Bala na Cesta



Pinheiros, a final do Paulista e o planejamento

Fábio Balassiano

O Pinheiros fez 83-75 em Limeira, fora de casa, ontem e se classificou para a segunda final do Paulista consecutiva (também é a segunda de sua história). Marquinhos foi muito bem (19 pontos em uma partida quase perfeita), Shammel manteve seu ritmo (17), Paulinho esteve ótimo substituindo ao pendurado Figueroa (14 pontos) e a equipe como um todo (o técnico Claudio Mortari foi seguro na direção) conseguiu segurar a onda na reação limeirense do último período (a vantagem, que fora de 18, chegou a cair para nove).

Esta seria, na verdade, a maneira mais simples de falar do feito do clube da capital, mas provavelmente não a melhor.

O fato mais bacana é que o Pinheiros é um dos melhores clubes do país e que seu trabalho é uma das boas coisas que o basquete brasileiro tem hoje. Sem sobressaltos, a agremiação repaginou seu projeto há quatro anos, no começo do NBB. Não “atirou” para contratações bombásticas, midiáticas, e nem se preocupou com resultados imediatos. Veio crescendo aos poucos, aos pouquinhos (o mesmo fenômeno aconteceu com Americana, no feminino, no começo de século), até chegar a ser finalista do Paulista, finalista do Interligas e semifinalista do NBB3 na temporada passada. Não era um trabalho de “um ano”, mas de três em um só.

Chegar a esta decisão do Paulista nesta temporada não surpreende, e nem é motivo para comemorações atabalhoadas. Pelo que conheço do clube (estive lá recentemente, e a estrutura de trabalho – desde a base até o adulto – é realmente inacreditável de boa) e de sua transparente direção, a caminhada continua, continua e continua. Contra São José dos Campos e com o mando de quadra o Pinheiros conta com um elenco fortíssimo, a incrível marca de 14 vitórias nos últimos 15 jogos da competição (se formos somar o Interligas, são 16 nos últimos 18) e a mesma marca: a do trabalho coletivo, sério e contínuo.

Falta um título para coroar isso tudo? Talvez sim. E talvez tenha chegado a hora de um time maduro conquistar um caneco que não vem para a capital há mais de 25 anos (Monte Líbano em 1986).