em nível Mundial, em competições classe A, treinamento e preparação adequados fazem a diferença mais do que talento individual.
Por isso admira-me que a Confederação Brasileira, e isso pôde ser lido na entrevista de Hortência aqui no UOL, acredite que apenas se classificar ao Mundial seja suficiente. É bom, claro, mas está muito na cara que para subir degraus em âmbito internacional é preciso dar tempo e bom período de treinamento para as meninas (vide seleção Sub-19 ano passado). Isso não aconteceu, a Sub17 soma três derrotas em igual número de partidas na competição e a não ser que vença Holanda (segunda-feira) e Turquia (terça-feira), a eliminação na primeira fase virá. E virá sem muita surpresa.
O grande mestre John Wooden (foto à direita), lendário técnico dez vezes campeão da NCAA com a UCLA nos Estados Unidos e criador da pirâmide do sucesso, cunhou uma frase muito boa que cada vez mais se aplica ao atual momento do basquete brasileira. “A falha na preparação é a preparação para falhar”. Ou seja: se preparou mal, vai mandar mal.
Aplica-se muito às derrotas da seleção Sub-17, que treinou menos de 30 dias para a competição mais importante da geração, não? Até quando, Hortência? Até quando, CBB? Quantos micos internacionais mais a modalidade assistirá até que uma revolução na forma (até então alienante) de pensar e planejar o basquete deste país seja vista?